Vasos de Honra

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

COMO RESPEITAR AS AUTORIDADES



Leitura Bíblica: Romanos 13:1-7.

Introdução: Devemos lembrar que nos capítulos 12 e 13 de Romanos, o Apóstolo está descrevendo como o cristão deve proceder numa sociedade corrompida pelo pecado, pois os homens são egoístas, “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2Tm. 3:1-4). Primeiro, a nossa vida deve ser consagrada a Deus, que é o nosso culto racional; devemos respeitar os diversos dons que os membros da Igreja exercem; temos que aprender como amar uns aos outros; e, agora, como respeitar as autoridades civis.

Por que o Apóstolo incluiu a necessidade de obedecer às autoridades civis? No início da Igreja Cristã, muitos dos membros eram judeus. Mas, por que as autoridades romanas perseguiam tão ferozmente esse povo passivo e obediente? Porque a Igreja foi vista como mais uma seita do judaísmo. De modo geral, os judeus nunca se sujeitaram mansamente ao domínio romano, sendo os responsáveis por muitas insurreições políticas. E, para ter mais tranqüilidade, Cláudio, o imperador, “decretou que todos os judeus se retirassem de Roma” (At. 18:2). Nesse contexto, a Igreja, mediante o seu procedimento irrepreensível e submisso, tinha que provar que era diferente do judaísmo e demonstrar a sua obediência às autoridades civis. E, para enfatizar oficialmente, por meio de Cartas abertas, que essa disposição dos cristãos é ensinada repetidamente nas Igrejas, “Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém (dos que governam), não sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia para com todos os homens” em autoridade (Tt. 3:12). Veja também Rm. 13:1-7, 1Tm2:1-3, 1Pe. 2:13-17. Agora, estamos prontos para saber sobre os detalhes da nossa obediência cívica.

1. A Instituição de Autoridades, Vs.1-2. Se nós amamos a Deus, amaremos e respeitaremos as suas instituições, tendo prazer em sujeitar-nos à prática da sua vontade. A instituição de governo é uma das “ordenações de Deus”, por isso, a exortação: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores”. Deus, em sua sabedoria, é o Autor do princípio de governo. “Porque não há autoridade que não proceda de Deus”. Embora a forma de governo não seja definida na Escritura, o princípio de boa ordem tem que existir. A Escritura continua na definição, acrescentando: “E as autoridades (pessoas) que existem foram por ele instituídas”. Embora tenhamos eleições livres, cada cidadão escolhendo o seu próprio candidato, Deus é soberano, permitindo que os eleitos ocupem o seu cargo. Mas quando o eleito não teme a Deus, qual deve ser a nossa atitude? Devemos crer na soberania de Deus. Ele está cumprindo os seus próprios propósitos. Deus suscitou os caldeus, “nação amarga e impetuosa ... pavorosos e terríveis ... para fazer violência”, para “executar juízo” contra o seu povo rebelde e traidor (Hc. 1:5-17). Contudo, o nosso dever é sempre o mesmo: “todo homem esteja sujeito às autoridades superiores”.

O princípio da obediência é tão sério, que o texto diz: “De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste a ordenação de Deus”. É Deus que exige a nossa obediência e, se resistirmos, Ele usará as próprias autoridades para nos condenar e castigar. “E os que resistem trarão sobre si mesmo condenação”. A Confissão de Fé da nossa Igreja nos ensina: “Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo mundo, para sua própria glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis, a Ele sujeitos, e para este fim os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores” (Cap.23:1). É importante ouvir o que a Bíblia afirma: “Por meu intermédio (diz o Senhor), reinam os reis, e os príncipes decretam justiça. Por meu intermédio governam os príncipes, os nobres e todos os juizes da terra” (Pv. 8:15-16).

2. A Intervenção de Autoridades, Vs. 3-5 ou, a responsabilidade dos nossos superiores. Quais são essas responsabilidades? Além de administrar os interesses do Estado, elas devem “especialmente manter a piedade, a justiça e a paz, segundo as leis salutares de cada Estado”  (Con. de Fé 23:2).  Infelizmente esses deveres nem sempre têm sido prioridades nos interesses dos políticos. Mas, apesar do que podemos observar, Deus ainda está no seu santo  trono, reinando soberanamente e, reconhecendo essa verdade, podemos descansar, sem ficar indevidamente  preocupados com o que está acontecendo nos lugares de poder.  Embora existam irregularidades, o nosso dever cívico não mudou. O nosso primeiro dever é sempre o mesmo: sujeitar-nos às autoridades superiores, como ao Senhor Deus, orando por elas e entregando  tudo àquele que julga retamente. Apesar de  tudo o que temos enfatizado, essa sujeição não pode ser irracionalmente obrigatória. Se as autoridades decretarem qualquer determinação que fere frontalmente uma lei específica que Deus prescreveu, devemos ser decididos, declarando, sem medo das conseqüências, que o nosso primeiro dever é obediência às leis de Deus. Quando as autoridades ordenaram a Pedro e João “que absolutamente não falassem, nem ensinassem em nome de Jesus”, eles ousadamente responderam: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus” (At. 4:18-19).

Agora, vamos pensar em termos positivos sobre a intervenção das autoridades. Como devemos nos sentir diante delas? “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás o louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para o teu bem”. Não podemos negar a presença de Deus nas atividades políticas. Novamente, sentimos algumas dificuldades, contudo, nem sempre entendemos o modo de Deus agir, mas confiamos na sua soberania. Ele está reinando! Todavia, uma verdade incontestável  deve nos tranqüilizar: os políticos são homens, iguais a qualquer outro ser humano. Deus é justo  juiz, “que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Rm. 2:6). E, no juízo final, veremos apensas dois destinos: “E irão estes (os injustos) para o castigo eterno, porém o justo para a vida eterna” (Mt. 25:46).

Voltando para o nosso texto e o problema de desobediência: “Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela (a autoridade) traz a espada (a autoridade para castigar os transgressores da lei; um poder delegado por Deus); pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. Então, qual deve ser a nossa atitude? “É necessário que  lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas, também, por dever de consciência”,  uma consciência limpa diante de Deus. E o Ap. Pedro acrescentou: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso, antes, glorifique a Deus com esse nome” (1Pe. 4:15-16).

3. A Indenização de Autoridade, Vs. 6-7. Ter superiores é um privilégio, uma dádiva dada por Deus. Alguém comentou: um governo negligente é melhor do que nenhuma forma de  organização. Mas, para ter esse privilégio, os cidadãos têm que assumir a manutenção do governo. “Por esse motivo, também pagais tributos, porque são  ministros de Deus, atendendo, constantemente, a esse  serviço”. A norma bíblica é: “o trabalhador é digno do seu salário” (1Tm. 5:18). Se o magistrado tem que executar o ministério que Deus lhe deu, ele deve receber os meios materiais a fim de realizar os seus projetos. Por isso, o pagamento de tributos não é uma injustiça e nem uma imposição tirânica, antes, é uma participação necessária para o bem de todos. Calvino fez uma observação muito relevante para os nossos dias: “Os magistrados devem lembrar que todo o tributo que  recebem é propriedade do povo, e não uma oportunidade para satisfazer a cobiça e luxúria  particular”. E qual é a lembrança que deve nos motivar a pagar o devido tributo? “Porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço”.

O Apóstolo encerra o assunto com algumas normas que devem ser praticadas por cada cidadão: “Pagai a todos o que lhes é devido”. Essa palavra não se refere a todos os homens sem distinção, antes, segundo o contexto, ela se refere às autoridades. Incluindo neste pagamento: “a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. Esse é um resumo das nossas obrigações diante das autoridades civis. Tributo e imposto são termos conhecidos, mas a palavra “respeito”  refere-se especificamente às autoridades e ao poder que  elas têm para castigar o transgressor das leis cívicas. “Honra” também se refere às autoridades do Estado, porque “são ministros de Deus”, cuidando dos interesses públicos.

Conclusão: Segundo as Escrituras, que são a nossa única regra de fé e prática, o governo civil é uma instituição divina, quer dizer, é ordenação de Deus que ele exista, portanto, deve ser respeitado e obedecido. Embora o governo seja de Deus, a sua forma de existência, seja democracia ou qualquer outra, é dos homens. Deus não legislou uma forma específica. Ele estabeleceu apenas princípios que devem ser incorporados ao sistema, os quais devem ser obedecidos por todos, tanto pelos magistrados quanto pelo povo leigo.

Nós temos falado sobre a Instituição de Autoridades. Cremos que Deus é o Autor deste princípio de  organização civil e, por isso, deve ser respeitado, recebendo a nossa cooperação em termos de obediência. Temos falado sobre a Intervenção de Autoridade. Deus lhes deu o poder da espada, isto é, elas têm a obrigação para intervir no caso de transgressão e castigar o culpado. E temos falado sobre a Indenização de Autoridade. Por serem os ministros de Deus para cuidar dos interesses do povo, elas têm que receber os recursos  materiais para realizar esse cuidado. Estes são arrecadados mediante o pagamento de tributos  e impostos. Portanto, como cidadãos conscientes  das necessidades do governo, cooperamos mediante o fiel cumprimento dos nossos deveres cívicos. A palavra final é esta: “Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei” (1Pe. 2:17).



quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A ESPERANÇA NATALINA


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Lucas 1:76-79

Introdução: Podemos conhecer a história da vinda e do nascimento de João Batista pela leitura de Lucas 1:8-25, 57-66. Agora, na leitura que acabamos de fazer, vemos Zacarias encurvado, contemplando seu recém-nascido filho, João Batista; e, de repente,  ele exclama, com uma voz cheia de louvor e gratidão: “Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor (Jesus Cristo), preparando-lhe os caminhos” (V.76). Esse ministério preparativo de João Batista abordaria três assuntos principais: a) Anunciar que o prometido Messias, Jesus Cristo, estava à porta,  pronto para dar início a seu ministério redentor; b) Despertar a consciência do povo quanto ao seu estado pecaminoso e à necessidade de um arrependimento que produz o abandono do pecado; c) Dar conhecimento da salvação e da acessibilidade dela mediante uma fé verdadeira na obra redentora de Jesus Cristo. Agora, estamos prontos para ouvir a respeito da Esperança Natalina.

1. A Prontidão de Jesus Cristo. “Vindo, porém, a plenitude do tempo (quando todos os preparativos estavam no devido lugar), Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Devemos lembrar que ao dar o seu Filho unigênito, Deus estava demonstrando a sua “entranhável misericórdia” para conosco, pecadores; uma misericórdia que emanava das profundezas de seu interior.

Devemos meditar sobre a prontidão de Jesus Cristo “para dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10:45). É mui comovente sentir, de uma maneira pessoal, que Cristo “ me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2:20). E ouvir o testemunho do próprio Cristo: “ Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas ... Ninguém a tira de mim, pelo contrário, eu espontaneamente a dou” (Jo. 10:11,18). Cristo afirmou: “ Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos. Vós sois os meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo. 15:13-14).

Devemos também pensar sobre o preço que Cristo pagou a fim de realizar a nossa redenção, libertação da pena da morte que pairava sobre cada um de nós, os pecadores. O Apóstolo usou estas palavras tocantes: “Pois Ele (Jesus Cristo), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou assumindo a forma de servo, tornando-se  em semelhança de homens, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fp. 2:6-8). E, se perguntarmos: por que a cruz? Respondemos: Esta foi a única maneira para resolver o problema do pecado. “Aquele que não conheceu o pecado, ele (Deus o Pai) o fez pecado por nós; para que nele (Cristo Jesus), fôssemos feitos justiça de Deus” – feitos aceitáveis diante do Pai (2Co. 5:21). Em virtude da morte substitutiva de Cristo, podemos confessar: “Nele, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Agora à luz dessas verdades, qual é o nosso dever? “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20).

2. A Proposta de Jesus Cristo. . Cristo revela a realidade da sua obra redentora, iluminando o entendimento dos que “jazem nas trevas da sombra da morte” (V.79ª). A pessoa que jaz nas trevas está numa situação de desesperança e de perdição, tem olhos para ver, mas não enxerga e nem entende os valores espirituais. Essa é a situação do pecador que não tem Cristo direcionando a sua vida. E, sem a intervenção soberana da parte de Deus, todos nós permaneceríamos nas trevas da perdição. Mas Cristo veio para nos dar esperança, dizendo: “Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não  andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo. 8:12). Cristo é o dom de Deus para pecadores. Quando Jesus veio à terra de Zebulom, terra de Naftali, “o povo que jazia em trevas viu  grande luz; e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mt. 4:15-16).

Porém, na realidade, qual é a atitude do pecador diante da pessoa de Jesus Cristo, a luz do mundo? “O julgamento é este: que a luz (Jesus Cristo) veio  ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”(Jo. 3:19). Contudo, ouça a palavra de Cristo: “Em verdade em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo. 6:47).
Eis a proposta de Cristo: se alguém se aproxima de Jesus Cristo, crendo em sua obra redentora, será recebido por Deus. “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts. 2:13-14). Graças a Deus por sua “entranhável misericórdia”. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:13).  

3. A Proteção de Jesus Cristo. Cristo nos protege, dirigindo “os nossos pés pelo caminho da paz” (V.79b). Mas como é que ele dirige a nossa vida? A resposta é: “Pelo Espírito Santo que nos foi outorgado” (Rm. 5:5). Ou, como o Apóstolo perguntou: “Não sabeis que sois santuários de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co. 3:16). E Cristo prometeu: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido” (Jo. 16:13). Agora, a ordem é esta: “Digo, porém, andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne  ... Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl. 5:16,25). E, para fortalecer a nossa confiança,  está escrito: “Pois todos que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm. 8:14). Dessa maneira, Cristo dirige os  nossos pés pelo caminho da paz.

Sabendo que o Espírito Santo é o dom que Deus nos dá, perguntamos: Quando é que recebemos o Espírito Santo em nossa vida? Eis a resposta da Bíblia: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da vossa herança até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). A habitação do Espírito Santo em nossa vida é a prova e a garantia da nossa salvação. “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito (que habita em nós) é vida por causa da justiça”- uma justiça adquirida por nós mediante a morte substitutiva de Jesus Cristo, (Rm. 8:9-10). Cristo veio para dirigir os nossos pés pelo caminho da paz. Por essa razão, veio “uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc. 2:13-14).


Conclusão: O que é Esperança Natalina? Ela está na história de como Deus “nos suscitou plena e poderosa salvação”, mediante o envio de seu Filho unigênito. A esperança dessa salvação nasce quando cremos que Cristo veio a este mundo, de acordo com a promessa profética, para  buscar e salvar pecadores tais como cada um de nós. Como Ele mesmo testificou: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo. 10:10). Ele veio como a luz do mundo, a fim de iluminar os nossos olhos espirituais, para que pudéssemos conhecer o plano da salvação. Ele veio para dirigir os nossos pés para a fonte desta salvação, para que crendo, pudéssemos experimentar paz com Deus. Eis a promessa para aqueles que crêem, de coração, em Cristo Jesus como o seu Senhor e Salvador: serão salvos; e o resultado será: “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo sempre” (Sl. 23:6). Tenha um Feliz Natal, com Cristo dirigindo a sua vida, a esperança da glória, (Cl. 1:27).

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

COMO AMAR O NOSSO PRÓXIMO




Leitura Bíblica: Romanos 12:9-21.

Introdução: Temos falado sobre a necessidade de respeitar os dons que outras pessoas têm. Agora, como cristãos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. Reconhecemos as diferenças entre os membros da Igreja, contudo, devemos respeitar essa diversidade sem sentir ciúmes, visto que alguns têm maior destaque do que outros. Cada membro tem a sua própria dignidade. Mas, para praticar esse respeito, temos que amar uns aos outros. Portanto, o título dessa mensagem: Como amar o nosso próximo? O amor que devemos a Deus será abordado em cap. 13:8:10.

Primeiro, temos que tentar definir, de uma maneira prática, a natureza do amor que devemos ao nosso próximo. Reconhecemos que existem duas manifestações do amor: um comum, que engloba todas as pessoas, sem considerar o seu estado social ou espiritual. “O amor não pratica o mal contra o seu próximo”, ou qualquer outra pessoa, (Rm. 13:10). Por outro lado, existe um amor particular, que derramamos sobre a nossa família, os irmãos em Cristo, e não necessariamente, sobre os descrentes. Em dadas circunstâncias, é o irmão em Cristo que recebe a  preferência. “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl.6:10). O segredo é: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros” (1Pe. 4:8). O próprio Deus pratica essas duas manifestações de amor: um amor comum, pelo qual todos recebem da sua bondade, “Contudo (Deus) não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e alegria” (At. 14:17; Mt. 5:45); mas, também, um amor particular, reservado exclusivamente para o seu povo escolhido. Por isso, de necessidade, alguns são colocados à parte. Basta mencionar a salvação. Nem todos recebem a vida eterna, somente aqueles que crêem em Jesus Cristo (Jo. 3:16). Cristo não foi dado para morrer substitutivamente no lugar de cada indíviduo, antes, foi dado para salvar o seu povo, os eleitos; os demais são excluídos por causa de suas transgressões. José foi instruído quanto ao nome da criança que iria nascer: “Ela (Maria) dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt. 1:21). Notemos a especificação da missão de Cristo: “salvará o seu povo”, aqueles que o Pai lhe deu. “Todo aquele que o Pai me dá (e somente estes), esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37). O amor particular de Deus é a base da nossa esperança espiritual. Como é consolador entender que “Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante o nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós” (1Ts. 5:9-10).

No estudo de como amar o nosso próximo não discernimos uma seqüência específica de prioridades, nem uma distinção absoluta entre o amor comum e o amor particular. O Apóstolo se limita a nos dar princípios básicos de como devemos amar o nosso próximo. Para facilitar a compreensão das diversas partes, oferecemos algumas sugestões como chave do assunto.  

1. O nosso amor se direciona objetivamente com  atitudes estabelecidas, Vs. 9-10. a) “O amor seja sem hipocrisia”. A hipocrisia é um dos pecados mais odiosos. Não existe nenhuma outra perversidade tão danosa contra a integridade quanto a hipocrisia, porque ela contradiz a verdade. Podemos sentir o veneno desse mal quando Jesus perguntou para Judas Iscariotes: “Judas, com um beijo trais o Filho do homem?” (Lc. 22:48). O que agrada a Deus  é uma “fé sem fingimento” (2Tm. 2:15). O amor é a plenitude da virtude, mas a hipocrisia é o epítome da maldade. b) “Detestai o mal, apegando-vos ao bem”. O nosso amor a Cristo deve nos constranger em momentos de tentação. Em vez de ficar apegado ao mal, fiquemos apegados ao bem. “Vós que amais o Senhor, detestai o mal; ele guarda a alma dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios” (Sl. 9:10). c) “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal”. Esse é o amor que devemos praticar dentro da Igreja. Como podemos definir esse “amor fraternal”? Oferecemos o exemplo de Cristo: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1Jo.3:16). “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos” (Jo. 15:13). d) “Preferindo-vos  em honra, uns aos outros”. Os fariseus se esforçavam para sempre ocupar os primeiros lugares, (Mt. 23:6-7). O amor não sente nenhuma necessidade de receber honras ou destaques especiais entre os homens, pois a honra que Cristo nos dá o satisfaz plenamente. A advertência de Cristo deve ser lembrada: “Quem a si mesmo se exalta será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23:12).  

2. O nosso amor age zelosamente, evitando omissões, Vs. 11-14. a) “No zelo, não sejais remissos”. Qual foi a atitude de Jesus Cristo diante do trabalho do Senhor?  Zelo, dedicação, diligência; a preguiça foi desconhecida. Ele mesmo confessou a seu Pai: “O zelo da tua casa me consumirá” (Jo. 2:11). E o Ap. Paulo confessou: “Mas pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co. 15:10). b) “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor”. Não deixemos o desânimo tomar conta de nós quando o trabalho está se tornando difícil. Timóteo recebeu esta exortação: “Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom que há em  ti pela imposição das minhas mãos” (2Tm. 1:6). E, para nos encorajar, está escrito: “E não cansemos de fazer o bem porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl. 1:6-9). c) “Regozijai-vos na esperança”. A esperança da salvação eterna é  o motivo da nossa alegria; de um dia “sermos semelhantes a Cristo, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo. 3:2). d) “Sede pacientes na tribulação”. Os cristãos foram exortados “ a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At. 14:22). Cristo nos advertiu: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo. 15:20). e) “Na oração, perseverantes”. Sem a oração, não teremos alegria em nossa salvação, nem paciência na tribulação. Pela oração, ficamos fortalecidos na fé, (Cl. 1:9-12). f) “Compartilhai as necessidades dos santos”. Com essa virtude, demonstramos que amamos a Deus. O Ap. João escreveu: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, mas de fato e de verdade” (1Jo. 3:17-18). g) “Praticai a hospitalidade”. Talvez, em nossos dias, essa palavra não tenha a mesma necessidade como nos tempos bíblicos, contudo, podemos ainda praticar o espírito dessa exortação. A nossa casa pode ser um lugar para cultos, quando queremos evangelizar os nossos vizinhos. Quando lemos sobre o início de uma nova Igreja, quantas vezes a história é como este relato: O primeiro culto se realizou na casa do irmão tal. A nossa casa pode ser um refúgio onde o cristão cansado pode chegar a fim de receber uma palavra de encorajamento espiritual. Veja a atitude de Áquila em At. 18:24-26. Com portas abertas, podemos receber oportunidades para evangelizar passantes. h) “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis”. O Ap. Paulo era um perseguidor feroz dos cristãos. Mas qual foi a atitude da igreja? Cremos que eles oravam  incessantemente por sua conversão, e Deus respondeu as suas súplicas, (At. 4:23-31). Assim, Ananias recebeu esta ordem: “Vai (a Saulo), porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel” (At. 9:15). Deus não pode responder a oração que está pedindo que os perseguidores sejam amaldiçoados, porém, ouve a oração que pede a benção para essas pessoas infelizes.    

3. O nosso amor pratica a empatia com os demais irmãos em Cristo, Vs. 15:16. a) “Alegrai-vos com  os que se alegram e chorai com os que choram”. Eis a empatia: aquela habilidade de sentir o que o irmão está sentindo. Pensamos na alegria dos  pais cujo filho rebelde se converteu e agora está vivendo uma vida piedosa. Por que tanta alegria? “Era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque este teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (Lc. 15:32). Ou pensamos na tristeza dos pais piedosos cujo filho abandonou a igreja a fim de viver uma vida dissoluta. Quantas lágrimas são derramadas por causa dessa decepção! Seja qual for o caso, a empatia traz consolo às famílias. b) “Tendo o  mesmo sentimento uns para com os outros”. Empatia é ter harmonia no viver da vida cristã. c) “Em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde”. Na igreja, somos um só em Cristo, por isso, evitamos atitudes de superioridade. d)”Não sejais sábios aos vossos próprios olhos”. Foi  o problema principal da igreja de  Laudicéia, pois dizia: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma” (Ap. 3:17). Auto-suficiência  é uma presunção que leva muitos para a perdição eterna.

4. O nosso amor age passivamente em circunstâncias provocadoras, Vs. 17-18. a) “Não torneis a ninguém mal por mal”. Em vez de pagar com a mesma moeda: “Esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens”. Cristo disse: “Assim brilhe também a vossa luz (a realidade da nossa vida cristã) para que vejam as vossas boas obras (o fruto transformador de Cristo em nós) e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5:16). b) “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”. Existem circunstâncias nas quais é impossível viver em concordância de opiniões. Nessas provocações, é melhor mantermos o silêncio, mas, sem negar a verdade. É melhor encerrar o assunto passivamente em vez de prolongá-lo, alimentando mais desgostos. “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (Tg. 3:2). “Do muito falar (nascem) palavras néscias” (Ec. 5:3).

5. O nosso amor se manifesta quando conseguimos entregar todos os ultrajes que recebemos àquele que julga retamente, Vs. 19-21. No primeiro versículo deste capítulo, o Apóstolo destacou as misericórdias de Deus, ou seja, a natureza de seu interesse para com o seu povo. Aqui, no V.19, é o Apóstolo que abre o seu coração diante dos membros da Igreja, chamando-os de “amados”, a fim de incutir a seriedade do seu apelo: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira (de Deus); porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”. a) A vingança é uma prerrogativa exclusiva de Deus; e, se alguém praticar  a sua própria vingança, está pecando, porque está fazendo o que Deus proíbe. Guardar e cumprir as ordens de Deus são disposições sábias e gratificantes, (Dt. 4:6). b) A passividade diante das injúrias é um ato de fé, porque cremos que Deus é o Vingador por excelência; Ele fará bem melhor do que nós. c) “Pelo contrário, (em vez de tentar se vingar), se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça”. Esse princípio é uma exposição prática do V.14. “Abençoai os que vos perseguem,  abençoai e não amaldiçoeis”.  Qual será o resultado desse ato  de altruísmo? “Amontoarás brasas vivas sobre a cabeça” do seu adversário. Embora não aconteça sempre, sabemos que uma resposta desprendida pode mexer com a consciência do antagonista e resultar numa reconciliação que exalta o poder de Deus – Deus abençoando o ato  de seu servo. d) “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.  O pensamento é: Não deixes o mal sacudir a sua confiança nas promessas de Deus, praticando uma vingança particular, antes, vença o mal praticando um ato de altruísmo, lembrando que o seu adversário pode ser amolentado por um ato de bondade. Em circunstâncias adversas, o cristão tem uma oportunidade para provar a realidade  da sua fé em Cristo. “Assim, brilhe também a vossa  luz diante dos homens (diante dos vossos adversários), para que vejam as vossas boas obras (por exemplo, o altruísmo) e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5:16).


Conclusão:  O desafio para amar o nosso próximo continua sendo um mandamento irrevogável. O nosso texto nos deu algumas chaves, para que pudéssemos demonstrar a realidade da nossa vida em Cristo. Nesse contexto, o Apóstolo ordena: “Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg. 1:21-22).


Rev. Ivan G. G. Ross

terça-feira, 4 de outubro de 2016

RESPEITANDO OS DONS DOS OUTROS




Leitura Bíblica: Romanos 12: 3-8

Introdução: Temos falado sobre as “misericórdias de Deus”, e, com a consciência delas em nossa vida, devemos nos sentir constrangidos a entregar a nossa vida a Ele numa consagração irrestrita, como uma manifestação de agradecimento. Sim, temos sido enriquecidos em tudo. Mas devemos prosseguir. Consagração necessita que tenhamos uma comunhão espiritual com Deus, pois “ a intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” – a sua vontade, (Sl. 25:14). E, para ter essa intimidade com Deus, é necessário que tenhamos uma vida santa e irrepreensível, uma santidade que demonstra a realidade da nossa vida cristã.

Mas, como podemos entender o sentido dessa santidade de vida? Em primeiro lugar, santidade é a renovação da imagem de Deus em nossa vida. O pecado desfigurou a imagem na qual fomos criados, mas, agora, mediante a regeneração pela ação do Espírito Santo, essa imagem está sendo remoldada em nós. Deus nos predestinou para que sejamos “conformes à imagem de seu Filho” (Gl. 4:19).  Em segundo lugar, santidade necessita de uma obediência singular à prática consciente da vontade de Deus. Cristo confessou: “Não procuro a minha vontade, e sim daquele que me enviou” (Jo. 5:30). E nós, que somos os seus seguidores, não podemos ter uma disposição que entra em choque com aquela do nosso Mestre. “Tudo quando fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl. 3:23-24).

Por que essa ênfase sobre a santidade em nossa vida? Porque vivemos no meio de pessoas cujas vidas foram dotadas com diferentes capacidades. Alguns desses dons têm um destaque maior do que outros, porém, todos têm a sua própria importância e foram distribuídos  pelo Espírito Santo para o bem total da nossa sociedade. Portanto, como cristãos, o nosso dever é respeitar os dons que outras pessoas têm. Esse respeito é uma das manifestações da nossa santidade. Vamos examinar os princípios de respeito contidos no texto da nossa leitura, e, ao mesmo tempo, sentir a importância de revelar  uma vida santa e irrepreensível no meio dessa diversidade de dons. “O amor é paciente, é benigno; o amor não se arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente” no meio de pessoas que têm dons superiores,   (1Co. 13:4-5).

1. A Distribuição dos Dons Vs. 3-6a. O Espírito Santo é o autor dos dons que cada pessoa tem, e foram distribuídos “ como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co. 12:11). Cada dom, apesar das diferenças, tem a sua própria importância, portanto, devemos evitar todo tipo de comparação que tende a exaltar um e a inferiorizar o outro. Nesse contexto, somos exortados: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um”. A exortação se refere a dois perigos insidiosos. Primeiro, o orgulho humano. O meu dom é mais importante do que o seu, portanto, mereço receber maior honra e destaque entre o povo. Tal pessoa está se esquecendo de que a  sua capacidade é um dom que foi concedido pela graça de Deus, e, portanto, pode ser revogado. “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias como se o não tiveras recebido?” (1Co. 4:7). Sem o dom de Deus, seríamos incógnitos e desprezados por causa da ausência de qualquer capacidade específica. O Ap. Paulo confessou: “Mas pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co. 15:10). Notemos como o Apóstolo deu todo o crédito à graça de Deus, que operou eficazmente em sua vida. Assim, devemos pensar com moderação e honestidade. O segundo perigo é igualmente insidioso, porque não procura reconhecer a existência de um dom da parte de Deus. O que eu posso fazer é tão insignificativo que não vale a pena ser reconhecido  como algo útil. Essa pessoa é semelhante ao servo mau e negligente, que escondeu o talento que recebera, (Mt. 25:24-27). Novamente, temos que pensar com moderação e honestidade, lembrando que os dons são distribuídos “ a cada um segundo a sua própria capacidade” (Mt. 25:15). A frase: “segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” tem este pensamento: O cristão, ao contemplar o dom que o Espírito Santo lhe confiou, pergunta: Como  posso usar esse dom para a glória de Deus? E, percebendo uma oportunidade que corresponde com o dom que recebeu, ele logo age pela fé para que o propósito de Deus se cumpra mediante a sua instrumentalidade. 

Para ilustrar a diversidade dos dons que cada pessoa recebe, pois ninguém ficou esquecido na distribuição e desprovido de qualquer capacidade, o Apóstolo usou o corpo humano que tem muitos membros, alguns visíveis e outros invisíveis, alguns com uma importância e outros com menos valor, porém, todos têm o seu lugar e utilidade no corpo; e se um membro estivesse faltando, mesmo sendo o menor, o  corpo seria incompleto e incapaz de seu pleno potencial. “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada”. Vamos lembrar que nós, como membros da Igreja, somos “ membros uns dos outros”. Quando um membro está faltando, todos sentem a sua ausência; “se um membro sofre, todos sofrem com ele”. Mas, por outro lado, “se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (1Co. 12:26). Portanto, na vida da Igreja, somos exortados: Consideremo-nos também uns aos outros, para os estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb. 10:24-25).

2 A Diversidade dos Dons, Vs. 6b-8. Aqui, o Apóstolo fala de apenas sete dons. Existem muitos outros, porém, esses sete são suficientes para ilustrar a diversidade dos dons que o Espírito Santo pode derramar sobre o seu povo, para que “seja tudo feito para edificação” (1Co. 12:26). Vamos examinar, ligeiramente, o sentido geral de cada um desses dons, lembrando que eles são concedidos para serem usados para a glória de Deus.

1)      “Se profecia, seja segundo a proporção da fé”. Profecia, em seu sentido simples, significa a declaração da Palavra de Deus, seja qual for o seu assunto. Somos exortados: “Procurai com zelo, os melhores dons” (1Co. 12:31). A profecia, sem dúvida alguma, é o melhor dom, porque, por seu intermédio, a Palavra de Deus está sendo anunciada, e o Espírito Santo, usando-a, está atraindo os ouvintes para congregarem-se aos pés de Jesus Cristo, de quem recebem o perdão de seus pecados e o dom da vida eterna. Podemos exercer esse dom com a maior confiança, porque o próprio Senhor garantiu: “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Is. 55:11). Pregar, profetizar e anunciar são sinônimos que descrevem a ordem de Cristo: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15). Esse é o melhor dom.
2)      “Se ministério, dediquemo-nos ao ministério”. A palavra é diaconia - serviço, qualquer atividade prática e útil, tal como: “Para servir as mesas”,(At.6:2). Ou, preparar uma refeição. Marta exercia esse dom, (Lc. 10:38-42). O diácono, como oficial da igreja, é um homem chamado e encarregado para fazer qualquer serviço prático dentro da igreja, a fim de manter a boa ordem nos cultos.
3)      “O que ensina, esmere-se no fazê-lo”. O Profeta recebia a sua mensagem diretamente da boca do Senhor, sem qualquer esforço próprio. Jeremias recebeu esta explicação do Senhor: “Eis que ponho na tua boca as minhas palavras” (Jr. 1:9). Mas aquele que ensina, seja pastor ou professor da Escola Dominical, tem que trabalhar  a fim de receber a sua mensagem, mediante o estudo cuidadoso da Bíblia e a pesquisa criteriosa de livros apropriados. Esmerar-se significa esforçar-se por fazer as coisas com perfeição. O Senhor nos deu esta palavra a fim de tirar de nós qualquer indolência no preparo das nossas lições: “Maldito aquele que  fizer a obra do Senhor relaxadamente” (Jr. 48:10). Em nosso ministério, devemos lembrar que estamos ensinando um povo que  está caminhando rumo à eternidade, onde existem apenas dois destinos, ou o céu ou o inferno.
4)      “O que exorta, faça-o com dedicação”. O ensino é direcionado para o nosso entendimento, enquanto que a exortação procura vivificar a consciência e os sentimentos. José, querendo tranqüilizar os seus irmãos inquietos, deu-lhes promessas: “Assim, os consolou e lhes falou ao coração” (Gn. 50:21). Alguns sabem ensinar e comunicar os fatos com clareza, porém, nem sempre sabem como aplicá-los à consciência; por isso a necessidade de exortadores dedicados a seu ministério, pessoas que fazem os fatos chegarem ao coração do povo. “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo” (Rm. 15:13).
5)      “O que contribui, com liberalidade”. Alguns têm mais recursos financeiros do que outros; contudo, todos podem dar alguma contribuição à necessidade dos pobres. Mas a ênfase quanto às contribuições recai sobre a atitude do coração. Os cristãos da Macedônia revelaram esta liberalidade. “Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos” (2Co. 8:3-4). Mas, por outro lado, temos o caso de Ananias e Safira. Sim, eles deram, mas não com liberalidade espontânea, porque reservaram parte do valor prometido para si mesmos. E, para tentarem se justificar, mentiram ao Espírito Santo, (At. 5:1-5). Qual deve ser a nossa atitude quanto à graça de contribuir? “De graça recebestes, de graça dai” (Mt. 10:18). Veja como Cristo ilustrou o sentido de liberalidade: “Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, sacudida, transbordante, generosamente vos darão” (Lc. 6:38).
6)      “O que preside, com diligência”. “O que preside” se refere especificamente aos oficiais da Igreja, ao pastor e aos presbíteros. Eles têm que exercer o seu ministério com diligência, imparcialidade e honestidade. O Ap. Pedro deu esta interpretação: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, tornando-vos modelos do rebanho” (1Pe. 5:1-3). Os que presidem dessa maneira merecem nosso respeito. E honrai sempre homens que presidem com diligência (Fp. 2:29).
7)      “Quem exerce misericórdia, com alegria”. Todos os cristãos, como um ato de amor, devem exercer a misericórdia aos que precisam, contudo, é o diácono que tem esse ministério. Ele dedica-se “ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos, com ações de conforto, como orienta a Constituição da nossa Igreja. Esse ato de amor tem valor especial quando exercido com alegria e boa vontade. “Tudo quanto fizerdes, faze-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens,  cientes de que recebeis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl. 3:23-24). Nesse contexto, Provérbios 15:30 tem uma palavra oportuna: “O olhar de amigo alegra o coração; as boas-novas fortalecem até os ossos”.

Notemos que cada um desses sete dons tem uma palavra que ensina como eles devem ser praticados. “Quem exerce misericórdia, com alegria”, etc. Em cada parte do nosso culto, Deus pede a totalidade do nosso ser, sem qualquer reserva.  “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas ao Senhor, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames e sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardardes os mandamentos do Senhor e os seus  estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?” (Dt. 10:12-13). E, para podermos agir dessa maneira, temos que cultivar uma vida santa e irrepreensível; lembrando sempre que consagração a Deus necessita de uma comunhão, uma intimidade com Deus, e o resultado não pode ser outro senão uma verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor.

Conclusão: Começamos esta mensagem mencionando a tríplice unidade, são três realidades inseparáveis na vida cristã. Consagração a Deus necessita que tenhamos comunhão espiritual com Ele; e essa intimidade sempre se manifesta através de uma vida santa e irrepreensível, uma santidade que pode ser reconhecida por todos. Santidade está unida inseparavelmente à pratica  do amor. “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” – separado de Deus (1Jo. 3:14). A prática do amor fraternal significa que respeitamos os dons que o irmão tem. Talvez eu não possa profetizar como convém, porém, reconheço que o meu irmão tem esse dom, por isso, fico grato a Deus, porque a Palavra de Deus está sendo proclamada e o seu Nome está sendo conhecido e glorificado. Mas, por lado, reconheço que Deus tem me dado um dom de acordo com a minha capacidade. Talvez não se sobressaia tanto quanto a profecia, contudo, é o dom que posso usar livremente e também glorificar a Deus.


Nos dias do Ap. Paulo, existia uma certa rivalidade quanto ao uso dos dons. Mas, qual foi a  atitude desse nobre servo de Deus? Ele escreveu: “Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por  inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam Cristo por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” (Fp. 1:15-18). Irmãos, vamos sempre lembrar: “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Que cada um de nós possamos usar o nosso próprio dom, sem qualquer inveja, com a devida diligência, como para o Senhor, sempre respeitando os dons que os demais membros da Igreja receberam do Senhor. “A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl. 3:24).



Rev. Ivan G. G. Ross

terça-feira, 6 de setembro de 2016

CONSAGRAÇÃO A DEUS




Leitura Bíblica: Romanos  12:1-2.

Introdução: No início da Carta aos Romanos, o Apóstolo confessou: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes; por isso, quanto está em mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma” (Rm. 1:14-15). Em outro lugar, ele explicou esse sentimento: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar; pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co. 9:16). O evangelho é o tema principal dessa Carta, uma mensagem que fala das misericórdias que Deus tem derramado tão liberalmente sobre o seu povo. Nos capítulos 1 a 11, podemos achar algumas dessas dádivas, por exemplo: bondade, um atributo que desperta em nós anseios espirituais, tais como “arrependimento”, 2:4. Paciência, Ele “suportou com muita longanimidade” os pecadores, 9:22. Amor, “o amor de Deus foi derramando em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”, 5:5. Graça, o dom gratuito de Deus. “ No tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça”, 11:5. Justificação, “Justificados, pois (declarados inocentes porque fomos encontrados vestidos das virtudes do Filho de Deus), temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo”, 5:1.

Agora, tendo ouvido sobre algumas das misericórdias, estamos prontos para entender como o Apóstolo aplica essas dádivas à nossa vida, visando uma consagração total da nossa vida a Deus, como uma manifestação  da nossa gratidão a Ele. 

1. A Instigação (incentivo) que Promove a Consagração. O Apóstolo dá início a esta parte, fazendo um apelo forte: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus”. O fato de termos recebido da mão de Deus tantas manifestações da sua misericórdia, sentimos que somos os seus devedores. O Salmista experimentou esse mesmo sentimento, e exclamou: “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?” Jamais conseguiremos pagar a Deus tudo o que Ele nos dá, contudo, podemos oferecer-lhe o nosso culto em atos públicos e particulares. Por isso, o Salmista prometeu: “Cumprirei os meus votos ao Senhor na presença de todo o seu povo” (Sl. 116:12-14). A única retribuição que Deus aceita de nós, é o nosso culto racional, um ato planejado e realizado “em espírito e em verdade” (Jo. 4:23-24). Quando os tessalonicenses se converteram, eles abandonaram o seu antigo modo de agir, a fim de servirem o Deus vivo e verdadeiro, (1Ts. 1:9). A conversão e o recebimento do perdão de todos os nossos pecados deve nos conduzir à consagração e a uma vida de obediência. É como Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). E Ele acrescentou: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei; que também vos ameis uns aos outros” (Jo. 13:34).

E, para nos instigar ainda mais para consagrar a nossa vida a Deus, o Apóstolo nos mostra como Deus o Pai tem nos “abençoado com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”. Quais são essas bênçãos que conduzem a nossa vida a uma consagração total? Eleição: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante o nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós”. ( 1Ts. 5:9-10). Adoção: Fomos resgatados da lei, que nos condenou à morte, “a fim de que recebêssemos a  adoção de filhos” (Gl.4:5). Redenção: Fomos tirados do império das trevas e transportados para o reino de Cristo, (Cl. 1:13). Remissão:  O perdão de todos os nossos pecados. “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl. 103:12). Salvação:  “Entretanto,  devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação” – a vida eterna na  presença consoladora de Deus, (2Ts. 2:13). O Selo do Espírito Santo:  Ele é “o penhor (a garantia) da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em  louvor da sua glória” (Ef. 1:14). “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. (Rm. 8:16). Por essas e tantas outras bênçãos que Deus  tem nos dado gratuitamente, o Apóstolo fez este apelo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que vos apresenteis o vosso corpo” a Deus em total consagração.

2. A Instauração (começo) que Promove a Consagração. O Apóstolo estava consciente da sua vida anterior, mas,  apesar de tanta insolência, ele podia confessar: “Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1Tm. 1:13). Agora, ele exorta os seus leitores: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus (aquela misericórdia por ter sido perdoado), que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.  Quando alguém nasce de novo, quando está sentindo a alegria de entender que todos os seus pecados foram graciosamente perdoados, nasce no coração dele a necessidade de oferecer a totalidade da sua vida ao seu Salvador, dizendo: “Eis aqui estou  para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). Consagração, portanto, é um ato espontâneo e a primeira manifestação do amor e gratidão que sentimos em favor de Deus. “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e  andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou  a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:1-2).

 Consagração é possível somente depois de um verdadeiro encontro salvador com Jesus Cristo. Existem  membros  em nossas Igrejas que nunca foram convencidos de seus pecados e nem da necessidade de serem nascidos de novo, porque, como dizem: sempre fomos cristãos. Essas pessoas não gostam de serem exortadas a uma vida consagrada a Deus. Estão plenamente satisfeitas com sua vida descomprometida, e não querem nada diferente. O jovem se desculpa, dizendo: Vou pensar sobre esse assunto mais tarde; preciso aproveitar a minha mocidade! Mas o tempo passa e ele continua adiando uma decisão. Com certeza, o seu  fim será semelhante ao das cinco virgens néscias, que resolveram agir quando a porta já estava fechada, (Mt. 25:1-13). Ou, o homem mais maduro, que promete: quando eu me aposentar da minha profissão secular, consagrarei a minha vida ao serviço de Deus. Mas, com esta idade, o corpo está cansado e a saúde debilitada; além disso, seus costumes já estão profundamente estabelecidos e não aceitarão a mudança que a consagração exige. Deus pede de nós um corpo vivo, cheio de disposição e pronto para qualquer serviço. Esse é o nosso culto racional e agradável a Deus. Não podemos procrastinar, aguardando um tempo mais oportuno. Na vida da Igreja sempre existem oportunidades para servir a Deus. Podemos pensar no presbiterato e no diaconato, professores para a Escola Dominical, sem esquecer das atividades que as sociedades internas oferecem. Mas alguém reclama: Eu não tenho dom para nada dessas coisas! Contudo, serviço a Deus não depende exatamente das nossas próprias capacidades. A nossa suficiência vem de Deus. Cristo nos deu esta promessa: “Mas recebereis poder, e sereis as minhas testemunhas” (At. 1:8). A nossa parte é apresentar o nosso corpo e todas as suas capacidades a Deus, e Ele nos dará a devida oportunidade. Importa que tenhamos vidas consagradas a Deus e uma disposição para servir.

3. A Instância (súplica) que Promove a Consagração. E, para que a nossa consagração seja autêntica, somos exortados: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. De modo geral, a “mente”  deste século  é o anseio de satisfazer todos os desejos do próprio egoísmo, a qualquer custo, mesmo que sejam uma transgressão da lei de Deus. Essa mentalidade mundana é perigosamente contagiante, por isso, a advertência: “E não vos conformeis com este século”. Temos que ser firmes, resistindo às ciladas sutis deste mundo.

Consagração envolve a respeitosa obediência aos Dez Mandamentos. O mundo ensina, e o nosso próprio coração também, que estes não são relevantes para o homem moderno, oferecendo uma infinidade de oportunidades que procuram  subverter a seriedade da lei de Deus. Esse desprezo do Mandamento é  visto especificamente na transgressão do Quarto Mandamento. O mundo ensina, e o nosso próprio coração também, que o Domingo não é do Senhor, como a Bíblia ensina, antes, é do  homem, e deve ser usado para satisfazer os seus próprios interesses: viagens, esportes, divertimentos, ociosidade, etc. Eis aqui como o Dia deve ser observado, juntamente com uma promessa encorajadora: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; e chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs (palavras não edificantes), então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra (fora do alcance de perigo - Dt. 33:16) e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse” (Is. 58:13-14). Sim, Deus abençoou e santificou o Seu Dia; e no guardá-lo, há uma promessa de sustento diferenciado.

Mas, como podemos guardar os Mandamentos, e, especificamente, o Quarto? Temos que nos submeter à transformação pela renovação da nossa mente. A mente humana é o centro do nosso raciocínio, dela procedem todas as nossas determinações, seja qual for a natureza delas. O Salmista confessou: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl. 119:11). E, para colocar essas palavras no coração, temos que ler a Bíblia atenciosamente todos os dias, memorizando as palavras chaves para que elas habitem em nosso coração. Dessa maneira, estaremos crescendo na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, estaremos experimentando uma transformação em nossa mente que nos conduzirá a uma verdadeira consagração pessoal a Deus. “E todos nós, com rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em  glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co. 3:18). Consagração, ou seja, dedicação  à prática da vontade de Deus, deve ser o  grande anseio de cada cristão.

4. A Instrução (convite) que Promove a Consagração. Qual é o propósito dessa transformação pela renovação da nossa mente? Eis a resposta: “Para que experimenteis qual seja  a boa, agradável e  perfeita vontade de Deus”.  É possível dar a essas três  palavras descritíveis este sentido: Tudo o que é bom, tudo que é agradável, e tudo o que é perfeito, encontra-se somente no conhecimento e na prática da vontade revelada de Deus. O mundo se esforça para oferecer substitutos para despertar a imaginação vaidosa do homem, porém, eles sempre decepcionam. O pregador experimentou esses atrativos fictícios, porém, teve que concluir: “Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento” (Ec. 2:17).  Deus coloca diante de nós  muitas opções: vida e morte, benção e maldição, para depois nos desafiar: “Escolhe, pois, a vida, para que vivas” (Dt. 30:19). Mas o pecador, em sua cegueira espiritual, não quer reconhecer a diferença ente a vida e a morte, entre a benção e a maldição. Seu único interesse é satisfazer os seus desejos do momento, porque ama “mais as trevas do que a luz” (Jo. 3:19). A nossa oração deve ser: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano” (Sl. 143:10). Essa oração é necessária “para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus” (Cl. 4:12).

A vontade de Deus deve ser o objetivo principal na vida do cristão, porque ela é boa, agradável e perfeita, e digna de ser praticada. Ela é a lei de Deus para a santificação do homem, pois “ é santa, justa e boa” (Rm. 7:12). Devemos confiar na sabedoria de Deus, pois Ele sabe o que o homem mais precisa. Veja como o Salmista interpretava essa norma: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento de Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros, e todos igualmente justos”. E qual foi o efeito desse juízo sobre a sua mente renovada? Ele confessou: “são mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar há grande recompensa” (Sl. 19:7-11). Por que estamos falando dessa maneira? Para que a  prática da vontade de Deus seja o anseio ardente do nosso coração.
     

 Conclusão: Nós, que temos sido abençoados “com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef. 1:3), devemos nos sentir constrangidos  a retribuir a Deus, dando-lhe a nossa vida em total consagração a seus interesses. “Ou desprezas a riqueza da bondade, e da tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz” à transformação do seu modo de agir e uma atitude mais decisiva que engrandece o nome de seu Deus. Essa consagração é o nosso “culto racional”, uma devoção  que dá honra a Deus. Mas, para a que a nossa consagração seja verdadeira, o texto instrui: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” por meio da leitura diária das Escrituras Sagradas. E, com a nossa mente agora renovada, estamos dispostos para ouvir e entender os conselhos do Senhor e experimentar que, de fato, a vontade de Deus para a nossa vida é boa, agradável e perfeita, própria para a nossa total felicidade. Consagração a Deus sempre precede qualquer serviço que possamos oferecer a Ele. “Ora, o Deus da paz que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe  em todo  o bem, para cumprirdes  a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém” (Hb. 13:20-21).      

A VIDA TEOLÓGICA DO PASTOR




Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: 1Timóteo 4:6-16;

Introdução:  Em 1921, Casper Wisper Hodge escreveu: “Se olharmos dentro do nosso próprio coração, podemos descobrir que a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida estão, sorrateiramente, se esforçando para reassumir o seu antigo domínio sobre a nossa vida”. E, nesse contexto, o Apóstolo nos admoesta: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (V.16).

Nesse versículo, duas verdades estão implícitas: primeira, a salvação dos nossos ouvintes, bem como a nossa própria, depende da veracidade da doutrina recebida; e, a segunda, os nossos ouvintes, bem como nós mesmos, perdemos a alegria da salvação quando uma doutrina deficiente é ensinada e adotada. Tito foi exortado a ficar “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino, como para convencer os que o contradizem” (Tt. 1:9). 

Diante desses dois perigos, o Apóstolo faz um apelo urgente: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Por causa da tendência pecaminosa  que ainda resta em cada um de nós, temos, por exemplo: o pecado da leviandade, permitindo que as verdades divinas sejam tratadas sem a devida seriedade; o pecado da indolência, quando o estudo da Palavra não recebe a devida prioridade; o pecado do pragmatismo, quando os resultados são mais importantes do que os meios utilizados. Uma Igreja cheia de pessoas que não têm uma noção salvífica  do plano da salvação não redunde para a glória de Deus. Precisamos  praticar um cuidado consciente com  aquilo que estamos comunicando à Igreja, para  que seja de acordo com a sã doutrina. Por causa de negligências no preparo das mensagens, é  possível  prejudicar aquele a favor de quem  Cristo morreu (Rm. 14:15). Assim, percebemos que a salvação dos nossos ouvintes também depende do nosso preparo teológico. Seguindo o ensino do texto lido, escolhemos três disposições indispensáveis para a formação da nossa vida teológica.

1. A Importância da Piedade, Vs. 6-8. O nosso objetivo, como pastores, é este: “Ser um bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as  palavras da fé e da boa doutrina”. Eis a exortação: “Exercita-te pessoalmente na piedade (...) a piedade para tudo é proveitosa”. Piedade  significa esforçar-se para ser irrepreensível não somente diante de Deus, mas também do nosso  próximo. Cornélio, em Atos 10, exercia a sua  piedade desta forma: era temente a Deus e orava continuamente; ensinava a sua família a  temer a Deus; cuidava do seu próximo fazendo muitas esmolas ao povo; e cuidava da sua própria vida espiritual, pronto e desejoso de ouvir a Palavra de Deus. Jó é outro exemplo dessa piedade, homem íntegro, reto e que se desviava do mal (Jó. 1:1). E o nosso texto nos oferece estas características de uma vida piedosa: “Torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”. O Apóstolo Paulo desafiava os seus leitores, dizendo: “Sede os meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co. 11:1).

Piedade não é algo que surge sem a prática de hábitos regulares. Temos que nos aplicar à leitura e ao estudo das Escrituras Sagradas, todos os dias, como um ato de culto a Deus. A ordem é: “Exercita-te, pessoalmente, na piedade”. O Apóstolo Pedro nos encoraja: “Empenhai-vos por serem achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (2Pe. 3:14). Temos que aprender a praticar a abnegação: “Desembaraçando-vos de todo peso (coisas desnecessárias que impedem o nosso livre desempenho na prática da vontade de Deus) e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hb. 12:1). Temos que ser cuidadosos com as nossas amizades e com o que ouvimos e falamos, lembrando-nos da advertência: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co. 15:33). Até certo ponto, ninguém fica ileso da influência negativa  da convivência moderna, pois ela pode opacificar o nosso testemunho cristão. Repetimos a urgência do apelo do Apóstolo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Tem cuidado para praticar uma vida piedosa. E qual o proveito de exercitar-nos na prática dessa piedade? Ela “tem a promessa da vida que agora é e da que há de vir”. A promessa de comunhão espiritual com Deus; o amor de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito Santo; e a paz de Deus que excede todo o entendimento, não apenas para o presente, mas, sim, para toda a eternidade.  

2. A Importância de Singularidade, Vs. 9-12. Singularidade no exercício do ministério, uma ação que não pode ser compartilhada com as filosofias modernas. “Ordena e ensina  estas coisas”, coisas bíblicas. Observem os dois verbos: ordenar e ensinar. Ordenar significa impor com autoridade, uma  autoridade que provém da clara exposição das Escrituras Sagradas. Ordenar é impedir a circulação  de “fábulas profanas”; proibir a entrada de “espíritos enganadores e o ensino de demônios”. Parece que o Apóstolo estava prevendo os tempos modernos! A Igreja não pode ser permitida a cultivar a mentalidade dos atenienses. “Pois todos os de Atenas, e os estrangeiros residentes, de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades” (At. 17:21). Ensinar é colocar o material em ordem sistemática para que as propostas sejam devidamente assimiladas e praticadas pelos ouvintes. Esse modo de ensinar é de suma importância  para que a Igreja tenha “as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” e o que fere os ensinos bíblicos, (Hb. 5:14).  Ensinar para que Igreja possa discernir a diferença entre  os conceitos populares e as verdades bíblicas que comunicam a vida eterna. E, para isso, é necessário alimentar a Igreja “com as palavras da fé e a boa doutrina”. Temos que confiar no poder efetível  da Escritura Sagrada. Por meio dela, Deus realiza todos os seus propósitos entre os homens.

É importante  tomar conhecimento  das cinco “palavras fiéis” que se encontram nas “Cartas Pastorais”: (1Tm. 1:15; 3:1; 4:8-9; 2Tm 2:11-13; Tt 3:4-8). Elas são súmulas de verdades e princípios bíblicos. Veja V.9 da nossa leitura: “Fiel é a palavra e digna de inteira aceitação”. Qual é essa palavra fiel? Aquela do V.8, que fala sobre a particularidade de uma vida piedosa. “Pois o exercício  físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”. O servo de Deus não pode ser contador de lorotas jocosas quando deve estar explicando as Escrituras Sagradas. Ele tem que ser totalmente singular em suas atitudes diante de Deus. Às vezes os pastores são criticados por causa de seu modo irreverente para apresentar a sua mensagem. Ele não é um animador de emoções, antes, tem que ser inteiramente singular em suas atitudes espirituais, um “obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem  a palavra da verdade” (2Tm. 2:15). Sem essa singularidade na prática da piedade, o pastor perde a sua autoridade no ensino da palavra, e, pior ainda, o nome de Deus é blasfemado em pleno culto público, por causa dessa insensibilidade espiritual. O salmista cultivava a atitude correta: “arrepia-me a carne com temor de ti, e temo os teus juízos” (Sl. 119:120).

3. A Importância da Biblicidade, Vs. 13-16.  No V.13, temos os três elementos indispensáveis no culto público: Reconhecemos que existem  outros, mas, aqui, o Apóstolo está ressaltando estes três. “Aplica-te à leitura”. Não esquece o lugar das Escrituras Sagradas no Culto a Deus.  Qual a razão dessa ênfase? Reconhecemos que o único contato que muitas pessoas das nossas Igrejas têm com a Palavra de Deus, é o que ouvem nos cultos dominicais, visto que poucas lêem a Bíblia diariamente em culto doméstico. Portanto, nessas leituras públicas, os ouvintes devem se sentir exortados pelo que Deus está  dizendo  sobre as suas vidas morais e espirituais. Além disso, o povo tem que receber o ensino que conduz ao conhecimento da natureza de Deus  e ao que Ele requer de cada um de nós. Devemos  lembrar que o fim principal do culto público é que Deus seja glorificado e que a Igreja seja encaminhada, encorajada e fortalecida para viver uma vida santa e irrepreensível, uma vida que revela a realidade de Cristo em nós. Um exemplo prático desse culto se encontra em Neemias 8:5-8: “Ezdras abriu o Livro à vista de todo o povo (...). Leram no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. Creio que essas explicações foram interpoladas durante a leitura. E quando palavras técnicas, tais como justiça, redenção, perdão e santificação foram encontradas, um breve esclarecimento de cada uma foi dado.

No V.14, o pastor é incentivado a reavivar o dom que Deus lhe deu para pastorear o seu rebanho. O uso da frase, “não te faças negligente”, significa uma consagração diária, dizendo: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). Essa consagração se torna ainda mais necessária, pois o dom foi reconhecido publicamente “com a imposição das mãos do presbitério”.

No V.15, temos que ser diligentes quanto ao cuidado da nossa vida espiritual, para que o nosso crescimento “a todos seja manifesto”. Temos que “crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe. 3:18). Por que a ênfase sobre esse desenvolvimento espiritual? Eis uma resposta que o Apóstolo nos deu: “Para que tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co. 9:27). O Pastor tem que tornar-se “padrão dos fiéis” em termos de diligência, cuidando para que a sua diligencia espiritual  seja observada por todos.

No V.16, temos mais uma exortação e, com esta, uma promessa encorajadora foi anexada. Quando atendemos ao conteúdo desse conselho, a promessa será cumprida. É evidente que o pastor que não sabe como cuidar da sua própria vida espiritual não estará apto para pastorear a vida de outros. Nesse contexto, temos a admoestação: “tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Cuidar de nós mesmos significa que temos que selecionar os livros (ou o que se encontra na Internet), que devem alimentar, positivamente, a nossa vida espiritual. O Apóstolo nos faz lembrar: “um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl. 5:9). Ou a advertência: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co. 15:33). Por causa do pecado que ainda resta em nós, podemos ser influenciados pelo alimento que não produz o temor de Deus e nem uma vida santa e irrepreensível. E, quando o pastor está sendo influenciado negativamente, ele oferecerá o mesmo alimento à sua Igreja para a debilitação daqueles “a favor de quem Cristo morreu” (Rm. 14:15) Mas, por outro lado, se ele cuidar da sua própria vida espiritual com livros (ou o que se encontra na Internet), cuidadosamente escolhidos, terá a experiência da promessa: “Salvará tanto a si mesmo como aos seus ouvintes”.

“Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto! – diz o Senhor” (Jr. 23:1). Portanto, temos que cultivar “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”, que disse: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Fp. 2:5; Jo. 10:11). Então, qual é o nosso dever, dia após dia? “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm. 2:15).

Conclusão: Terminamos confessando que o pastor tem o ofício mais sublime que um homem mortal pode exercer: ministrar em Nome do Senhor. Porém, isso envolve uma responsabilidade quase insuportável, fazendo o Apóstolo exclamar: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” (2Co. 2:16). Por que este ministério compreende tamanha responsabilidade? Porque estamos direcionando vidas, vidas imortais que podem passar a eternidade, ou no céu ou no inferno. Mas a sublimidade do ministério do pastor é que ele é encarregado de pregar o evangelho, a mensagem que conduz pecadores a arrependerem-se e a entregarem-se a Jesus Cristo, de quem recebem o perdão de todos os seus pecados, juntamente com a promessa de vida eterna.

Por isso, o nosso ministério tem que ser caracterizado por uma piedade pessoal, servindo de modelo, tendo uma vida moral e espiritual irrepreensível diante de Deus. Temos que praticar uma singularidade em nosso ministério, sem qualquer mistura com conceitos populares, pois o nosso objetivo é ordenar e ensinar o Nome santo do nosso Deus. Temos que praticar uma biblicidade que edifica não apenas a nossa própria vida, mas também a vida do povo de Deus que depende da nossa fidelidade às Escrituras Sagradas. O Ap. Paulo nos deixa com a palavra final: “Expondo estas coisas aos irmãos serás bom ministro de Jesus Cristo”. Amém   



quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O JUSTO JUIZO DE DEUS


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Romanos 2:5-11.

Introdução: Na Carta aos Romanos, o Ap. Paulo faz repetidas referências aos judeus e aos gregos, ou seja, ao povo que tinha a lei de Deus em forma escrita nas Escrituras Sagradas e ao povo que não tinha  esse mesmo privilégio. No primeiro capítulo, vemos a pecaminosidade dos gregos; no segundo capítulo, a pecaminosidade dos judeus. E, mediante essa exposição, o Apóstolo demonstrou “ que todos, tanto judeus como gregos estão debaixo do pecado” (Rm. 3:9).

Vamos examinar a situação dos gregos (gentios), esse povo que não tinha a lei de Deus escrita, contudo, apesar dessa falta, procedia “por natureza de conformidade com a lei”, porque “tem a norma da lei gravada no seu coração” (Rm. 2:14-15). Por causa desse fato, o Apóstolo descreveu a realidade dos gentios, dizendo: “Portanto, tendo conhecimento de Deus,  não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1:21). “Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm. 1:20).

Agora, vamos ver a situação dos judeus, esse povo que tinha a lei escrita, não apenas sobre papel, mas, também, “gravada no seu coração”, porque esse conhecimento inato é parte da imagem de Deus que distingue o homem de todos os demais seres vivos. Mas, por causa da sua natureza pecaminosa, o homem tem uma facilidade para abusar dos privilégios mais sagrados. O judeu tornou-se cheio de uma justiça própria, pensando que, como conhecedor da lei escrita, podia condenar os pecados dos gentios como se fosse o próprio Deus. Nesse contexto, o Apóstolo repreendeu: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; pois praticas as próprias cousas que condenas. (...) Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais  cousas e fazes as mesmas, pensas que ti livrarás do juízo de Deus?” (Rm. 2:1,3). Privilégios espirituais são concedidos por Deus para nos instruir e nos conduzir ao arrependimento; porém, de acordo com o texto, esse resultado não aconteceu (Rm. 2:4). Por isso, Deus tem que reagir e julgar o transgressor, seja quem for o culpado. Estamos, agora, prontos para meditar sobre os três pontos que o texto lido destaca: A Natureza de Deus, A Natureza do Pecador e A Natureza do Cristão.  

1. A Natureza de Deus. Podemos enumerar pelo menos três atributos que caracterizam o procedimento de Deus quanto às suas lidas com o homem. “Deus reina sobre as nações; Deus se assenta no seu santo trono” (Sl. 47:8). Nesse contexto, vemos como Ele usa os atributos destacados no texto lido.

a)      A ira de Deus. Ao meditarmos sobre essa propriedade divina, temos que desassociar o termo bíblico da ira e das emoções do homem. A frase, “ira de Deus”, é o inverso da “justiça de Deus”. Essa justiça é sempre retribuidora, cada um tem que pagar conforme as sua obras. Deus tem uma santa indignação contra o pecado e tem que reagir, porque é uma agressão contra a sua Pessoa, uma zombaria da sua santidade. Essa ira é revelada, isto é, pode ser reconhecida em dadas circunstâncias. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detém (interrompem) a verdade pela injustiça” (Rm. 1:18). Notemos que essa ira não é uma mera conseqüência do pecado; antes, é algo específico que “se revela dos céus”. Por exemplo: os desastres que aconteceram, tais como o dilúvio, (Gn 6:12-13); a destruição de Sodoma e Gomorra, (Gn. 19:24); divisões dentro de reinos etc. (2Cr 10:15). Os conflitos entre os homens podem ser uma revelação dessa ira, “recebendo eles injustiça por salário da injustiça que praticam” (2Pe. 2:13). Mas, infelizmente, muitos crimes são praticados neste mundo sem receber qualquer punição. Parece que Deus não toma conhecimento do que os homens estão praticando. Por isso, alguns dizem, atrevidamente,  “que a sua iniqüidade não há de ser descoberta, nem detestada” (Sl. 36:2). Mas não é bem assim. Deus  tem reservado para si um Dia quando a sua ira se manifestará universalmente contra todas as  formas de pecado. Como a Bíblia ensina: “Porquanto estabeleceu um Dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio  de um varão (Jesus Cristo) que destinou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At. 17:31). Este Dia, já determinado, será parte dos acontecimentos que acompanharão a segunda Vinda de Jesus Cristo na consumação do século. Esse será “o Dia da sua ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Rm. 2:5-6).
b)      O juízo retribuidor,  V. 6-8. Abraão fez esta pergunta ao Senhor: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn. 18:25). O Ap. Paulo, às vésperas da sua morte, falou da sua confiança nesse atributo divino: “ Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto Juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm. 4:8). O Salmista fez este apelo à justiça de Deus: “Exalta-te, ó Juiz da terra; dá o pago  aos soberbos. Até quando, Senhor, os perversos, até quando exultarão os perversos?” (Sl. 94:2-3). Mas não fiquemos desanimados, no Dia do juízo, cada um receberá segundo o seu procedimento: a vida eterna aos justos, e ira e indignação aos injustos. Naquele dia, todos verão o justo juízo de Deus. Ele faz “separação entre o santo e o profano” (Ez. 42:20). É bom lembrar que essa retribuição não se limita ao futuro desconhecido. Mesmo nesta vida, tanto o justo, bem como o injusto, podem sentir o início dessa remuneração. “A desventura persegue os pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem” (Pv. 13:21). E Cristo, comentando sobre esse assunto, disse: “Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna” (Lc. 18:29-30).
c)      A imparcialidade,  V.11. No Dia da retribuição, todos verão a imparcialidade de Deus. “Porque para com Deus não há acepção de pessoas”. Ele não favorece um a fim de prejudicar o outro. Todos receberão, com uma igualdade perfeita, exatamente de acordo com o procedimento praticado na vida. O critério do juízo não é baseado em privilégios espirituais ou em posições eclesiásticas, antes, é sempre de acordo com o procedimento, moral e espiritual. O fato que os judeus receberam muitos privilégios espirituais não os isentou da  necessidade de viver uma vida santa e irrepreensível e de prestar contas a Deus. E, de forma semelhante, os gentios, que não receberam esses privilégios espirituais, não ficam isentos de suas responsabilidades morais e espirituais por causa da sua ignorância das Escrituras Sagradas, pois todos, judeus e gentios, têm a lei de Deus gravada sobre o seu coração, e esta foi dada para ser obedecida. Por isso Deus pode agir com imparcialidade, retribuindo a cada um segundo o seu procedimento.     

2. A Natureza do Pecador, Vs. 8-9. Para facilitar a compreensão desses versículos, dizemos que eles se  referem ao pecador que não tem nenhuma experiência salvífica e que está vivendo desregradamente  de acordo com os seus próprios impulsos carnais. O Apóstolo destaca apenas três das transgressões que caracterizam o seu procedimento.

a)      Ele é “faccioso”, vivendo em flagrante oposição à vontade de Deus. O Apóstolo ofereceu um  exemplo dessa atitude: “E, do modo por que Janes e Zambres resistiram a Moisés, também estes resistem a verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé” (2Tm. 3:8). São pessoas que dizem, consciente ou inconscientemente: “Não queremos que este (Jesus Cristo) reine sobre nós” (Lc. 19:14).
b)      Esses facciosos “desobedecem à verdade”. São conhecedores da verdade, porém, ela é deliberadamente rejeitada e desprezada. “Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm. 3:18). É possível ser visivelmente religioso, porém, ao mesmo tempo, ser inimigo da verdade bíblica, como eram os homens do Sinédrio. Estevão foi acusado falsamente por homens religiosos, “alguns dos que eram da sinagoga” (At. 6:9). E, quando estava sendo julgado por blasfêmia, ele acusou os seus juízes religiosos, dizendo: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram os vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós, agora, vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes” (At. 7:51-53). Mas existe ainda outra maneira pela qual religiosos desobedecem à verdade. Como? Pela negligência da leitura diária das Escrituras Sagradas. É impossível obedecer ao desconhecido, e, por conseqüência, estão desobedecendo à lei pela ignorância da mesma. O profeta lamentou: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os. 4:6).
c)      Esses facciosos “obedecem à injustiça”. O homem, em seu estado natural, é distinguido por seus atos de injustiça. “Deleitam-se com a injustiça” (2Ts 2:12). O poder do pecado é um tirano cruel, impelindo o seu escravo cego para praticar todo tipo de injustiça. E, se não fosse a  graça e a misericórdia de Deus, nós, os salvos e santificados, estaríamos sob o mesmo domínio negativo, praticando a injustiça.

Qual é o salário que esses transgressores recebem? A Bíblia responde: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:7). E o nosso texto descreve o que os homens desobedientes recebem: “tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, o judeu primeiro (que tem as Escrituras como única  regra de prática, mas não as obedece) e também ao  grego (que tem a lei de Deus gravada sobre o seu coração, mas não a obedece)”. Tribulação se refere ao sofrimento externo, enquanto que angústia se refere ao sofrimento interno, o do coração. Esse sofrimento, o salário da desobediência, começa lentamente nesta vida (com o avanço da idade) e aumenta, inexaurivelmente, chegando à sua plenitude no “inferno para o fogo inextinguível, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga” (Mt. 9:43-44). O homem rico, tendo praticado a injustiça contra Lázaro, estava  “no inferno, estando em tormentos”, e desejava que  alguém molhasse em água a ponta do dedo, para  que a sua língua pudesse sentir um momento de alento, o que lhe era impossível experimentar, porque “está imposto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós” (Lc. 16:19-31). Graças a Deus, a Bíblia nos oferece uma palavra de esperança: “Se confessarmos os nossos pecados (e os abandonarmos) ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9).

3. A Natureza do Cristão, Vs. 7 e 10. Devemos  lembrar que estes versículos se referem aos cristãos, aqueles que são regenerados e renovados pelo poder do Espírito Santo, (Tt. 2:5). São “criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus, de antemão, preparou para que andássemos nelas” (Ef. 2:10). O cristão verdadeiro demonstra o seu amor para com Cristo cuidando das necessidades de seu próximo, mediante a prática dessas boas obras.

a)      Ele persevera na prática do bem. Esse bem se refere, mais especificamente, às nossas atitudes diante das necessidades do nosso próximo. Cristo nos deu um exemplo de como praticar esse bem: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes, estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt. 25:35-36). E, para nos encorajar na prática desse bem, Cristo disse: “Porquanto, aquele que vos der de beber um copo de água, em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão” (Mc. 9:41).
b)      Ele procura glória, honra e incorruptibilidade.Ele sabe que esta vida é passageira, por isso, sem negligenciar a necessidade de amar o seu próximo, de maneira prática, ele dá uma nova prioridade aos deveres espirituais, cuidando da sua própria comunhão com Deus. O exemplo de Moisés ilustra bem essa prioridade. Por que ele recusou ser chamado filho da filha de Faraó? Porque ele “considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão” (Hb. 11:24-26). As três palavras: glória, honra e incorruptibilidade, estabelecem um contraste entre a nossa vida atual e aquela do porvir. Nunca mais seremos humilhados por causa do nosso amor a Cristo, antes, contemplaremos a sua face para todo o sempre, porque, no céu, jamais veremos a morte (Ap.  22:3-4).

Qual é a recompensa que o cristão recebe por causa de seus esforços espirituais? Mesmo nesta vida, o perseverante pode experimentar glória, honra e paz. Glória, porque somos os filhos que o  próprio Deus adotou. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e de fato somos filhos de Deus” (1Jo.3:1). Honra, o privilégio de ter acesso à presença de Deus. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm. 5:1-2). Paz: paz com Deus é paz no coração: “Todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e será grande a paz de teus filhos” (Is. 54:13). Embora tenhamos as primícias dessa recompensa no tempo atual, a plenitude dela é reservada para o porvir. O Ap. Paulo tinha esta certeza: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm. 8:18).

Conclusão: Todos nós gostamos de ouvir sobre o amor de Deus, e deve ser assim, porém, esse não é o seu único atributo. Ele tem outros de igual importância, tais como a sua santidade, a sua justiça, a sua ira contra o pecado, e a sua imparcialidade em todas as suas lidas com as pessoas de todas as nações. Essas propriedades devem receber o mesmo interesse e prazer. “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra, porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr. 9:23-24).

Devemos também reconhecer que existe algo que distingue um homem do outro; um procura obedecer a Deus, enquanto que o outro vive em flagrante desobediência. E Deus, como Juiz justo, agindo com uma reta imparcialidade, recompensará cada um segundo as suas obras. A plenitude dessa retribuição acontecerá somente na consumação do século, na Segunda Vinda de Jesus Cristo. E, quanto ao tempo desse evento, a Bíblia ensina: “Vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança,  eis que lhe sobrevirá repentinamente destruição, como vem as dores do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1Ts. 5:2-3). E, por causa  dessa realidade, Cristo nos adverte: “Por isso, ficai também apercebidos, porque à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá” (Mt. 24:44). “Então, se dirá: Na verdade, há recompensa para o justo; há um Deus, com efeito, que julga na terra” (Sl. 58:11).