Vasos de Honra

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O JUSTO JUIZO DE DEUS


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Romanos 2:5-11.

Introdução: Na Carta aos Romanos, o Ap. Paulo faz repetidas referências aos judeus e aos gregos, ou seja, ao povo que tinha a lei de Deus em forma escrita nas Escrituras Sagradas e ao povo que não tinha  esse mesmo privilégio. No primeiro capítulo, vemos a pecaminosidade dos gregos; no segundo capítulo, a pecaminosidade dos judeus. E, mediante essa exposição, o Apóstolo demonstrou “ que todos, tanto judeus como gregos estão debaixo do pecado” (Rm. 3:9).

Vamos examinar a situação dos gregos (gentios), esse povo que não tinha a lei de Deus escrita, contudo, apesar dessa falta, procedia “por natureza de conformidade com a lei”, porque “tem a norma da lei gravada no seu coração” (Rm. 2:14-15). Por causa desse fato, o Apóstolo descreveu a realidade dos gentios, dizendo: “Portanto, tendo conhecimento de Deus,  não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1:21). “Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm. 1:20).

Agora, vamos ver a situação dos judeus, esse povo que tinha a lei escrita, não apenas sobre papel, mas, também, “gravada no seu coração”, porque esse conhecimento inato é parte da imagem de Deus que distingue o homem de todos os demais seres vivos. Mas, por causa da sua natureza pecaminosa, o homem tem uma facilidade para abusar dos privilégios mais sagrados. O judeu tornou-se cheio de uma justiça própria, pensando que, como conhecedor da lei escrita, podia condenar os pecados dos gentios como se fosse o próprio Deus. Nesse contexto, o Apóstolo repreendeu: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; pois praticas as próprias cousas que condenas. (...) Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais  cousas e fazes as mesmas, pensas que ti livrarás do juízo de Deus?” (Rm. 2:1,3). Privilégios espirituais são concedidos por Deus para nos instruir e nos conduzir ao arrependimento; porém, de acordo com o texto, esse resultado não aconteceu (Rm. 2:4). Por isso, Deus tem que reagir e julgar o transgressor, seja quem for o culpado. Estamos, agora, prontos para meditar sobre os três pontos que o texto lido destaca: A Natureza de Deus, A Natureza do Pecador e A Natureza do Cristão.  

1. A Natureza de Deus. Podemos enumerar pelo menos três atributos que caracterizam o procedimento de Deus quanto às suas lidas com o homem. “Deus reina sobre as nações; Deus se assenta no seu santo trono” (Sl. 47:8). Nesse contexto, vemos como Ele usa os atributos destacados no texto lido.

a)      A ira de Deus. Ao meditarmos sobre essa propriedade divina, temos que desassociar o termo bíblico da ira e das emoções do homem. A frase, “ira de Deus”, é o inverso da “justiça de Deus”. Essa justiça é sempre retribuidora, cada um tem que pagar conforme as sua obras. Deus tem uma santa indignação contra o pecado e tem que reagir, porque é uma agressão contra a sua Pessoa, uma zombaria da sua santidade. Essa ira é revelada, isto é, pode ser reconhecida em dadas circunstâncias. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detém (interrompem) a verdade pela injustiça” (Rm. 1:18). Notemos que essa ira não é uma mera conseqüência do pecado; antes, é algo específico que “se revela dos céus”. Por exemplo: os desastres que aconteceram, tais como o dilúvio, (Gn 6:12-13); a destruição de Sodoma e Gomorra, (Gn. 19:24); divisões dentro de reinos etc. (2Cr 10:15). Os conflitos entre os homens podem ser uma revelação dessa ira, “recebendo eles injustiça por salário da injustiça que praticam” (2Pe. 2:13). Mas, infelizmente, muitos crimes são praticados neste mundo sem receber qualquer punição. Parece que Deus não toma conhecimento do que os homens estão praticando. Por isso, alguns dizem, atrevidamente,  “que a sua iniqüidade não há de ser descoberta, nem detestada” (Sl. 36:2). Mas não é bem assim. Deus  tem reservado para si um Dia quando a sua ira se manifestará universalmente contra todas as  formas de pecado. Como a Bíblia ensina: “Porquanto estabeleceu um Dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio  de um varão (Jesus Cristo) que destinou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At. 17:31). Este Dia, já determinado, será parte dos acontecimentos que acompanharão a segunda Vinda de Jesus Cristo na consumação do século. Esse será “o Dia da sua ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Rm. 2:5-6).
b)      O juízo retribuidor,  V. 6-8. Abraão fez esta pergunta ao Senhor: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn. 18:25). O Ap. Paulo, às vésperas da sua morte, falou da sua confiança nesse atributo divino: “ Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto Juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm. 4:8). O Salmista fez este apelo à justiça de Deus: “Exalta-te, ó Juiz da terra; dá o pago  aos soberbos. Até quando, Senhor, os perversos, até quando exultarão os perversos?” (Sl. 94:2-3). Mas não fiquemos desanimados, no Dia do juízo, cada um receberá segundo o seu procedimento: a vida eterna aos justos, e ira e indignação aos injustos. Naquele dia, todos verão o justo juízo de Deus. Ele faz “separação entre o santo e o profano” (Ez. 42:20). É bom lembrar que essa retribuição não se limita ao futuro desconhecido. Mesmo nesta vida, tanto o justo, bem como o injusto, podem sentir o início dessa remuneração. “A desventura persegue os pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem” (Pv. 13:21). E Cristo, comentando sobre esse assunto, disse: “Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna” (Lc. 18:29-30).
c)      A imparcialidade,  V.11. No Dia da retribuição, todos verão a imparcialidade de Deus. “Porque para com Deus não há acepção de pessoas”. Ele não favorece um a fim de prejudicar o outro. Todos receberão, com uma igualdade perfeita, exatamente de acordo com o procedimento praticado na vida. O critério do juízo não é baseado em privilégios espirituais ou em posições eclesiásticas, antes, é sempre de acordo com o procedimento, moral e espiritual. O fato que os judeus receberam muitos privilégios espirituais não os isentou da  necessidade de viver uma vida santa e irrepreensível e de prestar contas a Deus. E, de forma semelhante, os gentios, que não receberam esses privilégios espirituais, não ficam isentos de suas responsabilidades morais e espirituais por causa da sua ignorância das Escrituras Sagradas, pois todos, judeus e gentios, têm a lei de Deus gravada sobre o seu coração, e esta foi dada para ser obedecida. Por isso Deus pode agir com imparcialidade, retribuindo a cada um segundo o seu procedimento.     

2. A Natureza do Pecador, Vs. 8-9. Para facilitar a compreensão desses versículos, dizemos que eles se  referem ao pecador que não tem nenhuma experiência salvífica e que está vivendo desregradamente  de acordo com os seus próprios impulsos carnais. O Apóstolo destaca apenas três das transgressões que caracterizam o seu procedimento.

a)      Ele é “faccioso”, vivendo em flagrante oposição à vontade de Deus. O Apóstolo ofereceu um  exemplo dessa atitude: “E, do modo por que Janes e Zambres resistiram a Moisés, também estes resistem a verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé” (2Tm. 3:8). São pessoas que dizem, consciente ou inconscientemente: “Não queremos que este (Jesus Cristo) reine sobre nós” (Lc. 19:14).
b)      Esses facciosos “desobedecem à verdade”. São conhecedores da verdade, porém, ela é deliberadamente rejeitada e desprezada. “Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm. 3:18). É possível ser visivelmente religioso, porém, ao mesmo tempo, ser inimigo da verdade bíblica, como eram os homens do Sinédrio. Estevão foi acusado falsamente por homens religiosos, “alguns dos que eram da sinagoga” (At. 6:9). E, quando estava sendo julgado por blasfêmia, ele acusou os seus juízes religiosos, dizendo: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram os vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós, agora, vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes” (At. 7:51-53). Mas existe ainda outra maneira pela qual religiosos desobedecem à verdade. Como? Pela negligência da leitura diária das Escrituras Sagradas. É impossível obedecer ao desconhecido, e, por conseqüência, estão desobedecendo à lei pela ignorância da mesma. O profeta lamentou: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os. 4:6).
c)      Esses facciosos “obedecem à injustiça”. O homem, em seu estado natural, é distinguido por seus atos de injustiça. “Deleitam-se com a injustiça” (2Ts 2:12). O poder do pecado é um tirano cruel, impelindo o seu escravo cego para praticar todo tipo de injustiça. E, se não fosse a  graça e a misericórdia de Deus, nós, os salvos e santificados, estaríamos sob o mesmo domínio negativo, praticando a injustiça.

Qual é o salário que esses transgressores recebem? A Bíblia responde: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:7). E o nosso texto descreve o que os homens desobedientes recebem: “tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, o judeu primeiro (que tem as Escrituras como única  regra de prática, mas não as obedece) e também ao  grego (que tem a lei de Deus gravada sobre o seu coração, mas não a obedece)”. Tribulação se refere ao sofrimento externo, enquanto que angústia se refere ao sofrimento interno, o do coração. Esse sofrimento, o salário da desobediência, começa lentamente nesta vida (com o avanço da idade) e aumenta, inexaurivelmente, chegando à sua plenitude no “inferno para o fogo inextinguível, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga” (Mt. 9:43-44). O homem rico, tendo praticado a injustiça contra Lázaro, estava  “no inferno, estando em tormentos”, e desejava que  alguém molhasse em água a ponta do dedo, para  que a sua língua pudesse sentir um momento de alento, o que lhe era impossível experimentar, porque “está imposto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós” (Lc. 16:19-31). Graças a Deus, a Bíblia nos oferece uma palavra de esperança: “Se confessarmos os nossos pecados (e os abandonarmos) ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9).

3. A Natureza do Cristão, Vs. 7 e 10. Devemos  lembrar que estes versículos se referem aos cristãos, aqueles que são regenerados e renovados pelo poder do Espírito Santo, (Tt. 2:5). São “criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus, de antemão, preparou para que andássemos nelas” (Ef. 2:10). O cristão verdadeiro demonstra o seu amor para com Cristo cuidando das necessidades de seu próximo, mediante a prática dessas boas obras.

a)      Ele persevera na prática do bem. Esse bem se refere, mais especificamente, às nossas atitudes diante das necessidades do nosso próximo. Cristo nos deu um exemplo de como praticar esse bem: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes, estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt. 25:35-36). E, para nos encorajar na prática desse bem, Cristo disse: “Porquanto, aquele que vos der de beber um copo de água, em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão” (Mc. 9:41).
b)      Ele procura glória, honra e incorruptibilidade.Ele sabe que esta vida é passageira, por isso, sem negligenciar a necessidade de amar o seu próximo, de maneira prática, ele dá uma nova prioridade aos deveres espirituais, cuidando da sua própria comunhão com Deus. O exemplo de Moisés ilustra bem essa prioridade. Por que ele recusou ser chamado filho da filha de Faraó? Porque ele “considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão” (Hb. 11:24-26). As três palavras: glória, honra e incorruptibilidade, estabelecem um contraste entre a nossa vida atual e aquela do porvir. Nunca mais seremos humilhados por causa do nosso amor a Cristo, antes, contemplaremos a sua face para todo o sempre, porque, no céu, jamais veremos a morte (Ap.  22:3-4).

Qual é a recompensa que o cristão recebe por causa de seus esforços espirituais? Mesmo nesta vida, o perseverante pode experimentar glória, honra e paz. Glória, porque somos os filhos que o  próprio Deus adotou. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e de fato somos filhos de Deus” (1Jo.3:1). Honra, o privilégio de ter acesso à presença de Deus. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm. 5:1-2). Paz: paz com Deus é paz no coração: “Todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e será grande a paz de teus filhos” (Is. 54:13). Embora tenhamos as primícias dessa recompensa no tempo atual, a plenitude dela é reservada para o porvir. O Ap. Paulo tinha esta certeza: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm. 8:18).

Conclusão: Todos nós gostamos de ouvir sobre o amor de Deus, e deve ser assim, porém, esse não é o seu único atributo. Ele tem outros de igual importância, tais como a sua santidade, a sua justiça, a sua ira contra o pecado, e a sua imparcialidade em todas as suas lidas com as pessoas de todas as nações. Essas propriedades devem receber o mesmo interesse e prazer. “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra, porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr. 9:23-24).

Devemos também reconhecer que existe algo que distingue um homem do outro; um procura obedecer a Deus, enquanto que o outro vive em flagrante desobediência. E Deus, como Juiz justo, agindo com uma reta imparcialidade, recompensará cada um segundo as suas obras. A plenitude dessa retribuição acontecerá somente na consumação do século, na Segunda Vinda de Jesus Cristo. E, quanto ao tempo desse evento, a Bíblia ensina: “Vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança,  eis que lhe sobrevirá repentinamente destruição, como vem as dores do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1Ts. 5:2-3). E, por causa  dessa realidade, Cristo nos adverte: “Por isso, ficai também apercebidos, porque à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá” (Mt. 24:44). “Então, se dirá: Na verdade, há recompensa para o justo; há um Deus, com efeito, que julga na terra” (Sl. 58:11).        

  

domingo, 17 de julho de 2016

Da Vocação Eficaz – Confissão de Fé – Cap. 10:1-2


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblia: Romanos 8: 26-30

Introdução: Um tempo atrás, fiz algumas anotações sobre o nono capítulo da Confissão de Fé: Do Livre Arbítrio. Na parte sobre “O Homem no Estado do Pecado”, fiz a pergunta: “Como é que Deus resolveu esse impasse?” (a depravação total do homem). E respondi: “Esse problema foi resolvido mediante uma intervenção da parte de Deus, elegendo e convertendo um “povo de propriedade exclusiva de Deus”.

Agora, seguindo no décimo capítulo da Confissão, “Da Vocação Eficaz”, aprendemos como Deus elege e converte um pecador. Mas, para facilitar a compreensão desse assunto, fazemos uma pergunta prática: Em termos humanos, qual é o caminho que devemos seguir, a fim de sermos salvos? A resposta inequívoca é: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At. 16:31). Quando cremos, em dependência do poder de Cristo, o Espírito Santo confirma a realidade da nossa fé. “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate de sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). Desta maneira, estamos unidos com Cristo. Qual é o resultado final? “E, assim, se alguém está em Cristo (unido com Ele) é nova criatura; as coisas antigas (os hábitos pecaminosos) já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co. 5:17). As coisas novas que agora praticamos chamam-se o fruto do Espírito Santo: “Mas o  fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl. 5:22-23).

Com essas verdades iniciadas em nós, Cristo nos exorta de uma maneira indispensável e urgente: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir de si mesmo se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim” (Jo. 15:4). E, permanecendo em Cristo, estamos prontos para entender como Deus elege e converte o pecador. Vamos seguir a exposição do assunto, como se encontra na Confissão de Fé da nossa Igreja.

1. O Momento do nosso Chamado. “Todos aqueles a quem Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido chamar eficazmente pela sua Palavra e pelo seu Espírito, no tempo por ele determinado e aceito, tirando-os daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza para a graça e salvação em Jesus Cristo”. Aqui, podemos observar três verdades que precisamos entender e aceitar com toda seriedade:

a)      Como Deus nos chama. Notemos que Deus tem uma única maneira para chamar o seu povo; é pela (pregação da) sua Palavra e pelo seu Espírito”, e isso, de modo extensivo, sem qualquer restrição. A ordem é esta: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15). Os primeiros cristãos, apesar da perseguição, obedeceram a essa ordem: “Entrementes, os que foram dispersos (pela perseguição) iam por toda parte pregando a palavra” (At. 8:4). A pregação se torna eficaz para chamar o povo de Deus, porque é o Espírito Santo que a vivifica, (Jo. 6:63). Embora a pregação seja algo simples (a loucura da pregação – 1Co. 1:21), ela é eficaz para a salvação de todos que nela crêem. Como Cristo disse: “As minhas ovelhas (aquele povo que Deus predestinou para vida) ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo. 10:27). Seremos salvos, se confiarmos nos meios que Deus providenciou para a salvação da nossa vida.
b)      Quando é que Deus nos chama? É sempre o “tempo por ele determinado e aceito”. A porta para a salvação não continuará aberta indefinidamente. As cinco virgens não se prepararam, e quando resolveram agir, elas encontraram a porta fechada. Elas negligenciaram o Dia das Oportunidades, (Mt. 25. 10-13). Quanto à mulher Jezabel, Deus disse: “Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se  da sua prostituição” (Ap. 2:21). Quando o tempo determinado terminar, a oportunidade passará, e não haverá nenhuma outra. “Então, disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal” (Gn. 6:3). Feliz a pessoa que pode reconhecer a voz do Senhor, afirmando: “Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação: eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (2Co. 6:2). Se o homem quer continuar na prática de seu pecado por mais um tempinho, ele tem que enfrentar as conseqüências de sua cegueira. “E por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (Rm. 1:28). Deste estado perigoso, talvez não haja mais esperança de salvação. Portanto, não perca o momento quando o Espírito Santo está sussurrando em seu coração através do ouvir da Palavra de Deus, pois pode ser a última vez. “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb. 2:3).
c)      Por que Deus nos chama? Para tirar-nos “daquele estado de pecado e morte em que estamos por natureza, para a graça e salvação em Jesus Cristo”. Ou, como o Ap. Paulo escreveu: Jesus Cristo “se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos  desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de Deus nosso Pai” (Gl. 1:4). Em vez de deixar-nos sofrer as merecidas conseqüências da nossa rebeldia, Ele nos chamou para experimentar as  glórias de uma vida sem os pesadelos do pecado. Se alguém está em Cristo, de necessidade, está vivendo uma vida santa e irrepreensível, libertado do domínio sedutor do pecado. Essa santidade de vida é a prova inconfundível de que  Cristo tem nos chamado para a salvação.  

2. O Movimento do nosso Chamado. O que é que Deus movimenta em nossa vida para que sejamos santos e dignos da nossa vocação? “Isto ele o faz, iluminando o nosso entendimento, espiritual e salvificamente, a fim de compreendermos as coisas de Deus, tirando de nós os corações de pedra e dando-nos corações de carne, renovando as nossas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom”. Novamente, podemos observar três atos que Deus põe em movimento:

a)      Ele muda “o nosso entendimento, espiritual e salvificamente”. Tal mudança é necessária, porque os homens, em seu estado natural, andam “na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza de seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza”  (Ef. 4:17-19). Para o  incrédulo, a pregação de Cristo e este crucificado é uma loucura. E, se Deus não tivesse usado a sua misericórdia, “iluminando o nosso entendimento espiritual e salvíficamente”, o homem permaneceria em sua ignorância e ruína.
b)      Ele tira de nós o que impede a nossa conversão: “tirando de nós os corações de pedra e dando-nos corações de carne”, uma disposição suscetível para receber a vontade de Deus. Em outras palavras, Ele nos regenera. Como o Apóstolo explica: “Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. E, sem essa obra soberana em nossa vida, jamais seríamos salvos. Mas, por causa dessa intervenção, podemos, agora, confessar que somos os “chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” (Jd. 1)
c)      Ele renova a nossa faculdade de desejos. A regeneração envolve a renovação total  de todas as nossas inclinações: “renovando as suas disposições e determinando-as, pela sua onipotência, para aquilo que é bom”. Essa onipotência tem a seguinte exposição: “A eficácia da força do seu poder” (Ef. 1:19). Tudo o que Deus determina em nosso favor é eficaz, não pode sofrer frustrações e nem derrotas. “Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? (Is. 14:27). Em nosso estado natural, fomos possuídos por uma má vontade quanto às determinações de Deus; agora, porém, com “a força de seu poder”, desejamos “aquilo que é bom”. Descobrimos que a vontade de Deus para a nossa vida é “boa , agradável e perfeita” (Rm. 12:2). Por isso, nós nos conformamos a ela de todo o nosso coração. O Apóstolo confessou: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha  já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo” (Fp. 3:12). Fomos chamados e conquistados por Jesus Cristo a fim de vivermos uma vida santa e irrepreensível em cada área do nosso  procedimento, (Ef. 1:4).

3. O Modelo do nosso Chamado. O modelo é a Pessoa de Jesus Cristo. Ele é “o Anjo da Aliança, a quem vós desejais” (Ml. 3:1). O Espírito Santo trabalha mediante a pregação do evangelho, “atraindo-nos eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que nós vimos mui livremente, sendo por isso dispostos pela sua graça”. Observemos três passos nessa colocação:

a)      A Pessoa do nosso chamado. Somos atraídos eficazmente a Jesus Cristo. “Ora, a nossa comunhão (espiritual) é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo” (1Jo. 1:3). O Pai nos escolheu e o Espírito Santo nos conduz a Jesus Cristo, de quem recebemos “toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais” (Ef. 1:3). Cristo enfatizou diversas vezes que o Pai é o Autor da nossa chegada a seu Filho. “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37). E, quando Cristo repreendeu seus ouvintes por sua auto-justiça, Ele explicou: “Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido”(Jo. 6:64-65). Mas, graças a Deus, o Dia está chegando quando Cristo poderá ter a satisfação de declarar: “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hb. 2:10-13). O importante é ser achado em Cristo, pois, “aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo. 5:12). Devemos ficar gratos a Deus pela eficácia do seu chamado que nos trouxe a Jesus Cristo, de quem recebemos a vida eterna.
b)      A perfeição do nosso chamado. Todos nós somos influenciados por apelos à nossa receptividade de novidades, seja qual for o assunto. Por isso, quando alguém nos oferece algo desejável, nós o recebemos espontaneamente e livremente, porque o objeto tomou posse do nosso interesse. Assim acontece na vocação eficaz. Cristo é apresentado a nós de tal forma atraente e necessária para o nosso bem total, que ansiamos por ter parte  de sua companhia, e, estimulados, levantamos e nos aproximamos a Ele mui alegre e livremente. Como é edificante testemunhar: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp. 1:6).
c)      A primazia do nosso chamado. Podemos experimentar nesta vida todas as bênçãos inerentes na vocação eficaz, “sendo para isso dispostos pela graça de Deus”. A gratuidade dos benefícios que Deus derrama sobre nós, mediante a vocação eficaz, é uma das realidades que demonstra tão vividamente a sua boa vontade para com os seus chamados. O Ap. Paulo podia exclamar maravilhado: “Estando nós mortos em nossos delitos (impossibilitados de realizar qualquer ação salvífica) nos deu vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos” (Ef. 2:5). E o Ap. Pedro, falando sobre essa mesma graciosidade, afirmou: “Visto como, pelo seu divino poder, nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelos quais nos tem sido doadas as suas  preciosas e mui grandes promessas, para que por  elas, vos torneis participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo” (2Pe. 1:3-4). Sim, somos salvos pela graça de Deus. “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém” (1Tm. 1:17).

Conclusão: Mediante a indiscriminada pregação do evangelho, “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt. 22:14). Em temos práticos, qual é a causa imediata dessa distinção? A culpa é sempre do homem. Alguns crêem, de coração, enquanto outros têm desculpas para não assumir um compromisso sério. Cristo ilustrou esses pretextos na parábola do Semeador: desinteresse, dificuldades religiosas, cuidados do mundo e ambições carnais, (Mt. 13:18-23).  “Por isso, quem crê no Filho (que assume um compromisso de fidelidade a Ele) tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho (recusando assumir um compromisso  de fidelidade a Ele) não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36).


Mas, por outro lado, todos o que crêem verdadeiramente em Jesus Cristo, estão conscientes do auxílio de Deus em seu favor. Como Cristo disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo. 10:27-28). Quando alguém é chamado mediante a pregação do evangelho, o chamado é eficaz porque o Espírito Santo abre o coração do ouvinte para atender a mensagem ouvida (At. 16:14). Se alguém perguntar: Por que Deus nos chama? A resposta é simples e clara: somos chamados para sermos de Jesus Cristo,  para sermos santos (Rm. 1:6-7). “Porquanto Deus não nos chamou para a impureza e sim para a santificação” (1Ts. 4:7). Existe uma única maneira para saber se somos chamados, de fato, eficazmente ou não: mediante uma vida santa e irrepreensível, andando de modo digno da vocação pela qual fomos chamados, (Ef. 4:1). Que Deus abra o nosso entendimento para que reconheçamos, de verdade, a realidade do nosso estado espiritual.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A PAIXÃO (PADECIMENTO) DE CRISTO


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Lucas 18:31-34

Introdução: Primeiro, quero justificar o uso da palavra “Paixão”. Ela é a tradução da palavra grega “Pathein”, que significa “paixão”. E, no Novo Testamento, ela sempre se refere ao “padecimento e morte de Jesus Cristo”. Em português, essa palavra é traduzida como padecido. “Depois de ter padecido, ele (Jesus) se apresentou vivo” (At. 1:3). A Bíblia em Inglês retém a palavra paixão (passion) neste versículo (KJV).

Ao meditarmos sobre o sofrimento e morte de Cristo, devemos lembrar que Ele nasceu “como de cordeiro, sem defeito e sem mácula” (1Pe. 1:19), a fim de “dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc. 10:45).  Ele recebeu o nome de Jesus – Salvador, “porque salvaria o seu povo dos pecados deles” (Mt. 1:21). A morte vicária, ou, substitutiva de Jesus Cristo é tão central para a fé cristã, que Ele mesmo instituiu a Ceia do Senhor, “Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice anunciais a morte do Senhor, até  que ele venha” (1Co. 11:23-26). Desta maneira, Ele nos deu um ato físico para ajudar-nos a lembrar do preço pago a fim de nos conceder “ a redenção e a remissão dos pecados” (Cl. 1:14).

Para  facilitar a compreensão do assunto, nos limitaremos a mencionar os sete momentos em que Cristo sofreu durante as últimas vinte e quatro horas de sua vida aqui na terra. “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés” (Hb. 10:12-13).

1. O Momento no Cenáculo, Mc. 14:15. O sofrimento de Cristo, de uma maneira sempre crescente, começou dentro deste recinto sagrado, na presença de seus discípulos. “Angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá” (Jo.13:21). Mas, apesar de saber que Ele seria traído, Ele não soltou nenhuma palavra de impedimento, antes, dirigiu-se aos discípulos fiéis, a fim de prepará-los e os fortalecer para que não vacilassem na fé por causa dos horrores prestes a acontecer. E, para isso, falou do seu amor para com eles. “ Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos. Vós sois os meus amigos se fazeis o que eu vos mando” (Jo. 15:13-14). “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a  sua vida por nós; e devemos dar a nossa pelos  irmãos (1Jo. 3:16). O Evangelho é este: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Co. 15:3). Eles teriam que entender que a morte de Cristo seria o cumprimento das Escrituras do Antigo Testamento.

Veja como Ele cuidou  de seus discípulos, e de nós também, no Evangelho segundo João: No capítulo 14, Ele falou do consolo espiritual; da casa de seu Pai e do seu retorno: “Voltarei e vos recebereis para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Vs. 2-3). No capítulo 15, Ele falou da necessidade de permanecer nele.  Ele nos deu esta promessa: “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito” (V.7). No capítulo 16, temos a promessa do Consolador, o Espírito Santo, a fim de ajudar-nos em nossas tribulações, que são parte da vida cristã. “Se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei ... Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo anunciará” (Vs. 7 e 14). E, no capítulo 17, Cristo orou a seu Pai, relatando do cumprimento da sua missão. Ele também pediu que o trabalho começado continuasse. E, para o nosso consolo, orou por nós. “Não rogo somente por estes (os discípulos imediatos), mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” V.20.

2. O Momento no Getsêmani, Mc. 14:32. É aqui que começou, de uma maneira mais intensa, a luta invisível e indescritível para destruir o poder das trevas e do pecado. É uma luta que o Senhor Jesus tinha que enfrentar sozinho, pois os discípulos, apesar de estarem presentes, foram excluídos do conflito por um sono irresistível. Quem pode realmente entender o que Cristo estava experimentando naquela hora quando Ele “começou a entristecer-se e a angustiar-se”, confessando: “minha alma está profundamente triste até a morte”? Todavia, devemos sempre lembrar que, “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1Jo. 3:8).  Nessa hora, parece que o próprio céu ficou fechado contra Ele; pois teria que beber o cálice da ira de Deus contra o pecado, até a última gota. Nesse momento, o nosso Senhor confessou a sua total submissão à vontade de seu Pai: “Faça-se a tua vontade” (Mt. 26:37-42). Mas a luta dentro do íntimo do Senhor continuou sem qualquer alento. “E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc. 26:44). “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor (o Pai) fez cair sobre ele (o seu próprio filho) a iniqüidade de nós todos” (Is. 53:6). Mas a luta ainda não terminou, decepções e atrocidades ainda o guardavam.

3. O Momento na Traição, Mc. 14:44-45. Quando Jesus e seus discípulos saíram do jardim, eles enfrentaram o traidor: “ Tendo, pois, Judas recebido a escolta e, dos principais  sacerdotes e dos fariseus, alguns guardas, chegou a este lugar com lanternas, tochas e armas” (Jo. 18:3). Ali, Jesus recebeu aquele que o beijou traiçoeiramente, aquele que recebeu os elementos da Páscoa, como se fosse um verdadeiro amigo. O Salmista registrou, profeticamente, o que Jesus sentiu com aquele ato de hipocrisia: “Com efeito, não é o inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia que se exalta contra mim, pois dele me esconderia; mas és tu (Judas), homem meu igual, meu companheiro e o meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus” (Sl. 55:12-14). Com esse ato, todos os discípulos fugiram, deixando Jesus sozinho com os seus inimigos, (Mc. 14:50). Mais tarde, Pedro o seguiu de longe, porém, somente para negá-lo três vezes com juramentos. Quem pode descrever a tristeza mordente que Jesus sentiu quando olhou para o seu discípulo medroso? (Lc. 22:54-62). Novamente, Jesus sentia a solidão da sua missão, sozinho teria que receber “o castigo que nos traz a paz” e, sozinho, teria que pagar o preço da nossa redenção e o perdão dos nossos pecados, (Is. 53:4-5).

4. O Momento Perante o Sinédrio, Jo. 18:12-13). Vamos tentar assimilar o que está acontecendo. Jesus Cristo, o Deus conosco, o Deus Forte (Mt. 1:23; Is. 9:6) sendo conduzido, manietado, ao tribunal para ser sentenciado à morte, como se fosse um criminoso perigoso. O Ap. Paulo tentou pôr em palavras a disposição de Jesus nesse momento: “Pois ele,  subsistindo em forma de Deus, não julgou  como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou ... a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fp. 2:5-8). Deixamos a profecia falar, para que possamos entender melhor o que estava acontecendo: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is. 53:3). O tribunal foi uma farsa da justiça, uma zombaria da santidade imaculada dos princípios da lei de Deus; contudo, desenrolou o processo com uma aparência de normalidade. Mas quando Jesus não respondeu para se defender, o sumo-sacerdote, assumindo uma atitude satânica, lembrando que esta foi a “hora e o poder das trevas” (Lc.22:53), resolveu usar o juramento mais solene diante da lei de Deus: “És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu” (Mc. 14:61-62). Jesus nunca perdeu a visão do seu lugar ao lado de seu Pai na glória e da sua volta para julgar vivos e mortos. Com esta declaração nobre, o ódio dos ouvintes se rompeu numa fúria enlouquecida: “Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas” (Mc. 14:65). Tudo isso aconteceu dentro do local onde a justiça deveria constranger as reações de todos. De fato, Cristo experimentou o horror apavorante do pecado no seu íntimo, agora, Ele está sofrendo a crueldade do pecado em seu corpo físico. Assim, a escritura se cumpriu: “Odiaram-me sem motivo” (Jo. 15:24-25). E as atrocidades aumentarão,  implacavelmente.   

5. O Momento Perante Pilatos, Lc. 23:1-2. Desde o nascimento de Jesus, os poderosos queriam matá-lo. Primeiro foi Herodes. Ele mandou matar todos os meninos “de dois anos para baixo”, na esperança de atingir a vida do “recém-nascido Rei dos judeus” (Mt. 2:2,16). E, durante todo o seu ministério, os judeus procuraram matá-lo, (Jo. 5:18). E, agora, “levantando-se toda a assembléia, levaram Jesus a Pilatos. E ali passaram a acusá-lo, dizendo (mentiras). Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele, o Cristo, o rei. Então lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes (ou seja, tu estás falando a verdade)” (Lc. 23:1-3). Com esta resposta, Pilatos o remeteu a Herodes. “Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto apartoso, e o devolveu a Pilatos” (Lc. 23:11). Pilatos não tinha nenhum desejo de praticar a justiça, contudo, apesar de perguntar a seus acusadores: “Que mal fez ele? De fato nada achei contra ele para condená-lo à morte; portanto,  depois de castigá-lo, solta-lo-ei”. Mas, pergunta-se: por que castigar um inocente? Mas a multidão insisitiu em vê-lo crucificado. “Então Pilatos dicidiu atender-lhes o pedido” (Lc. 23:22-24). Com estas palavras, Jesus foi entregue aos soldados. “Vestiram-no de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça”, e o sujeitaram, incansavelmente, a todo tipo de zombarias e barbaridades. “Então conduziram Jesus para fora, com o fim de o crucificarem” (Mc. 15:16-20). Novamente, perguntamos: Por que tanta crueldade? Este foi o preço necessário para realizar a nossa redenção e conceder-nos  a vida eterna. “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado” (Is. 53:10).

6. O Momento da Crucificação, Mt. 27:31. Mas as desumanidades ainda não pararam. Vamos imaginar a cena: Jesus, totalmente indefeso, pendurado na cruz, mas o povo insistiu em multiplicar as suas dores. “Os que iam passando, blasfemavam dele... De igual modo os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se; desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos” (Mt. 15:29-32). Mas, se Cristo tivesse descido da cruz sem completar a sua missão redentora, qual seria o destino espiritual do pecador? Não haveria nenhuma possibilidade de receber o perdão de seus pecados e nem a esperança de entrar na glória do céu; apenas “certa expectação horrível de juízo e fogo vindouro” (Hb. 10:27). As dores da crucificação continuam, e são intensificadas por causa das zombarias lançadas sobre Ele pelo povo. Mas parece que o Pai, não podendo mais suportar aquele escarcéu, interveio, e, “desde a hora sexta até à hora nona houve trevas sobre toda a terra”. O Pai impediu que aqueles zombeteiros testemunhassem Jesus bebendo as últimas gotas do cálice da ira de Deus contra o pecado. “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lama sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Jesus estava sentindo, naquela hora, o terror de ficar sem Deus e sem o conforto de sua presença, (Mt. 27:45-46.). Mas, logo em seguida, a batalha contra o pecado terminou, e Jesus, com alta voz, exclamou vitoriosamente: “Esta consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”  (Jo.. 19:30). Por meio de seus sofrimentos, Cristo é, agora, o Autor da salvação de todos aqueles que nele crêem (Hb. 2:10).

7. O Momento na Sepultura, Mt. 27:59-60. A realidade da morte de Jesus Cristo foi um fato incontestável. O seu sepultamento não aconteceu às escondidas, antes, foi um ato público, reconhecido por Pilatos e as autoridades eclesiásticas. Ninguém duvidava da realidade da sua morte, e morte de cruz!

A morte de Cristo despertou a consciência de dois homens piedosos. Até aquela hora, eles tinham escondido a sua fé na messiandade de Jesus; mas, agora, não querendo se ocultar mais, resolveram agir publicamente: “Rogaram a Pilatos lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. Pilatos (depois de ter a certeza da morte de Jesus) lhos permitiu” (Jo. 19:38). Com esse ato de devoção, tomaram o corpo e lhe deram um sepultamento honrado, (Lc.23:52-53).

Parece que a possibilidade de uma ressurreição inquietava a consciência dos religiosos. Porventura, lembraram da recente ressurreição de Lázaro? Mas, seja qual for o verdadeiro motivo, solicitaram a Pilatos que providenciasse uma escolta para guardar o tumulo “com segurança” (Mt. 27:64), na esperança de impedir tal possibilidade. Mas a ressurreição corpórea de Jesus Cristo, como um fato incontestável, pertence a outro estudo...


Conclusão: Como podemos resumir o que temos abordado nesta reflexão? Citamos alguns textos das Escrituras para nos ajudar. Em primeiro lugar, a intervenção soberana da misericórdia de Deus: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). Por que Cristo, o Cordeiro de Deus, tinha que sofrer a morte? Quando Ele assumiu o nosso lugar diante da lei de Deus, “aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós (tratando-o como se fosse Ele o pecador), para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co. 5:21). Agora, qual é a nossa esperança espiritual? A Bíblia responde: “De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo. 6:40). E, se realmente crermos, poderemos confessar: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”, (Rm. 5:1).

terça-feira, 14 de junho de 2016

CRISTO – O NOSSO MEDIADOR


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Hebreus 4:14-16

Introdução: Um mediador é aquele que se interpõe entre dois inimigos, buscando uma reconciliação entre os dois. E, no uso bíblico, o mediador é aquele que se interpõe entre o Deus santo e o homem pecador. Deus é “tão puro de olhos, que não pode ver o mal e a opressão não pode contemplar” (Hc 1:13). Em outras palavras, o homem, vivendo em seus pecados, não tem nenhum acesso à presença de Deus, sem a intercessão de um mediador. Graças a Deus, em Cristo Jesus, temos um Mediador, que nos dá acesso ao trono da graça. “Porquanto, há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm. 2:5). O mediador não pode ser um homem qualquer, vivo ou morto, porque todos são pecadores e, por isso, barrados da presença de Deus. Tinha que ser um homem sem qualquer pecado. E existe um só, que jamais transgrediu a santa lei de Deus, Jesus Cristo; “tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb.4:15).

As obras do pecador, bem como as suas orações, não são reconhecidas por Deus, sem a interposição do Mediador, Jesus Cristo. Quando oramos, sempre o fazemos em Nome de Jesus Cristo, porque, sem o seu intermédio, jamais seríamos ouvidos. E, semelhantemente, o nosso serviço, seja qual for a área, por ser uma atividade maculada por nossa natureza pecaminosa, mesmo sendo a nossa oferta melhor, por si só, não pode ser aceitável pela santidade de Deus. Somos totalmente dependentes da intercessão de Jesus Cristo. É Ele que purifica as nossas ofertas, fazendo-as aceitáveis na presença do Pai. O Ap. Paulo expressou essa verdade, dizendo: “E tudo o que fizerdes, seja em palavras, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl. 3:17). Foi o próprio Cristo que estabeleceu a necessidade de depender da virtude de seu Nome a fim  de sermos atendidos pelo Pai: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo. 14:13). Confiando na obra mediana de Jesus Cristo, teremos coragem para tomar posse desta preciosa promessa: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:16). Vamos examinar, mais de perto, esta verdade: Cristo, o  nosso Mediador.

1. A Prontidão do Mediador. Quando o homem caiu no pecado, ele perdeu todos os seus direitos de ter livre acesso à presença de Deus. Como o profeta Isaías disse: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Is. 59:2). Mas Deus é misericordioso e não quis abandonar a sua criatura rebelde e desviada. Por isso, Ele, em toda a sua plenitude, Pai, Filho e Espírito Santo, elaborou um meio, pelo qual um número predeterminado de pessoas seria redimido do meio de todas as nações, povos e línguas. E, para realizar esse plano, o Pai escolheria as pessoas a serem favorecidas; o Filho seria o Mediador, investido com as atribuições de Profeta, Sacerdote e Rei; e o Espírito Santos aplicaria as obras medianas de Cristo ao povo escolhido, para que recebesse a salvação. Observemos que cada uma das Pessoas da Divindade tem uma parte ativa na salvação de pecadores.

Vamos limitar a nossa mensagem às atribuições da Pessoa de Jesus Cristo. Ele, como o escolhido pelo Pai para ser o Mediador, tem a autoridade para representar e preparar o seu povo para que seja aceito na presença do Pai. E, para isso, Cristo exerce os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei. Como Profeta: Ele veio para revelar a natureza e os propósitos do Pai. “Ninguém jamais viu a Deus, o Deus unigênito (Jesus Cristo), que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo. 1:18). Pelo ministério profético de Cristo, conhecemos quem é o nosso Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo. 17:3). Como Sacerdote: Este ministério é semelhante ao do sumo sacerdote do Antigo Testamento, a saber: oferecer sacrifícios pelo povo e interceder por ele. Quanto ao sacrifício de “Cristo, tendo se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação”  (Hb. 9:28). E a Bíblia acrescenta: “Por isso (em virtude da eficácia do sacrifício de si mesmo) também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb. 7:25). Como Rei:  Cristo tem domínio absoluto sobre todas as atividades deste mundo; uma soberania que é usada para arrebanhar o seu povo para a salvação eterna de cada um. Por isso, ao entrar em Jerusalém, o povo cantava: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!” (Lc. 19:38). Graças  a Deus, temos um Mediador que exerce os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei, perfeito em todas as suas atribuições!

2. A Prole do Mediador. Devemos fazer uma pergunta importante: Qual é a condição espiritual do homem em seu estado natural, antes de seu encontro salvador com Cristo? Sim, ele é morto em seus delitos e pecados, (Ef. 2:1). Mas, qual é o efeito dessa condição sobre a sua disposição espiritual? Ele se tornou um ateu prático. Uma declaração formal não é necessária para descobrir o porquê do procedimento do homem. A Bíblia esclarece: “Diz o insensato em seu coração: Não há Deus!”. Ele não disse publicamente: Eu não acredito na existência de Deus. Mas o seu modo de viver sempre revela o que está no coração. O texto continua a descrever esses ateus disfarçados: “Corrompem-se e praticam abominações; já não há quem faça o bem”. Agora, como é que Deus toma conhecimento do que está acontecendo aqui na Terra? “Do céu olha o Senhor para os filhos dos homens, para  ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus”. E qual foi a conclusão dessa pesquisa? “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl. 14:1-3).

Em Romanos 3:10-12, lemos: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. Agora, fazemos mais uma pergunta: Se não há quem busque a Deus, como pode o pecador ser salvo? Cristo responde: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mt. 19:25-26).

Qual foi a resposta de Deus diante dessa corrupção moral e espiritual? Ele usou a sua soberania para eleger uma prole, que seria entregue a seu Filho, a fim de que Ele a redimisse e purificasse. “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor. Porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória do nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts. 2:13-14). A verdade da eleição é motivo de muitas graças a Deus. “Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (Rm. 11:5). Agora, mais uma pergunta: Como podemos identificar esses eleitos? Cristo responde: “As minhas ovelhas (o povo que o Pai me deu) ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo. 10:27-28). Reconhecemos a nossa eleição mediante o nosso apego a Jesus Cristo, conformando-nos a Ele.

3. A Proficiência do Mediador. Deus, o Pai, escolheu, desde toda a eternidade, uma prole, para que, no devido tempo, fosse, por seu Filho Jesus Cristo, remida, chamada, justificada, santificada e glorificada. Cada um desses itens são partes essenciais e insubstituíveis para que sejamos salvos de verdade. Vamos explicar, separadamente, cada um desses itens:

a)      Remido. Por ser um pecador, o homem está numa prisão fechada, condenado à morte eterna e sem esperança de livramento. E, para sair desse reino de trevas e entrar no reino celestial, alguém de fora, que tem uma autoridade soberana, teria que intervir. Além disso, esse alguém teria que assumir as atribuições de um fiador, pagando a dívida que o favorecido tem perante a lei; isto é: uma obediência perfeita e a pena de morte. Reconhecemos que não existe homem algum que possa pagar essa dívida e, ao mesmo tempo, vencer com vida. Por isso, todos nós somos dependentes da misericórdia e graça de Deus, que nos amou e deu o seu próprio Filho como o necessário Fiador. Mediante a sua obediência imaculada e a sua morte substitutiva, Cristo pagou plenamente a nossa dívida; não devemos mais nada; estamos, agora, livres para servir o Deus vivo e verdadeiro com vidas purificadas. Essa obra redentora e justificadora é imputada a todos que nela crêem, fazendo com que sejamos aceitos irrestritamente pelo Pai..
b)      Chamado. Cristo nos chama mediante a pregação do evangelho e pela obra do Espírito Santo que o aplica eficazmente à vida de seu povo. “Porque o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção” (1Ts. 1:9). Sejamos ouvintes prudentes, construindo a nossa esperança espiritual sobre a palavra da verdade, assim, jamais seremos confundidos, (Mt. 7:24-27).
c)      Justificado. Passamos a ser justificados quando Deus nos vê vestidos com as virtudes de Jesus Cristo, que Ele adquiriu por nós, mediante a sua obediência imaculada e a sua morte substitutiva na cruz do Calvário. “Justificados, pois, mediante a fé (na suficiência da obra redentora de Jesus Cristo), temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).
d)       Santificado. Cristo nos santifica mediante a nossa união espiritual com Ele. Assim, como Cristo morreu para o pecado, nós, unidos com Ele, também morremos para o pecado. O poder do pecado em nossa vida recebeu um golpe mortífero. E, semelhantemente, unidos com Cristo em sua ressurreição, ressuscitaremos (fomos regenerados) para andar em novidade de vida. Com base na nossa união com Cristo, o Apóstolo declarou confiantemente: “O pecado não terá domínio sobre nós”, porque temos outro poder direcionando a nossa vida: a graça de Deus, mediante o Espírito Santo que habita em nosso coração” (Rm. 6:14). “Digo porém, andai no Espírito (obedecendo-o) e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl. 5:16).
e)      Glorificado. O ápice da nossa glorificação é o dom da vida eterna, quando estaremos para sempre com o Senhor que nos amou e a si mesmo se entregou à morte substitutiva, a fim de nos salvar. Como o Apóstolo comentou: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofrermos, também com ele seremos glorificados” (Rm. 8:17).

Conclusão: Cristo, como nosso mediador, não apenas permite que tenhamos acesso à presença de Deus, mas, também, transformou a nossa vida de tal forma que fomos feitos dignos de sermos apresentados à presença do Pai. A nossa Confissão de Fé nos oferece um bom resumo da obra mediana de Jesus Cristo:

“Cristo, com toda certeza, e de forma eficaz, aplica e comunica a salvação a todos aqueles para quem a adquiriu. Isto ele consegue, fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na Palavra e pela Palavra os mistérios da salvação, persuadindo-os eficazmente, pelo seu Espírito, a crer e a obedecer, governando os corações deles pela sua Palavra e pelo seu Espírito; subjugando todos os seus inimigos, por meio da sua onipotência e sabedoria, da maneira e pelos meios condizentes com a sua admirável e inescrutável dispensação”  (Cap. 8:8).


  

terça-feira, 31 de maio de 2016

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO - Rev. Ivan G. G. Ross




Leitura Bíblica: Mateus 25:31-46.

Introdução: Ao abordarmos o assunto da Segunda Vinda de Jesus Cristo, devemos ponderar sobre dois princípios que envolvem a nossa obediência. Primeiro: As últimas  palavras de Cristo a seus seguidores, são: “Ide, portanto, fazei discípulos (...) ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt. 28:19-20). Ao obedecermos essa ordem,  temos que nos limitar ao que Ele estabeleceu, evitando o uso de acréscimos que confundem a simplicidade das palavras de Cristo. Segundo: Quando os discípulos perguntam a Jesus sobre os três eventos do futuro, a saber: 1) “Quando sucederão estas cousas?” (a destruição de Jerusalém, quando “não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”); 2) “e, que sinal haverá da tua vinda?” (o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória); 3) “e da consumação do século?” (ou, depois de certos acontecimentos, tal como a pregação do evangelho por todo o mundo, “então virá o fim”). No resto do capítulo 24, até o fim do capítulo 25, Cristo respondeu magistralmente as três perguntas dos discípulos. Agora, a questão é: Cristo deu uma resposta completa ou, porventura, incompleta, deixando os seus discípulos insatisfeitos e sem uma resposta segura? Não podemos cometer tamanha blasfêmia, questionando a completude da resposta que Cristo deu a seus discípulos, sedentos por uma resposta verídica, suficiente para alimentar a sua fé.

Em poucas palavras, podemos resumir o ensino desses dois capítulos com o seguinte esboço:

  1. Os discípulos comentam sobre a construção do templo, 24:1;
  2. A profecia sobre a destruição de Jerusalém, 24:2;
  3. A tríplice pergunta dos discípulos quanto ao cumprimento dessa profecia, 24:3;
  4. Como Cristo respondeu essas perguntas, 24:4 – 25:46.

a) Uma descrição do estado inseguro do mundo: Falsos cristos, guerras, fomes, terremotos e perseguições, horrores que continuarão até a  consumação do século, 24:4-14.
b) Uma descrição da tribulação e do sinal que anunciarão e precederão a destruição de Jerusalém. “Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (ou seja: “Quando, porém, virdes Jerusalém  sitiada de exércitos (romanos), sabei que está próxima a sua devastação, Lc. 21:20), então  os que estiverem na Judéia, fujam para os montes”, 24:15-28.
c) Um relance da vinda de Cristo: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória”, 24:29-31.
d) Mediante o uso de quatro parábolas, Cristo descreveu as atitudes espirituais que devem ser cultivadas enquanto aguardamos a vinda de Cristo, a saber: 1) A figueira, apesar das calamidades mencionadas nos Vs. 4-28, os propósitos de Deus estão se cumprindo inexoravelmente, as palavras de Cristo jamais falharão. “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (V. 42). 2) Do servo bom e do mau. Seja fiel a Cristo. “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm. 14:12). 3) As dez virgens. Seja diligente para cuidar da sua vida espiritual. 4) Os talentos, cada um de nós temos recebido um dom pelo qual serviremos a Deus, portanto, não sejamos negligentes, esbanjando o nosso tempo, 24:32 -25:30.
e) Os quatro acontecimentos escatológicos, 25:31-46. Podemos observar uma seqüência ininterrupta de quatro eventos  que acontecerão na consumação do século: 1. A vinda repentina e visível de Jesus Cristo; 2. A ressurreição geral de cada ser humano; 3. O juízo final, separando os justos dos injustos; 4. Os Destinos na eternidade, alguns para o castigo eterno e outros para a vida eterna. Podemos observar esses mesmos quatro eventos, em seqüência semelhante, nas duas parábolas do reino, cada uma com esta explanação: “Assim será na consumação do século” (Mt. 13:40, 49). Na parábola do joio, Mt. 13:36-43, a situação geral do mundo, bons e maus crescendo juntos. Agora, os quatro eventos: 1. Novamente, uma ordem foi dada, a Segunda Vinda de Cristo; 2. A ordem, a colheita, a Ressurreição Geral dos bons e maus; 3. O processo de separação, O Juízo Final; 4. Os respectivos Destinos, o joio queimado e o trigo recolhido no celeiro. Na parábola da rede, Mt. 13:47-50. 1. Mais uma vez, a ordem foi dada, a Vinda de Cristo; 2. O recolhimento dos peixes, a Ressurreição Geral; 3. O processo de separação, o Juízo Final; 4. Os respectivos Destinos.
Vamos examinar esses quatro eventos como se  encontram em Mt. 25:31-46.
1. A Vinda de Cristo. “ Quando vier o Filho do homem”. V. 13. Cristo descreveu a natureza de sua vinda em Mt. 24:30-31. Os discípulos tinham perguntado: “E que sinal haverá da tua vinda?”. Agora, Cristo dá a sua resposta: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória”. Como será manifestado o seu poder e glória? Ele “se assentará no trono da sua glória”, Mt. 25:31. Desta posição de autoridade, Ele dará início aos eventos relacionados à consumação do século.

Quanto à visibilidade da vinda de Cristo, Ele mesmo disse: “Porque, assim como o relâmpago  sai do oriente e se mostra no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem” Mt. 24:27. A sua visibilidade será inconfundível. Os dois anjos que orientaram os discípulos, depois da ascensão de Cristo, disseram: “Varões galileus, por que estais olhando  para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá de modo como o vistes subir” At. 1:11.

E, quanto à repentinidade da vinda de Cristo, Ele mesmo disse: “Mas, considerai isto: se o pai de família soubesse a que horas viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá”, 24:43-44. Qual é a lição que devemos aprender? “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia, nem a hora” da vinda de Cristo, 25:13.

2. A Ressurreição Geral. Embora o texto não use a palavra “ressurreição”, a sua realidade está implícita, porque todas as nações e cada indivíduo delas estão reunidos diante do trono onde Cristo se assentou, Mt. 25:31-32. Na ressurreição escatológica, todas as pessoas, sem exceção, justos e injustos, vivos e mortos, todos estão incluídos. Nas duas parábolas do reino, o joio e o trigo, os peixes bons e os peixes ruins, foram incluídos na colheita, para depois serem separados. Quando Cristo falou sobre a ressurreição, Ele disse: “Não vos maravilheis disto (da autoridade que Ele recebeu para efetuar as ressurreições), porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos (todos os crentes e descrentes), ouvirão a sua voz, e sairão”. E qual é a finalidade desse acontecimento? Para que sejam julgados e encaminhados para o seu lugar na eternidade. Alguns  ressuscitarão  para receber a vida,  outros para receber o castigo, Jo. 5:25-29.
O Ap. Paulo descreveu essa ressurreição: “Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos (morreremos), mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós (os vivos) seremos transformados. Porque é necessário que este corpo se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade” 1Co. 15:51-53. Na ressurreição, o nosso próprio corpo será levantado. O piedoso Jó expressou a sua convicção espiritual, dizendo: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos virão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro em mim” Jó 19:25-27. No dia da ressurreição, o corpo dos ressuscitados, bem como o corpo dos vivos, será transformado, feito indestrutível e eterno, próprio  para a eternidade, seja para o céu, na presença de Deus, ou para o inferno, separado da presença de Deus. Se a doutrina da ressurreição, com todas as suas implicações, parece  incrível, então ouça a pergunta pertinente do Ap. Paulo: “Por que se julga incrível entre vós  que Deus ressuscite os mortos?” At. 26:8. O Deus que criou o céu e a terra do nada, certamente tem o poder para ajuntar os elementos do nosso corpo e fazê-los reviver outra vez. “Visto que a morte veio por um homem, também  por um homem veio a ressurreição dos mortos” 1Co. 15:21. A ressurreição de Jesus Cristo é a garantia da nossa ressurreição. Talvez alguém esteja pensando: Como será o corpo dos cristãos ressuscitados? O Ap. João responde: “Amados, agora, somos os filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhante  a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” 1Jo. 3:2.   

3. O Juízo Final. “ E todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda” Mt. 25:32-33. “Retribuirá a cada um segundo o seu procedimento”, Rm. 2:6. Qual é o padrão de avaliação que Cristo usará no Dia do Juízo? Cremos que a norma será a lei do amor, resumida nos dois grandes mandamentos: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhantemente a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” Mt. 22:37-40. Segundo o texto de Mateus 25, este amor  tem uma dupla expressão: tudo que fazemos, deve ser feito “como para o Senhor e não para homens” (Cl. 3:23). E, no dia do Juízo, Cristo reconhecerá: ou “sempre que o fizestes a um desses meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”, V.40; ou “sempre que o deixastes de fazer  a um destes meus pequeninos, a mim deixastes de fazer” V.45. Manifestamos o nosso amor a Cristo, servindo-o e cuidando  das necessidades do nosso próximo. Em termos práticos, amamos a Cristo, por isso, amamos o nosso próximo, suprindo as suas necessidades, como para Cristo. “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber, era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso e fostes ver-me”. Aqueles discípulos praticaram esses atos de amor a seu próximo inconscientemente; e, quando ouviram o elogio, perguntaram a Cristo: Quando te vimos nestas circunstâncias? Ele logo respondeu: “Em verdade vos afirmo, sempre que o fizestes a um desses meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” Vs. 35-40. Se amamos a Cristo, de necessidade amaremos o nosso próximo. E, no dia do Juízo, seremos aprovados, ou, reprovados, de acordo com a lei do amor. O Apóstolo disse: “Porque importa que todos nós (incluindo justos e injustos, vivos e mortos) compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba do bem ou do mal que tiver  feito por meio do corpo” 2Co. 5:10. A lei do amor é exigente, temos que amar a Cristo com a totalidade do nosso ser, e o nosso próximo como a nós mesmos. “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei (...) O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” Rm. 13:8-10. Convém ouvir a palavra do Ap. Tiago: “Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores. Pois  qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” Tg. 2:8-10. Vamos lembrar “que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite” 1Ts. 5:2. Portanto, estejamos preparados, sabendo que cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus, no tocante ao nosso procedimento diante da lei do amor.

4. Os Destinos na Eternidade. Depois de julgar cada indivíduo, o Juiz pronunciará o seu veredicto. Aos que obedeceram à lei do amor, ouvirão: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. V.34. No final da parábola do joio, Cristo acrescentou: “Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino do seu Pai”. Mt. 13:43. Será uma bem-aventurança sem fim!

Aos que negligenciaram a lei do amor, ouvirão: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. V. 41. A transgressão maior dos pecadores rebeldes é o seu  desprezo da Pessoa de Cristo. Por isso, está escrito: “Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja anátema – amaldiçoado” 1Co. 16:22. E, na parábola do joio, esse anátema significa: ser lançado “na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes”. Mt. 13:42. O assunto dos destinos na eternidade é encerrado com estas palavras: “E irão estes (os injustos) para o castigo eterno, porém, os justos, para a vida eterna.”, V.46. Com estas palavras, termina-se a revelação escatológica que Cristo nos confiou.

Quando meditamos sobre os destinos na eternidade, nós, o seu povo redimido, devemos sempre dar graças a Deus pelas bênçãos espirituais que Ele tem derramado sobre nós, tão gratuitamente, “porque Deus não tem nos destinado para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos (morramos), vivamos em união com ele. Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo”. 1Ts. 5:9-11.

Conclusão: Existem diversos textos escatológicos no Novo Testamento, cada um tratando de uma parte específica da doutrina da Segunda Vinda de Cristo. Na interpretação desses textos, devemos entendê-los de acordo com o ensino que Cristo nos deu em Mateus 25, obedecendo à seqüência dos quatro acontecimentos. Vamos examinar dois desses textos:

Primeiro: 1Ts 4:13-18. Aqui, o Apóstolo está  respondendo uma pergunta: Os cristãos que morrem  antes da vinda de Cristo, perderão a esperança da vida eterna? A resposta é enfática: Não. Ninguém será esquecido no Dia da Ressurreição Geral, como delineado por Cristo nos três textos escatológicos, em Mateus capítulo 13 e 25. Notemos como o Apóstolo fala seguindo os ensinos que Cristo nos deu em Mateus 25. “Ora, ainda vos declaramos, por palavras do Senhor, isto é: os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto, o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficamos, seremos arrebatados (levantados) juntamente com eles (os mortos ressuscitados), entre as nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares, e, assim, estaremos, para sempre, com o Senhor”. 1Ts. 4:15-17. O que o Apóstolo está dizendo? Está descrevendo a Segunda Vinda do Senhor e a Ressurreição Geral, exatamente como Cristo  ensinou em Mateus 25. Essa resposta é basicamente a mesma que ele deu à Igreja em Corinto, que fez a mesma pergunta: “Porque importa que todos nós (vivos e mortos) compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” 2Co. 5:10. O Apóstolo jamais contradizeria as sequências escatológicas estabelecidas por Jesus Cristo, em Mateus capítulo 25.

O segundo texto: Ap. 20:1-15. Primeiro, reconhecemos que os números no livro do Apocalipse são metafóricos, interpretações por meio de símbolos, portanto, não podem ser literais. Eis um exemplo desse simbolismo: O número dos “servos do Senhor” são 144.000, mas, logo em seguida, esse mesmo número é visto como “grande multidão que ninguém podia enumerar”. Então, por que o uso do número 144.000? Para Deus, o número de seus servos é conhecido em termos exatos e inalteráveis, porém, para nós, o número exato é desconhecido. Em Apocalipse 20, o número mil é usado simbolicamente para descrever, indefinidamente, o longo tempo entre as duas vindas de Cristo. Durante esses mil anos, Cristo está reinando soberanamente, arrebanhando o seu povo dentre todas as nações. Paralelamente, Satanás ficou preso com uma grande corrente durante os mesmos mil anos. Apesar de estar preso, ele não ficou imobilizado, porém,  pode agir dentro das limitações da grande corrente, mas, somente com a permissão de Cristo. Qual a razão desse detalhe? Como é consolador saber que Satanás não pode impedir que alguém se aproxime de Cristo para receber a salvação eterna. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo  a sua boa vontade”. Fl. 2:13. Por causa desse reinado de Cristo, Ele tem levantado Igrejas no mundo  inteiro, onde o evangelho é anunciado. Depois  dessa exposição do que está acontecendo no mundo dos nossos dias, o resto do capítulo 20 dá um relance da Segunda Vinda de Cristo, Ressurreição Geral, o Juízo Final e os Destinos das pessoas na eternidade, exatamente como Cristo estabeleceu em Mateus 25. Quanto às atividades atuais, tanto de Cristo, bem como de Satanás, convém ler Mateus 24:4-31.

Vamos evitar todas as conversas sobre esse assunto, tão precioso, que procuram ferir o claro e completo ensino de Cristo sobre a consumação do século. Sejamos semelhantes aos tessalonicenses, que foram convertidos a Deus, para servirem o Deus vivo e verdadeiro e para aguardarem dos céus o seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura, 1Ts. 1:9-10. Maranata, “Vem, Senhor Jesus!” Ap. 22:20.



quarta-feira, 20 de abril de 2016

A VIDA DE JOSÉ




Leitura Bíblica:  Gênesis 37:1-11.

Introdução: A história de José é uma das mais gráficas e instrutivas de todas do Antigo Testamento. Qual foi a característica mais dominante nesta vida singular? Creio que seja o seu temor de Deus. Vemos esse distintivo dirigindo-o na sua menoridade, na sua mocidade e na sua maturidade.

Como podemos definir “o temor de Deus”? A pessoa que teme a Deus crê que Ele existe e que é santo, é justo e, por isso, “estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo, que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando dentre os mortos” (Hb. 11:6; At. 17:31); e, acreditando nessas duas  verdades, sabe que tem que viver uma vida “santa e irrepreensível” (Ef. 1:4). Por outro lado, a pessoa que não teme a Deus, diz em seu coração: “Não há Deus” (Sl. 14:1); não acredita que “cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm. 14:12); por isso, sente-se  livre para seguir todas as inclinações de seu próprio coração empedernido. “Corrompem-se  e praticam abominações; já não há quem  faça o bem” (Sl. 14:1). Em Romanos 3:10-17, temos uma lista de pecados impiedosos. Como podem existir tais atrocidades na vida do ser humano? O V.18 responde: “Não há temor de Deus diante de seus olhos”. No Salmo 36:1-4, por que o Salmista concluiu que certas pessoas não temiam a Deus? Por causa do seu procedimento. “Porque a transgressão o lisonjeia a seus olhos e lhe diz que a sua iniqüidade não há de ser descoberta, nem detestada” (Sl. 36:2).

Sabemos que o temor de Deus normalmente entra na vida de uma pessoa mediante o seu contato com a Palavra de Deus e a influência de parentes piedosos. José nasceu no meio da família de Labão, com quem o seu pai trabalhava. Ainda na sua infância, Jacó, seu pai, juntamente com a sua família e possessões, voltou para Canaã e para a casa de seu pai, Isaque. Embora a Bíblia não nos dê detalhes explicitamente, cremos que José passou a viver em contato constante com Isaque, o seu avô piedoso, e dele recebeu os princípios do temor de Deus. É muito instrutivo descobrir as semelhanças entre Isaque e o seu neto, José.

Em termos práticos, como podemos comunicar o  temor de Deus a nossos filhos? Quando batizamos os nossos filhos, prometemos diante de Deus e dos membros congregados na Igreja: “ensinar-lhes a ler para que venham a ler por si mesmos a Santa Escritura; orar por eles e com eles; servir-lhes vós mesmos de bons exemplos de piedade e religião, esforçar-vos por todos os meios designados por Deus para criá-los na disciplina e correção do Senhor”. Não é suficiente contar-lhes as histórias da Bíblia; temos que explicar quais são as doutrinas principais e o sentido bíblico do temor de Deus.

Como podemos cumprir as nossas obrigações espirituais e as promessas solenes que assumimos diante do Senhor? A maneira mais acessível é a prática diária do Culto Doméstico, com a família toda reunida para cantar hinos apropriados, ler as Escrituras Sagradas e orar uns pelos outros. Dessa maneira, os filhos sentirão e experimentarão a realidade de nossa “piedade e religião”. O temor de Deus não nasce por acaso, esse distintivo é inculcado mediante o devido uso dos meios da graça, a saber, pelas Escrituras Sagradas, oração e o exemplo pessoal dos pais e dos avós. Como Isaias disse: “Porque é preceito sobre preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali” (Is. 28:10). Vamos descobrir como o temor de Deus atuava na vida diária de José.

1. Os Anos de Menoridade – até aos 17 anos. Nesta fase da vida de José, a Bíblia registra quatro incidentes nos quais podemos sentir que o temor de Deus já estava determinando a natureza de suas disposições.

a)      A moralidade de José. Quando tememos a Deus, nós nos sentimos ofendidos pela audácia do pecado. Não sabemos quais foram os pecados específicos de seus irmãos,  mas sabemos que o senso moral de José o constrangeu a reagir. Por ser ainda um menor, ele não tentou repreender os seus irmãos, que eram bem mais velhos, contudo, sentiu que algo devia ser feito. Ele relatou tudo  a seu pai, na esperança de que ele pudesse dar a devida repreensão, (Gn. 37:2).
b)      José, o filho preferido. Jacó derramou um amor maior sobre José, porque ele foi o primogênito de sua esposa favorita, Raquel e, também, por ser o filho de sua velhice, (Gn 37:3). José não tinha nenhuma culpa por ser o preferido de seu pai. Cremos que esse favoritismo não prejudicou o seu temor de Deus, antes, talvez o fortaleceu, porque não quis decepcionar a confiança de seu pai. Jacó ostentou a sua preferência por José dando-lhe uma “túnica talar de mangas compridas”, e, fazendo assim, provocou o ódio de seus irmãos. Mas, tudo índica que José, na sua ingenuidade, nunca percebeu esse ódio. Ele amava a seus irmãos e nunca questionou a lealdade deles, (Gn. 37:3-4).
c)      Os sonhos de José. Por causa de seu temor de Deus, José praticava uma comunhão espiritual com  seu Criador. Por meio de sonhos, Deus lhe revelou que, de alguma maneira, ele seria privilegiado para reinar sobre a vida de seus irmãos, inclusive sobre seu pai. Cremos que essa promessa o  sustentou durante os anos de sua mocidade. Ora, revelações são dadas para, normalmente, serem comunicadas. E, fiel a esse princípio, José falou dos seus sonhos, sem, porém, tentar oferecer-lhes a interpretação. Mas, com essa mensagem, que os irmãos ouviram e entenderam perfeitamente,  José foi ainda mais odiado. Novamente, ele não sentiu nada de diferente entre seus irmãos. (Gn. 37:5-11).
d)      José, um filho obediente. Apesar de ser o filho preferido, José tinha que trabalhar junto com seus irmãos, apascentando os rebanhos. Um dia, em casa, o pai lhe pediu que fosse a seus irmãos para ver como estavam passando, e, depois, trazer-lhe as noticias (Gn. 37:12-14). José, sem qualquer receio, obedeceu, nunca imaginando que os seus irmãos o odiavam e que seria traído por eles e vendido à escravidão. E assim aconteceu. Qual foi a reação de José? A Bíblia não fala. Porém, uma coisa é indiscutivelmente certa: José não perdeu o seu temor de Deus. O seu procedimento na escravidão demonstra a sua firmeza e confiança na sabedoria das providências de Deus. Certamente ele pensava à semelhança do Salmista: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim”. E, com esse consolo, fez uma oração espontânea ao Senhor: “Tu és o meu amparo e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu!” (Sl. 40:17). 

2. Os Anos de Mocidade – até aos 30 anos. O temor de Deus não anula o sentimento de decepção. José não deixou que a circunstância negativa sacudisse a sua confiança no Deus que ele servia. Cremos que, de alguma forma, ele se firmou na certeza da presença sustentadora de Deus com uma promessa, tal como: “De maneira alguma, te deixarei, nunca jamais te abandonarei”. E, com essa verdade a encorajá-lo, ele respondeu: “Assim afirmemos confiantemente: o Senhor  é o meu auxílio, não  temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hb. 13:5-6).

a)      José na casa de Potifar. Não sabemos como foram os primeiros tempos de José naquela casa. Mas uma coisa podemos facilmente reconhecer: Ele continuou, sem qualquer vacilação, deixando que o temor de Deus direcionasse a sua vida, porque a Bíblia registra: “O Senhor era com José, e veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio. Vendo Potifar que o Senhor era com ele e tudo o que ele fazia, o Senhor prosperava em suas mãos” (Gn. 39:2-3). José tornou-se tão abençoado pelo Senhor e, Potifar, querendo aproveitar dessa maravilha, promoveu esse escravo, “e tudo o que tinha confiou às mãos de José” (Gn. 39:6). Vamos, novamente, observar que José não deixou que essa prosperidade o fizesse abandonar o seu temor a Deus, antes, cremos que ele se firmou cada vez mais em seu propósito de ter uma vida santa e irrepreensível. Cristo explicou esta disposição, dizendo: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5:16).
b)      José e a mulher de Potifar. “Aconteceu depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo” (Gn. 39:7). Parece que  essa foi a primeira tentação séria que José tinha que enfrentar. Não podemos subestimar o poder que acompanha o assédio sexual de uma mulher sensual. Mas, mediante um poder superior, o temor de Deus, José resistiu, dizendo: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn: 39:9). Continuar fiel no temor de Deus pode ser custoso. Por causa da vingança daquela mulher, José foi  lançado injustamente no cárcere, “ali ficou ele na prisão” (Gn. 39:20).
c)      José no cárcere.  Sofrer injustiças das mãos daqueles que deveriam nos apoiar é uma das tribulações mais difíceis de se suportar. Essa foi a segunda injustiça que José teve que enfrentar. Contudo, cremos que a sua reação foi semelhante àquela de Jesus Cristo: “Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga corretamente (1Pe. 2:23). Novamente, estamos vendo  como o temor de Deus nos ampara na tribulação. Os primeiros tempos no cárcere foram extremamente cruéis. O Salmista registrou: “Adiante deles (a família de Jacó) enviou um homem, José, vendido como escravo; cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros até cumprir-se a profecia a respeito dele, e tê-lo provado a palavra do Senhor” (Sl. 105:17-19). Imperceptivelmente, José estava sendo preparado para ser um salvador. Deus usou um método semelhante para preparar o seu próprio Filho para que pudesse ser o Salvador de todos aqueles que nele crêem. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb. 5:8-9). Mas o Senhor jamais abandonou o seu servo fiel. “O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia  tudo quanto se devia fazer ali. E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam nas mãos de José, porquanto o Senhor era com ele, e  tudo o que ele  fazia o Senhor prosperava” (Gn. 39:21-23). José estava na escola de Deus, que usava métodos estranhos para preparar o seu servo para uma responsabilidade maior. “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito” (Lc. 16:10).    

3. Os Anos de Maturidade – até aos 110 anos, quando morreu. O temor de Deus e uma profunda comunhão com Ele são virtudes inseparáveis; existindo uma, sempre haverá a outra. “A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos  quais ele dará a conhecer a sua aliança” – a sua vontade, (Sl. 25:14). Por causa dessa comunhão espiritual, José recebeu o dom de ser um administrador de confiança, seja na casa de Pontifar ou no cárcere. Deus estava preparando o seu servo para administrar o salvamento do Egito durante a grande seca.

a)      José como interprete de sonhos. O dom de interpretar sonhos é uma capacidade que vem de Deus, portanto, é Ele que tem que receber todo o crédito. Quando os dois prisioneiros, o copeiro-chefe e o padeiro-chefe lamentaram, dizendo a José: “Tivemos um sonho, e não há quem o possa interpretar”. Veja como José respondeu, dando testemunho da sua comunhão com o Deus verdadeiro: “Porventura, não pertencem a Deus as interpretações? Contai-me o sonho”. Sabemos que esses vieram de Deus e se cumpriram de acordo com a interpretação de José. Mas o copeiro-chefe imediatamente se esqueceu do pedido de seu benfeitor, (Gn. 40:6-23). Contudo, dois anos mais tarde, ele, repentinamente,  lembrou-se do bem que recebera de José, (Gn 41:1,9-13).  Cremos que Deus pode provocar um esquecimento, bem como trazer à memória um incidente que aconteceu no passado.
b)      José e o sonho do Faraó. Faraó também teve um sonho e, novamente, ninguém conseguiu lhe dar a interpretação. De repente, o copeiro-chefe lembrou-se de José e como ele podia interpretar sonhos. Com base nessa informação, José foi imediatamente chamado da prisão e, depois do devido preparo, foi apresentado ao faraó. Este, em sua impaciência, logo disse a José: “Tive um sonho e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que quando ouves um sonho, podes interpretá-lo”. Mas José logo o corrigiu e, dando toda a glória a Deus, disse: “Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó” (Gn. 41:15-16). Depois de ouvir a interpretação e a recomendação, o “conselho foi agradável a Faraó e a todos os oficiais. Disse Faraó a seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado como tu. Administrarás a minha casa ( ... ) Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito” (Gn. 41:37-41). Foram necessários cerca de treze anos na escola de Deus para que José pudesse ser elevado a ser o governador sobre todo o Egito. Vamos entender que o temor de Deus, que nos sustenta durante todos os dias da nossa aprendizagem, nos concederá a vitória quando tivermos que colocar em prática o que temos aprendido. “E todas as terras vinham ao Egito para comprar de José, porque a fome prevaleceu em todo o mundo” (Gn. 41:57).
c)      José se encontra com seus irmãos. Novamente, observemos como o temor de Deus constrangeu as reações de José. Não há nenhum sinal de vingança nas determinações de José. Então, como podemos explicar o seu procedimento  para com os irmãos? Como em todas as circunstâncias de sua vida, ele foi cuidadoso para discernir as indicações do Espírito de Deus. Agora, diante de seus irmãos, o seu procedimento não poderia ser diferente. Como eles nunca tinham se arrependido de seu crime contra Deus e contra seu irmão, agora chegara a hora para fazê-los reconhecer e confessar o seu pecado. E Deus orientou José como usar uma estratégia  para produzir o tão necessário convencimento. Com os primeiros apertos, sem ouvir nenhuma alusão a seu crime, a consciência dos irmãos começou a trazer-lhes recordações específicas. “Então disseram uns aos outros: Na verdade, somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos a angústia da alma quando nos rogava, e não lhe acudimos; por isso nos vem esta ansiedade” (Gn. 42:21). Sabemos que houve uma preciosa reconciliação entre os doze irmãos. A alegria de Jacó ao reencontrar seu filho amado foi muito comovente. O nosso Deus é o galardoador daqueles que nele crêem. Mas, vamos ouvir como José interpretou as suas experiências na presença de seus irmãos medrosos: “Não temais; acaso estou eu em lugar de Deus? Vós, na  verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora,  que se conserve muita gente em vida. Não temais,  pois, eu vos sustentarei a vós outros e as vossos filhos. Assim, os consolou e lhes falou ao coração” (Gn. 50:19-21). O temor de Deus nos constrange a usar a magnanimidade para com os nossos irmãos faltosos.


Conclusão: Os princípios do temor de Deus que direcionaram a vida de José são dignos de serem imitados, se desejamos experimentar o mesmo êxito desse servo fiel a Deus. “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos  a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor, porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb. 12:28-29). 

Rev. Ivan G. G. Ross
19 de Abril de 2016