Vasos de Honra

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O NOSSO RESGATE



Leitura Bíblica: 2 Tessalonicenses 2:13-15.

Introdução: Estou usando a palavra “resgate” porque a nossa salvação foi adquirida mediante o pagamento de um preço. O Apóstolo escreveu: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a  Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20) Fomos resgatados a fim de pertencermos  a Deus. Esta é a salvação: pertencer a Deus, corpo e espírito. Mas qual foi esse bom preço que Cristo pagou? O Apóstolo Pedro responde: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe. 1:18-19).

Nesse contexto, o Apóstolo Paulo escreveu: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor”. O nosso resgate deve ser o motivo de agradecimento incessante, porque, através dele, Deus demonstrou o seu amor para conosco. O texto chave ensina: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação (o que encobre) pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). O texto lido descreve como o nosso resgate aconteceu.

1. A Consecução do nosso Resgate. Quais foram os passos necessários para que o nosso resgate fosse conseguido? Em primeiro lugar, temos que entender o sentido da frase: “Porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação”. A nossa salvação é fruto de uma soberana intervenção de Deus. “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrario, eu vos escolhi a vós outros” (Jo. 15:16). Por que Deus tinha que agir soberanamente a fim de nos salvar? Por sermos pecadores e “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2Tm. 3:4), a nossa salvação, mediante a própria escolha, é uma impossibilidade (Mc. 10:23-37). Jamais escolheríamos, voluntariamente, algo que fere a nossa própria vontade. Devemos lembrar: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto: quem o conhecerá?” (Jr. 17:9). O coração corrupto do homem é o seu inimigo mortal, que luta contra qualquer aproximação a Deus. Nesse contexto de impossibilidade espiritual, o Apóstolo  exclama: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação”. Não convém fazer perguntas desnecessárias quanto à soberania de Deus na eleição de pecadores, basta  descansar nas palavras de Cristo: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim,  de modo nenhum o lançarei fora ... Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida  eterna” (Jo. 6:37,47).

A segunda frase que temos que entender: “Vos chamou mediante o nosso evangelho”. Vamos ouvir o que o Breve Catecismo da nossa Igreja fala sobre o nosso chamado ou, vocação: “Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual convencendo-nos do pecado e da nossa miséria, iluminando o nosso entendimento pelo  conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, nos persuade e habilita a alcançar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no evangelho” (Resp. 31). Cada frase deste ensino merece a mais profunda ponderação. Deus nunca revelou com antecedência o seu propósito para salvar um indivíduo mediante a sua soberana eleição, antes, o seu modo de revelar a sua vontade é sempre mediante a livre e irrestrita pregação do evangelho. A nossa primeira responsabilidade é ouvir a palavra da verdade, o evangelho da nossa salvação, e crer em Jesus Cristo, (Ef. 1:13). A promessa é esta: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm. 10:9). A nossa compreensão dos propósitos soberanos de Deus vem somente depois de crer, depois de sermos unidos com Ele, pela fé em Cristo. Os tessalonicenses reconheceram a sua eleição somente depois da sua conversão e o abandono de seus pecados. “A firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” (1Ts 1:3-9). Somos exortados a confirmar a nossa vocação (chamado) e eleição. Notemos a seqüência: primeiro, temos que crer em Cristo Jesus, conformando a nossa vida a Ele e, com isso, podemos confirmar a nossa eleição, praticando, espontaneamente, os deveres cristãos, “pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe. 1:3-11).

2. A Constituição do nosso Resgate. O nosso resgate tornou-se reconhecido pela atuação de três verdades inseparáveis: fé na verdade, a salvação e a santificação.

a)      O primeiro passo para reconhecer o nosso resgate é fé na verdade do evangelho de Jesus Cristo. Existem muitas coisas que podem nos dar uma medida de alegria no coração. Mas Cristo disse que a melhor fonte de alegria é a Palavra de Deus. “Bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a praticam” (Lc. 27:28). O Salmista experimentava essa alegria, dizendo: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo dia!” (Sl. 119:97). Por que a Palavra de Deus merece tanta prioridade? Porque todas as experiências espirituais começam com o ouvir dessa Palavra, inclusive a própria fé, que “vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm. 10:17). Tudo depende da atuação da fé, isto é, crer na realidade de um objeto invisível, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb. 11:6). A importância da fé (crer) pode ser  reconhecida, conclusivamente, neste versículo: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde (uma atitude de incredulidade) contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36).
b)      Salvação. O alvo da nossa fé é que obtenhamos “a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória”. A salvação na Bíblia abrande muito mais  do que a vida eterna. Cristo veio para salvar o seu povo dos pecados deles, (Mt. 1:21). Essa salvação inclui o livramento do domínio escravizador do  pecado mediante uma verdadeira regeneração pelo  poder do Espírito Santo. Quando cremos em Cristo, somos espiritualmente unidos com Ele, participando  de todas as experiências de Cristo quando Ele deu a sua vida em resgate por muitos. O fruto dessa união: “O pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei e sim da graça” (Rm. 6:14). A graça de Deus é um novo princípio de direção atuando em nossa vida, mediante o Espírito Santo que habita em nós. “Digo, porém, andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl. 5:16). Sim, a nossa salvação é libertadora e redunde para uma vida abundante em harmonia com a vontade de Deus.
c)      Santificação. Inseparavelmente ligado à nossa salvação, no sentido pleno da experiência, está a nossa santificação, uma vida santa e irrepreensível perante o Senhor. A realidade da nossa salvação se  revela pela santidade da nossa vida. Veja como o Apóstolo descreve essa verdade: “Mas graças a Deus porque outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração, à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”, praticantes do que é reto diante de Deus, (Rm. 6:17-18). O Apóstolo continua dizendo, realçando a realidade da nossa salvação: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e,  por fim, a vida eterna; porque o salário do pecado (o que recebemos) é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm. 6:22-23). Podemos resumir a doutrina da santificação citando o ensino do Breve Catecismo da nossa Igreja: “Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão” (Resp.35). Devemos lembrar que a santificação é de tal modo necessária, que sem ela ninguém verá o Senhor, (Hb. 12:14).

3. A Consumação do nosso resgate. Por causa do nosso resgate, podemos alcançar “ a glória do nosso Senhor Jesus Cristo”. É o privilégio de poder “ contemplar a sua face” e estar com Ele para sempre; será o ápice da  nossa salvação, (Ap. 22:3-4). Mas, o que significa essa palavra “glória”?  No Novo Testamento, a glória se refere ao caráter imaculado de Jesus Cristo, revelado em seus atributos divinos; e, por causa disso, a sua posição exaltada à destra de Deus. Ele é “o Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Ap. 19:16). E, depois de completar a sua obra redentora, “assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente  nome do que eles” (Hb. 1:3). E, quando lemos o testemunho dos discípulos, percebemos que eles reconheceram algo diferente na pessoa de Jesus Cristo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai” (Jo. 1:14).Qual foi a glória que os discípulos contemplaram? “A glória como do Unigênito do Pai”. Até certo ponto, eles estavam começando a reconhecer a fulgurância da sua graça e a majestade da sua verdade que se manifestaram em todas as suas obras e palavras; os atributos e a sua Divindade  brilhando através do véu da sua  natureza humana. Em outras palavras, João e os demais discípulos fixaram o seu olhar adorador sobre o que é a possessão natural de Um, cujo nome é: O Unigênito do Pai.

Jesus manifestou a sua glória, o brilho da sua Divindade, nas bodas de Caná, (Jo. 2:11). Ele deu a sua aprovação dos laços matrimoniais. Ele fez conhecido o seu atributo de misericórdia, suprindo as necessidades numa situação possivelmente constrangedora. Assim, Ele é poderoso para suprir todas as necessidades físicas e espirituais do seu povo, para que seja conduzido a Deus, (1Pe. 3:18). O atributo de seu amor se manifestou naquela festa, revelando a sua prontidão para dar tudo gratuitamente. “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef. 5:2). E, finalmente, Ele demonstrou que Ele, de fato, é o Filho de Deus, cheio de graça e de verdade. A sua glória é que Ele é “poderoso para socorrer os que são tentados”, (Hb. 2:18). Ele é o nosso Salvador no sentido mais abrangente possível da palavra.

Na transfiguração, os discípulos, Pedro, João e Tiago, foram privilegiados para ter um relance da glória celestial de Jesus Cristo. O que é que eles contemplaram? “O seu rosto (de Jesus) resplandecia como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz”. E, logo em seguida, ouviram uma voz vinda da nuvem luminosa, que dizia: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo, a ele ouvi” (Mt. 17:1-8). A transfiguração teve, entre outras razões, um duplo propósito:
a)      Para preparar Cristo, o nosso Mediador e Substituto, para enfrentar, com coragem, tudo o que era necessário para resgatar o seu povo da sentença condenatória da lei, a saber: um julgamento, cruel e injusto, e, finalmente, depois de ser brutalmente açoitado, foi crucificado, como se fosse o pior dos criminosos. “Todavia, ao Senhor, agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado (...) foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu”  (Is. 53:10,12). Nesse contexto, apesar do aparente abandono, a transfiguração deu a Cristo não apenas o apoio total do Pai, mas, também, a experiência da glória que o aguardava.
b)      Para fortalecer e confirmar a fé desses três discípulos, e, indiretamente, da Igreja, quanto à verdadeira identidade de Jesus Cristo como Filho Unigênito do Deus vivo e verdadeiro.

Em João capítulo 17, Jesus fez repetidas referências à sua glória eterna. Em sua oração ao Pai, Ele disse: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste a fazer; e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Vs. 4 e 5). Vamos ouvir outra parte comovente dessa oração: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (V.24). Em resposta a essa oração, fomos resgatados para alcançarmos “a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”. E, com certeza, veremos  como o Pai atende os pedidos de seu Filho. 

E, nesse meio termo, o testemunho de Cristo perante o Sinédrio, que estava no processo de condená-lo à morte por crucificação. Diante de seus juízes, Ele falou da sua Segunda Vinda com poder e muita glória, dizendo: “Eu vos declaro  que, desde agora, vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt. 26:64). Devemos cultivar a mesma esperança dos tessalonicenses, que aguardavam a vinda do Filho de Deus, que ressuscitou dentre os mortos, sabendo que Ele nos livrará da ira vindoura, (1Ts.1:10). Naquele dia, alcançaremos “a glória do nosso Senhor Jesus Cristo”, e teremos toda a eternidade para descobrir mais e mais, a glória da sua Pessoa, mediante os seus atributos divinos.

Conclusão: Temos visto como Cristo conseguiu o nosso resgate e o que foi constituído como resultado. E, para a consumação do nosso resgate, alcançaremos, de uma maneira mais completa, a glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Agora, munidos com essa esperança, o Apóstolo nos exorta: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições  que vos foram ensinadas, seja por palavra (a pregação do evangelho) ou epístola nossa” (V.15). A perseverança, mesmo no meio de tribulações, é de suma importância, porque, sem ela, jamais alcançaremos o alvo, a salvação da nossa vida. Como o Apóstolo confessou, e o que nós devemos imitar também: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm. 8:18). “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo com ele é” (1Jo. 3:2).   


O NOSSO DIA FINAL


Leitura Bíblica: Romanos 13:11-14.

Introdução: Até aqui, nos estudos sobre Romanos 12 e 13, temos abordado cinco temas que estão inseparavelmente ligados à  prática da vida cristã. Primeiro, no ato de nossa conversão, somos consagrados a Deus, movidos a dar nossa vida a Ele por causa das muitas misericórdias derramadas sobre nós em Cristo Jesus. Em segundo lugar, reconhecemos que somos salvos pela graça de Deus, por isso, não devemos pensar de nós mesmos além do que convém, por causa do dom especial que cada um de nós recebeu de Deus. Nossos irmãos em Cristo também receberam um dom específico, que, aos olhos humanos, pode ser mais vistoso do que o nosso. Contudo, não ficamos com ciúmes, pois o nosso dom é o que Deus nos deu, portanto, deve ser usado para a sua glória, sem fazer comparações. Em terceiro lugar, aprendemos qual é a natureza do amor e como devemos praticá-lo. O amor seja sem hipocrisia, evitando vinganças particulares. Em quarto lugar, reconhecemos as instituições de autoridades civis, e o nosso dever é respeitá-las, pagando os devidos tributos, porque elas são  ministros de Deus para o nosso bem. Em quinto lugar, aprendemos quais são as obrigações do amor. Amamos a Deus, por isso obedecemos aos seus mandamentos. “O amor não pratica o mal contra o seu próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”.

Agora, em sexto lugar, parece que o Apóstolo está aplicando tudo o que ele tem ensinado até aqui, para que estejamos preparados para o nosso dia final. Há uma tendência para pensar que ainda temos muito tempo para viver, por isso, continuamos adiando decisões espirituais quanto ao futuro. Mas convém lembrar que “toda carne é como  a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente” (1Pe. 1:24-25). Sim, haverá um dia final para cada um de nós, por isso, convém ouvir o que a Palavra de Deus diz.

1. Um Apelo para nos Despertar do Sono,V11.Com a passagem dos anos, um tipo de desânimo, um sono espiritual toma conta de muitos  cristãos; o zelo  antigo praticamente não existe mais. A vida para muitos tem sido uma luta sem muitas recompensas, e,  inconscientemente, pensam: para que lutar, vou  descansar um pouco e aproveitar melhor dos anos  que ainda me restam. Outra razão desse desânimo espiritual é o estado moral do mundo. Tantos  crimes são praticados e passam impunes. A prosperidade dos maus continua sacudindo o nosso senso de justiça. Mas Cristo, prevendo tudo isso, disse: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor  (a Cristo) se esfriará de quase todos”. Contudo, veja a  advertência solene: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt. 24:12-13).

Nesse contexto, o Apóstolo escreveu: “E digo isto  a vós outros que conheceis o tempo”. Qual tempo? A rápida aproximação do nosso dia final. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10).

Percebemos, agora, a urgência nas palavras que se seguem: “Já é hora de vos despertar do sono (essa indolência espiritual); porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos”. Essa salvação se refere mais ao nosso dia final  aqui na Terra. Naquele dia, seremos libertados definitivamente de todos os dissabores desta vida. O Apóstolo viu esse dia com grande esperança, podendo confessar: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o  Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm. 4:6-8). O dia da nossa partida não precisa ser tão terrível porque, devidamente preparado e despertado, “partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fp. 1:23). 

2.  Um Apelo para Deixar as Obras das Trevas, V12. Está na hora de despregar-nos, desviar-nos dos cuidados deste mundo. “Vai alta a noite, e vem chegando o dia” da nossa partida. Entendemos que aqui, “a noite” se refere às atividades que caracterizam a vida deste mundo tão entregue às vaidades seculares, festas, comemorações e lazeres. Talvez algumas dessas coisas tenham uma importância para as famílias, contudo, elas não podem interferir com o tempo e o culto que é devido a Deus. Está na hora de ficar despregado dessas coisas desnecessárias e dedicar mais tempo para aquele que nos amou e a si mesmo se entregou à morte substitutiva por nós, assim, estaremos nos preparando para o dia final.

“Deixemos, pois, as obras das trevas (essas vaidades seculares) e revistamo-nos das armas da luz”. Em vez de sermos vestidos com as coisas das trevas, devemos ser vestidos com os valores da luz que se encontram em Cristo Jesus. Devemos desembaraçar-nos “de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia” (Hb. 12:1). Devemos  purificar-nos “de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co.7:1). Essa santidade é tão necessária, porque sem ela ninguém verá o Senhor, (Hb. 12:14). A vida cristã é muito mais do que uma mera profissão de certas verdades espirituais; é um estilo de vida, santa e irrepreensível perante o Senhor. “Revistamo-nos das armas da luz”, ou seja, das virtudes  que emanam da nossa união com Cristo. É um ato que praticamos diariamente, mediante a leitura assídua das Escrituras, fortalecendo a nossa alma.

3. Um Apelo para Andar Dignamente, V. 13.  Observemos os contrastes que o Apóstolo gosta de  estabelecer. O cristão despreza as obras das trevas a fim de praticar as obras da luz. “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes”. Somos “filhos da luz”. O nosso modo de viver está na claridade do dia; não temos necessidade de esconder o que fazemos, pois vivemos para agradar o Senhor Jesus Cristo, a quem amamos e servimos. Devemos sempre lembrar que “o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade, provando sempre o que é agradável ao Senhor” (Ef. 5:9-10).

Por que o Apóstolo fala daqueles pecados mencionados nesse versículo? “Pois outrora, éreis trevas (praticantes dessas coisas pecaminosas), porém, agora, sois luz do Senhor.” Portanto, o nosso dever imediato é “andar como filhos da luz”. O cristão se esforça para não ser cúmplice nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, as reprova. A rejeição delas é total, não apenas em nossa própria vida, mas, também, na vida das pessoas ao nosso redor, (Ef. 5:6-13). O problema do pecado não é um mal que existe somente em outras pessoas, ele existe em nossa própria vida, talvez  não tão flagrante, contudo, a essência dele está no coração de cada ser humano, aguardando um momento oportuno para nos surpreender, pois o pecado nem sempre é um ato planejado. Mas veja como o Apóstolo estabelece mais um contraste. Depois de registrar uma lista de pecados detestáveis, ele acrescenta: “Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados (declarados inocentes) em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Co. 6:11). Em vez de lamentar repetidamente o que praticamos na ignorância e na incredulidade, vamos testemunhar, com gratidão incansável, da graça e da misericórdia e do perdão que recebemos de Deus em Cristo Jesus. Apesar da nossa vida anterior, feliz a pessoa que pode confessar: “Mas obtive misericórdia” (1Tm. 1:13).  “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo que ele derramou sobre nós ricamente por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt. 3:5-7). Feliz a pessoa que pode caminhar para o seu dia final com essa experiência encorajadora.

4. Um Apelo para Revestir-nos de Jesus Cristo, V.14. Está na hora de tomar uma decisão urgente: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a  carne no tocante às suas concupiscências”. Damos  tudo para Cristo e nada para a carne, que é sempre  faminta por prazeres. Despachamos as coisas inconvenientes do passado, a fim de termos uma vida livre dos pesos que são impróprios para a vida cristã.

Mas, o que significa: revestir-nos de Jesus Cristo? Quando compramos um par de sapatos, não tentamos modificá-los para o nosso gosto, pelo contrário, nós os aceitamos como foram comprados. Se não tivessem sido do nosso  agrado, não os teríamos comprado. Assim, quando  recebemos o Senhor Jesus Cristo como o nosso  Salvador, não tentamos mudá-lo para o nosso querer, antes, aceitamos como Ele é em toda a sua plenitude. Revestimo-nos dele, no sentido de que  reconhecemos a sua eternidade e tudo o que isso implica. Cremos, não apenas em sua existência, mas em quem Ele é e o que Ele fez. Por exemplo: Ele é Deus “manifestado na carne” (1Tm.3:16). “Porquanto, nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb. 1:3). Cremos que Ele é o prometido Messias, “ a consolação de Israel” (Lc. 2:25). Cremos que Ele “se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1:14). Cremos que Ele veio para dar a sua vida em resgate por muitos, (Mc. 10:45). Cremos na eficácia da sua morte  substitutiva, e que nele “temos a redenção,  pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef; 1:7). Cremos que, depois de ser morto, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu e assentou-se à destra de Deus, (1Co. 15:3-4; Mc. 16:19). “Por isso, também pode salvar totalmente  os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder  por eles” (Hb. 7:25). No Antigo Testamento, animais foram sacrificados, simbolizando a morte vindoura de Jesus. Mas esses sacrifícios foram  totalmente ineficazes, “porque é impossível que o  sangue de touros e de bodes remova pecados”. E, para resolver essa impossibilidade, Jesus Cristo deu a sua vida, segundo as promessas proféticas. “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”. A obra redentora de Cristo foi encerrada vitoriosamente. Agora, libertação  é para todos os que se revestem dessas verdades, pois a sua salvação é garantida, (Hb. 10:4,12). “Porquanto a Escritura diz: todo aquele que crê não será confundido” (Rm. 10:11). O apelo termina, dizendo: “E nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”. Não devemos à carne nenhuma obrigação, “porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). Portanto, estejamos preparados, pois o nosso dia final se aproxima sem aviso prévio.

Conclusão: Eu dei este conselho a uma jovem: Se você quer viver a vida cristã, leia e pratique o que  está em Romanos 12 e 13. E, para facilitar a compreensão desses capítulos, escrevi seis mensagens expositivas. Agora, com esta sexta palavra, desenvolvi os quatro apelos do Apóstolo. Primeiro, um apelo para nos despertarmos. A vida escoa-se  rapidamente, e, quando menos esperamos, o nosso dia final chegará. Segundo, um apelo para nos despregarmos dos cuidados deste mundo e nos revestirmos das armas da luz, ou seja, das virtudes  de Jesus Cristo. Terceiro, um apelo para praticarmos o desprezo. Desprezamos as obras das trevas a fim de praticarmos as obras da luz. Quarto, um apelo para despacharmos as coisas inconvenientes . Está na hora de tomarmos uma decisão. Qual? “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”. Reconhecemos que tudo passa rapidamente; a vida é como um breve pensamento e logo virá o nosso dia final. Portanto, devemos orar e viver esta  oração: “Ensina-nos, Senhor, a contar os nossos  dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl. 90: 9-12).


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

AS OBRIGAÇÕES DO AMOR


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Romanos 13:8-10

Introdução: É fácil discernir a transição dos versículos 1 a 7 para 8 a 10. O V.7 fala sobre a nossa dívida diante das autoridades civis, e o V. 8 fala sobre a nossa dívida diante do nosso próximo. Se amamos a Deus, amaremos as suas instituições, cumprindo os nossos deveres perante elas. E, semelhantemente, se amamos a Deus, amaremos o nosso próximo, cumprindo os nossos deveres perante ele. A Bíblia diz: “Ora, temos, da parte de Deus, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão em Cristo” (1Jo. 4:21). É o amor ao irmão que define o nosso amor a Deus. “Aquele que ama seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está em trevas, e não sabe por onde vai, porque as trevas lhe cegam os olhos” (1Jo. 2:10-11). Em Romanos 12:9-21, aprendemos como amar o nosso próximo; e em capítulo 13:8-10, somos ensinados quais são as obrigações do amor.

1) A Persistência do Amor, V8. Temos que persistir na prática do amor. O Ap. Pedro perguntou: “Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe?  Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt. 18:21-22). O texto está ensinando que, se amarmos uns aos outros, teremos o poder para perdoar todas as ofensas contra nós, sem qualquer limitação. “O amor é paciente e benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas  regozija-se com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1Co. 13:4-8).  Essa é a natureza do amor que devemos ao nosso próximo.

O nosso texto diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros;  pois quem ama o próximo tem cumprido a lei”. Esse versículo ensina pelo menos duas verdades, uma negativa e uma positiva.

a)      A verdade negativa. “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor”. A única dívida permitida é o amor que devemos a todos. Pagamos essa dívida amando o nosso próximo com um amor persistente, que nunca desiste. As demais dívidas são proibidas. Está implícita nessa palavra uma advertência quanto à nossa vida financeira. Não devemos acumular dívidas perante as autoridades. A ordem é: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto”. Devemos  perguntar: Por que pessoas têm dívidas? Uma das razões é que há um desejo de possuir mais e mais, por isso  vivem além de suas entradas, e isso é pecado.  Outra coisa é a intensa propaganda para comprar com pagamentos fáceis durante tantos meses; ou,  tomar um empréstimo a fim de adquirir mais rapidamente aquele sonho do coração. Tudo parece tão fácil! Mas, e o pagamento das mensalidades? E se acontecer uma doença,  exigindo despesas  inesperadas? Tomar outro empréstimo? Temos que  saber como cuidar de nossas finanças. É tão fácil perder o nosso testemunho cristão por causa de dívidas não pagas na hora certa. Cuidar das nossas finanças é uma maneira importante para glorificar o nome de nosso Deus. Temos que resistir as tentações do consumo e do pecado da cobiça.
b)      A verdade positiva. Não tendo preocupações com dívidas, seremos livres para amar o  nosso próximo sem restrições, assim como “ Cristo nos  amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef. 5:2). Dessa maneira, o amor é o cumprimento da lei.

2. A Persuasão do amor, V9. Somos persuadidos pelo  amor a obedecer aos mandamentos que Deus nos deu no Decálogo. Jesus recebeu esta pergunta: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt. 22:36-40). Todas as leis morais são resumidas magistralmente nessa resposta. O Apóstolo cita apenas quatro dessas leis a fim de demonstrar a persuasão do amor. Em Mateus 5, Cristo descreveu a abrangência da lei. Ela alcança não apenas o ato  físico, mas, também, os desejos íntimos do coração. “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt. 5:28). Vamos examinar as quatro leis citadas pelo Apóstolo.

a)      “Não adulterarás”. Cremos que Satanás foi “homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo. 8:44). Ele emprega a sua depravação moral para incitar a humanidade, já prejudicada por uma natureza corrompida, para praticar todo tipo de perversão sexual, sabendo que, desta maneira, ela será destruída física e espiritualmente. Nesse contexto, o Apóstolo exorta “que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo (o membro sexual) em santificação e honra” (1Ts. 4:3-6). O Breve Catecismo da nossa Igreja, por meio de perguntas e respostas, nos dá uma exposição: “Que exige o sétimo mandamento? O sétimo mandamento exige  a preservação da nossa própria castidade (pureza sexual), e da de nosso próximo, no coração, nas palavras e nos costumes. Que proíbe o sétimo mandamento? O sétimo mandamento proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras”.
b)      “Não matarás”. Notemos que Cristo não fala nada do ato físico em sua exposição (Mt. 5:21-26), antes, Ele destaca o problema das atitudes erradas diante do próximo: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: tolo (imprestável), estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt.5:22). Notemos como o perigo desse pecado se intensifica: julgamento, julgamento do tribunal e inferno de fogo. É impossível servir a Deus se tivermos qualquer desgosto em nosso coração contra o nosso irmão, (Mt. 5:23-26). Para obedecer ao sexto mandamento, o Breve Catecismo destaca a importância de “preservar a nossa própria vida e a de nossos semelhantes”. E proíbe o atentado contra a nossa própria vida ou a do nosso próximo. O Catecismo ainda acrescenta a proibição do uso “imoderado de comida, bebidas, trabalho e recreios; as palavras provocadoras... e tudo o que tende à destruição da vida de alguém”.
c)      “Não furtarás”. O Apóstolo escreveu: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef. 4:28). E, em outro lugar, acrescenta: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3:10). O trabalho honesto impede a prática de muitos pecados. “Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas, e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro” (Pv. 22:1).
d)     “Não cobiçarás”. Esse é o único mandamento que se refere diretamente à nossa vida interior, às disposições do nosso coração; todos os demais se referem a atos físicos: “Não matarás”. Novamente, deixamos o Breve Catecismo falar: “O décimo mandamento proíbe todo descontentamento com a nossa própria condição, toda inveja ou pesar à vista da prosperidade de nosso próximo”. A cobiça, ambição de possuir o que é de outro, é a causa de tantos crimes arrepiantes. O Ap. Paulo podia confessar: “Quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” (Fp. 3:6). Ele não era um homem culpado de pecados abertos, antes, era homem moralmente correto. Contudo, quando o Espírito Santo começou agir em sua vida, ele confessou: “Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm. 7:7). O Espírito Santo usou o décimo mandamento para convencê-lo da corrupção da sua vida anterior, das suas ambições carnais, em vez de buscar e praticar a vontade de Deus. “Os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera” (Mt. 13:22). Há muitas pessoas em nossos dias que têm uma vida moralmente aceitável, porém, serão condenadas por Deus por causa da transgressão do décimo mandamento, por ambições mundanas. O Apóstolo termina essa parte com uma frase retórica: “E, se há qualquer outro mandamento...”. Ele não está questionando a existência de outros mandamentos; está dizendo que esses quatros são suficientes para demonstrar as obrigações do amor, como Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). Obediência é o fruto primário do amor.

3. A Permanência do Amor, V.10. “Todas as coisas deste mundo hão de passar, porém, o amor jamais acaba” (1Co.13:8). Descrevendo a natureza do amor, o texto afirma: “O amor não pratica o mal contra o próximo”. Voltando para os quatro mandamentos citados, podemos  explicar: “Não adulterarás”. No casamento, o adultério é um mal contra o cônjuge; é uma falta de  fidelidade e amor. Adultério, no sentido mais abrangente e bíblico, é o abuso do propósito original para o sexo; é uma falta de amor a Deus, porque está zombando do que Ele determinou. Se amamos a Deus, seremos constrangidos a não praticar tais desvios. A ordem é esta: “Fugi da impureza (sexual). Qualquer  outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade (perversões sexuais) peca contra o próprio corpo” (1Co. 6:18). E convém lembrar: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:7). E, também: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31).

O mesmo princípio vale para todos os mandamentos. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não matamos, não fazemos nenhuma coisa que possa injuriar o nosso próximo, e nem o que possa prejudicar o seu nome. Respeitamos a sua vida, pois ele também foi criado por Deus. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não tentamos roubá-lo. Respeitamos os seus bens, porque reconhecemos que eles pertencem exclusivamente a ele. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não cobiçamos o que pertence a ele. O segredo é contentamento com aquilo que Deus tem nos dado, sem ter olhos cobiçosos nos bens de outrem. “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele.  Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm. 6:6-8). O descontentamento com o que Deus tem nos confiado pode levar o ambicioso a ser condenado por causas da transgressão do décimo mandamento.

Se o amor não pode fazer o mal contra o próximo, como podemos perdoá-lo se ele tem nos prejudicado em alguma coisa séria? Se nós somos cristãos de verdade, o amor virá em nosso auxílio, porque somos ensinados: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe. 4:8). Por que Deus consegue perdoar os nossos pecados? Porque eles são cobertos pelas perfeições de seu Filho amado,  Jesus Cristo. “Ele é a propiciação (cobertor) pelos nossos pecados” (1Jo. 2:2). O amor de Deus para conosco soube como cobrir o nosso pecado. Ele nos deu o seu próprio Filho, para que nele tenhamos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, (Ef. 1:7). “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós”(Cl. 3:13). Que possamos deixar o amor alcançar o  seu pleno potencial em nossa vida e ações.


Conclusão: O resumo dos nossos deveres espirituais é: “Amarás  o teu próximo como a ti mesmo, o amor não pratica o mal contra o próximo;  de sorte que o cumprimento da lei é o amor”. E, para nos encorajar: “Porque  este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus  mandamentos não são penosos; porque o que é  nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo. 5:3-4).   

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

COMO RESPEITAR AS AUTORIDADES



Leitura Bíblica: Romanos 13:1-7.

Introdução: Devemos lembrar que nos capítulos 12 e 13 de Romanos, o Apóstolo está descrevendo como o cristão deve proceder numa sociedade corrompida pelo pecado, pois os homens são egoístas, “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2Tm. 3:1-4). Primeiro, a nossa vida deve ser consagrada a Deus, que é o nosso culto racional; devemos respeitar os diversos dons que os membros da Igreja exercem; temos que aprender como amar uns aos outros; e, agora, como respeitar as autoridades civis.

Por que o Apóstolo incluiu a necessidade de obedecer às autoridades civis? No início da Igreja Cristã, muitos dos membros eram judeus. Mas, por que as autoridades romanas perseguiam tão ferozmente esse povo passivo e obediente? Porque a Igreja foi vista como mais uma seita do judaísmo. De modo geral, os judeus nunca se sujeitaram mansamente ao domínio romano, sendo os responsáveis por muitas insurreições políticas. E, para ter mais tranqüilidade, Cláudio, o imperador, “decretou que todos os judeus se retirassem de Roma” (At. 18:2). Nesse contexto, a Igreja, mediante o seu procedimento irrepreensível e submisso, tinha que provar que era diferente do judaísmo e demonstrar a sua obediência às autoridades civis. E, para enfatizar oficialmente, por meio de Cartas abertas, que essa disposição dos cristãos é ensinada repetidamente nas Igrejas, “Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém (dos que governam), não sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia para com todos os homens” em autoridade (Tt. 3:12). Veja também Rm. 13:1-7, 1Tm2:1-3, 1Pe. 2:13-17. Agora, estamos prontos para saber sobre os detalhes da nossa obediência cívica.

1. A Instituição de Autoridades, Vs.1-2. Se nós amamos a Deus, amaremos e respeitaremos as suas instituições, tendo prazer em sujeitar-nos à prática da sua vontade. A instituição de governo é uma das “ordenações de Deus”, por isso, a exortação: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores”. Deus, em sua sabedoria, é o Autor do princípio de governo. “Porque não há autoridade que não proceda de Deus”. Embora a forma de governo não seja definida na Escritura, o princípio de boa ordem tem que existir. A Escritura continua na definição, acrescentando: “E as autoridades (pessoas) que existem foram por ele instituídas”. Embora tenhamos eleições livres, cada cidadão escolhendo o seu próprio candidato, Deus é soberano, permitindo que os eleitos ocupem o seu cargo. Mas quando o eleito não teme a Deus, qual deve ser a nossa atitude? Devemos crer na soberania de Deus. Ele está cumprindo os seus próprios propósitos. Deus suscitou os caldeus, “nação amarga e impetuosa ... pavorosos e terríveis ... para fazer violência”, para “executar juízo” contra o seu povo rebelde e traidor (Hc. 1:5-17). Contudo, o nosso dever é sempre o mesmo: “todo homem esteja sujeito às autoridades superiores”.

O princípio da obediência é tão sério, que o texto diz: “De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste a ordenação de Deus”. É Deus que exige a nossa obediência e, se resistirmos, Ele usará as próprias autoridades para nos condenar e castigar. “E os que resistem trarão sobre si mesmo condenação”. A Confissão de Fé da nossa Igreja nos ensina: “Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo mundo, para sua própria glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis, a Ele sujeitos, e para este fim os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores” (Cap.23:1). É importante ouvir o que a Bíblia afirma: “Por meu intermédio (diz o Senhor), reinam os reis, e os príncipes decretam justiça. Por meu intermédio governam os príncipes, os nobres e todos os juizes da terra” (Pv. 8:15-16).

2. A Intervenção de Autoridades, Vs. 3-5 ou, a responsabilidade dos nossos superiores. Quais são essas responsabilidades? Além de administrar os interesses do Estado, elas devem “especialmente manter a piedade, a justiça e a paz, segundo as leis salutares de cada Estado”  (Con. de Fé 23:2).  Infelizmente esses deveres nem sempre têm sido prioridades nos interesses dos políticos. Mas, apesar do que podemos observar, Deus ainda está no seu santo  trono, reinando soberanamente e, reconhecendo essa verdade, podemos descansar, sem ficar indevidamente  preocupados com o que está acontecendo nos lugares de poder.  Embora existam irregularidades, o nosso dever cívico não mudou. O nosso primeiro dever é sempre o mesmo: sujeitar-nos às autoridades superiores, como ao Senhor Deus, orando por elas e entregando  tudo àquele que julga retamente. Apesar de  tudo o que temos enfatizado, essa sujeição não pode ser irracionalmente obrigatória. Se as autoridades decretarem qualquer determinação que fere frontalmente uma lei específica que Deus prescreveu, devemos ser decididos, declarando, sem medo das conseqüências, que o nosso primeiro dever é obediência às leis de Deus. Quando as autoridades ordenaram a Pedro e João “que absolutamente não falassem, nem ensinassem em nome de Jesus”, eles ousadamente responderam: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus” (At. 4:18-19).

Agora, vamos pensar em termos positivos sobre a intervenção das autoridades. Como devemos nos sentir diante delas? “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás o louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para o teu bem”. Não podemos negar a presença de Deus nas atividades políticas. Novamente, sentimos algumas dificuldades, contudo, nem sempre entendemos o modo de Deus agir, mas confiamos na sua soberania. Ele está reinando! Todavia, uma verdade incontestável  deve nos tranqüilizar: os políticos são homens, iguais a qualquer outro ser humano. Deus é justo  juiz, “que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Rm. 2:6). E, no juízo final, veremos apensas dois destinos: “E irão estes (os injustos) para o castigo eterno, porém o justo para a vida eterna” (Mt. 25:46).

Voltando para o nosso texto e o problema de desobediência: “Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela (a autoridade) traz a espada (a autoridade para castigar os transgressores da lei; um poder delegado por Deus); pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. Então, qual deve ser a nossa atitude? “É necessário que  lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas, também, por dever de consciência”,  uma consciência limpa diante de Deus. E o Ap. Pedro acrescentou: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso, antes, glorifique a Deus com esse nome” (1Pe. 4:15-16).

3. A Indenização de Autoridade, Vs. 6-7. Ter superiores é um privilégio, uma dádiva dada por Deus. Alguém comentou: um governo negligente é melhor do que nenhuma forma de  organização. Mas, para ter esse privilégio, os cidadãos têm que assumir a manutenção do governo. “Por esse motivo, também pagais tributos, porque são  ministros de Deus, atendendo, constantemente, a esse  serviço”. A norma bíblica é: “o trabalhador é digno do seu salário” (1Tm. 5:18). Se o magistrado tem que executar o ministério que Deus lhe deu, ele deve receber os meios materiais a fim de realizar os seus projetos. Por isso, o pagamento de tributos não é uma injustiça e nem uma imposição tirânica, antes, é uma participação necessária para o bem de todos. Calvino fez uma observação muito relevante para os nossos dias: “Os magistrados devem lembrar que todo o tributo que  recebem é propriedade do povo, e não uma oportunidade para satisfazer a cobiça e luxúria  particular”. E qual é a lembrança que deve nos motivar a pagar o devido tributo? “Porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço”.

O Apóstolo encerra o assunto com algumas normas que devem ser praticadas por cada cidadão: “Pagai a todos o que lhes é devido”. Essa palavra não se refere a todos os homens sem distinção, antes, segundo o contexto, ela se refere às autoridades. Incluindo neste pagamento: “a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. Esse é um resumo das nossas obrigações diante das autoridades civis. Tributo e imposto são termos conhecidos, mas a palavra “respeito”  refere-se especificamente às autoridades e ao poder que  elas têm para castigar o transgressor das leis cívicas. “Honra” também se refere às autoridades do Estado, porque “são ministros de Deus”, cuidando dos interesses públicos.

Conclusão: Segundo as Escrituras, que são a nossa única regra de fé e prática, o governo civil é uma instituição divina, quer dizer, é ordenação de Deus que ele exista, portanto, deve ser respeitado e obedecido. Embora o governo seja de Deus, a sua forma de existência, seja democracia ou qualquer outra, é dos homens. Deus não legislou uma forma específica. Ele estabeleceu apenas princípios que devem ser incorporados ao sistema, os quais devem ser obedecidos por todos, tanto pelos magistrados quanto pelo povo leigo.

Nós temos falado sobre a Instituição de Autoridades. Cremos que Deus é o Autor deste princípio de  organização civil e, por isso, deve ser respeitado, recebendo a nossa cooperação em termos de obediência. Temos falado sobre a Intervenção de Autoridade. Deus lhes deu o poder da espada, isto é, elas têm a obrigação para intervir no caso de transgressão e castigar o culpado. E temos falado sobre a Indenização de Autoridade. Por serem os ministros de Deus para cuidar dos interesses do povo, elas têm que receber os recursos  materiais para realizar esse cuidado. Estes são arrecadados mediante o pagamento de tributos  e impostos. Portanto, como cidadãos conscientes  das necessidades do governo, cooperamos mediante o fiel cumprimento dos nossos deveres cívicos. A palavra final é esta: “Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei” (1Pe. 2:17).



quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A ESPERANÇA NATALINA


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Lucas 1:76-79

Introdução: Podemos conhecer a história da vinda e do nascimento de João Batista pela leitura de Lucas 1:8-25, 57-66. Agora, na leitura que acabamos de fazer, vemos Zacarias encurvado, contemplando seu recém-nascido filho, João Batista; e, de repente,  ele exclama, com uma voz cheia de louvor e gratidão: “Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor (Jesus Cristo), preparando-lhe os caminhos” (V.76). Esse ministério preparativo de João Batista abordaria três assuntos principais: a) Anunciar que o prometido Messias, Jesus Cristo, estava à porta,  pronto para dar início a seu ministério redentor; b) Despertar a consciência do povo quanto ao seu estado pecaminoso e à necessidade de um arrependimento que produz o abandono do pecado; c) Dar conhecimento da salvação e da acessibilidade dela mediante uma fé verdadeira na obra redentora de Jesus Cristo. Agora, estamos prontos para ouvir a respeito da Esperança Natalina.

1. A Prontidão de Jesus Cristo. “Vindo, porém, a plenitude do tempo (quando todos os preparativos estavam no devido lugar), Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Devemos lembrar que ao dar o seu Filho unigênito, Deus estava demonstrando a sua “entranhável misericórdia” para conosco, pecadores; uma misericórdia que emanava das profundezas de seu interior.

Devemos meditar sobre a prontidão de Jesus Cristo “para dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10:45). É mui comovente sentir, de uma maneira pessoal, que Cristo “ me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2:20). E ouvir o testemunho do próprio Cristo: “ Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas ... Ninguém a tira de mim, pelo contrário, eu espontaneamente a dou” (Jo. 10:11,18). Cristo afirmou: “ Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos. Vós sois os meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo. 15:13-14).

Devemos também pensar sobre o preço que Cristo pagou a fim de realizar a nossa redenção, libertação da pena da morte que pairava sobre cada um de nós, os pecadores. O Apóstolo usou estas palavras tocantes: “Pois Ele (Jesus Cristo), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou assumindo a forma de servo, tornando-se  em semelhança de homens, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fp. 2:6-8). E, se perguntarmos: por que a cruz? Respondemos: Esta foi a única maneira para resolver o problema do pecado. “Aquele que não conheceu o pecado, ele (Deus o Pai) o fez pecado por nós; para que nele (Cristo Jesus), fôssemos feitos justiça de Deus” – feitos aceitáveis diante do Pai (2Co. 5:21). Em virtude da morte substitutiva de Cristo, podemos confessar: “Nele, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Agora à luz dessas verdades, qual é o nosso dever? “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20).

2. A Proposta de Jesus Cristo. . Cristo revela a realidade da sua obra redentora, iluminando o entendimento dos que “jazem nas trevas da sombra da morte” (V.79ª). A pessoa que jaz nas trevas está numa situação de desesperança e de perdição, tem olhos para ver, mas não enxerga e nem entende os valores espirituais. Essa é a situação do pecador que não tem Cristo direcionando a sua vida. E, sem a intervenção soberana da parte de Deus, todos nós permaneceríamos nas trevas da perdição. Mas Cristo veio para nos dar esperança, dizendo: “Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não  andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo. 8:12). Cristo é o dom de Deus para pecadores. Quando Jesus veio à terra de Zebulom, terra de Naftali, “o povo que jazia em trevas viu  grande luz; e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mt. 4:15-16).

Porém, na realidade, qual é a atitude do pecador diante da pessoa de Jesus Cristo, a luz do mundo? “O julgamento é este: que a luz (Jesus Cristo) veio  ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”(Jo. 3:19). Contudo, ouça a palavra de Cristo: “Em verdade em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo. 6:47).
Eis a proposta de Cristo: se alguém se aproxima de Jesus Cristo, crendo em sua obra redentora, será recebido por Deus. “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts. 2:13-14). Graças a Deus por sua “entranhável misericórdia”. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:13).  

3. A Proteção de Jesus Cristo. Cristo nos protege, dirigindo “os nossos pés pelo caminho da paz” (V.79b). Mas como é que ele dirige a nossa vida? A resposta é: “Pelo Espírito Santo que nos foi outorgado” (Rm. 5:5). Ou, como o Apóstolo perguntou: “Não sabeis que sois santuários de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co. 3:16). E Cristo prometeu: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido” (Jo. 16:13). Agora, a ordem é esta: “Digo, porém, andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne  ... Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl. 5:16,25). E, para fortalecer a nossa confiança,  está escrito: “Pois todos que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm. 8:14). Dessa maneira, Cristo dirige os  nossos pés pelo caminho da paz.

Sabendo que o Espírito Santo é o dom que Deus nos dá, perguntamos: Quando é que recebemos o Espírito Santo em nossa vida? Eis a resposta da Bíblia: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da vossa herança até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). A habitação do Espírito Santo em nossa vida é a prova e a garantia da nossa salvação. “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito (que habita em nós) é vida por causa da justiça”- uma justiça adquirida por nós mediante a morte substitutiva de Jesus Cristo, (Rm. 8:9-10). Cristo veio para dirigir os nossos pés pelo caminho da paz. Por essa razão, veio “uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc. 2:13-14).


Conclusão: O que é Esperança Natalina? Ela está na história de como Deus “nos suscitou plena e poderosa salvação”, mediante o envio de seu Filho unigênito. A esperança dessa salvação nasce quando cremos que Cristo veio a este mundo, de acordo com a promessa profética, para  buscar e salvar pecadores tais como cada um de nós. Como Ele mesmo testificou: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo. 10:10). Ele veio como a luz do mundo, a fim de iluminar os nossos olhos espirituais, para que pudéssemos conhecer o plano da salvação. Ele veio para dirigir os nossos pés para a fonte desta salvação, para que crendo, pudéssemos experimentar paz com Deus. Eis a promessa para aqueles que crêem, de coração, em Cristo Jesus como o seu Senhor e Salvador: serão salvos; e o resultado será: “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo sempre” (Sl. 23:6). Tenha um Feliz Natal, com Cristo dirigindo a sua vida, a esperança da glória, (Cl. 1:27).

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

COMO AMAR O NOSSO PRÓXIMO




Leitura Bíblica: Romanos 12:9-21.

Introdução: Temos falado sobre a necessidade de respeitar os dons que outras pessoas têm. Agora, como cristãos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. Reconhecemos as diferenças entre os membros da Igreja, contudo, devemos respeitar essa diversidade sem sentir ciúmes, visto que alguns têm maior destaque do que outros. Cada membro tem a sua própria dignidade. Mas, para praticar esse respeito, temos que amar uns aos outros. Portanto, o título dessa mensagem: Como amar o nosso próximo? O amor que devemos a Deus será abordado em cap. 13:8:10.

Primeiro, temos que tentar definir, de uma maneira prática, a natureza do amor que devemos ao nosso próximo. Reconhecemos que existem duas manifestações do amor: um comum, que engloba todas as pessoas, sem considerar o seu estado social ou espiritual. “O amor não pratica o mal contra o seu próximo”, ou qualquer outra pessoa, (Rm. 13:10). Por outro lado, existe um amor particular, que derramamos sobre a nossa família, os irmãos em Cristo, e não necessariamente, sobre os descrentes. Em dadas circunstâncias, é o irmão em Cristo que recebe a  preferência. “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl.6:10). O segredo é: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros” (1Pe. 4:8). O próprio Deus pratica essas duas manifestações de amor: um amor comum, pelo qual todos recebem da sua bondade, “Contudo (Deus) não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e alegria” (At. 14:17; Mt. 5:45); mas, também, um amor particular, reservado exclusivamente para o seu povo escolhido. Por isso, de necessidade, alguns são colocados à parte. Basta mencionar a salvação. Nem todos recebem a vida eterna, somente aqueles que crêem em Jesus Cristo (Jo. 3:16). Cristo não foi dado para morrer substitutivamente no lugar de cada indíviduo, antes, foi dado para salvar o seu povo, os eleitos; os demais são excluídos por causa de suas transgressões. José foi instruído quanto ao nome da criança que iria nascer: “Ela (Maria) dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt. 1:21). Notemos a especificação da missão de Cristo: “salvará o seu povo”, aqueles que o Pai lhe deu. “Todo aquele que o Pai me dá (e somente estes), esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37). O amor particular de Deus é a base da nossa esperança espiritual. Como é consolador entender que “Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante o nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós” (1Ts. 5:9-10).

No estudo de como amar o nosso próximo não discernimos uma seqüência específica de prioridades, nem uma distinção absoluta entre o amor comum e o amor particular. O Apóstolo se limita a nos dar princípios básicos de como devemos amar o nosso próximo. Para facilitar a compreensão das diversas partes, oferecemos algumas sugestões como chave do assunto.  

1. O nosso amor se direciona objetivamente com  atitudes estabelecidas, Vs. 9-10. a) “O amor seja sem hipocrisia”. A hipocrisia é um dos pecados mais odiosos. Não existe nenhuma outra perversidade tão danosa contra a integridade quanto a hipocrisia, porque ela contradiz a verdade. Podemos sentir o veneno desse mal quando Jesus perguntou para Judas Iscariotes: “Judas, com um beijo trais o Filho do homem?” (Lc. 22:48). O que agrada a Deus  é uma “fé sem fingimento” (2Tm. 2:15). O amor é a plenitude da virtude, mas a hipocrisia é o epítome da maldade. b) “Detestai o mal, apegando-vos ao bem”. O nosso amor a Cristo deve nos constranger em momentos de tentação. Em vez de ficar apegado ao mal, fiquemos apegados ao bem. “Vós que amais o Senhor, detestai o mal; ele guarda a alma dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios” (Sl. 9:10). c) “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal”. Esse é o amor que devemos praticar dentro da Igreja. Como podemos definir esse “amor fraternal”? Oferecemos o exemplo de Cristo: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1Jo.3:16). “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos” (Jo. 15:13). d) “Preferindo-vos  em honra, uns aos outros”. Os fariseus se esforçavam para sempre ocupar os primeiros lugares, (Mt. 23:6-7). O amor não sente nenhuma necessidade de receber honras ou destaques especiais entre os homens, pois a honra que Cristo nos dá o satisfaz plenamente. A advertência de Cristo deve ser lembrada: “Quem a si mesmo se exalta será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23:12).  

2. O nosso amor age zelosamente, evitando omissões, Vs. 11-14. a) “No zelo, não sejais remissos”. Qual foi a atitude de Jesus Cristo diante do trabalho do Senhor?  Zelo, dedicação, diligência; a preguiça foi desconhecida. Ele mesmo confessou a seu Pai: “O zelo da tua casa me consumirá” (Jo. 2:11). E o Ap. Paulo confessou: “Mas pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co. 15:10). b) “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor”. Não deixemos o desânimo tomar conta de nós quando o trabalho está se tornando difícil. Timóteo recebeu esta exortação: “Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom que há em  ti pela imposição das minhas mãos” (2Tm. 1:6). E, para nos encorajar, está escrito: “E não cansemos de fazer o bem porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl. 1:6-9). c) “Regozijai-vos na esperança”. A esperança da salvação eterna é  o motivo da nossa alegria; de um dia “sermos semelhantes a Cristo, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo. 3:2). d) “Sede pacientes na tribulação”. Os cristãos foram exortados “ a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At. 14:22). Cristo nos advertiu: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo. 15:20). e) “Na oração, perseverantes”. Sem a oração, não teremos alegria em nossa salvação, nem paciência na tribulação. Pela oração, ficamos fortalecidos na fé, (Cl. 1:9-12). f) “Compartilhai as necessidades dos santos”. Com essa virtude, demonstramos que amamos a Deus. O Ap. João escreveu: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, mas de fato e de verdade” (1Jo. 3:17-18). g) “Praticai a hospitalidade”. Talvez, em nossos dias, essa palavra não tenha a mesma necessidade como nos tempos bíblicos, contudo, podemos ainda praticar o espírito dessa exortação. A nossa casa pode ser um lugar para cultos, quando queremos evangelizar os nossos vizinhos. Quando lemos sobre o início de uma nova Igreja, quantas vezes a história é como este relato: O primeiro culto se realizou na casa do irmão tal. A nossa casa pode ser um refúgio onde o cristão cansado pode chegar a fim de receber uma palavra de encorajamento espiritual. Veja a atitude de Áquila em At. 18:24-26. Com portas abertas, podemos receber oportunidades para evangelizar passantes. h) “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis”. O Ap. Paulo era um perseguidor feroz dos cristãos. Mas qual foi a atitude da igreja? Cremos que eles oravam  incessantemente por sua conversão, e Deus respondeu as suas súplicas, (At. 4:23-31). Assim, Ananias recebeu esta ordem: “Vai (a Saulo), porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel” (At. 9:15). Deus não pode responder a oração que está pedindo que os perseguidores sejam amaldiçoados, porém, ouve a oração que pede a benção para essas pessoas infelizes.    

3. O nosso amor pratica a empatia com os demais irmãos em Cristo, Vs. 15:16. a) “Alegrai-vos com  os que se alegram e chorai com os que choram”. Eis a empatia: aquela habilidade de sentir o que o irmão está sentindo. Pensamos na alegria dos  pais cujo filho rebelde se converteu e agora está vivendo uma vida piedosa. Por que tanta alegria? “Era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque este teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (Lc. 15:32). Ou pensamos na tristeza dos pais piedosos cujo filho abandonou a igreja a fim de viver uma vida dissoluta. Quantas lágrimas são derramadas por causa dessa decepção! Seja qual for o caso, a empatia traz consolo às famílias. b) “Tendo o  mesmo sentimento uns para com os outros”. Empatia é ter harmonia no viver da vida cristã. c) “Em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde”. Na igreja, somos um só em Cristo, por isso, evitamos atitudes de superioridade. d)”Não sejais sábios aos vossos próprios olhos”. Foi  o problema principal da igreja de  Laudicéia, pois dizia: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma” (Ap. 3:17). Auto-suficiência  é uma presunção que leva muitos para a perdição eterna.

4. O nosso amor age passivamente em circunstâncias provocadoras, Vs. 17-18. a) “Não torneis a ninguém mal por mal”. Em vez de pagar com a mesma moeda: “Esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens”. Cristo disse: “Assim brilhe também a vossa luz (a realidade da nossa vida cristã) para que vejam as vossas boas obras (o fruto transformador de Cristo em nós) e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5:16). b) “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”. Existem circunstâncias nas quais é impossível viver em concordância de opiniões. Nessas provocações, é melhor mantermos o silêncio, mas, sem negar a verdade. É melhor encerrar o assunto passivamente em vez de prolongá-lo, alimentando mais desgostos. “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (Tg. 3:2). “Do muito falar (nascem) palavras néscias” (Ec. 5:3).

5. O nosso amor se manifesta quando conseguimos entregar todos os ultrajes que recebemos àquele que julga retamente, Vs. 19-21. No primeiro versículo deste capítulo, o Apóstolo destacou as misericórdias de Deus, ou seja, a natureza de seu interesse para com o seu povo. Aqui, no V.19, é o Apóstolo que abre o seu coração diante dos membros da Igreja, chamando-os de “amados”, a fim de incutir a seriedade do seu apelo: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira (de Deus); porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”. a) A vingança é uma prerrogativa exclusiva de Deus; e, se alguém praticar  a sua própria vingança, está pecando, porque está fazendo o que Deus proíbe. Guardar e cumprir as ordens de Deus são disposições sábias e gratificantes, (Dt. 4:6). b) A passividade diante das injúrias é um ato de fé, porque cremos que Deus é o Vingador por excelência; Ele fará bem melhor do que nós. c) “Pelo contrário, (em vez de tentar se vingar), se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça”. Esse princípio é uma exposição prática do V.14. “Abençoai os que vos perseguem,  abençoai e não amaldiçoeis”.  Qual será o resultado desse ato  de altruísmo? “Amontoarás brasas vivas sobre a cabeça” do seu adversário. Embora não aconteça sempre, sabemos que uma resposta desprendida pode mexer com a consciência do antagonista e resultar numa reconciliação que exalta o poder de Deus – Deus abençoando o ato  de seu servo. d) “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.  O pensamento é: Não deixes o mal sacudir a sua confiança nas promessas de Deus, praticando uma vingança particular, antes, vença o mal praticando um ato de altruísmo, lembrando que o seu adversário pode ser amolentado por um ato de bondade. Em circunstâncias adversas, o cristão tem uma oportunidade para provar a realidade  da sua fé em Cristo. “Assim, brilhe também a vossa  luz diante dos homens (diante dos vossos adversários), para que vejam as vossas boas obras (por exemplo, o altruísmo) e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5:16).


Conclusão:  O desafio para amar o nosso próximo continua sendo um mandamento irrevogável. O nosso texto nos deu algumas chaves, para que pudéssemos demonstrar a realidade da nossa vida em Cristo. Nesse contexto, o Apóstolo ordena: “Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg. 1:21-22).


Rev. Ivan G. G. Ross

terça-feira, 4 de outubro de 2016

RESPEITANDO OS DONS DOS OUTROS




Leitura Bíblica: Romanos 12: 3-8

Introdução: Temos falado sobre as “misericórdias de Deus”, e, com a consciência delas em nossa vida, devemos nos sentir constrangidos a entregar a nossa vida a Ele numa consagração irrestrita, como uma manifestação de agradecimento. Sim, temos sido enriquecidos em tudo. Mas devemos prosseguir. Consagração necessita que tenhamos uma comunhão espiritual com Deus, pois “ a intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” – a sua vontade, (Sl. 25:14). E, para ter essa intimidade com Deus, é necessário que tenhamos uma vida santa e irrepreensível, uma santidade que demonstra a realidade da nossa vida cristã.

Mas, como podemos entender o sentido dessa santidade de vida? Em primeiro lugar, santidade é a renovação da imagem de Deus em nossa vida. O pecado desfigurou a imagem na qual fomos criados, mas, agora, mediante a regeneração pela ação do Espírito Santo, essa imagem está sendo remoldada em nós. Deus nos predestinou para que sejamos “conformes à imagem de seu Filho” (Gl. 4:19).  Em segundo lugar, santidade necessita de uma obediência singular à prática consciente da vontade de Deus. Cristo confessou: “Não procuro a minha vontade, e sim daquele que me enviou” (Jo. 5:30). E nós, que somos os seus seguidores, não podemos ter uma disposição que entra em choque com aquela do nosso Mestre. “Tudo quando fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl. 3:23-24).

Por que essa ênfase sobre a santidade em nossa vida? Porque vivemos no meio de pessoas cujas vidas foram dotadas com diferentes capacidades. Alguns desses dons têm um destaque maior do que outros, porém, todos têm a sua própria importância e foram distribuídos  pelo Espírito Santo para o bem total da nossa sociedade. Portanto, como cristãos, o nosso dever é respeitar os dons que outras pessoas têm. Esse respeito é uma das manifestações da nossa santidade. Vamos examinar os princípios de respeito contidos no texto da nossa leitura, e, ao mesmo tempo, sentir a importância de revelar  uma vida santa e irrepreensível no meio dessa diversidade de dons. “O amor é paciente, é benigno; o amor não se arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente” no meio de pessoas que têm dons superiores,   (1Co. 13:4-5).

1. A Distribuição dos Dons Vs. 3-6a. O Espírito Santo é o autor dos dons que cada pessoa tem, e foram distribuídos “ como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co. 12:11). Cada dom, apesar das diferenças, tem a sua própria importância, portanto, devemos evitar todo tipo de comparação que tende a exaltar um e a inferiorizar o outro. Nesse contexto, somos exortados: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um”. A exortação se refere a dois perigos insidiosos. Primeiro, o orgulho humano. O meu dom é mais importante do que o seu, portanto, mereço receber maior honra e destaque entre o povo. Tal pessoa está se esquecendo de que a  sua capacidade é um dom que foi concedido pela graça de Deus, e, portanto, pode ser revogado. “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias como se o não tiveras recebido?” (1Co. 4:7). Sem o dom de Deus, seríamos incógnitos e desprezados por causa da ausência de qualquer capacidade específica. O Ap. Paulo confessou: “Mas pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co. 15:10). Notemos como o Apóstolo deu todo o crédito à graça de Deus, que operou eficazmente em sua vida. Assim, devemos pensar com moderação e honestidade. O segundo perigo é igualmente insidioso, porque não procura reconhecer a existência de um dom da parte de Deus. O que eu posso fazer é tão insignificativo que não vale a pena ser reconhecido  como algo útil. Essa pessoa é semelhante ao servo mau e negligente, que escondeu o talento que recebera, (Mt. 25:24-27). Novamente, temos que pensar com moderação e honestidade, lembrando que os dons são distribuídos “ a cada um segundo a sua própria capacidade” (Mt. 25:15). A frase: “segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” tem este pensamento: O cristão, ao contemplar o dom que o Espírito Santo lhe confiou, pergunta: Como  posso usar esse dom para a glória de Deus? E, percebendo uma oportunidade que corresponde com o dom que recebeu, ele logo age pela fé para que o propósito de Deus se cumpra mediante a sua instrumentalidade. 

Para ilustrar a diversidade dos dons que cada pessoa recebe, pois ninguém ficou esquecido na distribuição e desprovido de qualquer capacidade, o Apóstolo usou o corpo humano que tem muitos membros, alguns visíveis e outros invisíveis, alguns com uma importância e outros com menos valor, porém, todos têm o seu lugar e utilidade no corpo; e se um membro estivesse faltando, mesmo sendo o menor, o  corpo seria incompleto e incapaz de seu pleno potencial. “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada”. Vamos lembrar que nós, como membros da Igreja, somos “ membros uns dos outros”. Quando um membro está faltando, todos sentem a sua ausência; “se um membro sofre, todos sofrem com ele”. Mas, por outro lado, “se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (1Co. 12:26). Portanto, na vida da Igreja, somos exortados: Consideremo-nos também uns aos outros, para os estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb. 10:24-25).

2 A Diversidade dos Dons, Vs. 6b-8. Aqui, o Apóstolo fala de apenas sete dons. Existem muitos outros, porém, esses sete são suficientes para ilustrar a diversidade dos dons que o Espírito Santo pode derramar sobre o seu povo, para que “seja tudo feito para edificação” (1Co. 12:26). Vamos examinar, ligeiramente, o sentido geral de cada um desses dons, lembrando que eles são concedidos para serem usados para a glória de Deus.

1)      “Se profecia, seja segundo a proporção da fé”. Profecia, em seu sentido simples, significa a declaração da Palavra de Deus, seja qual for o seu assunto. Somos exortados: “Procurai com zelo, os melhores dons” (1Co. 12:31). A profecia, sem dúvida alguma, é o melhor dom, porque, por seu intermédio, a Palavra de Deus está sendo anunciada, e o Espírito Santo, usando-a, está atraindo os ouvintes para congregarem-se aos pés de Jesus Cristo, de quem recebem o perdão de seus pecados e o dom da vida eterna. Podemos exercer esse dom com a maior confiança, porque o próprio Senhor garantiu: “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Is. 55:11). Pregar, profetizar e anunciar são sinônimos que descrevem a ordem de Cristo: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15). Esse é o melhor dom.
2)      “Se ministério, dediquemo-nos ao ministério”. A palavra é diaconia - serviço, qualquer atividade prática e útil, tal como: “Para servir as mesas”,(At.6:2). Ou, preparar uma refeição. Marta exercia esse dom, (Lc. 10:38-42). O diácono, como oficial da igreja, é um homem chamado e encarregado para fazer qualquer serviço prático dentro da igreja, a fim de manter a boa ordem nos cultos.
3)      “O que ensina, esmere-se no fazê-lo”. O Profeta recebia a sua mensagem diretamente da boca do Senhor, sem qualquer esforço próprio. Jeremias recebeu esta explicação do Senhor: “Eis que ponho na tua boca as minhas palavras” (Jr. 1:9). Mas aquele que ensina, seja pastor ou professor da Escola Dominical, tem que trabalhar  a fim de receber a sua mensagem, mediante o estudo cuidadoso da Bíblia e a pesquisa criteriosa de livros apropriados. Esmerar-se significa esforçar-se por fazer as coisas com perfeição. O Senhor nos deu esta palavra a fim de tirar de nós qualquer indolência no preparo das nossas lições: “Maldito aquele que  fizer a obra do Senhor relaxadamente” (Jr. 48:10). Em nosso ministério, devemos lembrar que estamos ensinando um povo que  está caminhando rumo à eternidade, onde existem apenas dois destinos, ou o céu ou o inferno.
4)      “O que exorta, faça-o com dedicação”. O ensino é direcionado para o nosso entendimento, enquanto que a exortação procura vivificar a consciência e os sentimentos. José, querendo tranqüilizar os seus irmãos inquietos, deu-lhes promessas: “Assim, os consolou e lhes falou ao coração” (Gn. 50:21). Alguns sabem ensinar e comunicar os fatos com clareza, porém, nem sempre sabem como aplicá-los à consciência; por isso a necessidade de exortadores dedicados a seu ministério, pessoas que fazem os fatos chegarem ao coração do povo. “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo” (Rm. 15:13).
5)      “O que contribui, com liberalidade”. Alguns têm mais recursos financeiros do que outros; contudo, todos podem dar alguma contribuição à necessidade dos pobres. Mas a ênfase quanto às contribuições recai sobre a atitude do coração. Os cristãos da Macedônia revelaram esta liberalidade. “Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos” (2Co. 8:3-4). Mas, por outro lado, temos o caso de Ananias e Safira. Sim, eles deram, mas não com liberalidade espontânea, porque reservaram parte do valor prometido para si mesmos. E, para tentarem se justificar, mentiram ao Espírito Santo, (At. 5:1-5). Qual deve ser a nossa atitude quanto à graça de contribuir? “De graça recebestes, de graça dai” (Mt. 10:18). Veja como Cristo ilustrou o sentido de liberalidade: “Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, sacudida, transbordante, generosamente vos darão” (Lc. 6:38).
6)      “O que preside, com diligência”. “O que preside” se refere especificamente aos oficiais da Igreja, ao pastor e aos presbíteros. Eles têm que exercer o seu ministério com diligência, imparcialidade e honestidade. O Ap. Pedro deu esta interpretação: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, tornando-vos modelos do rebanho” (1Pe. 5:1-3). Os que presidem dessa maneira merecem nosso respeito. E honrai sempre homens que presidem com diligência (Fp. 2:29).
7)      “Quem exerce misericórdia, com alegria”. Todos os cristãos, como um ato de amor, devem exercer a misericórdia aos que precisam, contudo, é o diácono que tem esse ministério. Ele dedica-se “ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos, com ações de conforto, como orienta a Constituição da nossa Igreja. Esse ato de amor tem valor especial quando exercido com alegria e boa vontade. “Tudo quanto fizerdes, faze-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens,  cientes de que recebeis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl. 3:23-24). Nesse contexto, Provérbios 15:30 tem uma palavra oportuna: “O olhar de amigo alegra o coração; as boas-novas fortalecem até os ossos”.

Notemos que cada um desses sete dons tem uma palavra que ensina como eles devem ser praticados. “Quem exerce misericórdia, com alegria”, etc. Em cada parte do nosso culto, Deus pede a totalidade do nosso ser, sem qualquer reserva.  “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas ao Senhor, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames e sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardardes os mandamentos do Senhor e os seus  estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?” (Dt. 10:12-13). E, para podermos agir dessa maneira, temos que cultivar uma vida santa e irrepreensível; lembrando sempre que consagração a Deus necessita de uma comunhão, uma intimidade com Deus, e o resultado não pode ser outro senão uma verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor.

Conclusão: Começamos esta mensagem mencionando a tríplice unidade, são três realidades inseparáveis na vida cristã. Consagração a Deus necessita que tenhamos comunhão espiritual com Ele; e essa intimidade sempre se manifesta através de uma vida santa e irrepreensível, uma santidade que pode ser reconhecida por todos. Santidade está unida inseparavelmente à pratica  do amor. “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” – separado de Deus (1Jo. 3:14). A prática do amor fraternal significa que respeitamos os dons que o irmão tem. Talvez eu não possa profetizar como convém, porém, reconheço que o meu irmão tem esse dom, por isso, fico grato a Deus, porque a Palavra de Deus está sendo proclamada e o seu Nome está sendo conhecido e glorificado. Mas, por lado, reconheço que Deus tem me dado um dom de acordo com a minha capacidade. Talvez não se sobressaia tanto quanto a profecia, contudo, é o dom que posso usar livremente e também glorificar a Deus.


Nos dias do Ap. Paulo, existia uma certa rivalidade quanto ao uso dos dons. Mas, qual foi a  atitude desse nobre servo de Deus? Ele escreveu: “Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por  inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam Cristo por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” (Fp. 1:15-18). Irmãos, vamos sempre lembrar: “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Que cada um de nós possamos usar o nosso próprio dom, sem qualquer inveja, com a devida diligência, como para o Senhor, sempre respeitando os dons que os demais membros da Igreja receberam do Senhor. “A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl. 3:24).



Rev. Ivan G. G. Ross