Vasos de Honra

sexta-feira, 17 de março de 2017

AS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO




Leitura Bíblica: Efésios 3:7-8

Introdução: O Ap. Paulo nunca cessou de ficar maravilhado com o fato de ser “constituído ministro da graça de Deus”. E, logo em seguida, acrescenta: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das Insondáveis Riquezas de Cristo”.  Por qual razão ele ficou tão maravilhado? Ele nunca se esqueceu da sua vida anterior; um perseguidor da Igreja. Como pode um Deus tão santo escolher tal pecador para ser o seu ministro? Essa lembrança o humilhava, fazendo-o confessar, de coração contrito: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1Co. 15:9). Nesse contexto, podemos entender a razão pela qual repetia tantas vezes o dom da graça de Deus. Somos salvos pela graça de Deus, (Ef. 2:8). O sentido desta palavra, “graça”, está neste versículo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tt. 3:4-5). Deus não buscou em nós um mérito chamativo, antes, quando escolheu o seu povo, Ele manifestou a sua benignidade e a sua misericórdia para com os seus escolhidos. E, a partir desse ato, Ele “nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt.3:5). Temos que reconhecer que tudo o que temos é devido ao dom gratuito da graça de Deus. Como o Salmista exclamou: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl. 115:1).

Com essa introdução, estamos prontos para entender a exultação do Apóstolo para “pregar aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. Devemos lembrar que essa graça não se limitou aos apóstolos, antes, é o dever dos membros da Igreja, porque todos nós somos as testemunhas de Cristo, e temos uma experiência da sua graça em nossa vida. As insondáveis riquezas de Cristo são tão incalculáveis quanto a distância que Ele afasta de nós os nossos pecados perdoados, (Sl. 103: 11-12). Por causa disso, a nossa compreensão dessas riquezas é extremamente limitada. A Bíblia, porém, nos oferece muitas indicações dessa riqueza, tais como:

1. A Condescendência de Cristo. Para entender a condescendência de Cristo, devemos sentir o contraste entre o seu estado na eternidade, antes da fundação do mundo, e como Ele deixou tudo a fim de entrar neste mundo como servo.
a)      O seu estado na eternidade, “conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém, manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1:20). Ele não foi criado, porque Ele é “desde os dias da eternidade” (Mq. 5:2). Veja como a Bíblia O introduz: “No princípio era o Verbo (Cristo, a Palavra viva de Deus), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram criadas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:1-3). Vemos Cristo na eternidade, assentado à direita da majestade, coroado de glória e honra, com um nome que está acima de todo nome, (Hb. 1:3; 2:7; Fp. 2:7). Por isso, Cristo podia falar da glória que Ele teve, junto do Pai, antes que houvesse mundo, (Jo. 17:5). Na Bíblia, percebemos uma igualdade entre o Pai e seu Filho Jesus Cristo. Ele confessou: “Quem me vê a mim vê o Pai” e “Eu e o Pai somos um” (Jo. 14:9; 10:30). Agora, chegando o tempo da encarnação de Jesus Cristo, lemos: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fp. 2:6). Este é aquele que veio para dar a sua vida em resgate por muitos, (Mc. 10:45). Assim, temos um relance das insondáveis riquezas de Cristo; o dom de Deus para nós, pecadores.
b)      Como Ele entrou neste mundo para servir. Apesar de ser igual a Deus, pois, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9), Ele, “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp. 2:7-8). Quem pode sondar a condescendência desse ato? A Bíblia descreve essa transição, dizendo: “Vindo, porém, a plenitude do tempo,  Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Uma das insondáveis riquezas de Cristo é o que Ele fez a fim de que sejamos chamados filhos de Deus. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). Agora, por causa dessa insondável riqueza de Cristo, podemos comparecer perante o tribunal de Deus sem medo, porque os nossos pecados estão encobertos e perdoados, pois Ele é a nossa propiciação; aquele que encobre o nosso pecado.

2. A Concordância de Cristo. Quando o conselho da Divindade (a intercomunicação entre Pai, Filho e Espírito Santo) elaborou o plano para redimir o seu povo mediante uma morte substitutiva, Jesus Cristo, imediatamente, se apresentou, dizendo: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb.10:9). Ele sabia tudo o que essa decisão envolveria; encarnar-se, viver no meio de pecadores, ser desprezado, e, finalmente, morto por crucificação. Esse ato não foi uma imposição feita por ninguém, antes, foi uma decisão inteiramente livre e espontânea. E qual a explicação? “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). Nesse ato, percebemos as insondáveis riquezas do amor de Cristo. Falando da sua morte vicária, Ele disse: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo. 10:18). Observemos dois aspectos de concordância que Cristo assumiu:

a)      A sua vida entre os pecadores. A Bíblia registra estes lamentáveis feitos quanto à recepção que Cristo recebeu dos homens: “Veio para os que eram seus, e os seus ( o povo que confessava o nome de Deus) não o receberam” (Jo.1:11). A partir dessa rejeição, Ele “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizeram caso” (Is. 53:3). E, apesar de seus atos de misericórdia, lemos, repetidamente: Os fariseus conspiravam contra ele, em como lhe tirariam a vida, (Mc. 3:6). Cristo já previu e aceitou calmamente o que lhe aconteceria, dizendo aos discípulos: “Pois será ele (o Filho do homem) entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida”. Mas, embora sabendo que tudo isso aconteceria, Ele não quis desistir da sua missão redentora. Por quê? Porque soube que “ao terceiro dia ressuscitaria” (Lc. 18:31-33). Quem pode medir as insondáveis riquezas do amor de Cristo, quando aceitou o desafio de dar a sua vida dessa maneira por nós, pecadores, que, por natureza, não temos o temor de Deus!
b)      O que aconteceu quando Cristo estava dando a sua vida? Estava “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Temos que entender e acreditar que, dentro dos propósitos do conselho da Divindade, Cristo estava pagando o preço da nossa redenção. E, por causa da sua morte vicária, Cristo recebeu esta promessa: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si” (Is. 53:11). Novamente, vamos meditar sobre as insondáveis riquezas de Cristo, acreditando, agora,  que, nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). O que está implícito nesse ato de crer? A Bíblia nos dá este exemplo: “E, do modo  por que Moises levantou a serpente (de bronze) no deserto, assim  importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo. 3:14-15).  Quando um israelita foi mordido por uma serpente abrasadora, “se olhava para a de bronze, sarava”(Nm. 21:9). Sem qualquer obra meritória, apenas em obediência à providência de Deus, um simples olhar pela fé era suficiente para ser salvo. O primeiro passo é sempre crer no que Cristo fez por nós, e todas as demais questões serão resolvidas.

3. A Constância de Cristo. Quando Cristo estava perto  de dar a sua vida em resgate por muitos, ele deixou para todos os seus seguidores uma abundância de promessas auxiliadoras. Ouça o que o Ap. Pedro diz: “Visto como, pelo seu divino poder nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais  nos têm sido doadas as suas preciosas  e mui grandes promessas, para que, por elas, vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção, das paixões que há no mundo” (2Pe. 1:3-4). Por estarmos em Cristo, temos a promessa de receber quatro dádivas que são essenciais  para se ter uma vida cristã; cada uma revelando as insondáveis riquezas de Cristo. E, pela constância de Cristo, podemos experimentar  a suficiência de suas promessas para suprir cada uma de nossas necessidades, porque Ele mesmo prometeu: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28:20). Eis as quatro dádivas: “Mas vós sois de Deus em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus: sabedoria, e justiça, e santificação e redenção” (1Co. 1:30).

a)      Sabedoria. Nós somos insensatos, mas a nossa sabedoria provém de Cristo. Como podemos receber essa sabedoria? Pela oração e pela leitura das Escrituras. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg.1:5). “Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos” (Sl. 119:99). O Apóstolo Paulo, em suas orações pelas igrejas, pediu que elas transbordassem “em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado” (Cl. 1:9-11). Precisamos dessa sabedoria para que a insensatez da nossa imaturidade não impeça o progresso do evangelho. O importante é que nos tornemos “sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:15).
b)      Justiça. Nós somos culpados, mas a nossa justiça provém de Cristo. A pergunta pungente continua inquietando o coração de muitos: “Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2). Por seu próprio esforço, é uma impossibilidade. “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus” (Gl. 3:11). A nossa única esperança é acreditar na providência de Deus para a nossa justiça. “Seremos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm. 3:24). A exortação é esta: “Mas revisti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne” (Rm. 13:14). É um ato de fé. Cremos e agimos de acordo com o contexto. E qual será o resultado? “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).
c)      Santificação. Nós somos corrompidos, mas a nossa santificação provém de Cristo. A nossa santificação foi providenciada mediante a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Romanos 6 deve ser estudado cuidadosamente a fim de entender melhor esse assunto. Mas devemos esclarecer um ponto de suma importância. Quando o Apóstolo usa a palavra “batismo” nesse capítulo, ele não está fazendo nenhuma referência ao sacramento do batismo que a Igreja observa, antes, o termo se refere à nossa união com Cristo, conforme a exposição do versículo 5. Resumidamente, quando Cristo morreu, Ele morreu para o pecado; e nós, unidos com Ele, também morremos para o pecado. Semelhantemente, quando Cristo foi sepultado, nós fomos sepultados com Ele. O poder do pecado sobre a nossa vida ficou encerrado, foi sepultado para nunca mais nos escravizar. E, por fim, quando Cristo ressuscitou, nós, também, ressuscitamos com Ele, para andarmos em novidade de vida. O que significa tudo isso? “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm. 6:22). Agora, vamos sempre lembrar da verdade intocável: “ E, assim, se alguém está em Cristo (unido com Ele), é nova criatura; as coisas antigas já passaram; e eis que se fizeram novas” (2Co. 5:17).        
d)     Redenção. Nós somos encarcerados, mas a nossa redenção provém de Cristo. Nos tempos antigos, o endividado ficava na prisão até que fosse paga toda a sua dívida (Lc. 12:58-59). Mas como podia um encarcerado pagar a sua dívida? Ele era dependente de um resgatador e, se não tivesse um, morreria no cárcere. Assim, nós, também, ficamos impossibilitados de pagar a dívida do nosso pecado. Mas Deus, em sua misericórdia infinita, providenciou um Resgatador para o seu povo, um que pagaria toda a sua dívida. Jesus Cristo é este Resgatador, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Em cada um desses quatro itens, temos uma mina das insondáveis riquezas de Cristo. Que elas sejam o assunto em nossas meditações espirituais todos os dias!


Conclusão: Vamos lembrar que nós somos as testemunhas de Jesus Cristo. Portanto, devemos cultivar o mesmo sentimento que houve no Ap. Paulo: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar (testemunhar) aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. E, finalmente, vamos sentir a responsabilidade implícita na palavra do Apóstolo: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros (o que nós somos) é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Co. 4:2).

domingo, 26 de fevereiro de 2017

O NOSSO TESTEMUNHO FINAL



Leitura Bíblica:  2 Timóteo 4:6-8

Introdução: O Apóstolo estava numa prisão em Roma. Embora não tenhamos todos os detalhes, entendemos que ele foi julgado e condenado à morte. Em vez de ficar choramingando por causa das traições e da injustiça recebida,  ele passou a relembrar sua vida como servo de Deus. Certamente ele podia ter pensado nas experiências  negativas que a vida lhe impôs, porém, não lemos nada sobre as suas tristezas, antes, com coração grato a Deus, ele  lembrou das vitórias em seu ministério, e, agora, pela fé, ansiava por seu encontro com “o Senhor, reto juiz” que lhe daria o prêmio da vitória. No texto lido, temos o relato de como ele entendeu a natureza da morte: “tendo  o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp. 1:23). Além dessas conclusões, ele registrou  para a nossa edificação o seu testemunho, palavras finais.

Creio que esta exposição não foi registrada somente para nos informar sobre os últimos dias do Ap. Paulo, antes, foi escrito para a nossa edificação e encorajamento, para que possamos enfrentar o nosso dia final com a mesma atitude de gratidão a Deus por termos sido guardados, amorosamente, a fim de entrarmos vitoriosamente nas moradas eternas. Agora, devemos estar prontos para meditar sobre o  testemunho final, e aprender do exemplo dele.

1. O Apóstolo Olhou para Baixo V.6. O Apóstolo podia contemplar a morte e o túmulo com confiança porque a sua vida foi radicada, edificada e confirmada na obra salvífica  de Jesus Cristo. Essa é a experiência que nos dá uma segurança inabalável na hora da morte. Como é precioso e fortalecedor poder confessar: “Não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito (a minha vida que foi confiada a Ele) até aquele Dia” (2Tm. 1:12).

No testemunho do Apóstolo, uma realidade se destaca de maneira clara e inconfundível: a sua morte seria um ato de culto a Deus. Essa verdade se torna evidente pela referência ao ritual praticado em alguns dos sacrifícios do Antigo Testamento: “Estou sendo já oferecido por libação”. No sacrifício, uma medida de vinho era derramada sobre o animal sendo sacrificado, “como oferta queimada de aroma agradável ao Senhor” (Nm 15:5-10). Ao usar essa figura, o Apóstolo  está dizendo: A minha vida é como aquele vinho que foi derramado sobre o altar de Deus, como um ato de culto ao meu Senhor e Salvador. Semelhantemente, as últimas palavras que Cristo falou quando sofria sobre a cruz foram dirigidas ao Pai, como um ato de culto: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E dito isto, expirou” (Lc. 23:46). A atitude de Estevão, quando estava sendo apedrejado, foi também um ato de culto. Primeiro, cheio do Espírito Santo, viu os céus abertos, e a glória de Deus, e Jesus em pé. Por isso, num ato espontâneo de adoração, disse: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At. 7:54-60). O Apóstolo Paulo estava seguindo o bom exemplo de muitos de seus antecessores. Devemos lembrar que a nossa morte é uma ocasião quando devemos glorificar a Deus, (Jo. 21:19). Portanto, devemos nos preparar para que a nossa morte seja um momento oportuno para dar o nosso testemunho final. A graça de Deus estará conosco naquela hora.

O Apóstolo continua falando sobre a sua morte iminente, decretada pelo tribunal romano. Mas, por outro lado, ele reconheceu que era o momento preordenado por Deus: “O tempo da minha partida é chegado”. Chegou, porque ele tinha completado a obra que Deus lhe confiara; não tinha mais nada para fazer aqui na terra. Por que a consciência do Apóstolo ficou tão livre de acusações naquela hora tão singular na experiência humana? Embora o seu ministério não tivesse sido perfeito, ele não foi culpado de omissões propositadas. O seu zelo pode ser entendido, quando disse: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma” (2Co. 12:16). E, em outro lugar, revelou: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação: porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co. 9:16).

Quanto à realidade inescapável da morte, está escrito: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). Quando o rei Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal, ele recebeu  esta ordem: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás”. Ao ouvir essa palavra, ele “chorou muitíssimo” (2Rs. 20:1-3). Por que esse choro e lamentação? Evidentemente, ele não se sentia preparado para enfrentar o juízo final. Ai da pessoa que se encontrar nesse estado de despreparo no seu dia final! Não é necessário ficar aterrorizado com a notícia da nossa morte, antes, devemos usar a oportunidade para nos preparar para  “por em ordem” a nossa vida espiritual. O Ap. João nos encoraja, dizendo: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele (em Jesus Cristo), para que quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1Jo. 2:28). Portanto, que estejamos preparados para que esse Dia não seja de terror.     

2. O Apóstolo Olhou para Trás, V. 7.   O Apóstolo olhou para trás e passou a meditar sobre os anos de seu ministério, no serviço de seu Senhor e Salvador. Ele menciona três fatos que caracterizaram a sua vida durante o longo dos anos. Ele colocou a sua mão no arado e nunca mais olhou para trás, (Lc. 9:62).

Primeiro, ele meditou sobre o combate espiritual que tinha enfrentado dia após dia. “Combati o bom combate”. A vida cristã é composta de lutas espirituais, forças espirituais que procuram colocar uma pedra de tropeço em nossa vida, a fim de interromper a nossa fidelidade a Jesus Cristo. O Apóstolo enfrentou essas forças e confessou: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”, Jesus Cristo (Rm. 8:30). Portanto, essa luta é um “bom combate”, porque é Cristo quem nos dá as vitórias. Esse combate tem três frentes onde somos assaltados: o mundo, a carne e o diabo, Satanás.

  1. A primeira frente é o mundo. Cristo falou sobre os “cuidados do mundo e a fascinação das riquezas” que sufocam o testemunho cristão. Demas, que ajudava o Ap. Paulo em seu ministério, o abandonou e se perdeu, “tendo amado o presente século” (2Tm. 4:10). Não há como conciliar o mundo com a vida cristã. A palavra do Apóstolo é categórica: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo. 2:15). O Ap. Paulo podia confessar: “O mundo está crucificado para mim (o mundo é morto e não tem nada para me oferecer), e, eu, para o mundo (sou morto e o mundo não pode despertar o meu interesse)”.  Não existia nenhuma atração entre os dois, (Gl. 6:14).
  2. A segunda frente é a carne, a nossa natureza pecaminosa. Como cristãos nascidos de novo, o dever constante é não ceder aos desejos pecaminosos. É possível rejeitá-los por causa do Espírito Santo que habita em nós: “Se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente viverás” (Rm. 8:13). O Apóstolo praticava esta necessidade: “Sabendo isto: foi crucificado com Cristo o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” (Rm. 6:6).
  3. A terceira frente é o diabo. A advertência é esta: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, o vosso adversário, anda em  derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. O nosso dever constante é “resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe. 5:8). O diabo tem uma arma principal para destruir os incautos, a mentira, pois ele é o pai da mentira, (Jo. 8:44). Ele usa a mentira para nos desviar, tanto nas áreas de doutrina, como também nas questões de procedimento. Para ele, não existem padrões, tudo é normal, aceitável e útil para que alcancemos experiências. O segredo é: “Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”, prontos para a próxima investida, (Ef. 6:13). O Apóstolo combatia nessas mesmas frentes e experimentou muitas vitórias para a glória de Deus. Nós também podemos ser vitoriosos, porque o nosso socorro vem do Senhor, o nosso Salvador e guia.

Em segundo lugar, ele meditou sobre a sua carreira: “Completei a carreira”. Ele cumpriu toda a vontade de Deus. O Apóstolo usou a figura de uma “pista de corrida”. O atleta tem que começar, obedecer às regras e perseverar até o ponto final, a fim de ser vencedor. Entramos nessa pista mediante a regeneração, e corremos até o fim pelo poder do Espírito Santo. Escrito sobre a nossa camiseta, em letras maiúsculas, está o nosso emblema: “SANTIDADE AO SENHOR”. Todas as nossas atividades nessa “pista de corrida”, sejam seculares, sejam espirituais, são realizadas de acordo com o nosso distintivo. Sem essa santidade, ninguém chegará até o ponto final. Essa pista se chama: “O caminho santo, o imundo não passará por ele, pois será somente para o povo do Senhor” (Is. 35:8). O Apóstolo corria nessa pista e chegou ao ponto final vitoriosamente. E nós, também, seremos vitoriosos, se corrermos de acordo com as regras, isto é, olhando firmemente para Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé (Hb. 12:2).         

Em terceiro lugar, ele meditou sobre a sua fé. “Guardei a fé”. Essa frase admite duas interpretações igualmente necessárias. Primeiro, a fé é vista como aquele corpo de sã doutrina que a Igreja Cristã adota e vive. Ela acredita que esses ensinos estão registrados inerrantemente nas Escrituras Sagradas. Sim, o Apóstolo, apesar de ser tentado a modificar o claro ensino das Escrituras, permaneceu fiel, sem qualquer vacilação. E, a segunda interpretação, a fé, crendo de coração na Pessoa de Jesus Cristo, uma confiança que nos faz entregar a nossa vida a Ele sem qualquer restrição, sabendo que Ele é poderoso para nos salvar totalmente das conseqüências condenatórias do nosso pecado. “Nele, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Mas, devemos lembrar que a fé do Apóstolo continuou inabalável, mesmo no meio de circunstâncias  extremamente difíceis. Quais foram os seus pensamentos no meio daquelas circunstâncias terríveis registradas em 2 Coríntios 11:16-33? Em prisões, em açoites, sem  medida; em perigos de morte, muitas vezes, etc. Mas em cada um desses momentos, jamais questionou a soberania de Deus que direcionava essas dificuldades, antes, confessou: “Que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor”, guardei  a fé, (2Tm.3:11). Ele não deixou circunstâncias adversas sacudirem a sua fé. Antes, sempre grato pelo privilégio de ter “a comunhão dos sofrimentos de Cristo, conformando-se com ele na sua morte” (Fp. 3:10). O Apóstolo guardou a fé, e nós também guardaremos a fé se cultivarmos as mesmas atitudes daquele homem.  Como é bom poder chegar ao fim da nossa vida, confessando: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Consolemo-nos com estas palavras: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso  trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hb. 6:10).

3. O Apóstolo Olhou para Cima, V8. Ele passou a meditar sobre o futuro, o que iria acontecer depois da sua partida. Ele irradiava uma paz transparente diante da morte, e nem se preocupava com o instrumento que seria usado, porque estava contemplando o galardão. “Já agora a coroa de justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. Podemos observar três verdades nesse versículo:

a)      É bíblico cultivar uma certeza da vida eterna e  o que está incluído nessa promessa. O Apóstolo podia  dizer: “Já agora a coroa da justiça me está guardada”. Creio que essa coroa é algo espiritual, um sinal de que temos o direito para tomar posse da vida eterna. O Ap. Tiago disse: “Bem-aventurado o homem que suportar com perseverança a provação (as tentações provocadas pelo mundo, a carne e o diabo), porque depois de ser aprovado (como vencedor), receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1:12). Cristo disse a mesma verdade: “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap. 2:10). Essa certeza da vida eterna não é dada a qualquer pessoa; a pessoa tem que amar a Cristo de todo coração e viver uma vida santa, de acordo com a imagem de seu Salvador, (Rm. 8:29). Devemos lembrar que a vida eterna não é algo que nós ganhamos por nossos próprios méritos, antes, é o dom gratuito que Cristo nos concede. Veja o processo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (algo que é sempre purificador), que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida” (Tt. 3:4-7).
b)      É bíblico acreditar no juízo vindouro. “Porque importa que todos nós (crentes e não crentes) compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10). Este não é um Dia de medo para aqueles que são salvos por Cristo Jesus. Por que? Porque teremos “reto juiz”. Com Ele, não há acepção de pessoas, nem favoritismo, (Rm. 2:11). Ele conhece o povo redimido por seu Filho Jesus Cristo, e cada um desses redimidos serão recebidos com total aprovação e galardoados com a vida eterna.
c)      É bíblico acreditar que entre os redimidos não existem distinções, pois todos são herdeiros da vida eterna. O Ap. Paulo tinha certeza de receber a “coroa da justiça”, mas não esqueceu de  acrescentar: “E não somente a mim (como se fosse alguém melhor), mas também a todos quantos amam a sua vinda”. O fim do mundo será anunciado pela Segunda Vinda de Jesus Cristo. Ele dará a ordem e os vivos e os mortos serão levantados para comparecer perante o tribunal, a fim de que cada um seja julgado de acordo com as suas obras. Naquele Dia, todos receberão  seu lugar na eternidade; os injustos para o castigo eterno e os justos para a vida eterna, (Mt. 25:46).

Conclusão: Todos nós estamos caminhando para a morte, mas, qual será o testemunho que  deixaremos para aqueles que ficam? O Apóstolo Paulo disse, com a alegria de um vencedor: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a  fé”. E, com esse testemunho de vitória, acrescentou com a mesma alegria: “Já agora a  coroa da justiça me está aguardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos  amam a sua vinda”.  Que cada um de nós possamos viver e servir de tal forma que o nosso testemunho final seja tão jubiloso quanto o do Ap. Paulo.


Termino com uma doxologia: “Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém” (Judas, versículos 24 e 25).    

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O DEUS DA REVELAÇÃO




Leitura Bíblica: Salmo 19: 1-14

Introdução:   Existem três livros que Deus tem dado a cada pessoa, para que elas tenham um conhecimento básico da sua existência e da sua vontade. O primeiro livro é visível à humanidade toda: A Expansão do Universo. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. A existência e a harmonia que reina entre as multidões desta vastidão revelam que  o seu Autor é um Ser de poder infinito, dotado com os atributos de soberania, sapiência e misericórdia. Por isso, o homem que nega a realidade de Deus está negando a visibilidade do que os seus olhos estão contemplando. Por isso, tal homem é indesculpável e merece a indignação e a reprovação eterna. Contudo, esse livro é insuficiente para as necessidades atuais do homem, porque não fala nada sobre o que Deus requer do pecador e nem como ele pode ser salvo da ira vindoura. Por causa dessa lacuna, Deus, em sua muita misericórdia, nos deu um segundo livro, as Escrituras Sagradas, revelando o que o homem  deve crer sobre Deus e o dever que Ele requer dos homens. Por isso, a nossa Igreja recebe e crê de coração que as Escrituras Sagradas – o Antigo e o Novo Testamento – são a Palavra de Deus, a  única regra de fé e prática. A importância  insubstituível desse livro está no fato de que, crendo na sua veracidade, tornamo-nos “sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo” (2Tm. 3:15). E ainda resta um terceiro livro, a nossa consciência. A lei escrita que Deus deu a seu povo não está nas mãos de todas as nações, por isso, quando Ele nos criou “à sua imagem, conforme a sua semelhança”, Ele gravou o resumo da lei sobre a natureza de cada pessoa que nasce neste mundo. O Apóstolo, descrevendo a importância desse livro, disse: “Estes (todos os homens), mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Jesus Cristo, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho”, a mensagem que Deus lhe deu por revelação, (Rm. 2:14-15; Gl 1:11-12). A existência desses três livros é apresentada claramente no Salmo 19. Portanto, demonstremos reverência e temor diante da realidade dessas revelações. O Salmista confessou: “Arrepia-se-me a  carne com temor de ti, e temo os teus juízos”. (Sl. 119:120).

1. A Revelação na Expansão, Vs, 1-6. “Os céus proclamam a glória de Deus”.  Mas o que é essa glória? É a manifestação de sua natureza imensurável e de seu caráter incólume. Ele é um Deus cheio de atributos superlativos e gloriosamente atuantes. A primeira evidência dessa glória é a criação do mundo e de tudo o que nele há. O Ap. Paulo nos deu um parecer desse portento, dizendo: “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles (todos os homens), porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas”. E veja a conclusão do Apóstolo: Por causa dessa revelação dada na criação, “tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm. 1:19-21). A negligência dessa revelação, dada por Deus através da criação, conduz o homem à sua própria destruição.

O Salmista toma duas realidades no universo e, numa linguagem singularmente poética, descreve as maravilhas da sua finalidade. Primeira: a sucessão ininterrupta da comunicação entre o dia e a noite: “Um dia discursa o outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra, se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo”. Essa sucessão de dia após dia demonstra a glória do poder organizador de Deus. Tanto o dia como a noite têm o seu propósito inalterável, aquele de anunciar a existência e a glória sapiente de Deus. Pela luz do dia vemos a providência de Deus para os homens, e a noite para lhes oferecer descanso. A lua foi dada para marcar o tempo; o sol obedece à hora certa de seu ocaso. Os animais obedecem ao seu lugar na criação. Agora, é o momento do homem. Ele sai para o seu trabalho e para os seus encargos até à tarde. E, diante dessa atividade que reflete tão claramente a glória soberana de Deus, o Salmista exclama: “Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl. 104: 19-24).

A segunda realidade é o sol. Na linguagem poética, o Senhor pôs uma tenda para o sol, um lugar no meio dos astros, a fim de lhe dar uma liberdade de movimento. “O qual como noivo que sai  dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus e até a outra vai o seu percurso.” Como o noivo sai do seu aposento, vestido de uma ostentação chamativa, assim, o sol se levanta com um esplendor pomposo que prende a nossa respiração, tamanha é sua glória. E, se ficamos tão maravilhados com a majestade reinante do sol, qual será a nossa reação quando estivermos face a face com Cristo, “o sol nascente das alturas”? (Lc. 1:78). O salmista continua a sua descrição do efeito benéfico do sol: “E nada refoge (esconde) ao seu calor”. Toda a criação sente a presença salubre do sol, uma manifestação visível da glória de Deus. Com reverência e admiração, podemos perguntar: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Sl. 8:3-4).  E, de fato, Deus nos visitou mediante o envio de seu próprio Filho, Jesus Cristo. “Ele é o resplendor da glória e a expressão exata de seu  Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb.1:3).

2. A Revelação nas Escrituras, Vs. 7-11. Das palavras  inaudíveis da expansão, passamos a ouvir as palavras audíveis do próprio Deus, dando-nos uma revelação verbal de si mesmo, mediante palavras compreensíveis. Essa revelação chama-se “a lei de Deus”, abrangendo todos os detalhes da sua vontade, ensinando o que o homem deve crer sobre Deus e o dever que Ele requer de cada pessoa. O Salmista emprega seis palavras para descrever a natureza dessa lei e o seu poder benéfico sobre a vida do homem.

(1)   “A lei do Senhor é perfeita”, e se refere aos ensinos que Deus tem nos dado. O nosso testemunho deve ser “Para mim vale mais a lei que procede da tua boca do que milhares de ouro ou de prata... pois na tua lei está o meu prazer” (Sl. 119:72,77). E qual o efeito da lei sobre a nossa vida? Ela converte e restaura a alma, conduzindo-a de volta para uma vida de paz com Deus, “De maneira que a lei nos serviu de aio (instrutor) para nos conduzir a Cristo”, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue,  a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua  graça” (Gl. 3:24; Ef. 1:7).
(2)   “O testemunho do Senhor é fiel”, e se refere à palavra dada; ela é a verdade. O Apóstolo confirmou esse pensamento, dizendo: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém, para glória de Deus, por nosso intermédio” (2Cr. 1:20). E qual o efeito desse testemunho? “Dá sabedoria aos símplices”. O Apóstolo comentou: “Expondo estas coisas (os testemunhos) aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1Tm. 4:6).
(3)   Os preceitos do Senhor são retos”, e se referem aos regulamentos que direcionam o procedimento. O Apóstolo confessou: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1Jo. 5:3). E qual o efeito? “Alegram o coração”. O Salmista disse: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo dia!” (Sl. 119:97).
(4)   “O mandamento do Senhor é puro”,  e se refere à norma que padroniza a vida moral e espiritual do homem. Nessa lei não há nenhuma injustiça. A missão dela é séria, porque “ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). O Apóstolo confessou: “Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm. 7:7). A cobiça é a causa de todo tipo de crime que leva o homem  à destruição. Porém, quando reconhecida, confessada e abandonada, “Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). E qual o efeito do mandamento? Ele “ilumina os olhos”, para que possamos reconhecer o nosso estado espiritual diante do Deus santo.
(5)   “O temor do Senhor é límpido”, e se refere à reverência e adoração diante do Senhor. O temor ensina como devemos servir a Deus “de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). E qual o efeito? Essa atitude de temor é imutável, e “permanece para sempre”.
(6)   “Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos”, e se referem às declarações da vontade de Deus. O que o Senhor determina para o seu povo é sempre o melhor para o seu bem total e jamais será confundido. O Apóstolo reconheceu essa verdade em termos da “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:2). Eis a nossa oração: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por  terreno plano” (Sl. 143:10).

Agora, ainda falando sobre a revelação escrita, temos duas frases que descrevem o que o homem de Deus sente diante dessa iluminação. Ela é uma preciosidade, por isso, deseja conformar-se mais e mais às suas normas. “São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.”  Mas essa lei penetra a consciência, admoestando e ensinado a reconhecer as recompensas que recebe, quando obedecida. “Além disso (a preciosidade dos preceitos do Senhor), por eles se admoesta o  teu servo; em os guardar, há grande recompensa”. E, agora, uma palavra para despertar a nossa crença: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que  se torna galardoador dos que o buscam” (Hb.11:6).

3. A Revelação na Experiência, Vs. 12:14. Quando contemplamos os céus, a lua e as estrelas, somos  inconscientemente levados a refletir sobre o seu  Autor. Concluímos que Ele deve ser um Indivíduo, um Deus, com poder e sabedoria indescritíveis. Contudo, Ele pode ser conhecido. A Bíblia afirma: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre os homens, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”, se não tomarem conhecimento dele, (Rm. 1:19-20). Mas Deus não se revelou somente no silêncio da Expansão, mas, também, com palavras que podemos ouvir e entender, palavras que revelam a sua vontade para todos os homens. Como? “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, falou pelo Filho” (HB. 1:1-2). Quando Jesus Cristo foi transfigurado, a voz do Pai anunciou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mt. 17:5). Agora, em nossos dias, a voz de Cristo se percebe mediante o ouvir e a leitura atenciosa das Escrituras Sagradas. Ele mesmo disse: “Em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida eterna” (Jo. 5:24).

À medida que ouvimos e lemos a Palavra de Deus, sentimos a realidade da nossa imperfeição moral. Somos pecadores e condenados diante da lei de Deus. Por isso, o Salmista pergunta: “Quem há que possa discernir as próprias faltas?” Sentimos que a totalidade do nosso ser é contaminada pelo pecado. Tudo o que falamos e produzimos tem a marca da imperfeição, o que nos faz inaceitáveis diante do Deus perfeito em santidade. O profeta lamentou: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha e as nossas iniqüidades, como vento, nos arrebatam” (Is. 64:6). Mas a Bíblia nos oferece uma esperança: “Se confessarmos os nossos pecados (a Deus o Pai, em nome de Jesus Cristo) Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). Com essa expectativa, o salmista se fortaleceu, pedindo: “Absolve-me das (transgressões) que me são ocultas”. Não apenas das visíveis, mas, também, das invisíveis e secretas. Como é consolador sentir a misericórdia do nosso Deus: “Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Sl. 130:3-4). É igualmente consolador saber que o Senhor “não nos  trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem” (Sl. 103:10-11).

Em seguida, o Salmista faz dois pedidos urgentes: “Também da soberba (aquela auto-suficiência) guarda o teu servo, que ela não me domine; então serei irrepreensível e ficarei livre da grande transgressão”, daquela tendência do homem pecador para confiar em suas próprias capacidades para se salvar, e, com isso, desprezar o que somente Deus pode fazer por meio da sua graça. E, continuando, consciente das suas próprias imperfeições, pede, de coração ansioso: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu”. As nossas palavras têm causado, muitas vezes, desgostos cortantes, por isso, o pedido do Salmista. O Apóstolo comentou: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão capaz de refrear também todo o corpo” (Tg. 3:2). Nesse contexto, notemos como o Salmista se fortaleceu, citando dois preciosos atributos do Senhor: “Rocha minha”. Sobre essa Rocha, o Deus vivo e verdadeiro, depositamos todas as nossas esperanças espirituais. Confiamos na misericórdia do nosso Deus para suprir, em Cristo Jesus, cada uma das nossas necessidades, (Fp; 4:19). E ele continua: Ele é “Redentor meu”. Jesus Cristo é “aquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados” (Ap. 1:5). Convém entender a centralidade de Jesus Cristo na vida cristã. “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho (rejeitando os seus direitos sobre a nossa vida) não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36) .

Conclusão: O Salmo 19 tem uma seqüência que começa com a revelação da natureza, ou seja, as obras da criação. Assim, descobrimos a existência de um Deus criador e vivo. Depois, somos introduzidos à revelação sobrenatural, ou seja, às Escrituras Sagradas, que nos ensinam tudo o que precisamos saber sobre Deus e o que Ele requer de nós. E, por fim, a revelação em nossa própria experiência, ou seja, o poder das Escrituras sobre a nossa consciência. Elas nos ensinam que somos pecadores e, por natureza, filhos da ira de Deus. Mas a Bíblia não nos deixa nesse estado de desespero, antes, ela nos conduz a Jesus Cristo, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos nossos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. Agora, temos um único dever inicial: crer, de coração, em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Que façamos assim.   

   

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O NOSSO RESGATE



Leitura Bíblica: 2 Tessalonicenses 2:13-15.

Introdução: Estou usando a palavra “resgate” porque a nossa salvação foi adquirida mediante o pagamento de um preço. O Apóstolo escreveu: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a  Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20) Fomos resgatados a fim de pertencermos  a Deus. Esta é a salvação: pertencer a Deus, corpo e espírito. Mas qual foi esse bom preço que Cristo pagou? O Apóstolo Pedro responde: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe. 1:18-19).

Nesse contexto, o Apóstolo Paulo escreveu: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor”. O nosso resgate deve ser o motivo de agradecimento incessante, porque, através dele, Deus demonstrou o seu amor para conosco. O texto chave ensina: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação (o que encobre) pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). O texto lido descreve como o nosso resgate aconteceu.

1. A Consecução do nosso Resgate. Quais foram os passos necessários para que o nosso resgate fosse conseguido? Em primeiro lugar, temos que entender o sentido da frase: “Porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação”. A nossa salvação é fruto de uma soberana intervenção de Deus. “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrario, eu vos escolhi a vós outros” (Jo. 15:16). Por que Deus tinha que agir soberanamente a fim de nos salvar? Por sermos pecadores e “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2Tm. 3:4), a nossa salvação, mediante a própria escolha, é uma impossibilidade (Mc. 10:23-37). Jamais escolheríamos, voluntariamente, algo que fere a nossa própria vontade. Devemos lembrar: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto: quem o conhecerá?” (Jr. 17:9). O coração corrupto do homem é o seu inimigo mortal, que luta contra qualquer aproximação a Deus. Nesse contexto de impossibilidade espiritual, o Apóstolo  exclama: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação”. Não convém fazer perguntas desnecessárias quanto à soberania de Deus na eleição de pecadores, basta  descansar nas palavras de Cristo: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim,  de modo nenhum o lançarei fora ... Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida  eterna” (Jo. 6:37,47).

A segunda frase que temos que entender: “Vos chamou mediante o nosso evangelho”. Vamos ouvir o que o Breve Catecismo da nossa Igreja fala sobre o nosso chamado ou, vocação: “Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual convencendo-nos do pecado e da nossa miséria, iluminando o nosso entendimento pelo  conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, nos persuade e habilita a alcançar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no evangelho” (Resp. 31). Cada frase deste ensino merece a mais profunda ponderação. Deus nunca revelou com antecedência o seu propósito para salvar um indivíduo mediante a sua soberana eleição, antes, o seu modo de revelar a sua vontade é sempre mediante a livre e irrestrita pregação do evangelho. A nossa primeira responsabilidade é ouvir a palavra da verdade, o evangelho da nossa salvação, e crer em Jesus Cristo, (Ef. 1:13). A promessa é esta: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm. 10:9). A nossa compreensão dos propósitos soberanos de Deus vem somente depois de crer, depois de sermos unidos com Ele, pela fé em Cristo. Os tessalonicenses reconheceram a sua eleição somente depois da sua conversão e o abandono de seus pecados. “A firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” (1Ts 1:3-9). Somos exortados a confirmar a nossa vocação (chamado) e eleição. Notemos a seqüência: primeiro, temos que crer em Cristo Jesus, conformando a nossa vida a Ele e, com isso, podemos confirmar a nossa eleição, praticando, espontaneamente, os deveres cristãos, “pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe. 1:3-11).

2. A Constituição do nosso Resgate. O nosso resgate tornou-se reconhecido pela atuação de três verdades inseparáveis: fé na verdade, a salvação e a santificação.

a)      O primeiro passo para reconhecer o nosso resgate é fé na verdade do evangelho de Jesus Cristo. Existem muitas coisas que podem nos dar uma medida de alegria no coração. Mas Cristo disse que a melhor fonte de alegria é a Palavra de Deus. “Bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a praticam” (Lc. 27:28). O Salmista experimentava essa alegria, dizendo: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo dia!” (Sl. 119:97). Por que a Palavra de Deus merece tanta prioridade? Porque todas as experiências espirituais começam com o ouvir dessa Palavra, inclusive a própria fé, que “vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm. 10:17). Tudo depende da atuação da fé, isto é, crer na realidade de um objeto invisível, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb. 11:6). A importância da fé (crer) pode ser  reconhecida, conclusivamente, neste versículo: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde (uma atitude de incredulidade) contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36).
b)      Salvação. O alvo da nossa fé é que obtenhamos “a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória”. A salvação na Bíblia abrande muito mais  do que a vida eterna. Cristo veio para salvar o seu povo dos pecados deles, (Mt. 1:21). Essa salvação inclui o livramento do domínio escravizador do  pecado mediante uma verdadeira regeneração pelo  poder do Espírito Santo. Quando cremos em Cristo, somos espiritualmente unidos com Ele, participando  de todas as experiências de Cristo quando Ele deu a sua vida em resgate por muitos. O fruto dessa união: “O pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei e sim da graça” (Rm. 6:14). A graça de Deus é um novo princípio de direção atuando em nossa vida, mediante o Espírito Santo que habita em nós. “Digo, porém, andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl. 5:16). Sim, a nossa salvação é libertadora e redunde para uma vida abundante em harmonia com a vontade de Deus.
c)      Santificação. Inseparavelmente ligado à nossa salvação, no sentido pleno da experiência, está a nossa santificação, uma vida santa e irrepreensível perante o Senhor. A realidade da nossa salvação se  revela pela santidade da nossa vida. Veja como o Apóstolo descreve essa verdade: “Mas graças a Deus porque outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração, à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”, praticantes do que é reto diante de Deus, (Rm. 6:17-18). O Apóstolo continua dizendo, realçando a realidade da nossa salvação: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e,  por fim, a vida eterna; porque o salário do pecado (o que recebemos) é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm. 6:22-23). Podemos resumir a doutrina da santificação citando o ensino do Breve Catecismo da nossa Igreja: “Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão” (Resp.35). Devemos lembrar que a santificação é de tal modo necessária, que sem ela ninguém verá o Senhor, (Hb. 12:14).

3. A Consumação do nosso resgate. Por causa do nosso resgate, podemos alcançar “ a glória do nosso Senhor Jesus Cristo”. É o privilégio de poder “ contemplar a sua face” e estar com Ele para sempre; será o ápice da  nossa salvação, (Ap. 22:3-4). Mas, o que significa essa palavra “glória”?  No Novo Testamento, a glória se refere ao caráter imaculado de Jesus Cristo, revelado em seus atributos divinos; e, por causa disso, a sua posição exaltada à destra de Deus. Ele é “o Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Ap. 19:16). E, depois de completar a sua obra redentora, “assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente  nome do que eles” (Hb. 1:3). E, quando lemos o testemunho dos discípulos, percebemos que eles reconheceram algo diferente na pessoa de Jesus Cristo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai” (Jo. 1:14).Qual foi a glória que os discípulos contemplaram? “A glória como do Unigênito do Pai”. Até certo ponto, eles estavam começando a reconhecer a fulgurância da sua graça e a majestade da sua verdade que se manifestaram em todas as suas obras e palavras; os atributos e a sua Divindade  brilhando através do véu da sua  natureza humana. Em outras palavras, João e os demais discípulos fixaram o seu olhar adorador sobre o que é a possessão natural de Um, cujo nome é: O Unigênito do Pai.

Jesus manifestou a sua glória, o brilho da sua Divindade, nas bodas de Caná, (Jo. 2:11). Ele deu a sua aprovação dos laços matrimoniais. Ele fez conhecido o seu atributo de misericórdia, suprindo as necessidades numa situação possivelmente constrangedora. Assim, Ele é poderoso para suprir todas as necessidades físicas e espirituais do seu povo, para que seja conduzido a Deus, (1Pe. 3:18). O atributo de seu amor se manifestou naquela festa, revelando a sua prontidão para dar tudo gratuitamente. “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef. 5:2). E, finalmente, Ele demonstrou que Ele, de fato, é o Filho de Deus, cheio de graça e de verdade. A sua glória é que Ele é “poderoso para socorrer os que são tentados”, (Hb. 2:18). Ele é o nosso Salvador no sentido mais abrangente possível da palavra.

Na transfiguração, os discípulos, Pedro, João e Tiago, foram privilegiados para ter um relance da glória celestial de Jesus Cristo. O que é que eles contemplaram? “O seu rosto (de Jesus) resplandecia como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz”. E, logo em seguida, ouviram uma voz vinda da nuvem luminosa, que dizia: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo, a ele ouvi” (Mt. 17:1-8). A transfiguração teve, entre outras razões, um duplo propósito:
a)      Para preparar Cristo, o nosso Mediador e Substituto, para enfrentar, com coragem, tudo o que era necessário para resgatar o seu povo da sentença condenatória da lei, a saber: um julgamento, cruel e injusto, e, finalmente, depois de ser brutalmente açoitado, foi crucificado, como se fosse o pior dos criminosos. “Todavia, ao Senhor, agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado (...) foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu”  (Is. 53:10,12). Nesse contexto, apesar do aparente abandono, a transfiguração deu a Cristo não apenas o apoio total do Pai, mas, também, a experiência da glória que o aguardava.
b)      Para fortalecer e confirmar a fé desses três discípulos, e, indiretamente, da Igreja, quanto à verdadeira identidade de Jesus Cristo como Filho Unigênito do Deus vivo e verdadeiro.

Em João capítulo 17, Jesus fez repetidas referências à sua glória eterna. Em sua oração ao Pai, Ele disse: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste a fazer; e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Vs. 4 e 5). Vamos ouvir outra parte comovente dessa oração: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (V.24). Em resposta a essa oração, fomos resgatados para alcançarmos “a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”. E, com certeza, veremos  como o Pai atende os pedidos de seu Filho. 

E, nesse meio termo, o testemunho de Cristo perante o Sinédrio, que estava no processo de condená-lo à morte por crucificação. Diante de seus juízes, Ele falou da sua Segunda Vinda com poder e muita glória, dizendo: “Eu vos declaro  que, desde agora, vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt. 26:64). Devemos cultivar a mesma esperança dos tessalonicenses, que aguardavam a vinda do Filho de Deus, que ressuscitou dentre os mortos, sabendo que Ele nos livrará da ira vindoura, (1Ts.1:10). Naquele dia, alcançaremos “a glória do nosso Senhor Jesus Cristo”, e teremos toda a eternidade para descobrir mais e mais, a glória da sua Pessoa, mediante os seus atributos divinos.

Conclusão: Temos visto como Cristo conseguiu o nosso resgate e o que foi constituído como resultado. E, para a consumação do nosso resgate, alcançaremos, de uma maneira mais completa, a glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Agora, munidos com essa esperança, o Apóstolo nos exorta: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições  que vos foram ensinadas, seja por palavra (a pregação do evangelho) ou epístola nossa” (V.15). A perseverança, mesmo no meio de tribulações, é de suma importância, porque, sem ela, jamais alcançaremos o alvo, a salvação da nossa vida. Como o Apóstolo confessou, e o que nós devemos imitar também: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm. 8:18). “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo com ele é” (1Jo. 3:2).   


O NOSSO DIA FINAL


Leitura Bíblica: Romanos 13:11-14.

Introdução: Até aqui, nos estudos sobre Romanos 12 e 13, temos abordado cinco temas que estão inseparavelmente ligados à  prática da vida cristã. Primeiro, no ato de nossa conversão, somos consagrados a Deus, movidos a dar nossa vida a Ele por causa das muitas misericórdias derramadas sobre nós em Cristo Jesus. Em segundo lugar, reconhecemos que somos salvos pela graça de Deus, por isso, não devemos pensar de nós mesmos além do que convém, por causa do dom especial que cada um de nós recebeu de Deus. Nossos irmãos em Cristo também receberam um dom específico, que, aos olhos humanos, pode ser mais vistoso do que o nosso. Contudo, não ficamos com ciúmes, pois o nosso dom é o que Deus nos deu, portanto, deve ser usado para a sua glória, sem fazer comparações. Em terceiro lugar, aprendemos qual é a natureza do amor e como devemos praticá-lo. O amor seja sem hipocrisia, evitando vinganças particulares. Em quarto lugar, reconhecemos as instituições de autoridades civis, e o nosso dever é respeitá-las, pagando os devidos tributos, porque elas são  ministros de Deus para o nosso bem. Em quinto lugar, aprendemos quais são as obrigações do amor. Amamos a Deus, por isso obedecemos aos seus mandamentos. “O amor não pratica o mal contra o seu próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”.

Agora, em sexto lugar, parece que o Apóstolo está aplicando tudo o que ele tem ensinado até aqui, para que estejamos preparados para o nosso dia final. Há uma tendência para pensar que ainda temos muito tempo para viver, por isso, continuamos adiando decisões espirituais quanto ao futuro. Mas convém lembrar que “toda carne é como  a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente” (1Pe. 1:24-25). Sim, haverá um dia final para cada um de nós, por isso, convém ouvir o que a Palavra de Deus diz.

1. Um Apelo para nos Despertar do Sono,V11.Com a passagem dos anos, um tipo de desânimo, um sono espiritual toma conta de muitos  cristãos; o zelo  antigo praticamente não existe mais. A vida para muitos tem sido uma luta sem muitas recompensas, e,  inconscientemente, pensam: para que lutar, vou  descansar um pouco e aproveitar melhor dos anos  que ainda me restam. Outra razão desse desânimo espiritual é o estado moral do mundo. Tantos  crimes são praticados e passam impunes. A prosperidade dos maus continua sacudindo o nosso senso de justiça. Mas Cristo, prevendo tudo isso, disse: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor  (a Cristo) se esfriará de quase todos”. Contudo, veja a  advertência solene: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt. 24:12-13).

Nesse contexto, o Apóstolo escreveu: “E digo isto  a vós outros que conheceis o tempo”. Qual tempo? A rápida aproximação do nosso dia final. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10).

Percebemos, agora, a urgência nas palavras que se seguem: “Já é hora de vos despertar do sono (essa indolência espiritual); porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos”. Essa salvação se refere mais ao nosso dia final  aqui na Terra. Naquele dia, seremos libertados definitivamente de todos os dissabores desta vida. O Apóstolo viu esse dia com grande esperança, podendo confessar: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o  Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm. 4:6-8). O dia da nossa partida não precisa ser tão terrível porque, devidamente preparado e despertado, “partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fp. 1:23). 

2.  Um Apelo para Deixar as Obras das Trevas, V12. Está na hora de despregar-nos, desviar-nos dos cuidados deste mundo. “Vai alta a noite, e vem chegando o dia” da nossa partida. Entendemos que aqui, “a noite” se refere às atividades que caracterizam a vida deste mundo tão entregue às vaidades seculares, festas, comemorações e lazeres. Talvez algumas dessas coisas tenham uma importância para as famílias, contudo, elas não podem interferir com o tempo e o culto que é devido a Deus. Está na hora de ficar despregado dessas coisas desnecessárias e dedicar mais tempo para aquele que nos amou e a si mesmo se entregou à morte substitutiva por nós, assim, estaremos nos preparando para o dia final.

“Deixemos, pois, as obras das trevas (essas vaidades seculares) e revistamo-nos das armas da luz”. Em vez de sermos vestidos com as coisas das trevas, devemos ser vestidos com os valores da luz que se encontram em Cristo Jesus. Devemos desembaraçar-nos “de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia” (Hb. 12:1). Devemos  purificar-nos “de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co.7:1). Essa santidade é tão necessária, porque sem ela ninguém verá o Senhor, (Hb. 12:14). A vida cristã é muito mais do que uma mera profissão de certas verdades espirituais; é um estilo de vida, santa e irrepreensível perante o Senhor. “Revistamo-nos das armas da luz”, ou seja, das virtudes  que emanam da nossa união com Cristo. É um ato que praticamos diariamente, mediante a leitura assídua das Escrituras, fortalecendo a nossa alma.

3. Um Apelo para Andar Dignamente, V. 13.  Observemos os contrastes que o Apóstolo gosta de  estabelecer. O cristão despreza as obras das trevas a fim de praticar as obras da luz. “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes”. Somos “filhos da luz”. O nosso modo de viver está na claridade do dia; não temos necessidade de esconder o que fazemos, pois vivemos para agradar o Senhor Jesus Cristo, a quem amamos e servimos. Devemos sempre lembrar que “o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade, provando sempre o que é agradável ao Senhor” (Ef. 5:9-10).

Por que o Apóstolo fala daqueles pecados mencionados nesse versículo? “Pois outrora, éreis trevas (praticantes dessas coisas pecaminosas), porém, agora, sois luz do Senhor.” Portanto, o nosso dever imediato é “andar como filhos da luz”. O cristão se esforça para não ser cúmplice nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, as reprova. A rejeição delas é total, não apenas em nossa própria vida, mas, também, na vida das pessoas ao nosso redor, (Ef. 5:6-13). O problema do pecado não é um mal que existe somente em outras pessoas, ele existe em nossa própria vida, talvez  não tão flagrante, contudo, a essência dele está no coração de cada ser humano, aguardando um momento oportuno para nos surpreender, pois o pecado nem sempre é um ato planejado. Mas veja como o Apóstolo estabelece mais um contraste. Depois de registrar uma lista de pecados detestáveis, ele acrescenta: “Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados (declarados inocentes) em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Co. 6:11). Em vez de lamentar repetidamente o que praticamos na ignorância e na incredulidade, vamos testemunhar, com gratidão incansável, da graça e da misericórdia e do perdão que recebemos de Deus em Cristo Jesus. Apesar da nossa vida anterior, feliz a pessoa que pode confessar: “Mas obtive misericórdia” (1Tm. 1:13).  “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo que ele derramou sobre nós ricamente por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt. 3:5-7). Feliz a pessoa que pode caminhar para o seu dia final com essa experiência encorajadora.

4. Um Apelo para Revestir-nos de Jesus Cristo, V.14. Está na hora de tomar uma decisão urgente: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a  carne no tocante às suas concupiscências”. Damos  tudo para Cristo e nada para a carne, que é sempre  faminta por prazeres. Despachamos as coisas inconvenientes do passado, a fim de termos uma vida livre dos pesos que são impróprios para a vida cristã.

Mas, o que significa: revestir-nos de Jesus Cristo? Quando compramos um par de sapatos, não tentamos modificá-los para o nosso gosto, pelo contrário, nós os aceitamos como foram comprados. Se não tivessem sido do nosso  agrado, não os teríamos comprado. Assim, quando  recebemos o Senhor Jesus Cristo como o nosso  Salvador, não tentamos mudá-lo para o nosso querer, antes, aceitamos como Ele é em toda a sua plenitude. Revestimo-nos dele, no sentido de que  reconhecemos a sua eternidade e tudo o que isso implica. Cremos, não apenas em sua existência, mas em quem Ele é e o que Ele fez. Por exemplo: Ele é Deus “manifestado na carne” (1Tm.3:16). “Porquanto, nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb. 1:3). Cremos que Ele é o prometido Messias, “ a consolação de Israel” (Lc. 2:25). Cremos que Ele “se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1:14). Cremos que Ele veio para dar a sua vida em resgate por muitos, (Mc. 10:45). Cremos na eficácia da sua morte  substitutiva, e que nele “temos a redenção,  pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef; 1:7). Cremos que, depois de ser morto, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu e assentou-se à destra de Deus, (1Co. 15:3-4; Mc. 16:19). “Por isso, também pode salvar totalmente  os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder  por eles” (Hb. 7:25). No Antigo Testamento, animais foram sacrificados, simbolizando a morte vindoura de Jesus. Mas esses sacrifícios foram  totalmente ineficazes, “porque é impossível que o  sangue de touros e de bodes remova pecados”. E, para resolver essa impossibilidade, Jesus Cristo deu a sua vida, segundo as promessas proféticas. “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”. A obra redentora de Cristo foi encerrada vitoriosamente. Agora, libertação  é para todos os que se revestem dessas verdades, pois a sua salvação é garantida, (Hb. 10:4,12). “Porquanto a Escritura diz: todo aquele que crê não será confundido” (Rm. 10:11). O apelo termina, dizendo: “E nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”. Não devemos à carne nenhuma obrigação, “porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). Portanto, estejamos preparados, pois o nosso dia final se aproxima sem aviso prévio.

Conclusão: Eu dei este conselho a uma jovem: Se você quer viver a vida cristã, leia e pratique o que  está em Romanos 12 e 13. E, para facilitar a compreensão desses capítulos, escrevi seis mensagens expositivas. Agora, com esta sexta palavra, desenvolvi os quatro apelos do Apóstolo. Primeiro, um apelo para nos despertarmos. A vida escoa-se  rapidamente, e, quando menos esperamos, o nosso dia final chegará. Segundo, um apelo para nos despregarmos dos cuidados deste mundo e nos revestirmos das armas da luz, ou seja, das virtudes  de Jesus Cristo. Terceiro, um apelo para praticarmos o desprezo. Desprezamos as obras das trevas a fim de praticarmos as obras da luz. Quarto, um apelo para despacharmos as coisas inconvenientes . Está na hora de tomarmos uma decisão. Qual? “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”. Reconhecemos que tudo passa rapidamente; a vida é como um breve pensamento e logo virá o nosso dia final. Portanto, devemos orar e viver esta  oração: “Ensina-nos, Senhor, a contar os nossos  dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl. 90: 9-12).


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

AS OBRIGAÇÕES DO AMOR


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Romanos 13:8-10

Introdução: É fácil discernir a transição dos versículos 1 a 7 para 8 a 10. O V.7 fala sobre a nossa dívida diante das autoridades civis, e o V. 8 fala sobre a nossa dívida diante do nosso próximo. Se amamos a Deus, amaremos as suas instituições, cumprindo os nossos deveres perante elas. E, semelhantemente, se amamos a Deus, amaremos o nosso próximo, cumprindo os nossos deveres perante ele. A Bíblia diz: “Ora, temos, da parte de Deus, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão em Cristo” (1Jo. 4:21). É o amor ao irmão que define o nosso amor a Deus. “Aquele que ama seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está em trevas, e não sabe por onde vai, porque as trevas lhe cegam os olhos” (1Jo. 2:10-11). Em Romanos 12:9-21, aprendemos como amar o nosso próximo; e em capítulo 13:8-10, somos ensinados quais são as obrigações do amor.

1) A Persistência do Amor, V8. Temos que persistir na prática do amor. O Ap. Pedro perguntou: “Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe?  Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt. 18:21-22). O texto está ensinando que, se amarmos uns aos outros, teremos o poder para perdoar todas as ofensas contra nós, sem qualquer limitação. “O amor é paciente e benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas  regozija-se com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1Co. 13:4-8).  Essa é a natureza do amor que devemos ao nosso próximo.

O nosso texto diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros;  pois quem ama o próximo tem cumprido a lei”. Esse versículo ensina pelo menos duas verdades, uma negativa e uma positiva.

a)      A verdade negativa. “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor”. A única dívida permitida é o amor que devemos a todos. Pagamos essa dívida amando o nosso próximo com um amor persistente, que nunca desiste. As demais dívidas são proibidas. Está implícita nessa palavra uma advertência quanto à nossa vida financeira. Não devemos acumular dívidas perante as autoridades. A ordem é: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto”. Devemos  perguntar: Por que pessoas têm dívidas? Uma das razões é que há um desejo de possuir mais e mais, por isso  vivem além de suas entradas, e isso é pecado.  Outra coisa é a intensa propaganda para comprar com pagamentos fáceis durante tantos meses; ou,  tomar um empréstimo a fim de adquirir mais rapidamente aquele sonho do coração. Tudo parece tão fácil! Mas, e o pagamento das mensalidades? E se acontecer uma doença,  exigindo despesas  inesperadas? Tomar outro empréstimo? Temos que  saber como cuidar de nossas finanças. É tão fácil perder o nosso testemunho cristão por causa de dívidas não pagas na hora certa. Cuidar das nossas finanças é uma maneira importante para glorificar o nome de nosso Deus. Temos que resistir as tentações do consumo e do pecado da cobiça.
b)      A verdade positiva. Não tendo preocupações com dívidas, seremos livres para amar o  nosso próximo sem restrições, assim como “ Cristo nos  amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef. 5:2). Dessa maneira, o amor é o cumprimento da lei.

2. A Persuasão do amor, V9. Somos persuadidos pelo  amor a obedecer aos mandamentos que Deus nos deu no Decálogo. Jesus recebeu esta pergunta: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt. 22:36-40). Todas as leis morais são resumidas magistralmente nessa resposta. O Apóstolo cita apenas quatro dessas leis a fim de demonstrar a persuasão do amor. Em Mateus 5, Cristo descreveu a abrangência da lei. Ela alcança não apenas o ato  físico, mas, também, os desejos íntimos do coração. “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt. 5:28). Vamos examinar as quatro leis citadas pelo Apóstolo.

a)      “Não adulterarás”. Cremos que Satanás foi “homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo. 8:44). Ele emprega a sua depravação moral para incitar a humanidade, já prejudicada por uma natureza corrompida, para praticar todo tipo de perversão sexual, sabendo que, desta maneira, ela será destruída física e espiritualmente. Nesse contexto, o Apóstolo exorta “que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo (o membro sexual) em santificação e honra” (1Ts. 4:3-6). O Breve Catecismo da nossa Igreja, por meio de perguntas e respostas, nos dá uma exposição: “Que exige o sétimo mandamento? O sétimo mandamento exige  a preservação da nossa própria castidade (pureza sexual), e da de nosso próximo, no coração, nas palavras e nos costumes. Que proíbe o sétimo mandamento? O sétimo mandamento proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras”.
b)      “Não matarás”. Notemos que Cristo não fala nada do ato físico em sua exposição (Mt. 5:21-26), antes, Ele destaca o problema das atitudes erradas diante do próximo: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: tolo (imprestável), estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt.5:22). Notemos como o perigo desse pecado se intensifica: julgamento, julgamento do tribunal e inferno de fogo. É impossível servir a Deus se tivermos qualquer desgosto em nosso coração contra o nosso irmão, (Mt. 5:23-26). Para obedecer ao sexto mandamento, o Breve Catecismo destaca a importância de “preservar a nossa própria vida e a de nossos semelhantes”. E proíbe o atentado contra a nossa própria vida ou a do nosso próximo. O Catecismo ainda acrescenta a proibição do uso “imoderado de comida, bebidas, trabalho e recreios; as palavras provocadoras... e tudo o que tende à destruição da vida de alguém”.
c)      “Não furtarás”. O Apóstolo escreveu: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef. 4:28). E, em outro lugar, acrescenta: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3:10). O trabalho honesto impede a prática de muitos pecados. “Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas, e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro” (Pv. 22:1).
d)     “Não cobiçarás”. Esse é o único mandamento que se refere diretamente à nossa vida interior, às disposições do nosso coração; todos os demais se referem a atos físicos: “Não matarás”. Novamente, deixamos o Breve Catecismo falar: “O décimo mandamento proíbe todo descontentamento com a nossa própria condição, toda inveja ou pesar à vista da prosperidade de nosso próximo”. A cobiça, ambição de possuir o que é de outro, é a causa de tantos crimes arrepiantes. O Ap. Paulo podia confessar: “Quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” (Fp. 3:6). Ele não era um homem culpado de pecados abertos, antes, era homem moralmente correto. Contudo, quando o Espírito Santo começou agir em sua vida, ele confessou: “Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm. 7:7). O Espírito Santo usou o décimo mandamento para convencê-lo da corrupção da sua vida anterior, das suas ambições carnais, em vez de buscar e praticar a vontade de Deus. “Os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera” (Mt. 13:22). Há muitas pessoas em nossos dias que têm uma vida moralmente aceitável, porém, serão condenadas por Deus por causa da transgressão do décimo mandamento, por ambições mundanas. O Apóstolo termina essa parte com uma frase retórica: “E, se há qualquer outro mandamento...”. Ele não está questionando a existência de outros mandamentos; está dizendo que esses quatros são suficientes para demonstrar as obrigações do amor, como Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). Obediência é o fruto primário do amor.

3. A Permanência do Amor, V.10. “Todas as coisas deste mundo hão de passar, porém, o amor jamais acaba” (1Co.13:8). Descrevendo a natureza do amor, o texto afirma: “O amor não pratica o mal contra o próximo”. Voltando para os quatro mandamentos citados, podemos  explicar: “Não adulterarás”. No casamento, o adultério é um mal contra o cônjuge; é uma falta de  fidelidade e amor. Adultério, no sentido mais abrangente e bíblico, é o abuso do propósito original para o sexo; é uma falta de amor a Deus, porque está zombando do que Ele determinou. Se amamos a Deus, seremos constrangidos a não praticar tais desvios. A ordem é esta: “Fugi da impureza (sexual). Qualquer  outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade (perversões sexuais) peca contra o próprio corpo” (1Co. 6:18). E convém lembrar: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:7). E, também: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31).

O mesmo princípio vale para todos os mandamentos. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não matamos, não fazemos nenhuma coisa que possa injuriar o nosso próximo, e nem o que possa prejudicar o seu nome. Respeitamos a sua vida, pois ele também foi criado por Deus. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não tentamos roubá-lo. Respeitamos os seus bens, porque reconhecemos que eles pertencem exclusivamente a ele. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não cobiçamos o que pertence a ele. O segredo é contentamento com aquilo que Deus tem nos dado, sem ter olhos cobiçosos nos bens de outrem. “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele.  Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm. 6:6-8). O descontentamento com o que Deus tem nos confiado pode levar o ambicioso a ser condenado por causas da transgressão do décimo mandamento.

Se o amor não pode fazer o mal contra o próximo, como podemos perdoá-lo se ele tem nos prejudicado em alguma coisa séria? Se nós somos cristãos de verdade, o amor virá em nosso auxílio, porque somos ensinados: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe. 4:8). Por que Deus consegue perdoar os nossos pecados? Porque eles são cobertos pelas perfeições de seu Filho amado,  Jesus Cristo. “Ele é a propiciação (cobertor) pelos nossos pecados” (1Jo. 2:2). O amor de Deus para conosco soube como cobrir o nosso pecado. Ele nos deu o seu próprio Filho, para que nele tenhamos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, (Ef. 1:7). “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós”(Cl. 3:13). Que possamos deixar o amor alcançar o  seu pleno potencial em nossa vida e ações.


Conclusão: O resumo dos nossos deveres espirituais é: “Amarás  o teu próximo como a ti mesmo, o amor não pratica o mal contra o próximo;  de sorte que o cumprimento da lei é o amor”. E, para nos encorajar: “Porque  este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus  mandamentos não são penosos; porque o que é  nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo. 5:3-4).