Vasos de Honra

domingo, 14 de maio de 2017

O GRANDE MANDAMENTO



Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Marcos 12:28:34.
Introdução: No tempo de Jesus, dentro da religião judaica, existiam muitos grupos diferentes. Os três principais eram: Os Saduceus - eles aceitavam somente os escritos de Moisés, porém, negavam a ressurreição dos mortos e tudo o que estava ligado a essa doutrina; também, negavam a existência de anjos e de espíritos; veja Marcos 12:18:27.  Os Fariseus - a ênfase era mais ética do que teológica. Eles exigiam uma obediência literal à lei de Deus e às tradições, tais como a guarda do sábado, o pagamento do dízimo e a proibição de comer na casa de um não fariseu. Para se ter uma ideia de como eles viviam, veja Lucas 6:1-5. Os Escribas, ou Intérpretes da Lei - eram os mestres para interpretar e ensinar a lei de Deus. No exercício desse ministério, eles acrescentaram à lei as próprias opiniões que, gradativamente, tornaram-se “tradições”. Estas passaram a receber uma autoridade igual ou superior à das Escrituras Sagradas. Por isso, Cristo condenou essas tradições, dizendo: “Assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (MT. 15:5-6).  Veja como Cristo condenou as atitudes dos fariseus e escribas. Mas, em vez de aceitar a repreensão, eles tornaram-se seus inimigos, (Lc. 11:37-54). Contudo, cremos que alguns dos escribas temiam a Deus. Eles foram responsáveis pela preservação das Escrituras, fazendo cópias delas. Graças a esses homens fiéis, temos, hoje, a verdadeira Palavra de Deus em forma escrita, porque o Espírito Santo zelava por sua Palavra, capacitando homens a escrever com honestidade. Desse grupo, veio o escriba do nosso texto. Sentimos que ele era um homem sincero, e não um daqueles que tentavam apanhar o Senhor Jesus em uma palavra, a fim de contradizer tudo o que Ele ensinava.

1. A Indagação do Escriba, V.28. Grandes multidões seguiam a Jesus e, sempre no meio destas, os saduceus, fariseus e escribas se faziam presentes. Num desses encontros, os saduceus tentaram ridicularizar a doutrina da ressurreição. Mas Jesus os dirigiu ao livro de Moisés, aquele que eles supostamente seguiam, dizendo: “Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro” (Mc. 12:18-27). Agora, voltando para o escriba do nosso texto, ele também estava no meio daquela multidão que seguia a Jesus, e ouviu como Jesus havia respondido bem ao drama criado pelos saduceus. Podemos imaginar como ele raciocinava: Este homem é diferente, Ele não é como os meus colegas dizem... Vou ver como Ele responderá à minha pergunta! (Que foi: “Qual é o principal de todos os mandamentos?”) Devemos lembrar que, entre os escribas, não havia nenhum acordo sobre essa questão. Contudo, reconhecemos que essa pergunta é a mais importante que o homem pode fazer. Se ele erra a resposta, continua perdido, porque não ama a Deus.

2. A Informação de Jesus Vs. 29:31. A resposta é dupla: O homem deve começar a sua busca espiritual, em primeiro lugar, crendo na unicidade do Deus verdadeiro. Muitos seguem deuses que, por natureza, não o são (Gl. 4:8). Por isso, a importância da informação de Cristo: “Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus é o único Senhor”. A segunda parte da sua resposta é: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”. Esse amor é sempre dirigido unicamente a Deus, (Dt. 10:12-13). O Senhor continua, dizendo: “O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que este”. O nosso ser não é dividido em partes, uma independente da outra. Somos uma unidade indivisível. Quando dizemos que amamos a Deus, é uma impossibilidade dizer: Eu amo a Deus de coração, porém, não com todas as minhas forças, porque tenho outras responsabilidades e interesses. Tentando agir assim, é uma negação da realidade de seu amor. As quatro palavras: coração, alma, entendimento e força estão representando a totalidade da nossa disposição para amar a Deus.

A Bíblia ilustra como esse amor deve ser: “Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; a passo que de Caim e sua oferta não se agradou” (Gn. 4:4-5). Por que essa diferença entre os dois irmãos? Porque Abel obedeceu à norma que Deus estabelecera de receber culto dos pecadores. Essa norma seria unicamente mediante um sacrifício e o derramamento do sangue de um cordeiro. Caim desprezou o que Deus estabelecera. Talvez, ele pensou: Eu posso ofertar a Deus o que eu tenho, afinal, Deus tem que reconhecer o que eu faço com as minhas próprias mãos, visto que o fruto do meu trabalho é tão importante quanto os cordeiros de meu irmão, (Gn 4:3-5). Mas Deus jamais aceitará a justiça própria do homem. Amar a Deus requer obediência ao que Ele tem ordenado. Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). A obediência é a prova da veracidade do nosso amor. Outro exemplo: “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si” (Gn. 5:22). Se nós amamos a Deus segundo as normas que Ele mesmo estabeleceu, estaremos em comunhão constante com  Ele, à semelhança de Enoque. Alimentamos essa comunhão espiritual lendo a Bíblia, fazendo orações todos os dias e procurando a vontade de Deus em cada uma das nossas decisões. Cristo revelou o seu modo de viver diante de Deus: “Eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo. 8:29). Essa é a disposição que revela a realidade do nosso amor a Deus. O amor sempre envolve a totalidade do nosso ser. Quando Cristo nos amou e a si mesmo se entregou à morte como o nosso substituto, a totalidade do seu ser foi necessária, a fim de ser vitorioso e adquirir a nossa redenção e salvação. Portanto, devemos confirmar a nossa eleição através de uma vida santa e irrepreensível, andando em amor, (Ef. 1:4; 5:2).

Agora, não podemos esquecer o nosso irmão. Se nós realmente amamos a Deus, de necessidade amaremos o nosso irmão, porque Deus é amor. O Ap. João deu este exemplo: “Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1Jo. 4:11-12). O amor ao próximo é a prova de que somos parte do povo que Deus adotou como seus filhos.

3. A Inclinação do Escriba, V.32-33. Podemos sentir a sinceridade desse escriba com a sua exclamação: “Muito bem, Mestre!”. Por ser um intérprete da lei e um instrutor dela, ele fez questão de repetir a resposta que Jesus lhe dera; e acrescentou uma verdade profunda: “E, com verdade disseste que Ele é o único Deus, e não há outro senão Ele; e que amar a Deus de todo coração, de todo entendimento e de toda a força e amar o próximo como a si mesmo”. Agora, repare no acréscimo: esse amor “excede a todos os holocaustos e sacrifícios.” O que ele está dizendo com essas palavras? Ele estava confessando que não há nada que possa substituir a prática do amor. “O cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Existem pessoas que estão se esforçando para substituir a necessidade de praticar o amor. Davi confessou ao Senhor: “Pois não te comprazes em sacrifícios: do contrário eu tos daria; e não te agradas de holocausto” (Sl. 51:16). Fazer qualquer coisa física é bem mais fácil do que amar de todo o nosso coração. Cristo repreendeu os escribas e os fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus (que tentam substituir a prática do amor), hipócritas,  porque dais o dízimo do hortelã, do endro e do cominho (coisas mínimas) e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, (o amor), e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas” (Mt. 23:23). O Ap. Paulo, abordando o mesmo assunto, escreveu: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o símbolo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar, e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co. 13:1-3). Novamente, reiteramos: não existe nada que possa substituir a prática de um amor verdadeiro e visível. Esse amor supremo é sempre dirigido a Deus e ao próximo. E, para finalizar sobre o lugar institutível do amor, o Apóstolo escreveu: “Se alguém não amar o Senhor, seja anátema. Maranata” (1Co. 16:22).

4. A Intuição de Cristo, V 34. “Vendo Jesus que ele (o escriba) havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus”. O que Jesus estava dizendo com essa observação? Entendemos que o homem, num sentido, pode chegar perto de reino de Deus por seu próprio esforço, estudando a Bíblia e abandonando certos pecados. O jovem rico é um exemplo daqueles que procuram “estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitando à que vem de Deus” (Rm. 10:3). O que lhes falta é aquela obra insubstituível do Espírito Santo, que soberanamente efetua a tão necessária regeneração. Cristo ensinou: O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito, isto é, tem a vida verdadeiramente espiritual e é herdeiro da salvação, (Jo.3:6). Ninguém se torna cristão por ter nascido num lar cristão, visto que tornar-se cristão é uma experiência posterior. Ser cristão é um processo que deve ser reconhecido. Primeiro, no devido tempo, a pessoa sente uma necessidade espiritual. O Espírito Santo está agindo, dirigindo-a a ler a Bíblia, de onde receberá a resposta que saciará o seu anseio. Com a leitura das Escrituras Sagradas, o Espírito Santo a convencerá de seu pecado e como este deve ser confessado e abandonado. E, em seguida, será dirigida a Jesus Cristo, “no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos nossos pecados” (Ef. 1:7).

Podemos traçar a experiência desse escriba da seguinte maneira: Mediante o seu contato com as Escrituras Sagradas, ele reconheceu a sua necessidade espiritual. Na esperança de alcançar paz com Deus, ele começou a praticar as obras da lei, algo que ele não conseguia fazer com a devida perfeição, “visto que ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”, mas ela não oferece nenhum perdão,  (Rm. 3:20). O escriba estava caminhando para aquele ponto quando teria que reconhecer que, por seus próprios esforços, jamais seria justificado diante de Deus. O jovem rico chegou a esse ponto, por isso, foi a Jesus e lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Mc 10:17). Com certeza, como Intérprete da Lei, o escriba conhecia as promessas Messiânicas do Cristo que salvaria o seu povo dos pecados deles. Cremos que ele estava examinando Jesus a fim de saber se Ele era, porventura, o prometido Salvador. Nesse ponto, ele parou, não sabemos se ele chegou a confessar que Jesus era, de fato, o verdadeiro Messias, o Cristo de Deus.

A história do jovem rico descreve o que estamos dizendo, (Lc. 18:18-23). Apesar de toda a sua obediência à lei, ele sabia que não tinha a salvação, e não estava preparado para o tribunal de Deus. E, por causa disso, aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?” Jesus não lhe deu uma resposta direta. Em vez disso, Ele lhe disse: “Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me”. Por que Jesus lhe deu essa resposta? O jovem era muito rico, e ele tinha que descobrir se as suas posses eram mais importantes que vendê-las e seguir a Jesus. Esse é o ponto onde muitas pessoas chegam. Estão  caminhado bem e não estão longe do reino de Deus, mas não querem tomar aquele passo decisivo para deixar tudo e seguir a Jesus, não querem entregar-se, corpo e alma, aos cuidados salvíficos de Jesus Cristo. O preço é alto demais. A história das dez virgens é semelhante. Todas as dez seguiam as normas exteriores de uma vida piedosa, porém, com uma diferença. Cinco eram prudentes e se muniram com azeite, com aquela devoção sincera do coração; e, quando o noivo chegou, entraram com ele pela porta aberta. Mas as cinco néscias não se preocuparam quanto à necessidade do azeite, ficando satisfeitas com a simples observância de algumas formalidades, em vez de uma devoção sincera. Por isso, quando foi anunciada a vinda do noivo, elas descobriram, já tarde demais, a sua falta de azeite, e a porta se fechou contra elas. Não é suficiente ficar perto do reino de Deus: temos que tomar aquela decisão imperativa, crendo e entregando-se, corpo e alma, sem reservas, a Jesus Cristo, para que sejamos salvos por Ele. Somente unidos com Jesus Cristo é que podemos praticar o grande mandamento.


Conclusão: Temos falado sobre a importância de conhecer e obedecer ao Grande Mandamento que fala sobre a excelência  do amor, não apenas a Deus, mas também ao próximo. Salientamos a necessidade de praticar esse amor com a totalidade do nosso ser. Em nosso procedimento, não existe nada que possa substituir esse amor. Sacrifícios e boas obras não podem agradar a Deus. O que Ele requer de cada um de nós é o amor que emana de um coração sincero. Muitos chegam perto do reino de Deus por seu conhecimento das Escrituras Sagradas, porém, não querem abrir mão da sua própria independência e auto-suficiência. Chegam perto do reino de Deus, porém, não entram. Sem Cristo em nossa vida, dirigindo os nossos passos, é impossível alcançar a dádiva da vida eterna. Não seja como as virgens néscias, descobrindo a sua falta  quando já era tarde demais para ser remediada. Cristo explicou o problema: “Contudo, não querei vir a mim para terdes vida” (Jo. 5:40). Então, sabemos o que devemos fazer. Que sejamos prudentes!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

PAZ COM DEUS



Leitura Bíblica: Romanos 5:1-2.

Introdução: A paz é o estado mais desejado pelo ser humano; contudo, apesar de todos os apelos e propostas dos homens, a paz continua sendo um estado fugitivo. Existem dois tipos de paz: a que o mundo oferece e a que Cristo promete dar a seu povo. Eis a palavra que Cristo nos deu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou com a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo. 14:27). A paz que o mundo oferece é transitória e enganadora; pensamos que temos uma certa paz, porém, com uma mudança negativa em nossas circunstâncias, ela foge, deixando-nos vazios e desesperados. Ficamos enganados por causa de uma impressão imaginária. E como dói quando descobrimos o engano. Mas, como é diferente a paz que Cristo nos dá; ela não é como a do mundo; é um estado de tranquilidade que emana da consciência de que os nossos pecados são perdoados. É uma paz que não depende de circunstâncias favoráveis. Eis a promessa dada para nos encorajar: “O Senhor dá força ao seu povo, o Senhor abençoa com paz o seu povo” (Sl. 29:1). Portanto, a paz é um estado de favor diante de Deus, pois os nossos pecados foram lançados “nas profundezas do mar” (Mq. 7:19). Agora, somos reconhecidos como “filhos da obediência” (1Pe. 1:14). O versículo chave da nossa mensagem explica melhor como recebemos esta paz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).

1. O Acontecimento desta Paz. “Temos paz com Deus”. Nunca devemos esquecer que somos pecadores e, por causa dos nossos pecados, existe uma barreira de inimizade entre nós e o nosso Deus santo. Essa inimizade impossibilita qualquer paz ou comunhão espiritual entre Deus e o pecador. E, para facultar uma paz entre os dois, uma reconciliação tem que ser realizada, isto é, a causa da inimizade tem que ser removida. Novamente, temos que reconhecer a soberania de Deus. Não foi o homem que procurou uma reconciliação, antes, por amor a seu povo, o próprio Deus providenciou os meios para realizar a necessária harmonização. Como a Bíblia ensina: “Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões e nos confiou a palavra da reconciliação” (2Co. 5:18-19).

Vamos aprender como Deus removeu esta barreira de inimizade. A causa da hostilidade são as “transgressões” dos homens. Portanto, Deus tinha que providenciar um meio para remover essas transgressões. Mas, como? “Não imputando aos homens as suas transgressões”, antes, foram tiradas do pecador e colocadas sobre o seu próprio Filho, Jesus Cristo, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Como a profecia predisse: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele (Jesus Cristo) a iniquidade de nós todos” (Is. 53:6). Dessa maneira, “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Mas, vamos sentir algo sobre o preço que Cristo pagou: “Aquele que não conheceu pecado, ele (Deus Pai) o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co. 5:21). Por amor a nós, Cristo foi castigado como se fosse Ele o pecador. “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is. 53:5 ). Agora, sendo reconciliados e perdoados, tendo a paz de Deus em nosso coração, damos toda a glória a Deus, com gratidão por Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

2.O Argumento da Paz. “Justificados”. Na Bíblia, essa palavra é usada no tribunal de Deus. O pecador é julgado segundo “o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”, para depois ser declarado: ou culpado e condenado; ou inocente e justificado, de acordo com a lei divina. Não há como escapar. Para sermos justificados, temos que ter uma página em branco diante dessa lei. Mas, por natureza, ninguém tem a devida inocência. A Bíblia condena a todos, “pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm. 3:9-18). Como o profeta acrescentou: “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor” (Is. 48:22). O seu pecado é a causa dessa desarmonia, a qual se manifesta através de uma agressividade contra o seu próximo.

Mas, apesar desse quadro negativo, Deus continua desejando salvar e santificar o pecador. A pergunta se levanta: Como pode Deus ser justo e, ao mesmo tempo, ser o justificador do ímpio? Exigir uma obediência perfeita à lei é uma futilidade: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). Em vez de salvar, a lei somente intensifica a culpabilidade do pecador e confirma a sua condenação. Contudo, eis a resposta de Deus: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo” (Rm. 3:21-22). Somos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Ele resolveu definitivamente o problema do nosso pecado. Ele é a nossa paz, (Ef. 2:4). Por Ele somos justificados. E o profeta descreveu o fruto desta dádiva: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança para sempre” (Is. 32:17). Novamente, reiteramos o versículo do nosso texto: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Vamos valorizar a letra do hino: “Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei”. (HNC 50).

3. O Alicerce desta Paz. Temos esta paz com Deus “por meio do nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele é a nossa “âncora da alma, seguro e firme e que penetra além do véu, onde Jesus entrou por nós, tendo-se tornado sumo-sacerdote para sempre” (Hb.6:19-20).

Por sermos pecadores e totalmente inabilitados a cuidar da nossa vida espiritual, somos completamente dependentes da mediação de um outro que tem a autoridade e o poder para nos salvar. E este é Jesus Cristo. Tudo o que temos e precisamos vem a nós “por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Como Ele mesmo disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo. 15:5). Por isso, cheio de compreensão, Ele nos convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jogo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30). Feliz a pessoa que sente uma necessidade espiritual e toma posse dessa promessa, aproximando-se, pela fé, daquele que o convida.

A mediação de Jesus Cristo é uma das verdades fundamentais da fé cristã. Veja como Efésios 1:3-14 apresenta essa verdade: Quando Deus o Pai age em nosso favor, é sempre e unicamente “em Cristo” (V3). Fomos escolhidos “nele” para viver uma vida santa e irrepreensível, (V4). Fomos adotados como filhos de Deus, “por meio de Jesus Cristo”, (V5). Nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (V7). E os que esperam em Cristo, foram “selados com o Santo Espírito da promessa” (Vs12-14). Sempre enfatizamos que o acesso que temos ao trono da graça é, exclusivamente, pela fé, em plena submissão à eficácia da mediação de Jesus Cristo. “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:14-16).

E, para que o homem pudesse ser justificado e tivesse paz com Deus, Cristo tinha que realizar três atos indispensáveis em nosso favor: 1) Ele assumiu o lugar judicial de seu povo, como seu fiador e substituto, tomando sobre si mesmo tudo o que esse povo devia à lei de Deus. “Ele derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is. 53:12). Por causa disso, o verdadeiro cristão é um homem justificado, porque ele crê na fidelidade de seu Substituto. 2) Ele pagou a dívida que pairava sobre o cristão, liquidou tudo, até o último centavo; não com ouro ou prata, mas, sim, com o seu próprio sangue, (1Pe. 1:18-19). 3) Ele cumpriu todas as exigências da lei, para que o cristão, aquele que entregou sua vida aos cuidados de seu Salvador, pudesse ser justificado e desfrutasse das bem-aventuranças de paz com Deus. Graças a Deus, “porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo o que crê” (Rm. 10:4). A lei não salva ninguém, antes, a sua missão é conduzir-nos a Jesus Cristo, para que nele sejamos recebidos por Deus (Gl. 3:24).

4. O Aceitamento da Paz. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus”. Primeiro, temos que definir a palavra “fé”. A Bíblia diz:  “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb. 11:6). Portanto, o primeiro ponto para definir a fé é crer que Deus realmente existe e que Ele se revela aos que o buscam. Ele não é um Ser abstrato, antes, Ele  é vivo e cheio de atributos atuantes. Num momento de auto-revelação, ele clamou: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração” (Ex. 34:6-7). Crer em Deus significa que cremos que Ele é misericordioso, fiel à sua palavra, perdoador e justo; e que Ele se comunica com a humanidade. Em nossos dias, essa comunicação vem a nós de uma forma inalterável nas Escrituras Sagradas.

Como podemos exercer a nossa fé? É crer, genuinamente, nas evidências que Ele mesmo nos deu através de suas obras na criação, (Sl.19:1). É usar a nossa inteligência, é desprender-se de qualquer dúvida, é crer que Deus usa seus atributos em favor de seu povo, pois Ele é galardoador dos que o buscam. Por ser um Deus que fala conosco através das Sagradas Escrituras, temos que acreditar e obedecer tudo o que Ele fala para o nosso bem. Em Hebreus onze, temos diversos exemplos de como os antigos usaram a sua fé. Tomamos o modelo de Abraão. Deus lhe deu uma promessa, e também os meios que deveriam ser praticados, a fim de tomar posse da herança. Ele teria que deixar o país onde nasceu e viver em plena dependência da direção de Deus. “Pela fé, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que deveria receber por herança; e partiu sem saber aonde ia” (Hb. 11:8). Vamos observar os seus passos no exercício da sua fé: ouviu a ordem, acreditou no que Deus lhe disse, e obedeceu às direções a fim de receber a promessa. E ele não ficou decepcionado: recebeu a promessa. Em todos os exemplos de como os homens exerceram a sua fé, os passos básicos são os mesmos: ouviram a palavra de Deus, acreditaram nos termos propostos e agiram pela fé, a fim de receber a prometida benção. E, para receber a salvação da nossa vida, os passos são os mesmos. Veja como o Apóstolo ratificou o que estamos dizendo: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). Temos que acreditar na mediação de Cristo, lembrando que “o Pai ama o Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo. 3:35). Cristo é o administrador das bênçãos de seu Pai; e é da sua mão que recebemos toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais, (Ef. 1:3). Nesse contexto, o Ap. Paulo podia escrever: “Justificados, pois, mediante a fé (na obra redentora do Filho de Deus) temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes” (Rm. 5:1-2). Agora, vamos ouvir a palavra convidativa do nosso Senhor e Salvador: “Até agora nada tendes pedido em meu nome, pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo. 16:24).

Conclusão: Temos falado sobre a paz. Apesar de não ser uma experiência universal, é evidente que algumas pessoas podem testemunhar: “Temos paz com Deus”. Por que elas têm essa convicção? Porque são justificadas na presença de Deus. Por que elas podem falar dessa maneira? Porque crêem no que a Bíblia ensina sobre a obra redentora de Jesus Cristo, o qual justifica aquele que crê. “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). Justificação é sempre mediante a fé, uma confiança completa na suficiência da morte substitutiva do Filho de Deus. E a evidência da veracidade da nossa fé será paz com Deus; paz em nossa consciência, sabendo que o “sangue de Jesus o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado” (1Jo. 1:7). Uma única pergunta resta para nós: Temos esta paz? Estamos preparados para comparecer perante o tribunal de Deus para darmos contas de nós mesmos ao nosso Juiz? (Rm. 14:10-12). Que estejamos preparados.  


sexta-feira, 31 de março de 2017

O SANGUE PRECIOSO



Leitura Bíblica: 1Pedro 1:17-21.

Introdução: “O salário do pecado é a morte”. No momento em que o pecado entrou na vida do homem, ele instantaneamente perdeu todas as evidências de uma vida espiritual diante de Deus, o seu Criador. Em palavras bíblicas, estamos “mortos nos nossos delitos e pecados” (Ef. 2:1). E, para demonstrar a natureza imediata dessa morte espiritual de Adão e Eva, o Senhor Deus os “lançou fora do jardim do Éden”, ou seja, da sua presença, (Gn 3:23).O profeta descreve a realidade desse ato, dizendo: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is. 59:2).

Mas, antes de expulsar Adão e Eva, o Senhor lhes deu duas promessas preciosas para alimentar as suas esperanças de uma redenção. A primeira se refere a Um que feriria a cabeça de Satanás; que resolveria o problema do pecado, (Gn. 3:15). A segunda foi uma alusão à maneira como o pecado seria encoberto, seria mediante uma morte substitutiva, (Gn. 3:2). Portanto, cremos que, desde o primeiro pecado, houve o derramamento de sangue inocente, a fim de encobrir o pecado do homem. No início, como uma forma de instrução, o sangue de animais escolhidos foi usado; porém, “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecado” (Hb. 10:4). O povo tinha que aguardar o derramamento de um sangue superior, o sangue do Filho de Deus, Jesus Cristo, (Hb. 10:12). Vamos contemplar e valorizar o sangue precioso de Jesus Cristo.

1. A Proeminência do Sangue. Queremos salientar o valor inestimável do sangue de Jesus Cristo. O valor excede qualquer objeto material deste mundo. Prata e ouro não têm valor nenhum, no sentido de que, por eles, o homem não pode adquirir o perdão de seus pecados. Por quê? “Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate, pois a redenção da alma deles é caríssima”, um preço fora de qualquer possibilidade humana, (Sl. 49:7-8). Então, como pode o pecador ser perdoado? Há uma única resposta: Sangue tem que ser derramado; e não qualquer sangue: tem que ser o sangue que Deus providencia. Não pode ser o sangue de animais, “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecado” (Hb. 10:4). Tem que ser sangue humano. Por quê? Porque foi o homem que pecou, portanto, é o homem que tem que sofrer o castigo da sua desobediência. Mas, onde está o homem que pode suportar esse castigo e vencer? Pois o salário do pecado é a morte, separação de Deus. Nesse contexto, a fim de resolver esse impasse, Deus deu o seu próprio Filho que se fez homem, “nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Cristo é a providência de Deus para nós, os pecadores. Falando de Cristo, a Bíblia explica: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. (2Co. 5:21). O sangue escolhido por Deus, o do seu próprio Filho imaculado, é tão importante, porque sem o derramamento deste, não há como receber o perdão, (Hb. 10:22).

Em outras religiões, o sangue tem seu lugar, mas por ser um sangue estranho e não indicado por Deus, não tem nenhum valor para remover pecados. Temos que confiar no que Deus providenciou, aquele de seu Filho, Jesus Cristo. O Ap. Pedro falou: “do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram”. Uma dessas futilidades é a celebração da Missa na Igreja Católica Romana, que é um sacrifício incruento (sem o derramamento de sangue), praticado a fim de perdoar os pecados dos penitentes. Qual o problema nesse ato? De necessidade, está anulando o que Cristo sofreu na cruz do Calvário, e desprezando o ensino definitivo das Escrituras Sagradas, que exaltam a suficiência do sacrifício de Jesus Cristo. “Porque com uma única oferta (Jesus Cristo) aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hb. 10:14). Não devemos confiar no “fútil procedimento que nossos pais nos legaram”, antes, temos que  ouvir a voz de Deus que fala a nós através das Escrituras Sagradas. Somos encorajados: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb. 10:19-20). A nossa confiança espiritual tem que ser  alicerçada na autoridade infalível do que a Bíblia diz: “Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus” (1Pe. 4:11).

Mas, por que tanta ênfase sobre a necessidade de sangue derramado? “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que  fará expiação em virtude da vida” (Lv. 17:11). No Antigo Testamento, o Dia da Expiação consistia no derramamento do sangue de um animal, a fim de que, cerimonialmente, pudesse remover os pecados dos adoradores e purificá-los, (Lv. 16:30). Agora, no Novo Testamento, Cristo fez uma expiação verdadeira e eficaz: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hb. 9:11). Ele removeu os nossos pecados e nos concedeu uma verdadeira purificação. “O sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado” (1Jo. 1:7). Devemos lembrar: Deus deu o sangue de seu Filho para expiar os nossos pecados. Se não aceitamos esse meio, não resta nenhum outro recurso pelo qual podemos ser perdoados. Portanto, vamos dar o devido valor ao sangue precioso de Jesus Cristo.

2. A Proveniência do Sangue: Queremos salientar a Pessoa que nos amou e deu o seu sangue, a fim de libertar-nos do nosso pecado, (Ap.1:5). A iniciativa da nossa redenção foi da Divindade: do Pai, do Filho e do Espírito Santo, cada um agindo de acordo com a sua atribuição específica. É importante reconhecer a interação das três Pessoas da Divindade na vida da Igreja. “O Pai ama o Filho, e todas as coisas têm confiado às suas mãos” (Jo.3:35). E lhe deu um povo para que este fosse salvo por Ele. Com essa responsabilidade, Cristo prometeu: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:30). Ele ama esse povo, por isso, deu a sua vida. Assim, em Cristo, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7).  Foi o Espírito Santo que deu forças a Cristo para “a si mesmo se oferecer sem mácula a Deus” (Hb. 9:14). E, para nós,  os redimidos, o Espírito Santo foi enviado para nos ensinar todas as verdades referentes ao ensino de Jesus Cristo (Jo. 14:26).

Quando Adão e Eva pecaram, foi Deus que tomou a iniciativa de cobrir a nudez deles. Como? Embora a Bíblia não nos ofereça detalhes específicos, é evidente que o sangue de um animal foi derramado, porque a Bíblia afirma: “Fez o Senhor Deus vestimentas de peles para Adão e a sua mulher e os vestiu” (Gn. 3:21). E, para a nossa salvação, novamente, foi Deus o Pai que tomou a iniciativa: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). A palavra “propiciação” significa “encobrir o pecado”. Quando Deus encobriu a nudez de Adão e Eva com a  pele de um animal sacrificado, Ele estava ensinando, profeticamente, como Ele iria encobrir o pecado de seu povo. Seria mediante a morte substitutiva de seu próprio Filho, Jesus Cristo. “Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 2:2). É Ele que encobre os nossos pecados para que, no Dia do Juízo, eles não estejam evidentes. Por isso, protegidos por Jesus Cristo, o Juiz pode nos declarar inocentes e justificados. Novamente, é Deus que agiu em nosso favor: “Eu, eu mesmo (o Senhor), sou o que apago as vossas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro” (Is. 43:25). Somos totalmente dependentes das virtudes de Jesus Cristo para alcançar o perdão dos pecados e a vida eterna. Nesse contexto, somos exortados: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm. 13:14). O grande anseio do Ap. Paulo foi “ser achado em Cristo (vestido dele), não tendo justiça própria” (não tendo nenhum mérito pessoal), antes, totalmente vestido e coberto por seu Salvador, o seu Propiciador, (Fp. 3:9).

Por que a exclusividade de Cristo para nos salvar? Por sermos pecadores e endividados por causa dos nossos pecados, nós mesmos não podemos pagar, por esforços próprios, essa dívida, e muito menos a dívida de outros. Somos dependentes de um Resgatador que não tem nenhuma dívida diante da santa lei de Deus. E existe um só que não pecou, Jesus Cristo, “o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1Pe. 2:22). Como no Antigo Testamento, o cordeiro a ser sacrificado tinha que ser “sem defeito”, simbolizando a Pessoa de Jesus Cristo, o “Cordeiro de Deus”, que “nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). O Ap. Pedro, usando o simbolismo do Antigo Testamento, ensina que fomos resgatados “pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”. Exaltamos a Cristo, cantando: “O sangue precioso de Cristo tem valor: das penas da justiça, liberta o pecador” (HCN,50).

3. A Proficiência do Sangue. Queremos salientar a suficiência do sangue de Cristo para nos abençoar “com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais” (Ef. 1:3). O Apóstolo destaca cinco destas bênçãos que recebemos por meio de Jesus Cristo:

1)      O valor do sangue de Cristo foi reconhecido desde a eternidade. “Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo”. Conhecido, porque, no conselho da Divindade, o derramamento do sangue de Cristo foi parte do plano para redimir o homem pecador. Essa verdade foi parcialmente revelada, simbolicamente, mediante o sofrimento e sacrifício de animais inocentes. Quando a Bíblia fala sobre o sofrimento e morte de Cristo, ela está se referindo aos sacrifícios do Antigo Testamento. Por isso, o Ap. Pedro podia acusar as autoridades judaicas: “Vós matastes o autor da vida (...) mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas; que o seu Cristo havia de padecer” (At. 3:15,18). Contudo, a plenitude dessa verdade ficou entendida somente depois  da vinda, morte e ressurreição de Jesus Cristo: “manifestado no fim dos tempos, por amor de vós”. Assim, entendemos que os fiéis do Antigo Testamento foram salvos pelo mesmo recurso de nós: fé na morte substitutiva de Jesus Cristo. Eles, pela fé, olharam para o futuro cumprimento das promessas proféticas; enquanto que, nós, pela fé, olhamos para a obra consumada de Jesus Cristo, que “morreu pelos nossos pecados” (1Co. 15:3).
2)      Cristo é a manifestação do amor de Deus para conosco. Notemos a importância  do sangue, e, como, por meio deste, a porta se abriu, dando aos pecadores acesso à presença de Deus. “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” (Ef. 2:13).
3)      Por meio de Cristo, temos fé em Deus. O pecador não conhece a Pessoa de Deus; “não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Rm. 3:11). Se não fosse a obra reveladora de Cristo, o pecado teria permanecido “sem esperança e sem Deus no mundo” (Ef. 2:12). Mas tudo mudou com a encarnação de Cristo. “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo. 1:18). “Havendo Cristo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Cl. 1:20). Agora, podemos ter fé em Deus e lançar mão sobre as suas preciosas e mui grandes promessas, porque Cristo as revelou.     
4)      O sangue derramado e a ressurreição de Cristo são duas realidades inseparáveis. Somos aperfeiçoados mediante o sangue derramado e a ressurreição de Jesus Cristo, (Hb. 13:20). O texto lido diz que Deus o Pai lhe deu glória: o privilégio de assentar-se à direita da Majestade nas alturas, (Hb.1:3) Essa posição é de vitória. O que Cristo fez para redimir e salvar pecadores foi reconhecido como suficiente para satisfazer todas as exigências da santa lei de Deus. A glória de Cristo é a alegria para declarar diante das milícias celestiais: “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hb. 2:13). Sim, Cristo “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb.7:25).
5)      Por causa da vitória de Cristo sobre o pecado, e pelo fato de ela ter sido reconhecida pela “Majestade, nas alturas”, temos base suficiente para depositar a nossa “fé e confiança” nas providências de Deus para a nossa salvação. “A ele, pois, a glória eternamente” (Rm. 11:36).

Conclusão: O Ap. Pedro dava muito valor ao sangue de Jesus Cristo e nós também temos que aprender a valorizar a unicidade desse sangue. O Ap. Paulo nos faz lembrar dessa necessidade: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito (a nossa vida interior) os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). Tudo o que temos em termos de valores espirituais, é fruto imediato do sangue derramado por Jesus Cristo. Um hino que cantamos, registra: “Cantarei a Cristo! Por nós morreu na cruz! Aos pobres pecadores, quem salva é só Jesus – Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei – O sangue precioso de Cristo tem valor: Das penas da justiça, liberta o pecador!” (HNC. 50).


No decorrer da mensagem, salientamos o valor inestimável do sangue de Jesus Cristo; salientamos a Pessoa que nos amou, o Filho de Deus; e salientamos a suficiência desse sangue que adquiriu por nós, o seu povo, toda sorte de bençãos espirituais nas regiões celestiais. A conclusão de tudo isso é resumida na exortação do Ap. Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm.12:1-2).              

sexta-feira, 17 de março de 2017

AS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO




Leitura Bíblica: Efésios 3:7-8

Introdução: O Ap. Paulo nunca cessou de ficar maravilhado com o fato de ser “constituído ministro da graça de Deus”. E, logo em seguida, acrescenta: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das Insondáveis Riquezas de Cristo”.  Por qual razão ele ficou tão maravilhado? Ele nunca se esqueceu da sua vida anterior; um perseguidor da Igreja. Como pode um Deus tão santo escolher tal pecador para ser o seu ministro? Essa lembrança o humilhava, fazendo-o confessar, de coração contrito: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1Co. 15:9). Nesse contexto, podemos entender a razão pela qual repetia tantas vezes o dom da graça de Deus. Somos salvos pela graça de Deus, (Ef. 2:8). O sentido desta palavra, “graça”, está neste versículo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tt. 3:4-5). Deus não buscou em nós um mérito chamativo, antes, quando escolheu o seu povo, Ele manifestou a sua benignidade e a sua misericórdia para com os seus escolhidos. E, a partir desse ato, Ele “nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt.3:5). Temos que reconhecer que tudo o que temos é devido ao dom gratuito da graça de Deus. Como o Salmista exclamou: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl. 115:1).

Com essa introdução, estamos prontos para entender a exultação do Apóstolo para “pregar aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. Devemos lembrar que essa graça não se limitou aos apóstolos, antes, é o dever dos membros da Igreja, porque todos nós somos as testemunhas de Cristo, e temos uma experiência da sua graça em nossa vida. As insondáveis riquezas de Cristo são tão incalculáveis quanto a distância que Ele afasta de nós os nossos pecados perdoados, (Sl. 103: 11-12). Por causa disso, a nossa compreensão dessas riquezas é extremamente limitada. A Bíblia, porém, nos oferece muitas indicações dessa riqueza, tais como:

1. A Condescendência de Cristo. Para entender a condescendência de Cristo, devemos sentir o contraste entre o seu estado na eternidade, antes da fundação do mundo, e como Ele deixou tudo a fim de entrar neste mundo como servo.
a)      O seu estado na eternidade, “conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém, manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1:20). Ele não foi criado, porque Ele é “desde os dias da eternidade” (Mq. 5:2). Veja como a Bíblia O introduz: “No princípio era o Verbo (Cristo, a Palavra viva de Deus), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram criadas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:1-3). Vemos Cristo na eternidade, assentado à direita da majestade, coroado de glória e honra, com um nome que está acima de todo nome, (Hb. 1:3; 2:7; Fp. 2:7). Por isso, Cristo podia falar da glória que Ele teve, junto do Pai, antes que houvesse mundo, (Jo. 17:5). Na Bíblia, percebemos uma igualdade entre o Pai e seu Filho Jesus Cristo. Ele confessou: “Quem me vê a mim vê o Pai” e “Eu e o Pai somos um” (Jo. 14:9; 10:30). Agora, chegando o tempo da encarnação de Jesus Cristo, lemos: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fp. 2:6). Este é aquele que veio para dar a sua vida em resgate por muitos, (Mc. 10:45). Assim, temos um relance das insondáveis riquezas de Cristo; o dom de Deus para nós, pecadores.
b)      Como Ele entrou neste mundo para servir. Apesar de ser igual a Deus, pois, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9), Ele, “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp. 2:7-8). Quem pode sondar a condescendência desse ato? A Bíblia descreve essa transição, dizendo: “Vindo, porém, a plenitude do tempo,  Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Uma das insondáveis riquezas de Cristo é o que Ele fez a fim de que sejamos chamados filhos de Deus. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). Agora, por causa dessa insondável riqueza de Cristo, podemos comparecer perante o tribunal de Deus sem medo, porque os nossos pecados estão encobertos e perdoados, pois Ele é a nossa propiciação; aquele que encobre o nosso pecado.

2. A Concordância de Cristo. Quando o conselho da Divindade (a intercomunicação entre Pai, Filho e Espírito Santo) elaborou o plano para redimir o seu povo mediante uma morte substitutiva, Jesus Cristo, imediatamente, se apresentou, dizendo: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb.10:9). Ele sabia tudo o que essa decisão envolveria; encarnar-se, viver no meio de pecadores, ser desprezado, e, finalmente, morto por crucificação. Esse ato não foi uma imposição feita por ninguém, antes, foi uma decisão inteiramente livre e espontânea. E qual a explicação? “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). Nesse ato, percebemos as insondáveis riquezas do amor de Cristo. Falando da sua morte vicária, Ele disse: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo. 10:18). Observemos dois aspectos de concordância que Cristo assumiu:

a)      A sua vida entre os pecadores. A Bíblia registra estes lamentáveis feitos quanto à recepção que Cristo recebeu dos homens: “Veio para os que eram seus, e os seus ( o povo que confessava o nome de Deus) não o receberam” (Jo.1:11). A partir dessa rejeição, Ele “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizeram caso” (Is. 53:3). E, apesar de seus atos de misericórdia, lemos, repetidamente: Os fariseus conspiravam contra ele, em como lhe tirariam a vida, (Mc. 3:6). Cristo já previu e aceitou calmamente o que lhe aconteceria, dizendo aos discípulos: “Pois será ele (o Filho do homem) entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida”. Mas, embora sabendo que tudo isso aconteceria, Ele não quis desistir da sua missão redentora. Por quê? Porque soube que “ao terceiro dia ressuscitaria” (Lc. 18:31-33). Quem pode medir as insondáveis riquezas do amor de Cristo, quando aceitou o desafio de dar a sua vida dessa maneira por nós, pecadores, que, por natureza, não temos o temor de Deus!
b)      O que aconteceu quando Cristo estava dando a sua vida? Estava “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Temos que entender e acreditar que, dentro dos propósitos do conselho da Divindade, Cristo estava pagando o preço da nossa redenção. E, por causa da sua morte vicária, Cristo recebeu esta promessa: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si” (Is. 53:11). Novamente, vamos meditar sobre as insondáveis riquezas de Cristo, acreditando, agora,  que, nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). O que está implícito nesse ato de crer? A Bíblia nos dá este exemplo: “E, do modo  por que Moises levantou a serpente (de bronze) no deserto, assim  importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo. 3:14-15).  Quando um israelita foi mordido por uma serpente abrasadora, “se olhava para a de bronze, sarava”(Nm. 21:9). Sem qualquer obra meritória, apenas em obediência à providência de Deus, um simples olhar pela fé era suficiente para ser salvo. O primeiro passo é sempre crer no que Cristo fez por nós, e todas as demais questões serão resolvidas.

3. A Constância de Cristo. Quando Cristo estava perto  de dar a sua vida em resgate por muitos, ele deixou para todos os seus seguidores uma abundância de promessas auxiliadoras. Ouça o que o Ap. Pedro diz: “Visto como, pelo seu divino poder nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais  nos têm sido doadas as suas preciosas  e mui grandes promessas, para que, por elas, vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção, das paixões que há no mundo” (2Pe. 1:3-4). Por estarmos em Cristo, temos a promessa de receber quatro dádivas que são essenciais  para se ter uma vida cristã; cada uma revelando as insondáveis riquezas de Cristo. E, pela constância de Cristo, podemos experimentar  a suficiência de suas promessas para suprir cada uma de nossas necessidades, porque Ele mesmo prometeu: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28:20). Eis as quatro dádivas: “Mas vós sois de Deus em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus: sabedoria, e justiça, e santificação e redenção” (1Co. 1:30).

a)      Sabedoria. Nós somos insensatos, mas a nossa sabedoria provém de Cristo. Como podemos receber essa sabedoria? Pela oração e pela leitura das Escrituras. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg.1:5). “Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos” (Sl. 119:99). O Apóstolo Paulo, em suas orações pelas igrejas, pediu que elas transbordassem “em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado” (Cl. 1:9-11). Precisamos dessa sabedoria para que a insensatez da nossa imaturidade não impeça o progresso do evangelho. O importante é que nos tornemos “sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:15).
b)      Justiça. Nós somos culpados, mas a nossa justiça provém de Cristo. A pergunta pungente continua inquietando o coração de muitos: “Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2). Por seu próprio esforço, é uma impossibilidade. “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus” (Gl. 3:11). A nossa única esperança é acreditar na providência de Deus para a nossa justiça. “Seremos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm. 3:24). A exortação é esta: “Mas revisti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne” (Rm. 13:14). É um ato de fé. Cremos e agimos de acordo com o contexto. E qual será o resultado? “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).
c)      Santificação. Nós somos corrompidos, mas a nossa santificação provém de Cristo. A nossa santificação foi providenciada mediante a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Romanos 6 deve ser estudado cuidadosamente a fim de entender melhor esse assunto. Mas devemos esclarecer um ponto de suma importância. Quando o Apóstolo usa a palavra “batismo” nesse capítulo, ele não está fazendo nenhuma referência ao sacramento do batismo que a Igreja observa, antes, o termo se refere à nossa união com Cristo, conforme a exposição do versículo 5. Resumidamente, quando Cristo morreu, Ele morreu para o pecado; e nós, unidos com Ele, também morremos para o pecado. Semelhantemente, quando Cristo foi sepultado, nós fomos sepultados com Ele. O poder do pecado sobre a nossa vida ficou encerrado, foi sepultado para nunca mais nos escravizar. E, por fim, quando Cristo ressuscitou, nós, também, ressuscitamos com Ele, para andarmos em novidade de vida. O que significa tudo isso? “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm. 6:22). Agora, vamos sempre lembrar da verdade intocável: “ E, assim, se alguém está em Cristo (unido com Ele), é nova criatura; as coisas antigas já passaram; e eis que se fizeram novas” (2Co. 5:17).        
d)     Redenção. Nós somos encarcerados, mas a nossa redenção provém de Cristo. Nos tempos antigos, o endividado ficava na prisão até que fosse paga toda a sua dívida (Lc. 12:58-59). Mas como podia um encarcerado pagar a sua dívida? Ele era dependente de um resgatador e, se não tivesse um, morreria no cárcere. Assim, nós, também, ficamos impossibilitados de pagar a dívida do nosso pecado. Mas Deus, em sua misericórdia infinita, providenciou um Resgatador para o seu povo, um que pagaria toda a sua dívida. Jesus Cristo é este Resgatador, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Em cada um desses quatro itens, temos uma mina das insondáveis riquezas de Cristo. Que elas sejam o assunto em nossas meditações espirituais todos os dias!


Conclusão: Vamos lembrar que nós somos as testemunhas de Jesus Cristo. Portanto, devemos cultivar o mesmo sentimento que houve no Ap. Paulo: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar (testemunhar) aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. E, finalmente, vamos sentir a responsabilidade implícita na palavra do Apóstolo: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros (o que nós somos) é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Co. 4:2).

domingo, 26 de fevereiro de 2017

O NOSSO TESTEMUNHO FINAL



Leitura Bíblica:  2 Timóteo 4:6-8

Introdução: O Apóstolo estava numa prisão em Roma. Embora não tenhamos todos os detalhes, entendemos que ele foi julgado e condenado à morte. Em vez de ficar choramingando por causa das traições e da injustiça recebida,  ele passou a relembrar sua vida como servo de Deus. Certamente ele podia ter pensado nas experiências  negativas que a vida lhe impôs, porém, não lemos nada sobre as suas tristezas, antes, com coração grato a Deus, ele  lembrou das vitórias em seu ministério, e, agora, pela fé, ansiava por seu encontro com “o Senhor, reto juiz” que lhe daria o prêmio da vitória. No texto lido, temos o relato de como ele entendeu a natureza da morte: “tendo  o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp. 1:23). Além dessas conclusões, ele registrou  para a nossa edificação o seu testemunho, palavras finais.

Creio que esta exposição não foi registrada somente para nos informar sobre os últimos dias do Ap. Paulo, antes, foi escrito para a nossa edificação e encorajamento, para que possamos enfrentar o nosso dia final com a mesma atitude de gratidão a Deus por termos sido guardados, amorosamente, a fim de entrarmos vitoriosamente nas moradas eternas. Agora, devemos estar prontos para meditar sobre o  testemunho final, e aprender do exemplo dele.

1. O Apóstolo Olhou para Baixo V.6. O Apóstolo podia contemplar a morte e o túmulo com confiança porque a sua vida foi radicada, edificada e confirmada na obra salvífica  de Jesus Cristo. Essa é a experiência que nos dá uma segurança inabalável na hora da morte. Como é precioso e fortalecedor poder confessar: “Não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito (a minha vida que foi confiada a Ele) até aquele Dia” (2Tm. 1:12).

No testemunho do Apóstolo, uma realidade se destaca de maneira clara e inconfundível: a sua morte seria um ato de culto a Deus. Essa verdade se torna evidente pela referência ao ritual praticado em alguns dos sacrifícios do Antigo Testamento: “Estou sendo já oferecido por libação”. No sacrifício, uma medida de vinho era derramada sobre o animal sendo sacrificado, “como oferta queimada de aroma agradável ao Senhor” (Nm 15:5-10). Ao usar essa figura, o Apóstolo  está dizendo: A minha vida é como aquele vinho que foi derramado sobre o altar de Deus, como um ato de culto ao meu Senhor e Salvador. Semelhantemente, as últimas palavras que Cristo falou quando sofria sobre a cruz foram dirigidas ao Pai, como um ato de culto: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E dito isto, expirou” (Lc. 23:46). A atitude de Estevão, quando estava sendo apedrejado, foi também um ato de culto. Primeiro, cheio do Espírito Santo, viu os céus abertos, e a glória de Deus, e Jesus em pé. Por isso, num ato espontâneo de adoração, disse: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At. 7:54-60). O Apóstolo Paulo estava seguindo o bom exemplo de muitos de seus antecessores. Devemos lembrar que a nossa morte é uma ocasião quando devemos glorificar a Deus, (Jo. 21:19). Portanto, devemos nos preparar para que a nossa morte seja um momento oportuno para dar o nosso testemunho final. A graça de Deus estará conosco naquela hora.

O Apóstolo continua falando sobre a sua morte iminente, decretada pelo tribunal romano. Mas, por outro lado, ele reconheceu que era o momento preordenado por Deus: “O tempo da minha partida é chegado”. Chegou, porque ele tinha completado a obra que Deus lhe confiara; não tinha mais nada para fazer aqui na terra. Por que a consciência do Apóstolo ficou tão livre de acusações naquela hora tão singular na experiência humana? Embora o seu ministério não tivesse sido perfeito, ele não foi culpado de omissões propositadas. O seu zelo pode ser entendido, quando disse: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma” (2Co. 12:16). E, em outro lugar, revelou: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação: porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co. 9:16).

Quanto à realidade inescapável da morte, está escrito: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). Quando o rei Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal, ele recebeu  esta ordem: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás”. Ao ouvir essa palavra, ele “chorou muitíssimo” (2Rs. 20:1-3). Por que esse choro e lamentação? Evidentemente, ele não se sentia preparado para enfrentar o juízo final. Ai da pessoa que se encontrar nesse estado de despreparo no seu dia final! Não é necessário ficar aterrorizado com a notícia da nossa morte, antes, devemos usar a oportunidade para nos preparar para  “por em ordem” a nossa vida espiritual. O Ap. João nos encoraja, dizendo: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele (em Jesus Cristo), para que quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1Jo. 2:28). Portanto, que estejamos preparados para que esse Dia não seja de terror.     

2. O Apóstolo Olhou para Trás, V. 7.   O Apóstolo olhou para trás e passou a meditar sobre os anos de seu ministério, no serviço de seu Senhor e Salvador. Ele menciona três fatos que caracterizaram a sua vida durante o longo dos anos. Ele colocou a sua mão no arado e nunca mais olhou para trás, (Lc. 9:62).

Primeiro, ele meditou sobre o combate espiritual que tinha enfrentado dia após dia. “Combati o bom combate”. A vida cristã é composta de lutas espirituais, forças espirituais que procuram colocar uma pedra de tropeço em nossa vida, a fim de interromper a nossa fidelidade a Jesus Cristo. O Apóstolo enfrentou essas forças e confessou: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”, Jesus Cristo (Rm. 8:30). Portanto, essa luta é um “bom combate”, porque é Cristo quem nos dá as vitórias. Esse combate tem três frentes onde somos assaltados: o mundo, a carne e o diabo, Satanás.

  1. A primeira frente é o mundo. Cristo falou sobre os “cuidados do mundo e a fascinação das riquezas” que sufocam o testemunho cristão. Demas, que ajudava o Ap. Paulo em seu ministério, o abandonou e se perdeu, “tendo amado o presente século” (2Tm. 4:10). Não há como conciliar o mundo com a vida cristã. A palavra do Apóstolo é categórica: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo. 2:15). O Ap. Paulo podia confessar: “O mundo está crucificado para mim (o mundo é morto e não tem nada para me oferecer), e, eu, para o mundo (sou morto e o mundo não pode despertar o meu interesse)”.  Não existia nenhuma atração entre os dois, (Gl. 6:14).
  2. A segunda frente é a carne, a nossa natureza pecaminosa. Como cristãos nascidos de novo, o dever constante é não ceder aos desejos pecaminosos. É possível rejeitá-los por causa do Espírito Santo que habita em nós: “Se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente viverás” (Rm. 8:13). O Apóstolo praticava esta necessidade: “Sabendo isto: foi crucificado com Cristo o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” (Rm. 6:6).
  3. A terceira frente é o diabo. A advertência é esta: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, o vosso adversário, anda em  derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. O nosso dever constante é “resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe. 5:8). O diabo tem uma arma principal para destruir os incautos, a mentira, pois ele é o pai da mentira, (Jo. 8:44). Ele usa a mentira para nos desviar, tanto nas áreas de doutrina, como também nas questões de procedimento. Para ele, não existem padrões, tudo é normal, aceitável e útil para que alcancemos experiências. O segredo é: “Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”, prontos para a próxima investida, (Ef. 6:13). O Apóstolo combatia nessas mesmas frentes e experimentou muitas vitórias para a glória de Deus. Nós também podemos ser vitoriosos, porque o nosso socorro vem do Senhor, o nosso Salvador e guia.

Em segundo lugar, ele meditou sobre a sua carreira: “Completei a carreira”. Ele cumpriu toda a vontade de Deus. O Apóstolo usou a figura de uma “pista de corrida”. O atleta tem que começar, obedecer às regras e perseverar até o ponto final, a fim de ser vencedor. Entramos nessa pista mediante a regeneração, e corremos até o fim pelo poder do Espírito Santo. Escrito sobre a nossa camiseta, em letras maiúsculas, está o nosso emblema: “SANTIDADE AO SENHOR”. Todas as nossas atividades nessa “pista de corrida”, sejam seculares, sejam espirituais, são realizadas de acordo com o nosso distintivo. Sem essa santidade, ninguém chegará até o ponto final. Essa pista se chama: “O caminho santo, o imundo não passará por ele, pois será somente para o povo do Senhor” (Is. 35:8). O Apóstolo corria nessa pista e chegou ao ponto final vitoriosamente. E nós, também, seremos vitoriosos, se corrermos de acordo com as regras, isto é, olhando firmemente para Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé (Hb. 12:2).         

Em terceiro lugar, ele meditou sobre a sua fé. “Guardei a fé”. Essa frase admite duas interpretações igualmente necessárias. Primeiro, a fé é vista como aquele corpo de sã doutrina que a Igreja Cristã adota e vive. Ela acredita que esses ensinos estão registrados inerrantemente nas Escrituras Sagradas. Sim, o Apóstolo, apesar de ser tentado a modificar o claro ensino das Escrituras, permaneceu fiel, sem qualquer vacilação. E, a segunda interpretação, a fé, crendo de coração na Pessoa de Jesus Cristo, uma confiança que nos faz entregar a nossa vida a Ele sem qualquer restrição, sabendo que Ele é poderoso para nos salvar totalmente das conseqüências condenatórias do nosso pecado. “Nele, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Mas, devemos lembrar que a fé do Apóstolo continuou inabalável, mesmo no meio de circunstâncias  extremamente difíceis. Quais foram os seus pensamentos no meio daquelas circunstâncias terríveis registradas em 2 Coríntios 11:16-33? Em prisões, em açoites, sem  medida; em perigos de morte, muitas vezes, etc. Mas em cada um desses momentos, jamais questionou a soberania de Deus que direcionava essas dificuldades, antes, confessou: “Que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor”, guardei  a fé, (2Tm.3:11). Ele não deixou circunstâncias adversas sacudirem a sua fé. Antes, sempre grato pelo privilégio de ter “a comunhão dos sofrimentos de Cristo, conformando-se com ele na sua morte” (Fp. 3:10). O Apóstolo guardou a fé, e nós também guardaremos a fé se cultivarmos as mesmas atitudes daquele homem.  Como é bom poder chegar ao fim da nossa vida, confessando: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Consolemo-nos com estas palavras: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso  trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hb. 6:10).

3. O Apóstolo Olhou para Cima, V8. Ele passou a meditar sobre o futuro, o que iria acontecer depois da sua partida. Ele irradiava uma paz transparente diante da morte, e nem se preocupava com o instrumento que seria usado, porque estava contemplando o galardão. “Já agora a coroa de justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. Podemos observar três verdades nesse versículo:

a)      É bíblico cultivar uma certeza da vida eterna e  o que está incluído nessa promessa. O Apóstolo podia  dizer: “Já agora a coroa da justiça me está guardada”. Creio que essa coroa é algo espiritual, um sinal de que temos o direito para tomar posse da vida eterna. O Ap. Tiago disse: “Bem-aventurado o homem que suportar com perseverança a provação (as tentações provocadas pelo mundo, a carne e o diabo), porque depois de ser aprovado (como vencedor), receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1:12). Cristo disse a mesma verdade: “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap. 2:10). Essa certeza da vida eterna não é dada a qualquer pessoa; a pessoa tem que amar a Cristo de todo coração e viver uma vida santa, de acordo com a imagem de seu Salvador, (Rm. 8:29). Devemos lembrar que a vida eterna não é algo que nós ganhamos por nossos próprios méritos, antes, é o dom gratuito que Cristo nos concede. Veja o processo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (algo que é sempre purificador), que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida” (Tt. 3:4-7).
b)      É bíblico acreditar no juízo vindouro. “Porque importa que todos nós (crentes e não crentes) compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10). Este não é um Dia de medo para aqueles que são salvos por Cristo Jesus. Por que? Porque teremos “reto juiz”. Com Ele, não há acepção de pessoas, nem favoritismo, (Rm. 2:11). Ele conhece o povo redimido por seu Filho Jesus Cristo, e cada um desses redimidos serão recebidos com total aprovação e galardoados com a vida eterna.
c)      É bíblico acreditar que entre os redimidos não existem distinções, pois todos são herdeiros da vida eterna. O Ap. Paulo tinha certeza de receber a “coroa da justiça”, mas não esqueceu de  acrescentar: “E não somente a mim (como se fosse alguém melhor), mas também a todos quantos amam a sua vinda”. O fim do mundo será anunciado pela Segunda Vinda de Jesus Cristo. Ele dará a ordem e os vivos e os mortos serão levantados para comparecer perante o tribunal, a fim de que cada um seja julgado de acordo com as suas obras. Naquele Dia, todos receberão  seu lugar na eternidade; os injustos para o castigo eterno e os justos para a vida eterna, (Mt. 25:46).

Conclusão: Todos nós estamos caminhando para a morte, mas, qual será o testemunho que  deixaremos para aqueles que ficam? O Apóstolo Paulo disse, com a alegria de um vencedor: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a  fé”. E, com esse testemunho de vitória, acrescentou com a mesma alegria: “Já agora a  coroa da justiça me está aguardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos  amam a sua vinda”.  Que cada um de nós possamos viver e servir de tal forma que o nosso testemunho final seja tão jubiloso quanto o do Ap. Paulo.


Termino com uma doxologia: “Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém” (Judas, versículos 24 e 25).    

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O DEUS DA REVELAÇÃO




Leitura Bíblica: Salmo 19: 1-14

Introdução:   Existem três livros que Deus tem dado a cada pessoa, para que elas tenham um conhecimento básico da sua existência e da sua vontade. O primeiro livro é visível à humanidade toda: A Expansão do Universo. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. A existência e a harmonia que reina entre as multidões desta vastidão revelam que  o seu Autor é um Ser de poder infinito, dotado com os atributos de soberania, sapiência e misericórdia. Por isso, o homem que nega a realidade de Deus está negando a visibilidade do que os seus olhos estão contemplando. Por isso, tal homem é indesculpável e merece a indignação e a reprovação eterna. Contudo, esse livro é insuficiente para as necessidades atuais do homem, porque não fala nada sobre o que Deus requer do pecador e nem como ele pode ser salvo da ira vindoura. Por causa dessa lacuna, Deus, em sua muita misericórdia, nos deu um segundo livro, as Escrituras Sagradas, revelando o que o homem  deve crer sobre Deus e o dever que Ele requer dos homens. Por isso, a nossa Igreja recebe e crê de coração que as Escrituras Sagradas – o Antigo e o Novo Testamento – são a Palavra de Deus, a  única regra de fé e prática. A importância  insubstituível desse livro está no fato de que, crendo na sua veracidade, tornamo-nos “sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo” (2Tm. 3:15). E ainda resta um terceiro livro, a nossa consciência. A lei escrita que Deus deu a seu povo não está nas mãos de todas as nações, por isso, quando Ele nos criou “à sua imagem, conforme a sua semelhança”, Ele gravou o resumo da lei sobre a natureza de cada pessoa que nasce neste mundo. O Apóstolo, descrevendo a importância desse livro, disse: “Estes (todos os homens), mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Jesus Cristo, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho”, a mensagem que Deus lhe deu por revelação, (Rm. 2:14-15; Gl 1:11-12). A existência desses três livros é apresentada claramente no Salmo 19. Portanto, demonstremos reverência e temor diante da realidade dessas revelações. O Salmista confessou: “Arrepia-se-me a  carne com temor de ti, e temo os teus juízos”. (Sl. 119:120).

1. A Revelação na Expansão, Vs, 1-6. “Os céus proclamam a glória de Deus”.  Mas o que é essa glória? É a manifestação de sua natureza imensurável e de seu caráter incólume. Ele é um Deus cheio de atributos superlativos e gloriosamente atuantes. A primeira evidência dessa glória é a criação do mundo e de tudo o que nele há. O Ap. Paulo nos deu um parecer desse portento, dizendo: “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles (todos os homens), porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas”. E veja a conclusão do Apóstolo: Por causa dessa revelação dada na criação, “tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm. 1:19-21). A negligência dessa revelação, dada por Deus através da criação, conduz o homem à sua própria destruição.

O Salmista toma duas realidades no universo e, numa linguagem singularmente poética, descreve as maravilhas da sua finalidade. Primeira: a sucessão ininterrupta da comunicação entre o dia e a noite: “Um dia discursa o outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra, se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo”. Essa sucessão de dia após dia demonstra a glória do poder organizador de Deus. Tanto o dia como a noite têm o seu propósito inalterável, aquele de anunciar a existência e a glória sapiente de Deus. Pela luz do dia vemos a providência de Deus para os homens, e a noite para lhes oferecer descanso. A lua foi dada para marcar o tempo; o sol obedece à hora certa de seu ocaso. Os animais obedecem ao seu lugar na criação. Agora, é o momento do homem. Ele sai para o seu trabalho e para os seus encargos até à tarde. E, diante dessa atividade que reflete tão claramente a glória soberana de Deus, o Salmista exclama: “Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl. 104: 19-24).

A segunda realidade é o sol. Na linguagem poética, o Senhor pôs uma tenda para o sol, um lugar no meio dos astros, a fim de lhe dar uma liberdade de movimento. “O qual como noivo que sai  dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus e até a outra vai o seu percurso.” Como o noivo sai do seu aposento, vestido de uma ostentação chamativa, assim, o sol se levanta com um esplendor pomposo que prende a nossa respiração, tamanha é sua glória. E, se ficamos tão maravilhados com a majestade reinante do sol, qual será a nossa reação quando estivermos face a face com Cristo, “o sol nascente das alturas”? (Lc. 1:78). O salmista continua a sua descrição do efeito benéfico do sol: “E nada refoge (esconde) ao seu calor”. Toda a criação sente a presença salubre do sol, uma manifestação visível da glória de Deus. Com reverência e admiração, podemos perguntar: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Sl. 8:3-4).  E, de fato, Deus nos visitou mediante o envio de seu próprio Filho, Jesus Cristo. “Ele é o resplendor da glória e a expressão exata de seu  Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb.1:3).

2. A Revelação nas Escrituras, Vs. 7-11. Das palavras  inaudíveis da expansão, passamos a ouvir as palavras audíveis do próprio Deus, dando-nos uma revelação verbal de si mesmo, mediante palavras compreensíveis. Essa revelação chama-se “a lei de Deus”, abrangendo todos os detalhes da sua vontade, ensinando o que o homem deve crer sobre Deus e o dever que Ele requer de cada pessoa. O Salmista emprega seis palavras para descrever a natureza dessa lei e o seu poder benéfico sobre a vida do homem.

(1)   “A lei do Senhor é perfeita”, e se refere aos ensinos que Deus tem nos dado. O nosso testemunho deve ser “Para mim vale mais a lei que procede da tua boca do que milhares de ouro ou de prata... pois na tua lei está o meu prazer” (Sl. 119:72,77). E qual o efeito da lei sobre a nossa vida? Ela converte e restaura a alma, conduzindo-a de volta para uma vida de paz com Deus, “De maneira que a lei nos serviu de aio (instrutor) para nos conduzir a Cristo”, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue,  a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua  graça” (Gl. 3:24; Ef. 1:7).
(2)   “O testemunho do Senhor é fiel”, e se refere à palavra dada; ela é a verdade. O Apóstolo confirmou esse pensamento, dizendo: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém, para glória de Deus, por nosso intermédio” (2Cr. 1:20). E qual o efeito desse testemunho? “Dá sabedoria aos símplices”. O Apóstolo comentou: “Expondo estas coisas (os testemunhos) aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1Tm. 4:6).
(3)   Os preceitos do Senhor são retos”, e se referem aos regulamentos que direcionam o procedimento. O Apóstolo confessou: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1Jo. 5:3). E qual o efeito? “Alegram o coração”. O Salmista disse: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo dia!” (Sl. 119:97).
(4)   “O mandamento do Senhor é puro”,  e se refere à norma que padroniza a vida moral e espiritual do homem. Nessa lei não há nenhuma injustiça. A missão dela é séria, porque “ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). O Apóstolo confessou: “Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm. 7:7). A cobiça é a causa de todo tipo de crime que leva o homem  à destruição. Porém, quando reconhecida, confessada e abandonada, “Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). E qual o efeito do mandamento? Ele “ilumina os olhos”, para que possamos reconhecer o nosso estado espiritual diante do Deus santo.
(5)   “O temor do Senhor é límpido”, e se refere à reverência e adoração diante do Senhor. O temor ensina como devemos servir a Deus “de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). E qual o efeito? Essa atitude de temor é imutável, e “permanece para sempre”.
(6)   “Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos”, e se referem às declarações da vontade de Deus. O que o Senhor determina para o seu povo é sempre o melhor para o seu bem total e jamais será confundido. O Apóstolo reconheceu essa verdade em termos da “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:2). Eis a nossa oração: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por  terreno plano” (Sl. 143:10).

Agora, ainda falando sobre a revelação escrita, temos duas frases que descrevem o que o homem de Deus sente diante dessa iluminação. Ela é uma preciosidade, por isso, deseja conformar-se mais e mais às suas normas. “São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.”  Mas essa lei penetra a consciência, admoestando e ensinado a reconhecer as recompensas que recebe, quando obedecida. “Além disso (a preciosidade dos preceitos do Senhor), por eles se admoesta o  teu servo; em os guardar, há grande recompensa”. E, agora, uma palavra para despertar a nossa crença: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que  se torna galardoador dos que o buscam” (Hb.11:6).

3. A Revelação na Experiência, Vs. 12:14. Quando contemplamos os céus, a lua e as estrelas, somos  inconscientemente levados a refletir sobre o seu  Autor. Concluímos que Ele deve ser um Indivíduo, um Deus, com poder e sabedoria indescritíveis. Contudo, Ele pode ser conhecido. A Bíblia afirma: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre os homens, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”, se não tomarem conhecimento dele, (Rm. 1:19-20). Mas Deus não se revelou somente no silêncio da Expansão, mas, também, com palavras que podemos ouvir e entender, palavras que revelam a sua vontade para todos os homens. Como? “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, falou pelo Filho” (HB. 1:1-2). Quando Jesus Cristo foi transfigurado, a voz do Pai anunciou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mt. 17:5). Agora, em nossos dias, a voz de Cristo se percebe mediante o ouvir e a leitura atenciosa das Escrituras Sagradas. Ele mesmo disse: “Em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida eterna” (Jo. 5:24).

À medida que ouvimos e lemos a Palavra de Deus, sentimos a realidade da nossa imperfeição moral. Somos pecadores e condenados diante da lei de Deus. Por isso, o Salmista pergunta: “Quem há que possa discernir as próprias faltas?” Sentimos que a totalidade do nosso ser é contaminada pelo pecado. Tudo o que falamos e produzimos tem a marca da imperfeição, o que nos faz inaceitáveis diante do Deus perfeito em santidade. O profeta lamentou: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha e as nossas iniqüidades, como vento, nos arrebatam” (Is. 64:6). Mas a Bíblia nos oferece uma esperança: “Se confessarmos os nossos pecados (a Deus o Pai, em nome de Jesus Cristo) Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). Com essa expectativa, o salmista se fortaleceu, pedindo: “Absolve-me das (transgressões) que me são ocultas”. Não apenas das visíveis, mas, também, das invisíveis e secretas. Como é consolador sentir a misericórdia do nosso Deus: “Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Sl. 130:3-4). É igualmente consolador saber que o Senhor “não nos  trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem” (Sl. 103:10-11).

Em seguida, o Salmista faz dois pedidos urgentes: “Também da soberba (aquela auto-suficiência) guarda o teu servo, que ela não me domine; então serei irrepreensível e ficarei livre da grande transgressão”, daquela tendência do homem pecador para confiar em suas próprias capacidades para se salvar, e, com isso, desprezar o que somente Deus pode fazer por meio da sua graça. E, continuando, consciente das suas próprias imperfeições, pede, de coração ansioso: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu”. As nossas palavras têm causado, muitas vezes, desgostos cortantes, por isso, o pedido do Salmista. O Apóstolo comentou: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão capaz de refrear também todo o corpo” (Tg. 3:2). Nesse contexto, notemos como o Salmista se fortaleceu, citando dois preciosos atributos do Senhor: “Rocha minha”. Sobre essa Rocha, o Deus vivo e verdadeiro, depositamos todas as nossas esperanças espirituais. Confiamos na misericórdia do nosso Deus para suprir, em Cristo Jesus, cada uma das nossas necessidades, (Fp; 4:19). E ele continua: Ele é “Redentor meu”. Jesus Cristo é “aquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados” (Ap. 1:5). Convém entender a centralidade de Jesus Cristo na vida cristã. “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho (rejeitando os seus direitos sobre a nossa vida) não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36) .

Conclusão: O Salmo 19 tem uma seqüência que começa com a revelação da natureza, ou seja, as obras da criação. Assim, descobrimos a existência de um Deus criador e vivo. Depois, somos introduzidos à revelação sobrenatural, ou seja, às Escrituras Sagradas, que nos ensinam tudo o que precisamos saber sobre Deus e o que Ele requer de nós. E, por fim, a revelação em nossa própria experiência, ou seja, o poder das Escrituras sobre a nossa consciência. Elas nos ensinam que somos pecadores e, por natureza, filhos da ira de Deus. Mas a Bíblia não nos deixa nesse estado de desespero, antes, ela nos conduz a Jesus Cristo, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos nossos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. Agora, temos um único dever inicial: crer, de coração, em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Que façamos assim.