Vasos de Honra

terça-feira, 15 de agosto de 2017

FÉ SALVADORA




Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Hebreus 1:1-7

Introdução:  Vamos meditar sobre a doutrina da nossa fé. Por que julgo necessário abordar esse assunto? Porque Cristo disse: “Contudo, quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc. 18:8). Evidentemente, chegando perto da Segunda Vinda de Cristo, a fé salvadora em Jesus Cristo será algo bem insólito. Qual a razão desse acontecimento? Novamente, Cristo explica: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt. 24:12-13). Qual é a causa desse esfriamento? É o aumento assustador da iniquidade, mas não apenas isso, parece que, apesar das nossas orações, Deus não está respondendo. A iniquidade continua aumentando cada vez mais; assim nasce o desânimo. O Apóstolo descreveu essa situação, dizendo: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias,  sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos,  enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto,  o poder. Foge também destes” (2 Tm. 3:1-5). O domínio desses pecados, em nossos dias, é uma realidade inegável. Mas a Bíblia ensina: “Todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo. 5:4). Uma das atividades principais de Satanás é minar a fé do povo de Deus. A tática é bem sutil: em vez de negar a fé, ele procura redirecioná-la. Em vez de olhar firmemente para o nosso Senhor e Salvador, ele encoraja a pessoa a usar a sua fé para cuidar da sua vida física, buscando a cura das enfermidades; ou para aumentar a sua situação financeira; enfim, o mais importante é o bem estar nesta vida. Com essa preocupação, Cristo, e a vida eterna ficam praticamente excluídos. Qual é o fim principal da nossa fé? “A salvação da nossa alma”, pela fé em Jesus Cristo, (Pe. 1:6-9). Sabendo que toda a nossa esperança espiritual depende da nossa fé, Satanás não se cansa de tentar desviá-la, por isso, o alerta é: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar, resisti-lhe firmes na fé” (1Pe. 5:8-9). A chave é “Permanecei firmes na fé” (1Co. 16:13).

Agora, vamos definir a fé verdadeira, a fé que nos dá o poder para contemplar o invisível: “Visto que andamos por fé e não pelo que vemos” (1Co. 5:7). Vamos imaginar que estamos olhando dentro da negridão do espaço vazio e silencioso. De repente, ouvimos uma voz; o nosso coração se enche com uma certeza: algo há de acontecer. A voz dá uma ordem: “Haja luz”, e, imediatamente, as trevas desaparecem. “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus de maneira que o visível veio a existir  das coisas que não aparecem”. O primeiro versículo define a natureza da fé: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam”. Quais são as “coisas que se esperam”?  As revelações que Deus tem falado e prometido. E, sabendo que o que a palavra que Deus fala não pode se descumprir, temos a convicção de fatos (que Deus tem falado), “fatos que não se vêem”.  Não há necessidade de buscar uma definição melhor. Cremos na veracidade de tudo o que  Deus tem falado, pois ele não pode mentir, (Tt 1:2). As promessas que Deus tem nos dado são todas registradas nas Escrituras Sagradas, por isso, podemos confiar em cada uma. “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por Ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio”, isto é, os ministros de Deus glorificam a Deus quando anunciam a sua confiança na infalibilidade dessas promessas, (2Co. 1:30). Mas, quais são as pessoas que podem viver essa fé? Somente aquelas que são nascidas de novo.  O homem natural, não regenerado, não pode e nem pensa nas possibilidades da fé, porque os seus desejos estão concentrados em agradar a sua própria carne. A nossa espiritualidade começa somente depois de termos sido regenerados e dotados com os dons concedidos pelo Espírito Santo. A fé é o dom principal, pois sem o uso dela, “é impossível agradar a Deus”. Vamos usar duas ilustrações a fim de descobrir como a fé foi praticada pelos heróis de Hebreus, capítulo onze.

A Primeira Ilustração é de Noé, V.7. Ele ouviu a palavra de Deus, avisando-o da destruição vindoura de todos os seres vivos por causa da corrupção maliciosa dos homens. Qual foi a reação de Noé ao ouvir essa revelação? Ele creu e temeu, porque soube que o mundo inteiro seria atingido, inclusive ele e sua família.  Mas Deus foi misericordioso e revelou-lhe o meio pelo qual ele e a sua família seriam salvos. Deus lhe ordenou para aparelhar uma arca para a salvação de sua família. Noé obedeceu e, imediatamente, começou a construção, “pela qual condenou o mundo (que zombava da sua fé na palavra de Deus) e se tornou herdeiro da justiça”. Notemos três passos que descrevem a sua fé: Ele ouviu a palavra de Deus dando-lhe instruções; creu nela; e agiu de acordo com a orientação recebida. Assim, ele e a sua família, pela fé, foram salvos daquela destruição.

A Segunda ilustração é de Abraão. “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia”. Notemos, novamente, os mesmos três passos que sempre caracterizam a verdadeira fé: Abraão ouviu a ordem da palavra de Deus; creu na veracidade da promessa; e agiu de acordo com as instruções. Ele não ficou decepcionado. A fé sempre se manifesta pela obediência. Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu.

No Novo Testamento, a fé obedece aos mesmos três passos: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). Para nos tornarmos nascidos de novo, temos que ouvir uma mensagem específica: “A palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação”; depois de ouvir, temos que crer no que ouvimos, não apenas de maneira intelectual, mas, sim, “com o coração” (Rm. 10:10); depois de crer, temos que agir, isto é: entregar nossa vida aos cuidados de Jesus Cristo. Como Ele mesmo disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt. 11:28-29). E, para ratificar esses três passos, ouvir, crer e agir, recebemos o dom do Espírito Santo, o qual “testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16).

Fé e crer são quase sinônimos. Quando cremos, reconhecemos a veracidade da palavra ouvida; fé significa que vemos a substância da palavra indicada, embora seja invisível. Simeão recebeu a promessa de que “não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor”.  Ele creu. E, movido pelo Espírito, agiu pela fé, foi ao templo, e lá teve o privilégio de tomar nos braços o recém-nascido Salvador, e disse: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque os meus olhos já viram a tua salvação” (Lc. 2:25-30). Cremos que Jesus Cristo nos deu a promessa da vida eterna e, pela fé, já estamos vislumbrando as glórias de estarmos com Ele para sempre.

Existem muitas realidades, embora invisíveis, mas que aceitamos pela fé, porque são revelações dadas por Deus, para a nossa instrução e consolo espiritual. “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”. No início, não existia nenhuma coisa material, senão uma vastidão ilimitada do nada. Então, como surgiu o universo, que é material? As especulações humanas são incontáveis, porém, sempre baseadas em algo existente. Contudo, no início, não havia nada, nem uma forma de gás, portanto, tais hipóteses devem ser equívocas.  Por que o homem natural insiste nesses estudos? Porque ele tenta explicar tudo sem a necessidade de admitir a existência de um Deus poderoso e criador.

Esse ponto nos leva a considerar outra verdade que aceitamos pela fé, embora seja invisível aos olhos humanos. “De fato, sem fé, é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”. Quanto à existência de Deus, o Apóstolo ensinou: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifestado entre os homens, porque Deus lhes manifestou” (Rm. 1:19). As obras da criação declaram a sua existência, por isso, os homens são indesculpáveis diante de Deus no Dia do julgamento, se não crerem e testemunharem da sua realidade.

Outra verdade que devemos aceitar pela fé é a auto-revelação de Deus. Ele tem prazer em manifestar-se ao homem, visto que é “galardoador dos que o buscam”. Que tipo de galardão podemos esperar da mão de Deus? Talvez depende do que nos motivou a buscá-lo. Se nós orarmos: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guia-me o teu bom Espírito por terreno plano” (Sl. 143:10). O galardão será uma resposta favorável. Ele mesmo dos dará a revelação da sua vontade. Essa foi a experiência do Apóstolo Paulo, (At. 22:14-15; Gl. 1:11-12). Sempre pedimos baseado no que está revelado nas Escrituras Sagradas. Pela fé, podemos confessar: “De manhã, Senhor, ouves a minha voz e as minhas súplicas” (Sl. 5:3). Pela fé, acreditamos que o nosso Deus está sempre acessível e pronto para ouvir a nossa oração, apoiado pelo ensino da Bíblia, porque Ele é “galardoador dos que o buscam”.

Para algumas pessoas, o maior desafio à sua fé é crer que “Deus é amor” (1Jo.4:6). Sem anular os demais atributos divinos, cremos que Ele nos “atrai com cordas humanas, com laços de amor” (Os.11:4). O seu amor é eterno, (Jr.31:3). Mas, o incrédulo intercepta: Se Deus é amor, por que Ele deixa tanta selvageria acontecer contra inocentes? Embora não tenhamos respostas para tudo, cremos que Deus é soberano e que Ele é servido em deixar certas coisas negativas acontecerem para nos convencer da crueldade do pecado que existe no coração de cada  ser humano. Temos que sentir um verdadeiro nojo do pecado, não apenas o que está em outrem, mas também, presente em nossa própria vida (Ez.6:9). Pela FÉ, cremos que o Senhor tem domínio absoluto sobre tudo o que acontece neste mundo. Cristo,  falando sobre o domínio de Deus, disse: “Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais” (Lc. 12:6-7). Com essas palavras, reafirmamos a nossa fé, confessando ao Senhor: “O teu reino é de todos os  séculos e o teu domínio subsiste por todas as gerações. O Senhor é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras” (Sl. 145:13). Mas, para o povo de Deus, a sua fé afirma: “Sabemos que todas as coisas  cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8:28). Apesar de não entendermos, no momento, tudo o  que acontece em nossa vida, Cristo disse: “O que eu  faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás  depois” (Jo. 13:7). Talvez José não entendeu a razão de ser  tratado com tanta injustiça, porém, quando  Faraó lhe disse: “Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei  maior que tu"; então, José entendeu o motivo de tudo o que lhe sobreviera desde a traição de seus irmãos, (Gn. 41:39-40). Mais tarde, José pôde perdoar os seus irmãos, dizendo-lhes: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para  conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gn.45:3-4; 50:19-21). Assim, podemos descansar na soberania divina.


Para terminar, queremos demonstrar como Deus ama. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). Esse é um apelo universal e irrestrito para toda a humanidade, porém, a condição é única: temos que crer que foi Deus que tomou a iniciativa para nos salvar, enviando o seu próprio Filho para “buscar e salvar o perdido” (Lc. 19:10). “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (em total dependência dele, não apenas nesta vida, mas, também, para aquela que teremos depois da nossa partida deste mundo). Nisto consiste o  amor: não em que nós temos amado a Deus, mas em que  Ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:9-10). Todos nós somos pecadores e, se comparecermos em tal estado perante o tribunal, a  sentença da morte (uma eternidade sem a presença consoladora de Deus) será irrevogável. Pela fé, cremos que Deus abriu, em Cristo, a oportunidade de salvação, porque, somente nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Pela fé, cremos que Cristo foi enviado “como propiciação pelos nossos pecados”, o único que pode encobrir o nosso pecado, para que nunca mais se levante contra nós para nos condenar. “Filhinhos, agora permanecei em Cristo, para que quando Ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1Jo. 2:28). Com essas verdades gravadas em nossa mente, somos exortados: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo (aquele que encobre o nosso pecado) e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm. 13:14). O nosso desejo para cada um de vocês, é “crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória tanto agora como no dia eterno” (2Pe. 3:18). Amém.

domingo, 16 de julho de 2017

FILIPE E O EUNUCO




Leitura Bíblica: Atos 8:26-40

Introdução:  Vamos recordar, por um momento, o que aconteceu naquele Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado, de acordo com a profecia do profeta Joel, (At. 2:16). Enquanto o Ap. Pedro explicava as Escrituras, o Espírito Santo estava agindo poderosamente, convencendo os seus ouvintes de seus pecados, (At. 2:37). Naquele dia, quase três mil pessoas se converteram e passaram a crer que o conhecido Jesus, crucificado, morto e ressuscitado, foi, de fato, o prometido Cristo. Qual foi a disposição desses recém-convertidos? “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor dia a dia os que iam sendo salvos” (At. 2:47).

Mas, dessa cena de alegria no Senhor, houve, de repente, uma mudança dramática. Os inimigos do povo de Deus reagiam com uma violência assustadora. “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a Igreja em Jerusalém (onde o Espírito Santo fora derramado, dando início à necessária obra de regeneração entre os povos); e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (At. 8:1).  

Devemos fazer uma pergunta séria: Por que o Senhor permitiu essa perseguição que causou tanto sofrimento aos recém-convertidos? É um recurso que Deus usou a fim de ensinar ao seu povo lições essenciais. Ele fez Israel passar por necessidades para sondar seus corações: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem” (Dt. 8:2-3).  Agora, podemos fazer uma segunda pergunta importante: Qual foi a lição que a Igreja primitiva tinha que aprender? Ela, em sua grande alegria e conforto espiritual em Jerusalém, estava se esquecendo das últimas palavras de Cristo: “Sereis as minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At. 1:8). Por causa dessa perseguição, a Igreja se achou nas “regiões da Judéia e Samaria ... pregando a palavra” (At.8:1,4). Por causa dessa dispersão, também, Felipe recebeu a oportunidade abençoada para evangelizar o eunuco e vê-lo convertido e “seguindo o seu caminho, cheio de júbilo”. Por que esse júbilo? Porque, agora, tinha entendido o sentido das Escrituras e tinha crido, de todo o coração, que “Jesus Cristo é o Filho de Deus” (At. 8:37).  Vamos prosseguir e entender as circunstâncias desse encontro de Felipe com o eunuco.

1. A Disponibilidade do Eunuco.  Quem era esse homem que Deus separou para revelar-lhe o seu amor? Ele era “alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, superintendente de todo o seu tesouro, que viera adorar em Jerusalém”. O que mais podemos dizer? Por ser etíope, ele era negro e desprezado pelos judeus; porém, não por Deus. Esse eunuco foi o cumprimento de uma das mais preciosas profecias do Antigo Testamento; uma verdade que a Igreja tinha que reconhecer e aceitar. Na reunião especial dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém: “Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós (os judeus) nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós (os judeus) e eles (os gentios), purificando-lhes pela fé o coração. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos (a necessidade da circuncisão) um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (At. 15:7-11). Como é bom entender: “Dessarte, não pode haver judeu, nem grego; nem escravo, nem liberto; nem homem, nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl. 3:28-29).

Como é que esse eunuco, um gentio, chegou a ter interesse no culto ao Deus verdadeiro? Não sabemos nada sobre a vida anterior desse homem, mas a Bíblia nos oferece a melhor e a mais segura resposta. Deus, em toda a sua soberania, responde: “Fui achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim” (Rm. 10:20). De uma maneira misteriosa, o Espírito Santo começou a despertar a consciência desse eunuco. Como oficial de uma país, talvez tivesse oportunidade para viajar e visitar outros países à procura de negócios. Nessas andanças, ele conheceu outras culturas e religiões, inclusive a dos judeus e o seu modo diferente de praticar a sua crença. Pela ação do Espírito Santo, o seu interesse foi despertado. Não sabemos nada sobre o processo da sua experiência espiritual, mas ele reconheceu a verdade do Deus cultuado pelos judeus e começou a “adorar em Jerusalém”. O próximo passo do Espírito Santo foi colocar uma porção das Escrituras Sagradas em suas mãos. O Espírito Santo lhe deu o Livro de Isaías, e ele começou a ler por si mesmo a Palavra de Deus. Encontramos com ele voltando para o seu país, “assentando no carro, vinha lendo o profeta Isaías”. Esse é sempre o costume do Espírito Santo, que vivifica o interessado para ouvir e ler as Escrituras, porque “a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm. 10:17). As pessoas em “Beréia eram mais nobres que os Tessalônicos; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens” (At. 17:11-12). Por isso, o Espírito Santo insiste em colocar a Palavra de Deus nas mãos daqueles que estão recebendo o seu ministério vivificador. Agora, estamos prontos para ouvir mais sobre o poder da Palavra de Deus na vida do eunuco. Ele estava com dificuldades para entender a parte que estava lendo; mas o Espírito Santo lhe enviou um homem que o ajudou a entender a palavra profética.

2. A Disponibilidade de Filipe. Filipe foi um dos sete homens escolhidos para servir a Deus como diácono na Igreja em Jerusalém. Esses homens tinham uma boa reputação entre o povo e foram escolhidos como cristãos cheios do Espírito Santo e de sabedoria, (At. 6:3). Agora, por causa da perseguição, todos fugiram, deixando para trás os seus bens, a fim de se salvar, pois esse encalço já fechara muitos fiéis nas prisões, enquanto outros tinham sido assassinados, (At. 26:10). Embora a perseguição possa causar muito sofrimento, ela não tem poder para prejudicar a fé daqueles que estão “arraigados e alicerçados” em Jesus Cristo; e, como prova, vemos Filipe, agora em Samaria, ainda cheio do Espírito Santo, pregando o Evangelho com um poder extraordinário: “Pois os espíritos imundos de muitas pessoas saíram gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade” (At. 8:7-8).

Enquanto estava realizando um trabalho intenso, onde o Senhor estava visitando muitas pessoas com bênçãos especiais, “um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi”. Para esse homem de Deus, não foi difícil deixar um trabalho movimentado e abençoado, porque ele tinha uma prioridade em sua vida: obediência a Deus, sem se preocupar com circunstâncias. Não sabemos quais foram os pensamentos íntimos desse servo de Deus, indo para um lugar desértico; deixando as multidões aos cuidados de Deus. Filipe tinha a mesma disposição do patriarca: “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia” (Hb. 11:8). A Bíblia dá muita ênfase sobre a importância da obediência. Por sermos regenerados pelo Espírito Santo, somos reconhecidos como “filhos da obediência” (1Pe. 1:14). Por causa de seu compromisso para obedecer a Deus em tudo, Pedro e os demais apóstolos recusaram obedecer à determinação do Sinédrio, o tribunal mais importante em Israel, confessando: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At. 5:29). E, qual foi o preço desse ato de desobediência à lei? Eles foram açoitados, as autoridades repetindo a advertência para não falarem mais em nome do Senhor Jesus Cristo. Mas, será que eles ficaram intimidados, depois de serem açoitados? Não, de forma alguma. “E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome. E, todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e pregar Jesus Cristo” (At. 5:40-42). Somente depois de obedecer a Deus é que entenderemos os seus propósitos de dar ordens a seus servos. Filipe obedeceu à ordem e foi para o lugar indicado, e, lá, encontrou com o eunuco, sedento para ouvir a explicação do texto que estava lendo. Cremos que Filipe foi o homem mais indicado para essa missão, pois estava cheio do Espírito Santo e de sabedoria.

3. A Disponibilidade do Eleito. Filipe, em obediência à palavra do Senhor, logo se achou no caminho indicado pelo anjo, e, evidentemente, no mesmo momento, o carro do eunuco apareceu, andando a passo fácil, porque Filipe não apenas podia acompanhar o carro, mas, também, podia ouvir o que o eunuco estava lendo. Talvez Filipe tivesse concluído: Agora estou entendendo por quê o Senhor me enviou a esse lugar. É mais uma oportunidade para pregar Jesus Cristo e este crucificado.

Novamente, seguindo a direção do Espírito Santo, Filipe ouviu a ordem: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. E o texto continua descrevendo a obediência desse servo de Deus: “Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo?” E, com uma certa perplexidade, o eunuco respondeu: “Como poderei entender se alguém não me explicar?”. Agora, vamos dar uma pausa por um momento a fim de refletir sobre a soberania de Deus e como Ele tem acesso à consciência e à vontade de qualquer pessoa. Por que o eunuco, um alto oficial de uma rainha, convidou um estranho que, por acaso, encontrou numa estrada solitária, “a subir e a sentar-se junto a ele?” O Espírito Santo estava agindo, fazendo com que o eunuco entendesse que Filipe era um servo de Deus enviado por Ele. E, com essa convicção, estava pronto para ouvir a explicação de Filipe.
“Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca. Na sua humilhação, lhe negaram justiça; quem lhe poderá descrever a geração? Porque da terra a sua vida é tirada”. Eis a dificuldade do eunuco: “Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta. Fala de si mesmo ou de algum outro? Que momento propício para pregar o evangelho de Jesus Cristo e este crucificado!

“Então, Felipe explicou; e começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus”. Não temos o registro da sua explicação; porém, seguindo o texto de Isaías, podemos sugerir três temas: A) Filipe identificou o Sofredor no texto como Jesus Cristo, O filho de Deus, “que é o resplendor da glória e a expressão exata de seu Ser” (Hb. 1:3). Assim, Jesus Cristo foi Deus, “manifestado na carne”, (1Tm. 3:16). “Emanuel, que quer dizer: Deus conosco”, (Mt. 1:23). B) Filipe explicou o sofrimento de Cristo em termos de sacrifício, como oferta a Deus, (Ef. 5:2). “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito”, isto é, ressuscitado dentro os mortos, (1Pe. 3:18). C) Filipe enfatizou a necessidade de crer nessas verdades, testemunhar delas, e consagrar a sua vida à obediência. Cristo disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo. 14:21).

A certa altura, o eunuco sentiu a necessidade de ser identificado com o povo de Deus, por isso perguntou: “Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? Filipe respondeu: É licito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o filho de Deus”. E, logo depois do ato do batismo, “o Espírito do Senhor arrebatou Filipe, não vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo”. Não sabemos mais a respeito do eunuco, mas quanto ao seu futuro e permanência na fé, confessamos junto com o Ap. Paulo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp.1:6). 

Conclusão: A história do eunuco está sendo repetida constantemente na vida de muitas outras pessoas. De uma maneira misteriosa, o Espírito Santo desperta a consciência de seu povo escolhido para buscar, através das Escrituras, a verdade que saciará a sua necessidade espiritual. E, se tiver alguma dificuldade para entender o plano da salvação, o mesmo Espírito Santo providenciará uma pessoa fiel para lhe conduzir à certeza da salvação pela fé em Jesus Cristo. Devemos orar para que mais pessoas sejam atraídas a Jesus Cristo, pois, “nele temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. Amém.

terça-feira, 20 de junho de 2017

LOUVOR PELA SALVAÇÃO


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Isaías 12:1-6

Introdução: O capítulo doze de Isaías fala “das fontes da salvação”. Mas, o que significa salvação? Salvação é livramento de um estado de perigo ou de opressão. Israel foi escravizado e oprimido pelos egípcios, mas Deus viu a aflição de seu povo e determinou efetuar neles um grande salvamento. E, desfrutando dessa salvação, o povo rompeu em louvor e gratidão a Deus. No cântico de Moisés, ouviram-se estas palavras: “O Senhor é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai (Abraão); por isso o exaltarei” (Ex. 15:2). Salvação é sempre motivo de ações de graças. Israel experimentou muitos salvamentos, livramentos de seus opressores, que são exemplos práticos da riqueza da nossa salvação espiritual, um livramento do poder escravizador do pecado.

O Ap. Paulo ensinou que as Escrituras Sagradas podem nos tornar “sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo” (2Tm. 3:15). E o Ap. Pedro enfatizou: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At. 4:12). Os judeus tentaram se salvar pela prática das obras da lei. Mas, jamais alcançariam a salvação por esforços próprios, porque somos pecadores e incapazes de prestar a devida obediência. Além disso, a Bíblia ensina “que ninguém será justificado (declarado inocente) diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). Portanto, sabendo que a lei somente nos dá conhecimento da nossa culpabilidade, temos que descobrir o que a Bíblia diz sobre o caminho certo que devemos seguir para sermos salvos das consequências do nosso pecado; a saber: “penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”, para conceder uma outra oportunidade, (2Ts. 1:9).

Desde o pecado de Adão e Eva, toda a sua descendência tem precisado de socorro e salvação, porque todos nascem com a pena de morte pairando sobre a sua vida. Portanto, essa realidade tem que ser reconhecida e temida. O evangelho nos oferece o único meio pelo qual podemos ser salvos: exclusivamente pela fé em Jesus Cristo e em tudo o que Ele fez por nós quando deu a sua vida em resgate por muitos. A ordem agora é: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério” (At. 3:19-20). Importa que adotemos esse meio, pois fé em Jesus Cristo é a nossa única esperança. Agora, para nós, que cremos no Filho de Deus, e que estamos experimentando as bem-aventuranças do perdão de todos os nossos pecados, podemos sentir a razão do louvor que está registrado em Isaías, capítulo doze.

1. A Maravilha da Salvação, Vs.1-2. A referência “Naquele dia” é de quando o Espírito Santo aplicou a salvação, adquirida por Jesus Cristo, à nossa pessoa. E, com o reconhecimento dessa dádiva, somos incentivados a orar: “Graças te dou, ó Senhor, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas”. Essa “ira” que sentimos pesando sobre o coração foi tomada pelo Espírito Santo para nos “convencer do pecado, da justiça e do juízo” (Jo. 16:8). E, compungidos em nosso coração, clamamos em desespero: “Que faremos?”. E, logo veio a resposta: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado (purificando-se pelo abandono do pecado) em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At. 2:38). Uma vez convertido, a ira de Deus se retira, e o Espírito Santo começa a nos consolar com palavras que comunicam a bem-aventurança do perdão de nossos pecados e da justificação diante de Deus, (Rm. 4:6-8).

O versículo dois expressa a alegria daquele que é salvo pela fé em Jesus Cristo. Louvamos a Deus quando testemunhamos tudo o que Ele fez por nós e o que Ele faz por nós, e como confessamos a nossa confiança nele. “Eis que Deus é a minha salvação”. Ele age em nosso favor, cuida de nós e supre todas as nossas necessidades. E, tendo a experiência dessa salvação, declaramos a nossa disposição diária: “Confiarei e não temerei, porque o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico”. Todos nós temos que aceitar desafios, pois eles são parte da vida cristã. Para nós, que cremos em Jesus Cristo, unidos com Ele, talvez, o primeiro desafio é aceitar e praticar o que está implícito em nossa união com Cristo. Temos que considerar e reconhecer que, com ele, morremos para o pecado, de maneira que, agora, o pecado não terá domínio sobre nós. A nossa antiga servidão ao pecado recebeu a voz de libertação. Agora, somos livres para nos oferecer a Deus, como ressuscitados dentre os mortos, e os nossos membros a Deus, como instrumentos de justiça, (Rm. 6:6,12,13). Cantemos ao Senhor: “Ele se tornou a minha salvação”. A multidão dos redimidos no céu exclamou em grande voz, dizendo: “Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap. 7:10). Nada da parte dos redimidos, tudo foi da graça de Deus. A Ele, pois, seja toda a glória, com ações de graças!

2. A Matéria da Salvação, Vs. 3-4. “Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação”. Jesus Cristo é a fonte da nossa salvação. Como uma fonte de água, podemos chegar a ele e beber à vontade, porque Ele mesmo nos convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo.7:37). O que sacia a nossa sede espiritual é conhecer mais e mais, e descobrir o que Cristo pode nos oferecer; nele achar uma abundância inesgotável, e tudo sem preço: “exultamos com alegria indizível e cheia de glória” (1Pe. 1:8). Podemos sentir a matéria que vai satisfazer a nossa sede espiritual nas sete grandes “eu sou” que Cristo assumiu para si mesmo: Ele é “o pão da vida”, (Jo.6:35). Aquele que vem a Cristo, pela fé, experimentará uma satisfação espiritual que o encherá de plena realização. Como Cristo prometeu: “O que vem a mim jamais terá fome”. Ele é “a luz do mundo”, (Jo. 8:12). Aquele que segue a Cristo não andará nas trevas da perdição, antes, terá a luz que o guiará para a vida eterna. O salmista confessou: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos” (Sl. 119:105). Ele é “a porta”, (Jo. 10:9). Nele, temos acesso ao “trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:17). Essa porta é única, por isso, o salmista disse: “Esta (a Pessoa de Jesus) é a porta do Senhor, por ela entrarão os justos” (Sl. 118:20). Ele é “o bom pastor”, (Jo. 10:9). Ele é o pastor por excelência que cuida de nós durante a nossa caminhada rumo ao céu. “Ainda que eu ande pelo vale da morte (uma aflição ou teste fora do comum, como no caso de Jó), não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão (instrumento usado para guiar e defender) e o teu cajado (instrumento usado para dar equilíbrio no andar), me consolam” (Sl. 23:4). Os dois instrumentos davam ao pastor confiança no exercício de seu trabalho. A Cristo pertence o poder para cuidar de cada um de seus redimidos. Ele é “a ressurreição”, (Jo. 11:25). Todos nós podemos aguardar a morte e sepultamento, mas este não é o fim da nossa existência, seremos ressuscitados dentre os mortos, a fim de estarmos com o Senhor para todo o sempre, (1Ts. 4:16-17). Ele é “o caminho”, (Jo. 14:6). Ele não apenas nos mostra o caminho para as moradas celestiais, antes, Ele mesmo é o caminho; portanto, andando em plena harmonia com Ele, chegaremos, com confiança, ao lugar preparado para aqueles que o amam. Jesus, como precursor, abriu o caminho, tirando dele todo e qualquer obstáculo, para que nós pudéssemos andar nele com toda segurança. Ele é “a videira”, (Jo. 15:5). Cristo é como a videira, e nós, o seu povo, somos os seus ramos. Os ramos são totalmente dependentes da seiva que recebem do tronco, pois, sem essa ligação, não teríamos como viver. Cristo acrescentou: “Sem mim, nada podeis fazer”. Temos que alimentar e cultivar essa união vital com Cristo, pois a nossa vida espiritual depende dessa comunicação. Com alegria ficamos agarrados a Ele, em plena dependência da sua plenitude!

Mas, o texto continua descrevendo aqueles que receberam esta salvação: “Direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, tornai manifestos os seus feitos entre os povos, relembrai que é excelso o seu nome”. Observamos os quatro verbos imperativos. 1º “Dai graças”. Temos que ter um motivo para dar graças com entendimento, por exemplo: “Converteste meu pranto em folguedos, tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que meu espírito te cante louvores e não se cale” (Sl. 30:11-12). 2º “Invocai o seu nome”. Clamar com urgência. Eis a promessa: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor (de acordo com os princípios bíblicos), será salvo” (Rm. 10:13). 3º “Tornai manifestos os seus feitos entre os povos”. Temos o dever de testemunhar dos feitos que o Senhor realizou a fim de nos dar a salvação: “O Filho de Deus me amou e a si mesmo se entregou por mim”, assim, nele “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Gl. 2:20; Ef. 1:7). Testemunhar é evangelizar. Devemos imitar os primeiros cristãos. “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At. 8:4). 4º “Relembrai que é excelso o seu nome”. O nome do Senhor deve ser  invocado com santo temor. “Eu, pela riqueza da tua misericórdia, entrarei na tua casa e me prostrarei diante do seu santo templo no teu temor” (Sl. 5:7). É uma determinação, semelhante ao que Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js. 24:15). “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv. 9:10).  

3. A Magnitude da Salvação, Vs. 5-6. “Cantai ao Senhor, porque fez coisas grandiosas”. Entre as obras grandiosas, temos a criação, que proclama a glória de Deus, (Sl. 19:1). Contudo, a obra maior é a redenção e a salvação de pecadores. As obras da criação foram realizadas por meio de uma ordem de poder, “pela palavra de Deus” (Hb. 11:3). Mas a redenção de pecadores foi realizada por um princípio bem mais envolvente. “Porque Deus amou ao mundo (cheio de pecadores) de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (1Jo. 4:9). “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós (como o nosso substituto), sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). A redenção do pecador sempre envolve o pagamento de um preço. E qual foi o preço que Cristo pagou a fim de redimir o seu povo? O preço foi extraído dele, mediante o seu sofrimento e morte substitutiva. No Getsêmani, o seu sofrimento foi tão intenso “que o suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc. 22:44).  Do Getsêmani, Ele foi conduzido ao Sinédrio e a Pôncio Pilatos, de quem  recebeu todo tipo de injustiça, açoites, zombarias e, finalmente, a crucificação entre dois criminosos. Esse foi o preço da nossa redenção. O Apóstolo nos faz lembrar: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). “Saiba-se isto em toda a terra”. Somos testemunhas de Jesus Cristo, seus representantes aqui na terra, e o nosso assunto principal é Jesus Cristo e este crucificado, (1Co. 2:2).

Por sermos salvos mediante a fé em Jesus Cristo e na sua obra redentora, podemos praticar a exortação final: “Exulta e jubila, ó habitantes de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti”. Ele é grande em seu amor para conosco e inescrutável em seus caminhos. E, apesar de ser tão grandioso, Ele nos entregou o seu Filho, para que nele fôssemos redimidos, perdoados e feitos seus herdeiros, (Rm. 8:17). Por essa razão podemos sentir uma exultação, com júbilo, e uma “alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da nossa fé: a salvação da nossa alma” (1Pe. 1:8-9).

Conclusão: Um dos assuntos mais preciosos que deve ocupar a nossa mente é a salvação que temos mediante a fé em Jesus Cristo. Isaías doze é um cântico de louvor pela salvação de seu povo.


Vimos a Maravilha da Salvação, uma dádiva inteiramente gratuita para os que crêem. Vimos a Matéria da Salvação. Resumidamente, Cristo é a plenitude dessa salvação. Tendo Cristo em nossa vida, temos a vida eterna. Vimos a Magnitude da Salvação. Jesus Cristo, “aquele que não conheceu o pecado, Deus o Pai o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co. 5:21). Cristo, como o nosso substituto, carregou o nosso pecado e foi maltratado, como se fosse Ele o próprio pecador, sofrendo e morrendo em nosso lugar, para que nós pudéssemos exultar e jubilar, sabendo que, em Cristo Jesus, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da  sua graça. Agora, a única coisa que Deus requer de nós para sermos salvos é fé em Jesus Cristo e em tudo o que Ele fez por nós. Que seja assim!

A VIDA CRISTÃ


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Hebreus 12:1-3

Introdução: Vamos contemplar, por um momento, o sentido da vida cristã: Temos uma carreira para completar; mas, não estamos sozinhos, temos uma grande nuvem de testemunhas que assumiram a mesma carreira e a completaram vitoriosamente. E, se perguntarmos: Como elas conseguiram vencer todos os obstáculos? Respondemos: Elas contemplaram o galardão, olhando firmemente para o Autor e Consumador da sua fé, Jesus Cristo.

E, se perguntarmos: O que é necessário para entrar nessa carreira? O texto lido responde: Temos que nos desembaraçar “de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia”. É impossível viver a vida cristã carregando pesos e pecados. Temos que ficar inteiramente livres deles, a fim de completar vitoriosamente a carreira cristã. Mas, quais são esses pesos e pecados? Os pesos são os hábitos desnecessários que ocupam o nosso tempo, que poderia ser utilizado para o nosso crescimento espiritual. Embora esses pesos não sejam pecados explícitos, eles podem tornar-se pecados quando provocam omissões em nossos deveres espirituais. Temos que amar a Deus com a totalidade do nosso ser, porém, quando deixamos os prazeres desta vida inibir a nossa devoção a Deus, estamos pecando contra Ele. Esses são os pecados que tenazmente nos assediam. A dificuldade para dar “a Deus o que é de Deus” (Mt. 22:21). A prioridade que temos de dar a Deus é uma das disciplinas mais exigentes na vida cristã. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si, para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl. 5:17). O cristão tem de lembrar, constantemente: “Não vos enganeis, as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co. 15:33). Temos que ser cuidadosos com a fonte das nossas informações.

Com essa parte introdutória, reconhecemos a impossibilidade de entrar na carreira, que é a vida cristã, carregando pesos e pecados. Esses impedimentos têm que ser abandonados a fim de deixar-nos livres para “servirmos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). Vamos ao texto da nossa leitura.

1. O Desafio do Cristão.  “Corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”. Essa carreira é a vida cristã, em toda a sua abrangência. Começamos a correr a partir do momento em que somos regenerados e cremos em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador; e terminamos somente na hora da nossa morte física. Reconhecemos que a natureza dessa carreira é bem específica, porque o seu percurso é estabelecido pelo próprio Deus. Portanto, a primeira característica dessa vida é submissão à soberana vontade de Deus. A palavra “submissão” é composta de duas partes: “sub”, isto é, sob ou debaixo de alguém; e “missão”, ou seja, a prática da nossa vocação. O Ap. Pedro nos desafia: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe. 5:6). E, outra vez: “Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente por motivo de sua consciência para com Deus” (1Pe. 2:18-19). Em outras palavras, vivemos a vida cristã sob a direção do Espírito Santo. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm. 8:14). Quando estamos sendo guiados, entende-se que somos submissos ao nosso Guia. Devemos lembrar do título que Deus nos deu: “Somos filhos da obediência” (1Pe. 1:14).

Essa carreira deve ser corrida com “paciência e perseverança”. A vida cristã é sempre composta de circunstâncias agradáveis, bem como desagradáveis. As negativas têm a tendência de tentar deixar-nos desanimados. Mas, é justamente nessas circunstâncias que temos que usar "paciência e perseverança”. Não podemos deixar as dificuldades impedirem a nossa corrida. É importante lembrar que circunstâncias negativas nunca acontecem por acaso; tudo está sob a poderosa direção do Deus que ama o seu povo redimido. Nesse contexto, Cristo  disse: “Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da nossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais”  (Lc. 12:6-7). Quando nós conseguimos acreditar que tudo  o que acontece vem da direção e cuidado de Deus,  teremos forças para correr com paciência em nossa vida, para o nosso bem espiritual, para que tenhamos o fruto da justiça. “Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos  para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado” (Hb. 12:11-13). E a palavra de exortação, que se aplica a cada um de nós: “Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para  que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa” (Hb. 10:36).

2. O Desafogo do Cristão. “Temos a rodear-nos tão  grande nuvem de testemunhas”. O que nos consola  é que nós não somos os primeiros a entrar nessa carreira, pois existe uma grande nuvem de testemunhas que experimentaram as mesmas dificuldades que nós estamos enfrentando e, apesar disso, completaram a carreira vitoriosamente, confessando: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou”, o  nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, (Rm. 8:37). Mas, o maior exemplo para nós é o próprio Jesus! Por isso, o Apóstolo disse: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim, andai nele, nele radicados e  edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl. 2:6). Ele  é o precursor, que assumiu a mesma carreira que nós recebemos, juntamente com todas as circunstâncias que caracterizam esse caminho.

Quais são algumas das dificuldades que Cristo teve que suportar? “Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo”. Isto é: medite, cuidadosamente, no que Cristo experimentou, lembrando de quem Ele é; o próprio Filho de Deus, aquele que é digno de receber a mesma honra que damos ao Pai, (Jo. 5:23). Contudo, “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is. 53:3). É quase insuportável ser desprezado e rejeitado. Cristo “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo.1:11). Mas, por que estamos falando dessa maneira? “Para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas”. O que Cristo suportou, como homem, semelhante a nós, foi muito maior do que nós teremos que suportar. A comparação é sempre útil, a fim de nos fortalecer em nossas tribulações.

Por que Jesus suportou tamanha contradição? Ele estava chegando ao ápice de sua caminhada. “Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra de Deus”. Como Cristo andou, andemos nós também. Ele é o nosso exemplo. Nesse contexto, o Ap. Paulo escreveu: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus, e co-herdeiros com Cristo; se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados” (Rm. 8:17). Há uma semelhança entre o que Cristo experimentou e o que nós teremos que suportar na pista de corrida, que é a vida cristã. Assim como Cristo foi glorificado, nós também seremos glorificados.

Mas, qual é a diferença entre os sofrimentos de Cristo e os nossos? Ele estava sofrendo vicariamente por causa das nossas transgressões, dando satisfação a Deus por causa das nossas iniquidades. O nosso sofrimento, por outro lado, é parte do preço que pagamos  por sermos fiéis a Jesus Cristo. Ferir a justiça de Deus é um crime seríssimo e não pode passar como se fosse nada. O preço dessa transgressão é além de qualquer possibilidade humana. Somente o sofrimento e a morte de Cristo poderiam expiar  os nossos pecados e apaziguar a ira de Deus. Graças a Deus por Cristo Jesus, porque, agora, “nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7).

3. O Desapego do Cristão. Agora, qual é o nosso dever? “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus Cristo”. Mas não é tão fácil manter os olhos fixos em nosso Salvador. A experiência de Pedro nos ensina do perigo de desviar os olhos de Cristo. No momento em que ele tirou os olhos daquele que o convidou, ele começou a “submergir”. Mas, por que ele tirou os olhos de seu Mestre? Ele “reparou na força do vento, e teve medo” (Mt. 14:22-33). Com os olhos fixos em Jesus, não teve medo de sair do barco e andar por sobre as águas. Mas, com os olhos desviados, teve medo e começou a se perder. No caminho para o céu existem muitas distrações cujo objetivo principal é desviar os nossos olhos de Cristo e colocar-nos no perigo de perdição. Quais são algumas dessas seduções  tão cativantes?

Em vez de manter os olhos firmemente fixos em Jesus Cristo, há uma tendência para olhar e cuidar dos nossos próprios interesses. Cristo falou da “fascinação das riquezas”, a ambição de ganhar muito dinheiro; esquecendo que “o amor ao dinheiro é raiz de muitos males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm. 6:10). Por que Ananias e Safira mentiram sobre a quantia de seu dinheiro? A “fascinação” cegou-lhes a consciência. O dinheiro que eles reservaram para si era mais importante que a verdade, (At. 5:1-11). Por que o jovem retirou-se triste da presença de Jesus? A “fascinação” das suas muitas propriedades cegou-lhe quanto às prioridades. Cuidar dos bens deste mundo era mais importante que vender tudo e seguir a Jesus. Os bens deste mundo, para ele, eram mais palpáveis do que “um tesouro no céu” (Mc. 10:17-22). Temos que desapegar-nos do amor ao dinheiro. Por que “um rico dificilmente entrará no reino dos céus”? (Mt. 19:23). Porque “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt. 6:24). Deus não pode aceitar um coração dividido. A ordem é esta: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc. 12:30). É impossível olhar para Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, contemplar, com amor, os bens deste mundo. Não esqueça da confusão e tristeza do jovem rico.

Outro mal é olhar para o seu próximo com a intenção de julgá-lo precipitadamente, “pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados” (Mt. 7:1-2). “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Não podemos olhar para Cristo com aquela devoção sincera no coração e, ao mesmo tempo, olhar para o próximo com más intenções. Cristo disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo. 13:34). O mandamento é novo no sentido de que, agora, temos um exemplo para seguir. Amamos como Cristo nos amou. E, para amar, tanto a Deus como ao próximo, temos que nos desapegar de todo e qualquer impedimento, para  que estejamos livres para praticar a vontade de Deus, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé. Com a prática desse amor, teremos a certeza de que somos nascidos de novo,  (1Jo. 4:7). Mencionamos dois males que impedem a nossa vitória na vida cristã: a fascinação das riquezas e a tendência de julgar o nosso próximo precipitadamente. Se não nos desapegarmos desses dois males, será impossível correr  “com perseverança, a carreira que nos está proposta”.

Conclusão: Temos tentado descrever certos aspectos da vida cristã, que é comparada a uma pista de corrida. Para chegar ao ponto final, vitoriosamente, temos que correr com perseverança e paciência, sem deixar outros interesses nos embaraçarem. O segredo é olhar firmemente para Jesus Cristo.


Vimos, em primeiro lugar, o desafio que cada cristão tem que aceitar. Temos que correr a vida cristã com perseverança e paciência. Sim, existem obstáculos, mas, olhando firmemente para Jesus Cristo, venceremos. Vimos, em segundo lugar, o  desafogo do cristão. O que nos consola é que não somos os únicos nessa corrida. Existe uma grande nuvem de testemunhas que terminaram  a carreira vitoriosamente, olhando firmemente para Jesus Cristo. Sim, Ele enfrentou tanto sofrimento por amor a nós e venceu  gloriosamente. Nós, de forma semelhante, venceremos, se mantermos os olhos fixos em Jesus Cristo. E, em terceiro lugar, vimos o desapego do cristão. Ele não pode correr vitoriosamente quando seus olhos estão desviados de Jesus Cristo. Temos que desapegar-nos da fascinação das riquezas, porque, se não, teremos que enfrentar os perigos que podem nos afastar da vida eterna. E, também, temos que nos desapegar de qualquer tendência que possa prejudicar o nosso próximo. Temos que amá-lo, como Cristo nos amou. Novamente, seremos vitoriosos na prática desses três princípios na medida que mantermos os nossos olhos fixos em Jesus Cristo, imitando o seu exemplo. A vida cristã é uma carreira, um estilo de vida que engrandece o Nome do nosso Deus. Que o Espírito Santo nos fortaleça para esse fim.      

domingo, 14 de maio de 2017

O GRANDE MANDAMENTO



Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Marcos 12:28:34.
Introdução: No tempo de Jesus, dentro da religião judaica, existiam muitos grupos diferentes. Os três principais eram: Os Saduceus - eles aceitavam somente os escritos de Moisés, porém, negavam a ressurreição dos mortos e tudo o que estava ligado a essa doutrina; também, negavam a existência de anjos e de espíritos; veja Marcos 12:18:27.  Os Fariseus - a ênfase era mais ética do que teológica. Eles exigiam uma obediência literal à lei de Deus e às tradições, tais como a guarda do sábado, o pagamento do dízimo e a proibição de comer na casa de um não fariseu. Para se ter uma ideia de como eles viviam, veja Lucas 6:1-5. Os Escribas, ou Intérpretes da Lei - eram os mestres para interpretar e ensinar a lei de Deus. No exercício desse ministério, eles acrescentaram à lei as próprias opiniões que, gradativamente, tornaram-se “tradições”. Estas passaram a receber uma autoridade igual ou superior à das Escrituras Sagradas. Por isso, Cristo condenou essas tradições, dizendo: “Assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (MT. 15:5-6).  Veja como Cristo condenou as atitudes dos fariseus e escribas. Mas, em vez de aceitar a repreensão, eles tornaram-se seus inimigos, (Lc. 11:37-54). Contudo, cremos que alguns dos escribas temiam a Deus. Eles foram responsáveis pela preservação das Escrituras, fazendo cópias delas. Graças a esses homens fiéis, temos, hoje, a verdadeira Palavra de Deus em forma escrita, porque o Espírito Santo zelava por sua Palavra, capacitando homens a escrever com honestidade. Desse grupo, veio o escriba do nosso texto. Sentimos que ele era um homem sincero, e não um daqueles que tentavam apanhar o Senhor Jesus em uma palavra, a fim de contradizer tudo o que Ele ensinava.

1. A Indagação do Escriba, V.28. Grandes multidões seguiam a Jesus e, sempre no meio destas, os saduceus, fariseus e escribas se faziam presentes. Num desses encontros, os saduceus tentaram ridicularizar a doutrina da ressurreição. Mas Jesus os dirigiu ao livro de Moisés, aquele que eles supostamente seguiam, dizendo: “Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro” (Mc. 12:18-27). Agora, voltando para o escriba do nosso texto, ele também estava no meio daquela multidão que seguia a Jesus, e ouviu como Jesus havia respondido bem ao drama criado pelos saduceus. Podemos imaginar como ele raciocinava: Este homem é diferente, Ele não é como os meus colegas dizem... Vou ver como Ele responderá à minha pergunta! (Que foi: “Qual é o principal de todos os mandamentos?”) Devemos lembrar que, entre os escribas, não havia nenhum acordo sobre essa questão. Contudo, reconhecemos que essa pergunta é a mais importante que o homem pode fazer. Se ele erra a resposta, continua perdido, porque não ama a Deus.

2. A Informação de Jesus Vs. 29:31. A resposta é dupla: O homem deve começar a sua busca espiritual, em primeiro lugar, crendo na unicidade do Deus verdadeiro. Muitos seguem deuses que, por natureza, não o são (Gl. 4:8). Por isso, a importância da informação de Cristo: “Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus é o único Senhor”. A segunda parte da sua resposta é: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”. Esse amor é sempre dirigido unicamente a Deus, (Dt. 10:12-13). O Senhor continua, dizendo: “O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que este”. O nosso ser não é dividido em partes, uma independente da outra. Somos uma unidade indivisível. Quando dizemos que amamos a Deus, é uma impossibilidade dizer: Eu amo a Deus de coração, porém, não com todas as minhas forças, porque tenho outras responsabilidades e interesses. Tentando agir assim, é uma negação da realidade de seu amor. As quatro palavras: coração, alma, entendimento e força estão representando a totalidade da nossa disposição para amar a Deus.

A Bíblia ilustra como esse amor deve ser: “Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; a passo que de Caim e sua oferta não se agradou” (Gn. 4:4-5). Por que essa diferença entre os dois irmãos? Porque Abel obedeceu à norma que Deus estabelecera de receber culto dos pecadores. Essa norma seria unicamente mediante um sacrifício e o derramamento do sangue de um cordeiro. Caim desprezou o que Deus estabelecera. Talvez, ele pensou: Eu posso ofertar a Deus o que eu tenho, afinal, Deus tem que reconhecer o que eu faço com as minhas próprias mãos, visto que o fruto do meu trabalho é tão importante quanto os cordeiros de meu irmão, (Gn 4:3-5). Mas Deus jamais aceitará a justiça própria do homem. Amar a Deus requer obediência ao que Ele tem ordenado. Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). A obediência é a prova da veracidade do nosso amor. Outro exemplo: “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si” (Gn. 5:22). Se nós amamos a Deus segundo as normas que Ele mesmo estabeleceu, estaremos em comunhão constante com  Ele, à semelhança de Enoque. Alimentamos essa comunhão espiritual lendo a Bíblia, fazendo orações todos os dias e procurando a vontade de Deus em cada uma das nossas decisões. Cristo revelou o seu modo de viver diante de Deus: “Eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo. 8:29). Essa é a disposição que revela a realidade do nosso amor a Deus. O amor sempre envolve a totalidade do nosso ser. Quando Cristo nos amou e a si mesmo se entregou à morte como o nosso substituto, a totalidade do seu ser foi necessária, a fim de ser vitorioso e adquirir a nossa redenção e salvação. Portanto, devemos confirmar a nossa eleição através de uma vida santa e irrepreensível, andando em amor, (Ef. 1:4; 5:2).

Agora, não podemos esquecer o nosso irmão. Se nós realmente amamos a Deus, de necessidade amaremos o nosso irmão, porque Deus é amor. O Ap. João deu este exemplo: “Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1Jo. 4:11-12). O amor ao próximo é a prova de que somos parte do povo que Deus adotou como seus filhos.

3. A Inclinação do Escriba, V.32-33. Podemos sentir a sinceridade desse escriba com a sua exclamação: “Muito bem, Mestre!”. Por ser um intérprete da lei e um instrutor dela, ele fez questão de repetir a resposta que Jesus lhe dera; e acrescentou uma verdade profunda: “E, com verdade disseste que Ele é o único Deus, e não há outro senão Ele; e que amar a Deus de todo coração, de todo entendimento e de toda a força e amar o próximo como a si mesmo”. Agora, repare no acréscimo: esse amor “excede a todos os holocaustos e sacrifícios.” O que ele está dizendo com essas palavras? Ele estava confessando que não há nada que possa substituir a prática do amor. “O cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Existem pessoas que estão se esforçando para substituir a necessidade de praticar o amor. Davi confessou ao Senhor: “Pois não te comprazes em sacrifícios: do contrário eu tos daria; e não te agradas de holocausto” (Sl. 51:16). Fazer qualquer coisa física é bem mais fácil do que amar de todo o nosso coração. Cristo repreendeu os escribas e os fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus (que tentam substituir a prática do amor), hipócritas,  porque dais o dízimo do hortelã, do endro e do cominho (coisas mínimas) e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, (o amor), e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas” (Mt. 23:23). O Ap. Paulo, abordando o mesmo assunto, escreveu: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o símbolo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar, e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co. 13:1-3). Novamente, reiteramos: não existe nada que possa substituir a prática de um amor verdadeiro e visível. Esse amor supremo é sempre dirigido a Deus e ao próximo. E, para finalizar sobre o lugar institutível do amor, o Apóstolo escreveu: “Se alguém não amar o Senhor, seja anátema. Maranata” (1Co. 16:22).

4. A Intuição de Cristo, V 34. “Vendo Jesus que ele (o escriba) havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus”. O que Jesus estava dizendo com essa observação? Entendemos que o homem, num sentido, pode chegar perto de reino de Deus por seu próprio esforço, estudando a Bíblia e abandonando certos pecados. O jovem rico é um exemplo daqueles que procuram “estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitando à que vem de Deus” (Rm. 10:3). O que lhes falta é aquela obra insubstituível do Espírito Santo, que soberanamente efetua a tão necessária regeneração. Cristo ensinou: O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito, isto é, tem a vida verdadeiramente espiritual e é herdeiro da salvação, (Jo.3:6). Ninguém se torna cristão por ter nascido num lar cristão, visto que tornar-se cristão é uma experiência posterior. Ser cristão é um processo que deve ser reconhecido. Primeiro, no devido tempo, a pessoa sente uma necessidade espiritual. O Espírito Santo está agindo, dirigindo-a a ler a Bíblia, de onde receberá a resposta que saciará o seu anseio. Com a leitura das Escrituras Sagradas, o Espírito Santo a convencerá de seu pecado e como este deve ser confessado e abandonado. E, em seguida, será dirigida a Jesus Cristo, “no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos nossos pecados” (Ef. 1:7).

Podemos traçar a experiência desse escriba da seguinte maneira: Mediante o seu contato com as Escrituras Sagradas, ele reconheceu a sua necessidade espiritual. Na esperança de alcançar paz com Deus, ele começou a praticar as obras da lei, algo que ele não conseguia fazer com a devida perfeição, “visto que ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”, mas ela não oferece nenhum perdão,  (Rm. 3:20). O escriba estava caminhando para aquele ponto quando teria que reconhecer que, por seus próprios esforços, jamais seria justificado diante de Deus. O jovem rico chegou a esse ponto, por isso, foi a Jesus e lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Mc 10:17). Com certeza, como Intérprete da Lei, o escriba conhecia as promessas Messiânicas do Cristo que salvaria o seu povo dos pecados deles. Cremos que ele estava examinando Jesus a fim de saber se Ele era, porventura, o prometido Salvador. Nesse ponto, ele parou, não sabemos se ele chegou a confessar que Jesus era, de fato, o verdadeiro Messias, o Cristo de Deus.

A história do jovem rico descreve o que estamos dizendo, (Lc. 18:18-23). Apesar de toda a sua obediência à lei, ele sabia que não tinha a salvação, e não estava preparado para o tribunal de Deus. E, por causa disso, aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?” Jesus não lhe deu uma resposta direta. Em vez disso, Ele lhe disse: “Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me”. Por que Jesus lhe deu essa resposta? O jovem era muito rico, e ele tinha que descobrir se as suas posses eram mais importantes que vendê-las e seguir a Jesus. Esse é o ponto onde muitas pessoas chegam. Estão  caminhado bem e não estão longe do reino de Deus, mas não querem tomar aquele passo decisivo para deixar tudo e seguir a Jesus, não querem entregar-se, corpo e alma, aos cuidados salvíficos de Jesus Cristo. O preço é alto demais. A história das dez virgens é semelhante. Todas as dez seguiam as normas exteriores de uma vida piedosa, porém, com uma diferença. Cinco eram prudentes e se muniram com azeite, com aquela devoção sincera do coração; e, quando o noivo chegou, entraram com ele pela porta aberta. Mas as cinco néscias não se preocuparam quanto à necessidade do azeite, ficando satisfeitas com a simples observância de algumas formalidades, em vez de uma devoção sincera. Por isso, quando foi anunciada a vinda do noivo, elas descobriram, já tarde demais, a sua falta de azeite, e a porta se fechou contra elas. Não é suficiente ficar perto do reino de Deus: temos que tomar aquela decisão imperativa, crendo e entregando-se, corpo e alma, sem reservas, a Jesus Cristo, para que sejamos salvos por Ele. Somente unidos com Jesus Cristo é que podemos praticar o grande mandamento.


Conclusão: Temos falado sobre a importância de conhecer e obedecer ao Grande Mandamento que fala sobre a excelência  do amor, não apenas a Deus, mas também ao próximo. Salientamos a necessidade de praticar esse amor com a totalidade do nosso ser. Em nosso procedimento, não existe nada que possa substituir esse amor. Sacrifícios e boas obras não podem agradar a Deus. O que Ele requer de cada um de nós é o amor que emana de um coração sincero. Muitos chegam perto do reino de Deus por seu conhecimento das Escrituras Sagradas, porém, não querem abrir mão da sua própria independência e auto-suficiência. Chegam perto do reino de Deus, porém, não entram. Sem Cristo em nossa vida, dirigindo os nossos passos, é impossível alcançar a dádiva da vida eterna. Não seja como as virgens néscias, descobrindo a sua falta  quando já era tarde demais para ser remediada. Cristo explicou o problema: “Contudo, não querei vir a mim para terdes vida” (Jo. 5:40). Então, sabemos o que devemos fazer. Que sejamos prudentes!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

PAZ COM DEUS



Leitura Bíblica: Romanos 5:1-2.

Introdução: A paz é o estado mais desejado pelo ser humano; contudo, apesar de todos os apelos e propostas dos homens, a paz continua sendo um estado fugitivo. Existem dois tipos de paz: a que o mundo oferece e a que Cristo promete dar a seu povo. Eis a palavra que Cristo nos deu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou com a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo. 14:27). A paz que o mundo oferece é transitória e enganadora; pensamos que temos uma certa paz, porém, com uma mudança negativa em nossas circunstâncias, ela foge, deixando-nos vazios e desesperados. Ficamos enganados por causa de uma impressão imaginária. E como dói quando descobrimos o engano. Mas, como é diferente a paz que Cristo nos dá; ela não é como a do mundo; é um estado de tranquilidade que emana da consciência de que os nossos pecados são perdoados. É uma paz que não depende de circunstâncias favoráveis. Eis a promessa dada para nos encorajar: “O Senhor dá força ao seu povo, o Senhor abençoa com paz o seu povo” (Sl. 29:1). Portanto, a paz é um estado de favor diante de Deus, pois os nossos pecados foram lançados “nas profundezas do mar” (Mq. 7:19). Agora, somos reconhecidos como “filhos da obediência” (1Pe. 1:14). O versículo chave da nossa mensagem explica melhor como recebemos esta paz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).

1. O Acontecimento desta Paz. “Temos paz com Deus”. Nunca devemos esquecer que somos pecadores e, por causa dos nossos pecados, existe uma barreira de inimizade entre nós e o nosso Deus santo. Essa inimizade impossibilita qualquer paz ou comunhão espiritual entre Deus e o pecador. E, para facultar uma paz entre os dois, uma reconciliação tem que ser realizada, isto é, a causa da inimizade tem que ser removida. Novamente, temos que reconhecer a soberania de Deus. Não foi o homem que procurou uma reconciliação, antes, por amor a seu povo, o próprio Deus providenciou os meios para realizar a necessária harmonização. Como a Bíblia ensina: “Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões e nos confiou a palavra da reconciliação” (2Co. 5:18-19).

Vamos aprender como Deus removeu esta barreira de inimizade. A causa da hostilidade são as “transgressões” dos homens. Portanto, Deus tinha que providenciar um meio para remover essas transgressões. Mas, como? “Não imputando aos homens as suas transgressões”, antes, foram tiradas do pecador e colocadas sobre o seu próprio Filho, Jesus Cristo, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Como a profecia predisse: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele (Jesus Cristo) a iniquidade de nós todos” (Is. 53:6). Dessa maneira, “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Mas, vamos sentir algo sobre o preço que Cristo pagou: “Aquele que não conheceu pecado, ele (Deus Pai) o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co. 5:21). Por amor a nós, Cristo foi castigado como se fosse Ele o pecador. “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is. 53:5 ). Agora, sendo reconciliados e perdoados, tendo a paz de Deus em nosso coração, damos toda a glória a Deus, com gratidão por Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

2.O Argumento da Paz. “Justificados”. Na Bíblia, essa palavra é usada no tribunal de Deus. O pecador é julgado segundo “o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”, para depois ser declarado: ou culpado e condenado; ou inocente e justificado, de acordo com a lei divina. Não há como escapar. Para sermos justificados, temos que ter uma página em branco diante dessa lei. Mas, por natureza, ninguém tem a devida inocência. A Bíblia condena a todos, “pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm. 3:9-18). Como o profeta acrescentou: “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor” (Is. 48:22). O seu pecado é a causa dessa desarmonia, a qual se manifesta através de uma agressividade contra o seu próximo.

Mas, apesar desse quadro negativo, Deus continua desejando salvar e santificar o pecador. A pergunta se levanta: Como pode Deus ser justo e, ao mesmo tempo, ser o justificador do ímpio? Exigir uma obediência perfeita à lei é uma futilidade: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). Em vez de salvar, a lei somente intensifica a culpabilidade do pecador e confirma a sua condenação. Contudo, eis a resposta de Deus: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo” (Rm. 3:21-22). Somos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Ele resolveu definitivamente o problema do nosso pecado. Ele é a nossa paz, (Ef. 2:4). Por Ele somos justificados. E o profeta descreveu o fruto desta dádiva: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança para sempre” (Is. 32:17). Novamente, reiteramos o versículo do nosso texto: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Vamos valorizar a letra do hino: “Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei”. (HNC 50).

3. O Alicerce desta Paz. Temos esta paz com Deus “por meio do nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele é a nossa “âncora da alma, seguro e firme e que penetra além do véu, onde Jesus entrou por nós, tendo-se tornado sumo-sacerdote para sempre” (Hb.6:19-20).

Por sermos pecadores e totalmente inabilitados a cuidar da nossa vida espiritual, somos completamente dependentes da mediação de um outro que tem a autoridade e o poder para nos salvar. E este é Jesus Cristo. Tudo o que temos e precisamos vem a nós “por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Como Ele mesmo disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo. 15:5). Por isso, cheio de compreensão, Ele nos convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jogo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30). Feliz a pessoa que sente uma necessidade espiritual e toma posse dessa promessa, aproximando-se, pela fé, daquele que o convida.

A mediação de Jesus Cristo é uma das verdades fundamentais da fé cristã. Veja como Efésios 1:3-14 apresenta essa verdade: Quando Deus o Pai age em nosso favor, é sempre e unicamente “em Cristo” (V3). Fomos escolhidos “nele” para viver uma vida santa e irrepreensível, (V4). Fomos adotados como filhos de Deus, “por meio de Jesus Cristo”, (V5). Nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (V7). E os que esperam em Cristo, foram “selados com o Santo Espírito da promessa” (Vs12-14). Sempre enfatizamos que o acesso que temos ao trono da graça é, exclusivamente, pela fé, em plena submissão à eficácia da mediação de Jesus Cristo. “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:14-16).

E, para que o homem pudesse ser justificado e tivesse paz com Deus, Cristo tinha que realizar três atos indispensáveis em nosso favor: 1) Ele assumiu o lugar judicial de seu povo, como seu fiador e substituto, tomando sobre si mesmo tudo o que esse povo devia à lei de Deus. “Ele derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is. 53:12). Por causa disso, o verdadeiro cristão é um homem justificado, porque ele crê na fidelidade de seu Substituto. 2) Ele pagou a dívida que pairava sobre o cristão, liquidou tudo, até o último centavo; não com ouro ou prata, mas, sim, com o seu próprio sangue, (1Pe. 1:18-19). 3) Ele cumpriu todas as exigências da lei, para que o cristão, aquele que entregou sua vida aos cuidados de seu Salvador, pudesse ser justificado e desfrutasse das bem-aventuranças de paz com Deus. Graças a Deus, “porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo o que crê” (Rm. 10:4). A lei não salva ninguém, antes, a sua missão é conduzir-nos a Jesus Cristo, para que nele sejamos recebidos por Deus (Gl. 3:24).

4. O Aceitamento da Paz. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus”. Primeiro, temos que definir a palavra “fé”. A Bíblia diz:  “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb. 11:6). Portanto, o primeiro ponto para definir a fé é crer que Deus realmente existe e que Ele se revela aos que o buscam. Ele não é um Ser abstrato, antes, Ele  é vivo e cheio de atributos atuantes. Num momento de auto-revelação, ele clamou: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração” (Ex. 34:6-7). Crer em Deus significa que cremos que Ele é misericordioso, fiel à sua palavra, perdoador e justo; e que Ele se comunica com a humanidade. Em nossos dias, essa comunicação vem a nós de uma forma inalterável nas Escrituras Sagradas.

Como podemos exercer a nossa fé? É crer, genuinamente, nas evidências que Ele mesmo nos deu através de suas obras na criação, (Sl.19:1). É usar a nossa inteligência, é desprender-se de qualquer dúvida, é crer que Deus usa seus atributos em favor de seu povo, pois Ele é galardoador dos que o buscam. Por ser um Deus que fala conosco através das Sagradas Escrituras, temos que acreditar e obedecer tudo o que Ele fala para o nosso bem. Em Hebreus onze, temos diversos exemplos de como os antigos usaram a sua fé. Tomamos o modelo de Abraão. Deus lhe deu uma promessa, e também os meios que deveriam ser praticados, a fim de tomar posse da herança. Ele teria que deixar o país onde nasceu e viver em plena dependência da direção de Deus. “Pela fé, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que deveria receber por herança; e partiu sem saber aonde ia” (Hb. 11:8). Vamos observar os seus passos no exercício da sua fé: ouviu a ordem, acreditou no que Deus lhe disse, e obedeceu às direções a fim de receber a promessa. E ele não ficou decepcionado: recebeu a promessa. Em todos os exemplos de como os homens exerceram a sua fé, os passos básicos são os mesmos: ouviram a palavra de Deus, acreditaram nos termos propostos e agiram pela fé, a fim de receber a prometida benção. E, para receber a salvação da nossa vida, os passos são os mesmos. Veja como o Apóstolo ratificou o que estamos dizendo: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). Temos que acreditar na mediação de Cristo, lembrando que “o Pai ama o Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo. 3:35). Cristo é o administrador das bênçãos de seu Pai; e é da sua mão que recebemos toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais, (Ef. 1:3). Nesse contexto, o Ap. Paulo podia escrever: “Justificados, pois, mediante a fé (na obra redentora do Filho de Deus) temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes” (Rm. 5:1-2). Agora, vamos ouvir a palavra convidativa do nosso Senhor e Salvador: “Até agora nada tendes pedido em meu nome, pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo. 16:24).

Conclusão: Temos falado sobre a paz. Apesar de não ser uma experiência universal, é evidente que algumas pessoas podem testemunhar: “Temos paz com Deus”. Por que elas têm essa convicção? Porque são justificadas na presença de Deus. Por que elas podem falar dessa maneira? Porque crêem no que a Bíblia ensina sobre a obra redentora de Jesus Cristo, o qual justifica aquele que crê. “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). Justificação é sempre mediante a fé, uma confiança completa na suficiência da morte substitutiva do Filho de Deus. E a evidência da veracidade da nossa fé será paz com Deus; paz em nossa consciência, sabendo que o “sangue de Jesus o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado” (1Jo. 1:7). Uma única pergunta resta para nós: Temos esta paz? Estamos preparados para comparecer perante o tribunal de Deus para darmos contas de nós mesmos ao nosso Juiz? (Rm. 14:10-12). Que estejamos preparados.